domingo, 27 de maio de 2018

Garimpo de preciosidades

A leitura da madrugada, na verdade 
uma releitura, de alguns ensaios sobre Kafka, Büchner e o romantismo e expressionismo na Alemanha, do livro "Cronistas do Absurdo", escrito pelo Leo Gilson Ribeiro , é o que chamo de garimpo de preciosidades nos sebos. 

Este foi "garimpado" da biblioteca particular do amigo e artista multimídia Antônio Oliveira que generosamente me presenteou com esta "jóia rara" em que pude entender muitos de seus posicionamentos sobre a arte contemporânea!

Leo Gilson, infelizmente, já falecido, foi cronista da revista "Caros Amigos" da qual guardo muitos exemplares de sua época áurea e vou voltar aos mesmos para seguir apreciando as críticas literárias deste autor brasileiro de excepcional talento.


Porto Alegre, 27 de maio de 2018.

Imagem: arquivo pessoal

Edu Cezimbra

sábado, 26 de maio de 2018

sexta-feira, 25 de maio de 2018

Baseado



Recebemos uma delação e a campana foi feita pra prender o elemento…

Campana?

Campana é um termo policial para designar...campana…

Ah, entendi.

E qual a prova contra o “elemento”?…

Bom, seria uma prova elementar, meu caro.

Não me chame de Watson, aqui é Brasil.

Watson?

Deixa pra lá, “Holmes”.

Olha o desacato com a “otoridade”.

“Data venia”…

Positivo, dessa vez passa.

Só queria entender uma coisa, delegado...

Diga lá, mas seja breve.

Por que há tantos traficantes graúdos que usam helicópteros e pistas de pouso particulares feitas com dinheiro público que estão soltos e o senhor vai lá prender alguém que está com um “baseado” na carteira?

Isso foge da minha alçada e... “teje preso”!!!

*Baseado em entrevista de um delegado que prendeu Gilberto Gil em Florianópolis em 1976. Pouca coisa mudou de lá para cá, como podemos constatar.

Fique com "Os Doces Bárbaros", como consolo:




Porto Alegre, 25 de maio de 2018.
Imagem: Acervo "Estadão"
Edu Cezimbra

quinta-feira, 24 de maio de 2018

Assuntos impróprios



Disse Paul Valéry: “O homem de hoje não cultiva o que não pode ser abreviado”.

O filósofo Theodor Adorno debruçou-se sobre o que chamou de “indústria cultural”. Observou que “as pessoas aos poucos vão parando de criar seus próprios assuntos.”

Não é muito difícil perceber a analogia com o “fordismo” e o tayorismo”.

Uma linha de montagem em série não é muito estimulante para a criatividade, vamos combinar…

Já Paul Valéry estaria prevendo o advento do Twitter…

Não esqueçamos que na época dele já havia o telégrafo; por exemplo, veja como a poeta Cora Coralina parabenizou o colega Drummond em seus aniversário:


Embora não escrevam telegraficamente temos alguns escritores que primam - se não pela abreviatura -, pela concisão, casos de Graciliano Ramos e Ernest Hemingway.

Outros, no entanto, primam pela prolixidade como estilo, casos de Guimarães Rosa e José Saramago.

Suponho que Valéry não estivesse se referindo aos filósofos gregos, ou a Nietzsche e Wittgenstein com seus famosos aforismos que têm a capacidade de dizer em poucas palavras questões filosóficas de muita profundidade.

O poeta Pablo Neruda ironizou a “falta de assuntos próprios” dos homens modernos com uma tirada: “escrever é fácil, você começa com uma letra maiúscula e termina com um ponto final. No meio você coloca ideias.”

E é aí que eu quero chegar...afinal por que perdemos essa capacidade criativa? Será “apenas” a indústria cultural ou há algo mais para tão poucas ideias?

Sei não, mas desconfio que os anos de escolarização também são decisivos nessa “falta de assunto próprio”.

As pessoas adultas criativas antes foram crianças que sobreviveram a escolarização porque o mais difícil não é aprender, mas desaprender.

Outro ponto que Adorno alerta é a perda dos velhos laços humanos e da subjetividade e, acredite, isso tem muito a ver com a falta de originalidade da maioria das pessoas modernas.

É que como sabem os nossos ancestrais africanos com sua filosofia do “ubuntu”: nos aprendemos uns aos outros...

PS: crônica livremente inspirada em anotações do IHU Ideias com Marcelo Leandro dos Santos debatendo a ‘A triste ciência de Theodor Adorno'

Porto Alegre, 24 de maio de 2018.
Imagens: Google
Edu Cezimbra

quarta-feira, 23 de maio de 2018

Pontes

Ponte sobre o Rio Jaguarão, na fronteira do Brasil com o Uruguai,

Sempre gostei de pontes (não por ser dentista), ainda mais sobre fronteiras geopolíticas, disciplinares, culturais; enfim, onde se erguem muros separatistas que se façam pontes entre todas as fronteiras, "para que a Terra fosse toda uma", como já cantou Fernando Pessoa.


Porto Alegre, 23 de maio de 2018.

Imagem: arquivo pessoal

Edu Cezimbra


Se meu fusca falasse


Porto Alegre, 23 de maio de 2018.

Imagem: Pinterest

Design: Canva

Edu Cezimbra

terça-feira, 22 de maio de 2018

Sentimentos




Deixo-me de lado
ao pensar em ti
sem me esquecer
te levando em mim.

Abandono-me ao longe
ao ficar contigo
sem me perder
te sentindo comigo.

Distancio-me um tanto
ao te aproximares
sem me largares
te levando junto.

Livro-me de todo
ao te encontrar
sem me apegar
te deixando ir.



Porto Alegre, 22 de maio de 2018.
Imagem: Pinterest
Edu Cezimbra

segunda-feira, 21 de maio de 2018

De volta a Paris


Emile Zola, no romance “Teresa Raquin” descreve uma passagem da Ponte Nova (Pont Neuf) em Paris, "no princípio da Rua Guénégaud" como “uma espécie de corredor estreito e sombrio que vai da Rua Mazarino à Rua do Sena”.

Li este livro lá por 1980, na bela edição encadernada da Otto Pierre Editores, da coleção “Os Grandes Cllássicos”, que adquiria pelo reembolso postal, quando estudante de Odontologia em Pelotas.

O livro estava na casa de meus pais e depois de quase quarenta anos voltou às minhas mãos, com o amarelado dos anos, mas muito bem conservado.

Não posso dizer o mesmo da minha memória, já que quando andei próximo dessas ruas, em Paris, não lembrei desse livro.

Desconfio que a passagem descrita por Zola ainda esteja lá, agora mais comprida, ligando duas largas avenidas próxima à Pont Neuf.

E mesmo que tenha sido demolida durante as reformas urbanas de Paris, executadas por Haussmann, permanecem as ruas descritas detalhadamente por Zola, entre elas a “Rue Mazarine”, “Rue du Seine” e a “Rue Guénégaud”.

Camilo, primo e marido de Teresa, conforme a descrição de Zola, “ saía de casa às oito horas. Descia a Rua Guénégaud e chegava ao cais. Dali, em passoas lentos, as mãos nas algibeiras, seguia o Sena, do Instituto ao Jardim das Plantas.”

Não fiz o mesmo trajeto de Camilo, mas estive nos mesmos lugares, e certamente, teriam ainda mais significado se tivesse lembrado do livro de Zola.


Ao menos quando estive no Panteão (Panthéon) não me esqueci de prestar minha silenciosa homenagem a este grande escritor e intelectual francês que repousa ao lado de outro escritor do mesmo porte: Victor Hugo.

Ambos tiveram a coragem de enfrentar o establishment francês denunciando, o primeiro, a injustiça no “caso Dreyfus”, e o segundo impedindo a demolição do patrimônio arquitetônico de Paris.


Já tinha escrito em outra crônica que uma viagem só acaba quando esquecemos dela. Depois de começar a reler “Teresa Raquin” acrescento que uma viagem recomeça quando relemos um bom livro...

Porto Alegre, 21 de maio de 2018.
Imagens: arquivo pessoal
Edu Cezimbra

Dos livros aos mares



Porto Alegre, 21 de maio de 2017.

Imagem: Pinterest

Design: Canva

Edu Cezimbra

sexta-feira, 18 de maio de 2018

Vida e morte sem glórias


“Um homem sem coragem de viver não tem coragem para morrer.”

A frase lapidar foi proferida por um covarde capitão de infantaria em um antigo filme de guerra.

Sou tentado a dizer: “é na guerra que se conhecem os homens”...mas direi que é na guerra que os homens assumem seus mais entranhados medos.

Medos desentranhados pela iminência da morte; no caso do capitão cercado por tropas blindadas alemãs.

Sabemos que em tempos sem guerras declaradas (não ouso falar em tempos de paz por estes dias) o medo e seus efeitos não são tão escancarados quanto em pleno combate. Ou são?

Vamos admitir que aí o medo da morte é negado… embora seja explicitado na forma de suicídios inconscientes tais como os vícios e as atitudes imprudentes como o culto à alta velocidade e às armas de fogo.

“Papo de homem” se quiserem: “o meu carro do ano alcança cem quilômetros em trinta segundos ou minha pistola automática calibre 7.6 mm tem um alcance de cem metros”…

Ultimamente tivemos um bate-boca interessante sob o ponto de vista psicanalítico entre um norte-americano e um coreano: “ o meu míssil é maior que o teu”…

Até parece que o medo maior do homem é ter o pênis pequeno - ou brochar… o que nesse caso equivale a morrer mesmo.


Aliás, o título do filme em português é “Morte Sem Glória” (Attak), de 1956, com Jack Palance e Lee Marvin, um bom filme, diga-se.

Nome que dá mote para uma glosa: “toda morte é sem glória quando não se sente a glória da vida”...

Porto Alegre, 18 de maio de 2018.
Imagem: cena e cartaz  do filme
Edu Cezimbra