sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

O ateu e o crente



Dois homens sentados em um banco de praça discutem acirradamente:

- Deus não existe, já viu Deus?!

- Deus está em tudo, em todas as coisas.

- Deus está morto!

- Deus me livre, não blasfeme...

- Deus é uma mentira universal!

- Deus é o Grande Arquiteto.

- Deus é o ópio do povo!

- Deus é maior, graças a Deus!

Perto dali, nos brinquedos da praça, uma criança assustada pergunta à sua mãe:

- Manhê, por que aqueles homens estão brigando?...

- Calma, filhote, são só dois crentes falando das suas religiões... 


Porto Alegre, 23 de fevereiro de 2017.

Foto: Blog Chaplin

Edu Cezimbra

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

A Relíquia



Livremente inspirado no romance "A Relíquia", de Eça de Queiroz.

Porto Alegre, 22 de fevereiro de 2017.

Edu Cezimbra

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Diálogos impertinentes


- O preço da liberdade é a eterna vigilância. 

- Certo, e quando vamos ter tempo para desfrutar essa tão falada liberdade?


- Deus ajuda quem cedo madruga.

- Pelo jeito enquanto nós madrugamos ele está no bom do sono...


- Tempo é dinheiro.

- Se tempo fosse dinheiro eu seria milionário...


- Mais vale um pássaro na mão que dois voando.

- Melhor um binóculo na mão que duas espingardas de caça atirando...


- A fé move montanhas.

- E a Vale remove e exporta...


- Em terra de cegos quem tem um olho é rei.

- Em terra de rei tem muita gente que finge não ver...


- Cabeça vazia é oficina do diabo.

- Se diabo tivesse oficina já tinha virado siderúrgica...

 

- Não dê o peixe mas ensine a pescar.

- Tá, mas agora devolve meu caniço, linha e anzol...

 

- Uma derrota ensina mais que uma vitória.

- Difícil é admitir a derrota...


- Depois da tempestade vem a bonança.

- E depois da bonança vem o aquecimento global...



Porto Alegre, 21 de fevereiro de 2017.

Ilustração: Chaveau, Fábulas de La Fontaine

Edu Cezimbra





segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Encontro inesperado


Foi um encontro absolutamente inesperado. Não se viam há muito, muito tempo...

Mesmo na penumbra do imenso auditório Léo sentiu a presença de Cléia.

Quando pegou seu crachá (mais para chamar sua atenção) confirmou que era sua colega de ginásio.

- Cléia!

Ela também não escondeu sua surpresa e excitação em rever Léo após mais de quarenta anos...

Sentaram juntos e entabulararam uma animada conversa ao pé do ouvido com os corações batendo forte.

Aos cochichos contaram um ao outro o que estavam fazendo, sobre os anos que não se viam com o cuidado de não tocar em seus casamentos.

Descobriram muitos interesses em comum, embora em profissões bem diferentes, amigos e conhecidos em comum, enfim, muitas afinidades.

Saíram juntos ao final da conferência sem conseguir ou tentar disfarçar a excitação recíproca.

Queriam ficar juntos, lado a lado, quase se dando as mãos...

Parecia um desses encontros plenos de promessas.

Mas como é irônico o destino: talvez pela empolgação e excitação, Léo ao se encontrar com um conterrâneo começou a discutir em altos brados, ofendido por uma observação sarcástica desse conhecido.

Uma bobagem, pensou depois, um chateado Léo. 

Ao se acalmar, percebeu Cléia ao longe, misturando-se à multidão nos longos corredores da universidade.

Sentiu naquele instante que tinha jogado fora a oportunidade de reatar os laços de um amor platônico adolescente que não esquecera.

Como são as coisas da vida, reflete Léo, nunca estive tão perto de Cléia e até parece que foi só para empurrar ela para bem longe, onde sempre esteve em todos esses anos.

Já Cléia ficou muito assustada e envergonhada com a reação destemperada do antigo colega, tanto que bateu em retirada sem olhar para trás. 

E pensa aliviada: - do que eu escapei...


Porto Alegre, 17 de fevereiro de 2017.

Edu Cezimbra

 

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Loteria



Porto Alegre, 16 de fevereiro de 2017.

Edu Cezimbra

As Portas da Percepção


Gastamos, hoje em dia, muito mais em cigarros e bebidas que em educação. E nada há de surpreendente nesse fato. O impulso para fugir a nós mesmos e ao que nos rodeia está presente em cada um de nós, quase todo o tempo. Jamais a inabalável convicção na existência do Inferno conseguiu evitar que os cristãos fizessem aquilo que lhes sugeria a ambição, a luxúria ou a cobiça. O câncer pulmonar, os acidentes de tráfego e os milhões de criaturas miseráveis e criadoras de miséria em razão do alcoolismo são realidades ainda mais positivas que o Inferno no tempo de Dante. Mas tudo isso é remoto e secundário, se comparado com a realidade vivida e presente de uma ânsia por serenidade ou liberdade, por um cigarro ou uma taça.

Não posso falar por Aldous Huxley, mas aposto que esse genial romancista e ensaísta seria totalmente a favor da descriminalização das drogas.

No seu célebre romance 'Admirável Mundo Novo', paradoxalmente, alerta para os riscos dessa medicalização indiscriminada da sociedade com a droga sintética.

Reparemos que juntos com o 'soma' vem junto o sexo livre e sem vínculos afetivos assim como as diversões através de jogos eletrônicos e individualistas.

Mas como ele mesmo escreve, o proibicionismo não resolve o enorme problema da dependência química. Pelo contrário, aumenta em muito os delitos cometidos pelos traficantes e adictos:


 Os problemas criados pelo álcool e pelo tabaco não podem ser — e isto não admite contestação — resolvidos pela proibição. O impulso universal e permanente para a autotranscendência não pode ser dominado pelo simples fechar das solicitadas Portas na muralha. A única política razoável seria abrir outras portas melhores, na esperança de induzir os seres humanos a trocar seus velhos maus hábitos por práticas novas e menos prejudiciais. Mas é inevitável que perdure, apesar de tudo, a necessidade de freqüentes excursões químicas para longe da intolerável personalidade e dos repulsivos arredores de cada um.

Pragmaticamente, Huxley, como um profundo conhecedor do inconsciente coletivo e da alma humana parte das premissas corretas para propor uma 'política' para as drogas. 

Sem esquecermos que o proibido é uma droga potente e tentadora, mas isso já é assunto para outra crônica...ou poema

Porto Alegre, 16 de fevereiro de 2017.

Edu Cezimbra

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

A ética e a estética


Faço poemas
Sem vaidade

Ao poeta
Inventor de sentidos
Seus significados
Além das aparências
Surgem das reticências...

Se há ou não
A fina estética
Deixo a critério
Dos críticos
E sua fria ética.



Porto Alegre, 10 de fevereiro de 2017.

Edu Cezimbra

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Primeiras do Ano



  • Quem ri da dor alheia é psicopata.
  • Existem mais coisas no mundo além da Rede Globo, avisa Tim Maia!
  • Não deu nem 6 meses de 'república de vaimar' e a cadela do fascismo já está no cio.
  • Tramita no senado lei para multar quem jogar lixo na rua; mas no congresso pode...
  • Bilionário bom é ex-bilionário.
  • Eike transferido para Bangu. Sentindo segurança máxima, o sonho de todo bilionário.
  • Nota-se o aumento de QI nas redes sociais. Não de inteligência, mas de idiotice.
  • A oportunidade faz o ladrão.No Brasil faz o ladrão virar golpista.
  • Trocar 6 por meia dúzia já é duvidoso.Imagina trocar 6 por meia suja.
  • A operação Lava Jato foi um sucesso mas o paciente morreu.
  • O Ministério da Saúde adverte: não se usa Lava Jato para lavar uma criança.
  • Se a democracia era uma criança jogaram fora a água suja do banho com a criança.
  • Antes que me esqueça: antes de mais nada urge ser visceralmente antifascista.
  • Para quem não conhece guaiaca de gaúcho: cinturão largo com várias pochetes.
  • Qual a diferença entre um 'filósofo' de direita e um midiota? - Nenhuma...
  • Convulsão social no Brasil se dá nas prisões e nos arrastões na praia.
  • Corrida entre Dória em São Paulo e o Estado Islâmico no Iraque está disputadíssima.
  • Um verso do Drummond vale mais que mil palavras de um 'filósofo' da direita.
  • A casa caindo e a Globo apoiando o Temer da mesma forma que apoiou a ditadura.
  • Prefira um ateu humanista a um evangélico fascista.
  • O poder é o sexo dos velhos, disse Leminski, acrescento: e de muitos juniores.
  • Em terra de grandes ladrões quem vai para a cadeia são os pequenos.
  • O capitalismo funciona. - Para 8 bilionários apenas, mas há quem sonhe com ele.
  • Quando a massa de manobra vira turba o mais saudável é puxar o carro.


    Facebook, janeiro de 2017.

    Charge: Angeli

    Edu Cezimbra


     
     

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Se blog fosse diário




"Querido diário,

Hoje acordei tarde. 

Umas batidas secas no telhado da casa.

Parecia um martelo...

Provavelmente um pica-pau a afiar o bico."


Calma querido e raro leitor deste diário, digo, blog...

Não prosseguirei contando as maçantes tarefas domésticas e picuinhas de foro intímo (não diretamente, óbvio).

Lembrei, apenas, que o blog era para ser inicialmente um diário, lá por 2000 e antigamente...

Então, quando o blog era um diário seria o título mais verdadeiro, mas isso que escrevo não quer ter status de verdade, como disse o genial poeta Manoel de Barros.

Dizem as más-línguas que alguns 'esquerdopatas' sujaram os blogs escrevendo sobre política, provavelmente saudosas dos tempos em que os blogueiros escreviam amenidades e relatos do cotidiano.

Se os blogs fossem diários dá para imaginar um 'direitopata' confessando:

"Querido diário, hoje me diverti muito atribuindo citações de 'Mein Kampf' a Lenin, sem esquecer de xingar ele de comunista esquerdopata bolivariano! Adoro ver como minhas geniais alcunhas são reproduzidas por muitos comentaristas nas redes sociais!, embora confesse para ti, querido diário, que às vezes me faltem termos mais contundentes para caluniar esses detestáveis petralhas. Ainda bem que os manuais de nossas invejáveis revistas e falhas jornalísticas nos suprem dessas indispensáveis doses diárias de mentiras e distorções dos fatos. Não é divertido, querido diário?"
Ainda bem que isso não é verdade, não?...


Porto Alegre, 08 de fevereiro de 2017.

Edu Cezimbra


terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Poeta rima com neta


Avô que é poeta
Precisa desenhar 
E rimar com a neta
A sua 'professora'

-Vô, tu vai escrever poesia
Antes vai desenhar
Flores, corações e o sol

Sim, senhorita!
Sobre o que seria
A poesia?

- Poesia de aniversário
Da minha vó 
Vou dar de presente
Com uma mandala de cera
E um perfume 
Eu mesma vou fazer!

(...)
Tá bom assim?

 -Não, escreve isso:
Vó, hoje é teu aniversário
Nós vamos aí!

Ah, agora sim!

Agora
Recorta
E cola
Nos desenhos 

Porto Alegre, 07 de fevereiro de 2017.
Desenhos: Íris
Edu Cezimbra


segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Meninas no futebol


- Joga a bola, passa, passa!!!

O jogo estava animado, corria frouxa a pelada...

Tinha até torcida no outro lado da rua. O que chamava a atenção eram os goleiros, duas lindas meninas de calções curtos.

Os jogadores da 'linha' eram todos meninos e, nesse dia, corriam e gritavam mais que o normal, por força dessa circunstância mais que especial...

Não durou muito a atuação das meninas no gol ( e não foi por deficiências técnicas). É que a vizinhança logo se encarregou de fazer chegar aos ouvidos dos dois zelosos pais das meninas a estreia delas no futebol.

O 'campinho' foi invadido pelos dois pais furiosos e ofendidos.

- Onde que já se viu, pouca vergonha!

- Ah, pai...

- Não quero mais saber de ti jogando futebol com esses piás!

- Mas, tio, foram elas que se escalaram no gol...

- Não me interessa!!! A partir de hoje não quero mais ver a Mariazinha jogando bola, entendido?!!!

De fato, depois desse dia, nunca mais as gurias pisaram no 'gramado' do campinho.

O que retardou por mais de 40 anos, mais ou menos, o ingresso das mulheres nos campos de futebol brasileiros.

Já os meninos seguiram jogando bola sem se perguntarem o por que dessa proibição tão taxativa...

Porto Alegre, 06 de fevereiro de 2017.

Foto: British Ladies FC

Edu Cezimbra

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Clichês


Andar ao léu
sem rumo
sinuosamente
sem pressa
seguramente

Sem eira 
nem beira
passar
maus bocados
repetidamente

Dar com os burros 
n'água
Assim diziam
do fracasso
ocasionalmente 

Antes tarde
do que nunca
Aqui termina
a história
abruptamente


Porto Alegre, 05 de fevereiro de 2017.

Pintura: Jorge Hermann

Edu Cezimbra

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Escrevo para não ter dor no estômago


Fiquei uns poucos dias sem escrever e voltou aquela dor chata no estômago seguida de náusea (teve uma noite que não consegui segurar o vômito).

Essa dor muito me incomodou até que comecei a escrever todo dia.

Bem melhor vomitar palavras no papel que no assoalho...

Como homeopata sei do quanto o emocional afeta nossa saúde; por isso evito medicamentos químicos pois reconheço seus 'efeitos colaterais',- além de seu 'efeito rebote'.

Portanto nunca tomei remédios para gastrite, não quero vegetar em uma UTI.

A minha prescrição é escrever todo dia.

Certo autor disse 'mais Platão, menos Prozac', digo eu para mim mesmo: 'mais Edu Cezimbra, menos Plasil'...

A minha droga é a poesia ('cachacinha' que faz a vida mais colorida)...

Também ajuda muito escrever à sombra do mato, respirando ar puro, vendo borboletas e um beija-flor esvoaçarem na minha frente.

Enfim, não escrevo para ser lido; escrevo para não ter dor no estômago!


Porto Alegre, 04 de fevereiro de 2017.

Edu Cezimbra

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Pílulas mágicas



Nas farmácias de cada esquina da vida há muitas pílulas a serem vendidas como solução mágica para as dores do mundo.

Estar 'nesse mundo' não é mole não...

Daí a se empapuçar de pílulas vai uma larga bula de efeitos colaterais e secundários das drogas.

Há farmácias em cada esquina das cidades brasileiras estimulando o consumo desenfreado de pílulas para toda espécie de doenças recém-saídas do forno (vendem mais que pão quente).

A hipocondria é a nova mania nacional substituindo a dos 'carros zeros'.

Essa é 'sublimada' estacionando os carros velhos em um posto de gasolina para se abastecer de cerveja de milho trangênico e aspirar o ar aditivado de monóxido de carbono dos 'carros zero'.

No documentário brasileiro 'A loucura entre nós' filmado em um hospital psiquiátrico (ainda existem), um paciente se declara esquizofrênico, mas se sente normal.

Sabe de cor quantos e quais psicotrópicos consome durante o dia.

Sabe igualmente que as 'pílulas mágicas' que o mantém 'normal' também viciam...

Fica a pergunta: quantas pílulas cabem no estômago até que se perca de vez a humanidade?


Porto Alegre, 1º de fevereiro de 2017.

Foto: cena do filme 'A loucura entre nós' 

Edu Cezimbra