quinta-feira, 19 de abril de 2018

Conto medieval


Robin Hood caiu em uma túnel do tempo e viajou para um passado desconhecido para ele.

Quando despertou do transe percebeu assustado que tudo era diferente naquela aldeia.

Os cavalos eram de aço, as carroças eram dragões que expeliam fumaça e faziam muito barulho.

Robin Hood tapou os ouvidos com cera de abelha para suportar a poluição sonora (expressão desconhecida para ele).

Os homens vestiam trajes muito esquisitos com uma corda pendurada no pescoço. Robin Hood pensou que pareciam enforcados vivos.

Achou ainda mais esquisitos os palácios da cidade: eram achatados e todos envidraçados.

Já estava muito chateado com tantas coisas diferentes do seu mundo quando descobriu como funcionavam o governo, a justiça, o exército e a igreja.

Ao menos isso é igual ao meu reino, pensou conformado, agora é lutar para defender o povo desse usurpador e garantir a volta do legítimo rei!

Porto Alegre, 19 de abril de 2018.

Charge: Tacho

Edu Cezimbra

quarta-feira, 18 de abril de 2018

Uma questão de fé?


Um escritor conta que durante sua prisão em Auschwitz, um dos muitos campos de concentração nazistas, na Segunda Guerra, perdeu completamente o interesse pela filosofia e o gosto pela poesia.

Não perdeu, porém, a capacidade de observação. Observou que os que resistiam aos horrores cometidos pelos carrascos da SS eram os que não perdiam a fé.

Um outro sobrevivente dos campos da morte nazistas, psicoterapeuta, expressou-se de maneira semelhante sobre o fenômeno: sobrevivia quem não perdia a esperança, quem dava um sentido a todo o sofrimento que suportava.

Fé e esperança, esperança e fé, aí estão os dois sentimentos que sustentaram as vítimas dos psicopatas nazistas.

Disse mais o escritor, que, frise-se, era agnóstico: que não apenas a fé em um Deus, mas a fé em um partido (na época, os partidos estavam em alta)!

Em que pese o Brasil não ter conhecido os horrores dos campos de extermínio de Hitler, seu povo humilde, humilhado e sofrido também desenvolveu um antídoto a tanto sofrimento “diluído”, mas continuado durante mais de cinco séculos.

Aqui, como lá, a fé e a esperança estão sempre presentes. Só que, no Brasil, essa fé e esperança, tão resistente na Europa, para não serem perdidas estão amparadas em uma, digamos, “muleta”: o fatalismo…

- Que se há de fazer, meu filho…
- Foi a vontade de Deus, minha filha…

Percebeu? No Brasil, o que faz o povo aguentar tanta penúria causada pela iniquidade social e econômica é essa impressionante capacidade de resignação e submissão, por paradoxal que pareça.

Lenin, se brasileiro, não escreveria o manual revolucionário “O que fazer?”, pois essa questão não estaria em seu repertório filosófico. Escreveria “ O que se há de fazer...”, com reticências mesmo…

Marx, se brasileiro, e mantendo sua argúcia intelectual, diria que “o cassetete é o ópio do povo”, se é que me entendes…

Mas não nos desviemos… devemos sim nos perguntar “o que fazer?”, porque até o nosso secular fatalismo vai sucumbir diante de tanto escárnio, deboche e desfaçatez de nossos “dirigentes”.

Fica impossível ser fatalista quando estamos nos afogando no “fundo do poço” e ao invés de luz no fim do túnel vemos pus…


Encaremos sim - coragem! os fatos com um pessimismo consequente para não seguirmos no auto-engano nacional. 

"Fatalmente", o que virá, como mostra a história dos povos oprimidos por uma elite cruel é a fatídica pergunta : “ o que temos a perder, senão nossos grilhões?”...

Porto Alegre, 18 de abril de 2018.
Imagem: divulgação
Edu Cezimbra

terça-feira, 17 de abril de 2018

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Sobre animais e homens



Aranhas tecem suas teias para capturar moscas, logo aranhas são 

ardilosas e moscas são moscões.

Burros empacam e não obedecem aos seus donos, mas não são rebeldes, fazem burrices.


Antas nada fazem mas são comparáveis aos burros.

Cadelas são promíscuas e associadas às putas e ao fascismo: “a cadela do fascismo está sempre no cio”, acusa Brecht.

Cobras não falam mas são venenosas e levam a fama de fofoqueiras.

Vacas pastam tranquilas então são vadias.

A lista de animais com características humanas é longa e não é minha intenção catalogar todas nesta postagem.

Provavelmente meus caros e raros leitores emprestariam muitas outras "qualidades" aos inocentes animais que citei.

E aí está: os animais são símbolos com múltiplos significados.

Desconfio que são todos "bodes expiatórios", não te parece? 

- Ou "Lula expiatório"...

Seria engraçado, não fosse trágico, mas provavelmente as muitas crueldades que se cometem contras tantos animais são estimuladas por estas projeções inconscientes.

Nas fábulas, os animais falam e posso imaginar o diálogo entre eles.

O lobo diria para o lobinho: - meu filho, o lobo é o homem do lobo...

A ovelha alertaria as ovelhinhas: - cuidado com o homem em pele de cordeiro.

A galinha contaria aos pintinhos: de ovo em ovo o homem enche o papo.

E por aí vai...mas, felizmente, os animais não são humanos, nem desumanos.

Porto Alegre, 16 de abril de 2018.

Imagem: Google

Edu Cezimbra






sábado, 14 de abril de 2018

Cantiga de Paz


Bem lá do fundo
Do silêncio mais profundo
Feito riacho cristalino
Correndo manso entre as pedras
Como riso de menino
Vai brotando essa canção

E se ouve do silêncio
Uma mensagem de amor
Que vem lá do coração
Como hino de louvor
É uma cantiga de Paz
É uma cantiga de Paz!

Vai crescendo tão bonita
Que a todos ilumina
Como riso de menina
Ecoando tão bendita
É uma cantiga de Paz
É uma cantiga de Paz!

É uma cantiga de Paz
É uma cantiga de Paz!

Ressoando em você
Parece brisa da manhã
E a todos embevece
Como aroma de romã
É uma cantiga de Paz
É uma cantiga de Paz!

Dentro desta harmonia
Todos podem ser felizes
Aprendendo num instante
Esta cantiga com alegria
Que da Paz nos faz amantes
Que da Paz nos faz amantes!

É uma cantiga de Paz
É uma cantiga de Paz!

Porto Alegre, 14 de abril de 2018.

Imagem: Francisco Cezimbra

Edu Cezimbra

sexta-feira, 13 de abril de 2018

quinta-feira, 12 de abril de 2018

Humor em tempo de golpe


A bem da verdade quem enxerga um palmo adiante do nariz não pode estar de bom humor.

Qual é a graça possível em um golpe que não tem nenhuma graça a não ser para os golpistas que dele se locupletam?

Chargistas que criticam os políticos golpistas recebem mais “carinhas” tristes ou de raiva do que de riso (sempre tem quem consiga rir da própria desgraça)…

Se seguir assim daqui a pouco os humoristas vão mudar para “mal-humoristas” ( fique claro que não são mau humoristas)…

Até piadas antigas são recuperadas: “o Brasil é um país com todo um passado pela frente” é uma das frases lapidares do humor milloriano.

Outra antiga é a frase de outro mal-humorado histórico, o general francês De Gaulle: “ o Brasil não é um país sério”, que atesta a seriedade da nossa situação política de há muito…

Outra dificuldade para os humoristas é a concorrência desleal de políticos, juízes e jornalistas.

Enfim, como disse um outro “humorista”: “o Brasil não é para amadores”, nem para seus amantes, digo eu...

Porto Alegre, 12 de abril de 2018.
Charges: Kayser e Tacho
Edu Cezimbra

quarta-feira, 11 de abril de 2018

Carteira de diversidade


- Sua identidade, por favor…

- Não tenho mais identidade.

- Perdeu?

- Sim, agora tenho diversidade!

- Como assim?!


Um diálogo desses, que eu saiba, é inédito. Mesmo quem “muda de sexo” pretende uma identidade social, nada mais justo.

O funcionário que pediu a “identidade” está exigindo a “carteira de identidade” do cliente, usuário, etc. Uns chamam como mesmo? RG, se não me engano… Deve ser “registro geral”, não?

Sem o RG, não posso prosseguir com o procedimento (nem mesmo a venda de uma passagem de ônibus, hoje em dia é comprada sem ele).

A identidade tem a ver com o que é idêntico, igual, certo?

O orgulho da mamãe é que o filho é idêntico ao papai...quando não o guri da música: “saiu igualzito ao pai”. Já imaginou se o guri “muda de sexo” que choque para o gauchão de Bagé!

Aí, acho eu, o RG deveria se chamar “carteira de diversidade” para ser politicamente correto... ou não? Acho que aí está mais para “politicamente incorreto”…

É comum mudar de nome, naturalmente. José vira Maria (sem alusão aos Zés Marias) …

Exceção é a cartunista Laerte, que “mudou de sexo” sem mudar o nome, mas aí é para manter o nome artístico.

Mas voltando à questão da identidade versus diversidade…

Diversidade tem a ver com divergente, não tem? Então, quem defende a diversidade opta mais pela liberdade do que pela igualdade, apanágio da identidade…

Um filósofo já falou que “sempre que a igualdade nos oprimir devemos lutar pela liberdade”, ou algo assim...nada mais verdadeiro no caso, concorda?

O recado é o seguinte: não precisa “mudar de sexo” para defender quem muda. 

O que está em jogo é a liberdade e a vida - e, sim, os direitos humanos...

Porto Alegre, 11 de abril de 2018.

Imagem: Portal Imprensa

Edu Cezimbra

Uma coisa só


Porto Alegre, 11 de abril de 2018.

Design: Canva

Edu Cezimbra

terça-feira, 10 de abril de 2018

Julgamento


Aos quem sem dó te imputam toda a culpa
Não te deixes arrastar ao jugo do remorso,
Não te ouçam o sentido pranto por desculpa
Os que anseiam te jogar ao frio do calabouço.

A quem culpada julga a própria infensa vítima
Assume a crueldade de um infame e rude crime,
Transbordando o azedume da perfídia e do ciúme
Através de uma obsessiva vingança como máxima.

Deixa-lhes o desprezo como forma de castigo
Na altiva atitude que se transforma em tormento
De quem se mostra alguém melhor que o inimigo.

Assim deixarás para quem odeia o sofrimento
De fazer do próprio coração sem pena o jazigo
E de busto duro erguer-se em funesto monumento.

Porto Alegre, 10 de abril de 2018.

Charge: Diplô Brasil

Edu Cezimbra