quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Conto curto e sangrento


Um casal desperta e o marido, todo atencioso, pergunta como a mulher passara a noite.

- Tive insônia -  diz ela, incomodada.

- Ora, e por que não leste um pouco?

- Eram só 3:30, muito cedo para acordar...

- Ah, mais aí tem que ler até cansar...

Logo após, já na cozinha, ela se irrita e grita, porque ele atrapalha, enquanto ela tenta passar o café.

- Calma...calma...respira - fala ele.

- É que já te falei que tive uma noite mal dormida!!!

- Querida, não foi uma noite mal dormida que tiveste - diz com ar maroto - foi uma noite mal co...

Não teve tempo de completar a piada, porque a mulher dá uma facada em sua barriga avantajada.

Ele ainda tenta completar a frase: - ...mi...

Outra facada, esta atravessa - certeira - seu coração.

- ...da... - suspira ele, pela última vez.

Porto Alegre, 17 de janeiro de 2018.

Imagem: Pinterest

Edu Cezimbra

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Brincadeiras




Brincam de casinha
Com tudo que tem direito
As menininhas.

Brincam com carrinhos
Como manda o figurino
Os menininhos.

Menino não brinca com bonecas
Para não parecer menina.

Menina não brinca com bonecos
Para não parecer menino.

Bonito mesmo é quando brincam juntos,
Meninas e meninos,
De casinha e carrinho.


Dirigindo o carrinho e o fogão
Com a mesma eficiência
Sem deixar de ser o que serão.

Pois quando brincam
Levam a sério o brinquedo.
Se tudo fosse brincadeira
Haveria mais seriedade,
Tudo que é muito sério
Vira um tédio..

Porto Alegre, 16 de janeiro de 2018.

Imagem:Renoir

Edu Cezimbra


BREVE REFLEXÃO SOBRE “NOSSOS CARNAVAIS”


Fantasia de ala que o Paraíso do Tuiuti, escola do Grupo Especial do Rio, levará para a Sapucaí, dentro do enredo "Meu Deus, meu Deus, está extinta a escravidão?", do carnavalesco Jack Vasconcelos. 

Eduardo Sejanes Cezimbra
Boaventura de Sousa Santos em sua obra seminal “A Gramática do Tempo: para uma nova cultura política” nos lembra do “drama milenar da expansão ocidental em três atos”:
1) Cruzadas
2) Expansão européia
3) Século Americano-Europeu
A América do Sul passa por este terceiro ato de maneira cíclica pois “Nuestra América” está nas entranhas do monstro: “é preciso ir saindo do Norte” , aconselha Martí para uma reinvençao da emancipação.
Oswald de Andrade, do seu “Manifesto Antropófago” também citado por Boaventura como referência para essa reinvenção da emancipação escreve sobre o nosso modo de ser e pensar: Mas nunca admitimos o nascimento da lógica entre nós […] Só não há determinismo onde há mistério. Mas que temos nós com isso? […] Nunca fomos catequizados. Vivemos através de um direito sonâmbulo. Fizemos Cristo nascer na Bahia. Ou em Belém do Pará.”
Mariátegui é peruano e elaborou um novo pensamento emancipatório para a América Latina, muito inspirado em Martí e Nuestra América, escreve sobre o carnaval nos anos 20 que por transformar o burguês em guarda-roupa era verdadeiramente revolucionário por constituir uma impiedosa paródia do poder e do passado.
Concluo essa brevíssima reflexão sobre o carnaval e seu caráter contestador e de resistência à colonização cultural com a citação por Boaventura recorrendo novamente a Oswald de Andrade: “A alegria é a prova dos nove”.
Publicado originalmente em Ecologia dos Saberes, em 3 de março de 2017.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Ódio ou compaixão


Falta interpretação de texto, mas também falta empatia, o que dá na mesma.
"Pimenta nos olhos dos outros é colírio", pode ser entendida da seguinte forma: se há tanto sofrimento para todos não sobra tempo para sofrer pelo e com os outros...

Todos deveríamos sofrer com os outros ou todos deveríamos sofrer o que os outros sofrem.

Se sofrêssemos o que os outros sofrem não haveria tanto sofrimento, entende? 

Superar essa falta de empatia é difícil...

Tanto que alguém metido a escritor parafraseou o dito popular: "óleo nos olhos dos outros é fritura"...

Ao que se depreende que o pretenso escritor gosta de frituras (e quem não gosta).

E disse essa "pérola"  enquanto descascava batatas para fritá-las!

Daí se deduz que o dito cujo gosta de batatas fritas, obviamente, além das frases de efeito...

E, para não perder a viagem, logo acrescentou: "ao vencedor as batatas...fritas."

Agora já vislumbro a cara de espanto de meu caro e raro leitor... - Tá, muito engraçado, mas o que  batatas fritas tem a ver com a empatia?

Nada a ver, aparentemente...

 A "paráfrase" foi inspirada em "Olhos nos olhos", canção do Chico interpretada pela Bethânia.

"Ao vencedor as batatas" é de autoria de Machado de Assis, dito pelo filósofo Quincas Borba, no livro "Memórias Póstumas de Brás Cubas", ao que acrescentei apenas a palavra "fritas".

Tanto nos versos da canção quanto no romance há pouca empatia presente, o que não nos impede de termos empatia pelo sofrimento dos personagens.

Repare na citação completa: "Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas."

Ei-la que surge, a empatia, disfarçada em compaixão.

Note bem, caro e raro leitor, que a empatia é dada como uma alternativa: "ódio ou compaixão".


Ou, no caso da personagem cantada por Maria Bethânia, "paixão":



Porto Alegre, 15 de janeiro de 2018.

Imagem: cena de Brás Cubas, de Júlio Bressane

Edu Cezimbra







terça-feira, 9 de janeiro de 2018

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Impunidade Já!


 "Um criminoso bem-sucedido torna-se deputado para fazer da imunidade parlamentar garantia de impunidade."

Essa frase bombástica, proferida por um suplente de deputado federal, acusado de vários crimes, ao assumir a vaga na Câmara de Deputados, foi o estopim do movimento "Impunidade ampla, geral e irrestrita" que ganhou as ruas do país.

Logo após o deputado escancarar a sua principal motivação, vários setores organizados da sociedade reuniram-se para  lançar a campanha que contagiou a nação.

Primeiro foram partidos de esquerda, movimentos sociais e sindicatos que puxaram palavras de ordem, a exemplo de #ImpunidadeJá.

A seguir, empresários ligados a setores de grandes obras faraônicas também arrecadaram fundos para uma campanha publicitária nos principais canais de televisão.

Publicitários não tiveram maiores dificuldades de escolher o mascote da campanha: um enorme tucano azul e amarelo deitado em uma cadeira de piscina tomando um refresco.

Após a maciça campanha, a cada vez que se prendia um deputado, senador ou empresário, as sacadas de edifícios de zonas nobres das cidades brasileiras enchiam-se de batedores de panelas indignados exigindo a libertação do acusado.

Um cientista político teve sua declaração viralizada nas redes sociais: "Urge democratizar a impunidade".

Foi um passo para aparecerem muros da periferia pintados com frases de efeito: Arroz, fast food, saúde e impunidade", "impunes unidos jamais serão vencidos", etc...

"Nunca antes nesse país se viu um pobre escapar da prisão", discursou o candidato do Partido dos Trancafiados, subindo ainda mais nas intenções de voto para presidente.

Um outro candidato, deputado acusado de um "suposto enriquecimento ilícito", a princípio tentou fazer a demagogia de garantir acabar com a impunidade. 

Diante da queda nas pesquisas de opinião, logo mudou o discurso afirmando que " a impunidade sempre foi a minha principal motivação patriótica".

Dá para entender a baixa rejeição à campanha tão polêmica quando um jurista afirma que o direito a impunidade é uma garantia para o país seguir crescendo.

Até as corporações policiais e militares aderiram ao movimento com a alegação que seus salários não compensavam os riscos de sair prendendo vagabundos (sic)...

Para se ter noção do êxito do movimento "Impunidade Já", A PEC 171 foi votada em regime de urgência e aprovada por maioria absoluta na Câmara e no Senado e agora vai para a sanção presidencial.

Nukus Dus Outrus, correspondente estrangeiro.


Porto Alegre, 8 de janeiro de 2018.

Imagem: Google

Edu Cezimbra






sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Cortázar e seus cronópios



"Quem não lê Cortázar está condenado."
O autor de tão veemente condenação, impressa na contracapa do livro "Histórias de cronópios e de famas", de Julio Cortázar - escritor argentino de nomeada -, é nada mais nada menos que o poeta chileno Pablo Neruda.

Depois disso fui ler Cortázar. Confesso, tinha lido muito superficialmente. Que digo, passado a vista pelo seu "O jogo da amarelinha".

Cortázar é reconhecido como um autor do "realismo fantástico", segundo a apresentação da editora, para em seguida acrescentar que no livro "de cronópios e de famas" foge desse estilo tão latino-americano.

Concordo. Nestas histórias ele se aproxima de Manoel de Barros, Mário Quintana e de Neruda para escrever uma inspirada prosa poética com tons satíricos da vida cotidiana dos seus compatriotas argentinos - e latino-americanos, convenhamos...

Há quem se intitule apenas um "contador de histórias"; neste caso Cortázar poderia se autoproclamar um "descontador de histórias"...

Ao estilo do poeta pantaneiro Manoel de Barros escreve sobre "coisas desimportantes".

Recordou-me Mário Quintana quando dá instruções de como "dar corda" em um relógio de pulso.

Desconheço se leu esses dois - tão queridos por nós-  poetas brasileiros, muito provavelmente não.

Quanto a Neruda, leu, e leu muito...

Basta ver a quantidade de metáforas que emprega, tão inusitadas quanto inspiradas.

Pode-se dizer abusando da redundância dos termos em tela (tão próximos quanto "utilizados") que Cortázar escreveu "surrealismo fantástico" nesse seu sexto livro publicado...

Esse livro bem poderia ser ilustrado com as pinturas surrealistas de Salvador Dali que, sabendo ou não. retratou muitas figuras de linguagem descritas por Cortázar, ou vice-versa.

Neruda finaliza sua breve intimação para a leitura do livro com a tremenda ameaça para quem não o leu de "...e aos poucos provavelmente perderia os cabelos."

Ufa, escapei por um triz! Já o Manoel de Barros e o Quintana provavelmente não leram Cortázar...

Pela cabeleira farta Julio leu Cortázar...

E o Neruda? - pergunta meu caro e raro leitor. Leu Cortázar, óbvio, mas quantos aos cabelos é difícil saber, está sempre de boné nas fotos...

Porto Alegre, 5 de janeiro de 2018.




Imagem: Google




Edu Cezimbra







terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Frase definitivas de dezembro de 2017


Antes de uma Escola Sem Partido urge uma TV Sem Partido.


O Datafalha afirma que a rejeição ao Temer parou. - Sim, chegou ao fundo do poço...


E a "República de Curitiba"?
- Foi rebaixada para "Panela de Curitiba" pelo Tacla Durán...


Na manhã fria e nublada de uma primavera atípica o que aquece e ilumina é o canto da passarada...


Golpe contra os pobres é dado com o porrete da austeridade e depois com o cassetete da polícia.


Canções de amor são porta de entrada para drogas mais pesadas...como a poesia.


Comparando Temer com Dilma fica evidente que muitas vezes não é o que um governo faz mas o que não faz o que conta mais.


Dados do IBGE de ontem: nos dois últimos anos 23 milhões de brasileiros caíram na miséria. - Ordem e Progresso...


Parafraseando Arquimedes: "Dê-me um feriado e eu levantarei o mundo."


Em meio ao cinza
Uma réstia de sol
Faz o galo cantar


Golpe de estado do General Inverno obriga a Presidenta Primavera renunciar.


Falando aos militares Temer reclamou que no Brasil não se respeita hierarquia. Ele que o diga...


Maluf na cadeia! - Te cuida, Aécio...


Abriram-se flores de "Espada de São Jorge". - Então não são flores, são floretes...


"Contra a azia e a melancolia use Brás Cubas, o milagre de cada dia!" Machado de Assis já zombava da publicidade?


Solidão é um grande sólido que se desmancha no ar... de Soledade.


"O bom pato amarelo não berra", quando perde direitos sociais e trabalhistas não vai às manifestações por elas serem de esquerda. - Otários e reacionários.


Temer com 6% de aprovação, no meu tempo isso era reprovação garantida...


Há que saber do amargo para se saborear o doce...


A coisa está tão difícil que já tem gente desejando Feliz Dia Novo...


Todo lema positivista tem seu pólo negativista. "Ordem e Progresso" tem muita "Passividade e Reacionarismo".


Na falta de perspectiva, uma retrospectiva de 2017...


"Evite a primeira garfada", novo lema do "Programa Fome 10" do desgoverno Temer...


O Ano Novo sempre exclama: "nada como um dia após o outro." Já o Ano Velho pensa: " As voltas que o mundo dá."


Depois de 2016 e 2017 fica difícil acreditar em mensagens de "Feliz Ano Novo".


Lema dos IA (Iludidos Anônimos): "Só por hoje evitarei a ilusão, sem me tornar desiludido."


O ano é novo, o que prossegue velho é o homem...


Muitos reclamam do "ano velho", poucos reclamam do "homem velho".


Falar em "teologia da prosperidade" em época de vacas gordas é fácil, quero ver em época de "vacas magras". Aí vira "teologia da austeridade".


Talvez, se vivo fosse, Marx diria que a história se repete como ironia...


E o _MDB? - Tá mais pra _RENA... Entendeu?


Esse papo de "botar pingos nos is" tem é muito "mimimi"..


Se fazendo de garoa a chuva veio forte pra "molhar bobo"...


As nuvens de chuva estacionaram em fila indiana, aguardando a hora de descarregarem seu aguaceiro.


O vento leste sopra forte trazendo advento do Oriente.


Uma viagem só acaba quando esquecemos dela...


Quando viajei para Lisboa, senti-me como em casa.
- Em Porto Alegre?!
Não, em Montevidéu...


A vida está mais barata" afirmou Temer. - De fato, "nunca antes nesse país" se desvalorizou tanto a vida de cada cidadão.


Morreu de câncer no esôfago um grande defensor do agrotóxico.
- Morreu do próprio veneno, literal e figurativamente.


Eu perco o amigo no Facebook, mas não largo a minha campanha particular contra os agrotóxicos e seu maior defensor, o agronegócio.


Se as polícias tivessem o mesmo empenho da "guerra às drogas" no combate ao contrabando e uso irregular de agrotóxicos...


A privatização dos bens comuns de uma nação é sinônimo de privação do cidadão.


Quem defende bandido não é defensor dos Direitos Humanos, é advogado criminalista.


Vaga de emprego no Congresso Nacional: apagador de fotos com o Geddel, apaga-se, digo, paga-se bem...


-Já que "está mais barato viver no Brasil" retire-se 11 reais do salário mínimo.
- O sujeito é perverso mesmo!

São contra o Bolsa-Família mas vão correndo pegar o auxílio-moradia. -Perversidade a gente vê por aqui...


De tanto que se vende tem Michel que tá mais pra Michê...

Um Ano Novo nada mais é que a repetição mecânica do ano velho sem a presença do Homem Novo.


Parafraseando Gramsci: o desafio do Ano Novo é perder as ilusões sem se tornar desiludido.





Facebook, dezembro de 2017.

Imagem: Quino

Edu Cezimbra






domingo, 31 de dezembro de 2017

60 anos casados



60 anos de vida já é um tempão, imagina 60 anos de vida juntos...

Precisaram viver muito para chegar a esse "recorde" das "Bodas de Diamante"!

Diamante, joia preciosa, inquebrável... 

Os "noivos" mereceriam, então, alianças de diamante!

Mas, para mim, quem comemora mesmo as "Bodas de Diamante" são os filhos, netos e bisnetos.

Sim, porque é uma benção termos vivos, "lépidos e fagueiros" os pais, avós e bisavós por 60 longos anos.

Então, neste final de ano, estaremos todos juntos comemorando com meus velhos e amados pais, Nancy e Caco Cezimbra, esse casamento que já "rendeu" 2 filhos, 2 noras, 5 netos e 3 bisnetos.

Todos se farão presentes! 

Não poderia faltar uma poema em homenagem a estas Bodas de Diamante, ilustrado pela bisneta Íris, manuscrito por mim e que será entregue ao casal:


BODAS DE DIAMANTE

Para eternos amantes
Um poema de momento
Celebrando o casamento
Com aliança de diamante.

Cada ano uma lembrança,
Sessenta anos juntos,
Tecendo sempre em conjunto
Uma história de esperança.

Sonhos de casamento
Viraram realidade
Para em cada momento 
Viver a felicidade.

Para fechar a história
Fica para sempre marcante
Em nossa boa memória
Estas Bodas de Diamante!


Porto Alegre, 31 de dezembro de 2017.

Foto: casamento de Nancy e Caco

Edu Cezimbra

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Eduardo Galeano de Veias Abertas



Dono de um estilo jornalístico, dotado de uma escrita objetiva e ao mesmo tempo lírica, sempre voltado a questões sociais e da história de injustiças que marcaram os povos do continente americano, escreveu “As Veias Abertas da América Latina”, livro que se tornou uma referência sociológica e política para muitos estudiosos da realidade latino-americana.
Eduardo Sejanes Cezimbra
O premiado escritor uruguaio, Eduardo Galeano, autor de livros traduzidos em diversos países, morreu em um hospital de Montevidéu, lutando contra um câncer. Eduardo Hughes Galeano nasceu em Montevidéu, em 3 de setembro de 1940, onde exerceu várias atividades como narrador, ilustrador e jornalista em jornais de esquerda como ‘El Sol’ e ‘Marcha’, também foi diretor de ‘Época’. Em 1973, exilou-se na Argentina, onde fundou e dirigiu a revista ‘Crisis’. Também viveu na Espanha, ate retornar ao Uruguai em 1985, residindo desde então em Montevideu.
Dono de um estilo jornalístico, dotado de uma escrita objetiva e ao mesmo tempo lírica, sempre voltado a questões sociais e da história de injustiças que marcaram os povos do continente americano, escreveu “As Veias Abertas da América Latina”, livro que se tornou uma referência sociológica e política para muitos estudiosos da realidade latino-americana.
Reeditado e traduzido em 20 idiomas, foi um livro cercado de muita polêmica, ataques e defesas apaixonadas pelo seu conteúdo de denúncia contra o colonialismo hispânico e o imperialismo norte-americano.
Escreveu um pequeno romance – ‘Los dias seguientes’ – e contos – ‘Los fantasmas del dia de león’ – em que já primava pelos voos da imaginação e pelo simbolismo. Escritor muito devotado às questões políticas, tem obras retratando a China de 1964, a Bolívia e a Guatemala. Demonstra toda sua perícia de escritor no uso de lendas, fatos e anedotas, extraídos da cultura popular, resgatando histórias de lutas, opressões e costumes dos povos latino-americanos e ibéricos.
No Brasil, tem uma longa lista de livros editados: ‘De pernas pro ar’, ‘Dias e noites de amor e de guerra’, ‘Futebol ao sol e à sombra’, ‘O livro dos abraços’, ‘Trilogia Memória do Fogo: Os nascimentos’ (vol.1), ‘As caras e as máscaras’ (vol.2) e ‘O século do vento’ (vol.3), ‘Mulheres’, ‘As palavras andantes’, ‘O teatro do bem e do mal’ e ‘Vagamundo’.
Em marco, de 2015, já combalido pela doença, recebeu em sua casa a visita do presidente da Bolívia, Evo Morales. A noticia de sua morte, rapidamente tomou as manchetes dos principais jornais do mundo, comprovando o quanto era lido e reconhecido.