"A sorte da humanidade seria muito mais feliz se estivesse igualmente na potência do homem tanto falar como calar-se. Mas a experiência ensina suficiente e superabundantemente que nada está menos em poder dos homens que a sua língua."
A citação acima do filósofo Espinosa fala da 'sorte da humanidade' no que tange a ser feliz.
Relaciona a felicidade do homem tanto a falar como a calar-se enquanto potência.
Como vemos, a língua tem esse poder, tanto para o bem quanto para o mal.
Por quê? Ora, quem não gosta de se expressar?...
Uma taça de vinho já é suficiente para soltar a língua, dar com a língua nos dentes...
Há quem tenha a língua presa, tem quem não tenha papas na língua.
Eis aí um dilema: falar ou se calar...
Quem cala consente, reza a sabedoria popular.
Quem fala desabafa, bota a boca no trombone.
Porém, não confunda o silêncio do 'nada a declarar' com o silêncio do sábio.
Mais que oratória o sábio faz escutatória...
A língua é órgão do sabor e pode ser da sabedoria.
O desafio é fazer da língua uma linguagem.
Como bem disse a escritora Andréa del Fuego: "Enfrentar a língua para chegar na linguagem."
E, assim, chegamos na Literatura, a linguagem escrita que registra a língua dos povos.
Espinosa sabia das coisas...
Porto Alegre, 6 de agosto de 2026.
Imagem:Espinosa, Instagram
Edu Cezimbra









