sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Amor no tempo da guerra


- Não gosto de filmes de guerra, muito violentos, diz uma amiga.

- Prefiro filmes de amor, conclui taxativa.

Já reparou que os filmes de guerra falam muito de amor?

- Todos?

Bom, só os que começam antes de iniciar os combates... E filmes de amor também tem muita guerra.

- Guerra dos sexos, gargalha minha amiga.

Filmes pacifistas falam muito de guerra contrapondo-a com o amor.

- Faça amor, não faça guerra, sei...

Uma pitada de filosofia ajuda: a guerra não é o oposto da paz, e sim o oposto da estagnação...

- Sério? Mas o que tem a ver com o amor?...

Voltando ao cinema: já reparou como os filmes de guerra (ao menos os antigos) tem histórias de amor, de separação e de esperança que a pessoa amada sobreviva e retorne são e salva (ou apenas manco de uma perna)?

- Já te falei que não assisto filmes de guerra!...

E dramas te agradam? Então, todos, digo, muitos filmes de guerra são dramas. A história do soldado solitário que encontra o "amor da sua vida" em um país distante e depois de ferido em combate volta para os braços da amada e a encontra com um bebê rechonchudo...

- Ai, pára, já estou quase chorando... Que filme é esse? 

Nem lembro o nome, mas posso te passar uma lista de filmes de guerra com muito amor...

- Ah, faz favor!...


Porto Alegre, 15 de dezembro de 2017.

Imagem: Google

Edu Cezimbra







A poesia é a minha história



Poesia de aniversário da minha netinha Íris, 6 anos, para Vovô Eduardo, 59 anos, já posso me aposentar!

A poesia é minha história
Sempre fui ao gostar da poesia
O céu da minha poesia
Sempre foi o amor
Isso é muito legal
Em três partes desta hora
muito feliz,
porque esse dia eu nasci
com muito amor e carinho.

Da tua neta Íris (assinado por ela)

Porto Alegre, 15 de dezembro de 2017.

Foto: Francisco Cezimbra

Transcrição: Flora Cezimbra

Íris Cezimbra Armbrust

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Um escritor é leitor assíduo



Sempre se diz que para escrever é preciso antes ler muito. E, de fato, a maioria dos escritores tem uma longa lista de livros lidos e de autores preferidos que influenciaram a sua escrita.

Digo isso, e acrescento um outro aspecto: quando comecei a escrever regularmente neste blog, percebi que as minhas leituras tornaram-se mais conscientes e inspiradoras.

Isto é,  quando se torna escritor, as palavras dos outros são lidas com mais cuidado e atenção.

Assim, quando releio um livro, ele me aparece novo e me pergunto o quanto tinha perdido de palavras e frases de rara qualidade literária.

Dou-me conta que quando se deixa de ler atentamente os bons livros ocorre um tremendo desperdício e uma falta de consideração para o seu autor.

Não falo em desconsideração pessoal (temos esse escritor em alta conta), mas naquela que gera a perda de sentido das palavras em frases plenas de poesia  - escritas com muito labor e dedicação -, reforça-se.

Quando lidas com o devido respeito, então o escritor exclama: - Gostaria de ter escrito essa frase!

É sabido que os escritores tem inveja quando leem livros ou blogs de outro escritor. 

Bem, mas isso não é "privilégio" dos escritores; é "humano, demasiado humano", embora faça do escritor  um leitor assíduo de suas próprias palavras.

Ao menos, sei que alguém lerá as minhas palavras escritas com tanto labor e dedicação...


Porto Alegre, 13 de dezembro de 2017.

Imagem: Google

Edu Cezimbra


Poemas


Porto Alegre, 13 de dezembro de 2017.

Design: Fotor

Edu Cezimbra

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Humor e Vida Nacional


Luis Fernando Veríssimo é um escritor por demais apreciado por suas crônicas e contos recheados com muito humor e ironia.

Por isso foi convidado para uma mesa-redonda sobre humor e contou que certa ocasião Millôr Fernandes leu um discurso repleto de palavras edificantes sobre paz, entendimento entre adversários e justiça social.

Ao concluir o discurso foi muito aplaudido. Depois dos aplausos revelou que tinha lido o discurso do general Médici, presidente imposto pela ditadura militar brasileira, com um dos governo mais repressivos e cruéis que os brasileiros já sofreram.

Citou dados sobre a desigualdade social no Brasil mostrando que o país era o último colocado nesse ranking vergonhoso, atrás de Botswana.

E, com sua fina ironia, alertou a todos os presentes que diante dessa incoerência entre o dito e o feito existia um risco muito grande de as pessoas descambarem para um cinismo absoluto no qual não se acredita em mais nada nem em ninguém. Isso  lá por 1995...

Verissimo falou muito sério em uma mesa-redonda sobre "Humor e Vida Nacional".

Pois é, mas parece que ninguém levou muito a sério Luis Fernando Veríssimo, um refinado humorista...

Porto Alegre, 12 de dezembro de 2017.

Imagem: Google

Edu Cezimbra

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Diário de Um Ladrão


Logo de cara já te avisam que Jean Genet é "ladrão, homossexual e prostituto", na contracapa do notável "Diário de Um Ladrão", livro de sua autoria.

A bem da verdade, diga-se que não é uma chamada sensacionalista da editora.

Nas primeiras linhas já se sabe que Jean é tudo isso - e "mais um pouco"...

Um escritor de mão cheia, um talento literário excepcional reconhecido pela elite intelectual francesa da época, entre eles, Jean-Paul Sartre e Jean Cocteau.

"Diário de Um Ladrão" é desse livros que se devora (ou te devoram). Lá por volta da página 200 estava esse leitor metido a escritor a se perguntar: qual seria a síntese dessa obra-prima da literatura universal?

Eis que ela surge "magicamente" nesse exato momento: "...este livro é o último. Estou à espera de que o céu despenque na minha cuca. A santidade consiste em fazer servir a dor. É forçar o diabo a ser Deus. É conseguir o reconhecimento do mal." 

Aqui para nós, nem sei se Jean concordaria comigo (nem interessa) que essa citação capta a essência do livro.

Mas, o caro e raro leitor há de convir, que é uma chave para o entendimento do livro...

Um parêntese: o que diria a psicóloga que condenou a vida privada de Cazuza à execração pública pelas redes sociais se lesse Jean Genet? - Desconfio que não recomendaria o livro, recomendaria?...

A vida e a obra de Jean Genet foi  julgada, a primeira pela justiça francesa; a segunda pela crítica literária.

Jean foi preso e condenado a trabalho forçados e não se queixa disso, pelo contrário...

Já a sua  literatura é altamente considerada, e ele também não se queixa disso, não.

Para Sartre, sua poesia "não é uma arte literária, é um meio de salvação".

Também - digo eu... Para "moi","Diário de Um Ladrão" é além de uma obra literária, uma "obra libertária", figurativa e literalmente, já que graças a um manifesto de intelectuais franceses e europeus, Jean Genet foi libertado da desumana prisão francesa da época pela sua relevância artística e cultural.

Como pretendia, tornou-se uma lenda...


Porto Alegre, 11 de dezembro de 2017.

Imagem: Google

Edu Cezimbra



 


quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Jogo de Bola



Passa! Passa!
Gritava a gurizada
Para o fominha de bola
Que a bola não passava
Até chutar lá pra fora...

Rola a bola
No campinho
Chuta! Pega, larga
Lá vai ela para cima
Pra cair devagarinho...

No campinho da esquina
Tinha jogo de bola
Todo dia de tardinha
Era depois da escola
A pelada da turminha.

A bola era de plástico
Não precisava ser couro
Para nós valia ouro
Triste quando furava
Numa cerca de espinho.


Parecia um tatu-bola
Quicando pelos buracos
Não tinha gramado
O nosso campinho
Era bem inclinado.

Jogavam bola
Na subida
Ou na descida
Dependia do lado
Quem ganhava…


Tinha mais guanxuma
Do que grama
Tinha muro de madeira
Não tinha bola fora
Do outro era ladeira.


O jogo de bola
Não tinha hora
Pra acabar
Era até 10
Era 5 pra virar…

De vez em quando
Era uma disparada
Quando a vidraça
Do vizinho
Era quebrada.

Pela bola ser redonda
Parecia nosso mundo
Embora gritassem gol
Não era futebol
Era só jogo de bola!

Porto Alegre, 7 de dezembro de 2017.

Imagem: Google

Edu Cezimbra

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Aventuras


Quem não sonha com aventuras? 

Heróicas, emocionantes, cheias de surpresas e alternâncias.

Quando crianças, então...

Quando adultos, as "aventuras" geralmente viram "desventuras".

Brigas, separações, divórcios litigiosos, tudo por culpa de uma "aventura":

- Bem, foi só uma "aventura", nada mais...

- Sei, pois agora virou uma "desventura"!

Crianças criam aventuras, aventuras criam crianças...A brincadeira de criança vira criança por "brincadeira".

Crianças, adolescentes, adultos têm nas fantasias uma fonte de prazer a partir da imaginação.

No caso de crianças é uma fonte de prazer. Porém, no caso de adolescentes e adultos pode virar fonte de desprazer, caso não sejam tomadas medidas de precaução.

De uma certa forma, adolescentes e adultos seguem pensando como crianças, já que não medem as consequências de suas aventuras, sejam sexuais, políticas ou econômicas.

A figura de aventureiros nessas categorias pode acabar em tragédia, como sabem os que acompanham criticamente os acontecimentos mundiais.

As lições aprendidas pelas antigas gerações são esquecidas pelas novas, e até mesmo pelos adultos que se informam pela mídia manipuladora.

Assim caminha a humanidade, desaventuradamente...

Porto Alegre, 06 de dezembro de 2017.

Imagem: Google

Edu Cezimbra

terça-feira, 5 de dezembro de 2017