sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Niilista


- Quem é Bazárov? - perguntou sorrindo Arcádio. - Quer, meu tio, que lhe diga quem é de fato?
- Faça-me o favor, meu caro sobrinho.
- Ele é niilista.
Niilista, do latim nihil, significa nada, explica o velho pai de Arcádio, no romance russo "Pais e Filhos", escrito por Ivan Turgueniev.

Nietzsche era um niilista, para além do Bem e do Mal.

Uma filosofia do século XIX que, de certo modo, tem muitos seguidores no século XXI.

Digo isso, no sentido literal, de não acreditar em nada, sentido dado pelo pai de Arcádio, Nicolau Piétrovich.

De uma certa forma, é viver em um vácuo, como provoca desafiadoramente os niilistas, o tio aristocrata de Arcádio, Páviel Piétrovich.

Porém, não são niilistas na definição de Arcádio:

- Aquele que tudo examina do ponto de vista crítico - sugeriu Arcádio.- Não é a mesma coisa? - perguntou Páviel Piétrovich.- Não, não é o mesmo. O niilista é o homem que não se curva perante nenhuma autoridade, e que não admite como artigo de fé nenhum princípio, por maior respeito que mereça...
Não se faz mais niilista como antigamente...

Porto Alegre, 18 de novembro de 2017.

Imagem: Google

Edu Cezimbra

Pinóquio Fascista



Porto Alegre, 17 de novembro de 2017.

Imagem: Stret Art Germany

Design: Fotor

Edu Cezimbra

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

De cisões


- Então tá decidido!

- Assim, de repente, pense bem...

- Por que não?!

- Não, é só porque mudanças repentinas são raras, não é todo dia que se  muda da água para o vinho...

- Ah é? Pois eu decidi, está decidido, aliás não vou mais tomar vinho, só água, tá bom?

- Tudo bem, tudo bem, respeito tua decisão...mas é por isso mesmo,  muito vinho volta pra água rapidinho...

- ???...

- Sim, senhor! Conheço muita gente "decidida" que não mantém a decisão.

- ???...

- Mais que resoluções tomam irresoluções...

- Muito engraçado...

- Sem ofensa, mas quantas vezes tu te decidiu assim, de repente?...

- Hum...agora tu me pegou, sei lá, perdi a conta...

- Foram resoluções de início de ano?

- Também...

- Essa decisão de emagracer é baseada em quê?

- Na balança, ora bolas!

- Hehehe...

- É que estou gordo, como vês...

- Sim, mas parar de beber e seguir comendo do mesmo jeito não vai te emagrecer.

- Será?...

- Óbvio, sabe o que precisas mesmo, não?

- O quê?

- Uma cirurgia de redução do estômago...

- Credo, que exagero!

- Mataforicamente falando, entende?

- Não.

- Explico: comer menos, bem menos...

- Ah, mas aí eu vou passar fome!

- Então... toda decisão carece de cisão...


Porto Alegre, 15 de novembro de 2017.

Imagem: Vladimir Kush

Edu Cezimbra

Mimimi


Porto Alegre, 15 de novembro de 2017.

Imagem: Google

Design: Fotor

Edu Cezimbra

terça-feira, 14 de novembro de 2017

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

"Nada de médicos!"


"Nada de médicos!", brada o ator Eddie Redmayne que interpreta Stephen Hawkings no filme "A Teoria de Tudo".

Como assim, Stephen?! você seria o principal interessado nos "milagres da medicina"...

É que Stephen Hawkings fora desengado por médicos há um tempo atrás.

Mas, por dessas ironias da vida, veio a casar, pela segunda vez, com a sua enfermeira particular... 

"Nada de médicos!"
Mas nada contra enfermeiras...
O gênio Stephen Hawkings
Prefiria enfermeiras a médicos,
Tanto que se casou com uma!

Stephen seria o maior interessado
Nos milagres da medicina
Mas gritou "nada de médicos!"
Pois fora desenganado por um.
Para a ciência. ainda bem,
Foi Stephen Hawkings que enganou a medicina...


Porto Alegre, 13 de novembro de 2017.

Foto: cena de "A Teoria de Tudo"

Edu Cezimbra


sexta-feira, 10 de novembro de 2017

O Escritor e o Jovem Rebelde


Um escritor consagrado e um jovem andarilho encontram-se casualmente em um acampamento de trailers.

Chamou atenção de Phillip, o escritor, o fato de o jovem estar viajando solitariamente.

Sentado perto de uma fogueira, o jovem solitário anotava em seu diário as impressões da viagem.

Phillip puxou conversa com o jovem de nome Alexander.

O jovem contou que seu sonho era chegar ao Alasca para viver na natureza selvagem e fugir de todas as misérias humanas, tema preferido do escritor. 


Quis saber por que Alexander viajava solitariamente; ao que o jovem rebelde redarguiu:  - não viajo só, mas na companhia de tudo isso à minha volta, você precisa mudar sua noção de relacionamentos.

Um jovem rebelde com uma caneta e um caderno é um escritor em potencial, pensou Phillip, impressionado com a inusitada e provocativa resposta do rapaz.

Anos mais tarde, já cansado e sem inspiração, o escritor famoso soube que o jovem rebelde havia morrido. 

Seu corpo fora achado no interior de um ônibus abandonado no Alasca.

Entre as muitas anotações do jovem rebelde havia um pensamento: "a felicidade só é real quando compartilhada".

Phillip lembrou da conversa que tivera com o jovem no acampamento, e pensou:

"Que ironia, só agora que parei de escrever posso sentir a felicidade... Alexander viveu e aprendeu mais em seus poucos anos de vida do que eu em toda a minha longa vida de sucesso e fama."

Porto Alegre, 10 de novembro de 2017.

Foto: cena de "Na Natureza Selvagem"

Edu Cezimbra








Ficção



Porto Alegre, 10 de novembro de 2017.

Design: Fotor

Edu Cezimbra

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

A Pedagogia do Medo


A pedagogia do medo se faz no modo condicional:

- "Se"...não fizer isso, vai acontecer aquilo, grosso modo, se não obedecer "o pau vai comer"...

Desde muito cedo, a criança é chantageada:

- Se não for obediente não vai ganhar o presente...

Logo adiante:

- Se seguir teimando, vai ficar de castigo!

Na escola:

- Se não "passar de ano" não vai ter férias na praia.

As canções infantis refletem muito a pedagogia do medo.

No berço ou embalada no colo, o bebê adormece ouvindo a canção:

- Boi, boi, boi, boi da cara-preta, pega essa criança que tem medo de careta... 

 Com o intuito óbvio de ensinar - pelo medo - os perigos da mata ou da savana aparece a figura apavorante do "bicho-papão".

Não deixa de ser uma pedagogia do "medo da morte" , essa figura esquelética de foice e martelo (ops!) na mão a ceifar a vida dos desvalidos mortais.

- Mas se todos vamos morrer um dia, mais cedo ou mais tarde, por que ter medo da morte?! - indagaria meu caro e raro leitor...

- Todos temos medo da morte, responderia  outro leitor.

- E o que nos consola da inescapável morte? - perguntaria um socrático leitor (oba, isso já é um colóquio!).

Mais que uma atitude filosófica, seja estóica ou niilista, o que nos consola há milênios é uma religião, seja qual for a denominação. 

Aliás, antes de uma pedagogia do medo temos - ainda vigente - uma "teologia do temor", não é verdade?

Enfim..."Se" não desaprendermos o medo, não escaparemos dessa prisão mental e emocional a que nos autocondenamos reincidentemente.


Porto Alegre, 8 de novembro de 2017.

Imagem: Google

Edu Cezimbra