quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

Opinião própria


- Respeite a opinião própria de cada um!
- Whatsapp?!! Não confunda “fake news” com “opinião própria”…
- Ain, mas tem que respeitar a liberdade de opinião.
- Olha só, “liberdade de expressão” não é “liberdade de excreção”…
- Como assim?! Não entendi!
- Explico: “liberdade de excreção” é falar merda e não querer que alguém dê a descarga…

Muitos comentários nas redes sociais beiram a total ignorância quando não a total ignomínia.
Alguns “comentaristas” evocam a “liberdade de expressão” para emitir suas invectivas e inverdades sem constestação.
O que poucos sabem ou admitem é que as suas “opiniões próprias” são as “próprias opiniões” dos marqueteiros políticos e da grande mídia.
Hoje, para agravar o problema, as “opiniões próprias” são abastecidas pelos “fake news”.
Digo “abastecidas” porque a procura é grande por essa “droga” perversa que move essa rede de intrigas.
O que me leva a perguntar: depois de tudo alguém ainda acredita em “opinião própria”?

Porto Alegre, 16 de janeiro de 2019.
Imagem: Pinterest
Edu Cezimbra



segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Fermín ou Franco


" Há épocas e lugares em que ser ninguém é muito mais digno do que ser alguém."

A fala acima é de Armando, o cigano, em 'O Prisioneiro do Céu', de Carlos Ruiz Záfon.

Ditadura franquista na Espanha, época de muita repressão, prisões arbitrárias e assassinatos de oposicionistas.

Barcelona, cidade da Catalunha, lugar onde ocorre o drama narrado no livro “O Prisioneiro do Céu”, de Carlos Ruiz Záfon.

O cigano Armando se refere ao “ninguém” Fermín, um dos personagens principais desse cativante romance.

Fermín, fugitivo da prisão do Castelo de Montejuic, ao modo do Conde de Monte Cristo, está sem nada nem ninguém na vida.

Desesperado, muitas vezes pensa em acabar com sua triste vida.

No entanto, prossegue vivendo. Escapou da prisão com uma missão: cuidar do menino Daniel Sempere, outro personagem central dessa trama.

Assim como Fermín e Daniel somos ninguém nessa época e lugar, mas a exemplo de Darcy Ribeiro detestaríamos estar ao lado de alguém vencedor por meios tão espúrios quanto os do ditador Franco.


Porto Alegre, 14 de janeiro de 2019.

Imagem: Observador

Edu Cezimbra

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Perguntas bobas



Se “a necessidade é a mãe da invenção” quem seria o pai? 

- O progresso...

Se “a pressa é inimiga da perfeição” quem seria o inimigo? 

- O progresso, também.

A precipitação seria a mãe do precipício? 

A paciência seria inimiga da guerra?

As perguntas aparentemente bobas geram respostas boas, não acha?

Também geram mais perguntas bobas...

“Mais vale um pássaro na mão do que dois voando”.

Os ditos populares, além da extinção de espécies, podem gerar frases de efeito:

Mais vale um passo atrás do que dois passos no precipício.

Mais vale um passe certo do que duas bolas fora.

O que não vale é ficar mentindo e desmentindo...

Porto Alegre, 11 de janeiro de 2019.

Imagem: Google

Edu Cezimbra

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

Não mais

Não mais
Espero
Apenas
Desespero


Não mais
Aguardo
Apenas
Resguardo


Não mais
Invejo
Apenas
Revejo


Não mais
Gozo
Apenas
Antegozo


Porto Alegre, 7 de janeiro de 2019.
Imagem: Pinterest
Edu Cezimbra

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

A velha minhoca



Uma velha minhoca cavava seu túnel diário quando, de repente, foi pega por um pescador.

Como já era uma veterana na batalha pela sobrevivência anteviu logo o seu inevitável e trágico destino: servir de isca para um peixe.

Ao ver as minhocas novas se debatendo no anzol percebeu que eram logo devoradas pelo peixe.

Quando chegou a sua vez de servir de isca ficou bem quietinha fingindo de morta.

O peixe rondou, tocou a minhoca com o focinho, e ela ali bem molinha fingindo de morta.

Logo, a traíra se afastou, resmungando:

- Eu não sou bagre pra comer carniça…

Depois de um tempo, a minhoca já roxa, o pescador trocou a isca e jogou longe a velha minhoca, que saiu torta mas viva.

Moral da fábula: “minhoca velha não atrai traíra nova.”

Porto Alegre, 4 de janeiro de 2019.
Imagem: Google
Edu Cezimbra

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

A fama e a fome



Porto Alegre, 3 de janeiro de 2019.

Imagem: Pinterest

Design: Canva

Edu Cezimbra

Frases e paráfrases de dezembro de 2018


O fascismo sempre gostou de manifestações em estádios. No Brasil eram chamados de "camisas-verdes"...

Sem milagre econômico o pastor não guenta...

Segundo Drummond, em 1981 a democracia brasileira "engatinhava". Diria o poeta que ela segue de "gatinhas", hoje?

Escola Sem Partido é bem coisa de Partido Sem Escola.

Se os católicos botassem fé na terra plana, os indígenas não teriam suas terras invadidas.

Falam que trabalhador é vagabundo quando pega atestado médico, mas na primeira dificuldade apresentam atestado.

Bolsonaro sofre mesmo é de ejaculação precoce, - nem iniciou e já fraquejou...

Para sair da Caverna antes é preciso serrar as grades da Mente.

Mal amado só anda bem armado.

Uma ilha é um iceberg de rocha e terra que criou raízes.

Enquanto "O Pequeno Príncipe" é responsável pelo que cativa, "O Príncipe" é pelo cativeiro.

Os monstros que dormem dentro da tua cabeça te acordam à noite, ao teu lado, na cama. 

Em "terra de ninguém" a Guerra de Trincheiras vira Batalha Campal, diria Gramsci sobre a "política" brasileira.

Da laranja se faz laranjada, já do laranja fizeram chá de sumiço...

Parafraseando Victor Hugo: o paraíso fiscal dos ricos é feito com o inferno da dívida pública dos pobres.

As cigarras soam suas campainhas anunciando o verão enquanto as formigas seguem cortando folhas indiferentes às fábulas humanas.

Errata: a citação de que "uma pessoa só é só uma pessoa" não se aplica ao Fernando Pessoa.

Temer falou que sai de "alma leve" do seu desgoverno. 
- Vampiro não tem alma...

Quando a esperança é a única que morre é preciso dar as mãos.

Quando a esperança é a única que morre é preciso ressuscitar a esperança.

Tem muita exegese pra pouca ascese.


Facebook, dezembro de 2018.

Imagem: Pinterest

Edu Cezimbra