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segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Hegel em Áulis

 

Hegel julga prosaica a ordem de Atena a Thoas, a qual responde dessa forma, na peça 'Ifigênia em Áulís': 

"Divina Atena: não está seguro do entendimento aquele que, ouvindo-as, às palavras dos deuses não obedece. Que beleza haveria em lutar contra os deuses poderosos?"

Convenhamos, aqui para nós, meu caro e raro leitor, uma resposta nada prosaica... 


 

Porto Alegre, 7 de setembro de 2026;

Imagem: Ifigênia, Google

Edu Cezimbra 

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Odisseia

 


"Navegar é preciso, viver não é preciso" (não se aplica a Odisseia).

Ulisses (Odisseu) não seguiu  a prédica de Pompeu, citado poeticamente por Fernando Pessoa - como sabemos de Homero.

A musa antiga que Camões triunfalmente calou não frequentou a Escola de Sagres...

Homero seguiu Aristóteles na sua "Arte Poética".

Pessoa leu "Os Lusíadas" e no "Mar Português" contrariou o vate português.

Há muito de Homero em Pessoa:

"Quanto do teu sal são lágrimas de Portugal"... 

Penélope esperou fielmente Ulisses tecendo uma coberta.

Cabral fez uma descoberta sem querer... querendo.

Homero glosaria (se lesse Pessoa) que navegar não é preciso, viver é preciso.

A musa antiga sapateia sobre o esquife de Camões... 

 

 

Porto Alegre, 2 de setembro de 2026.

Imagem: Pinterest

Edu Cezimbra 

 

domingo, 30 de agosto de 2026

Veredas do Rosa

 


Cordisburgo quando foge vai para "Grande Sertão: Veredas".

Guimarães que é Rosa diria que os espinhos estão no sertão.

Riobaldo encontra Diadorim e seguem veredas adentro.

O Ser foi, é e será ser tão grande: veredas. 

Grande é o sertão para quem anda devagar.

O diabo mora no sertão porque o sertão queima... 

 

 

Porto Alegre, 30 de agosto de 2026.

Imagem:Veredas, Google

Edu Cezimbra 

 

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

A Casca e a Máscara

 

A casca da maçã pode ser venenosa a depender da época...

No Velho Testamento, a maçã era uma tentação provocada pela cobra.

O pecado era a picadura prazerosa - muito prazer -, diz-se até hoje.

Pelo prazer vai-se até o inferno...

Hoje, a maçã envenenada leva ao sono eterno.

Não existe mais príncipe encantado.

A maçã envenenada quando mordida mata com ou sem casca.

O veneno da víbora não está na casca, mas na máscara.

A máscara promete prazer mas entrega dor...

 

 

Porto Alegre, 28 de agosto de 2026.

Imagem: Pinterest

Edu Cezimbra 

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Desaprendizagem


"Eu quero desaprender para aprender de novo", cantou Rubem Alves. 

 Eu quero desaprender para não me prender de novo, canto eu.

Aprender é fácil, difícil é desaprender-se.

O desaprendizado faz-se lenta e a longo prazo.

O tempo é um grande apagador da aprendizagem.

Enfim, "a memória é uma ilha de edição" - já disse Waly Salomão - outro poeta...

 

 

Porto Alegre, 26 de agosto de 2026.

Imagem: Pinterest

Edu Cezimbra 

domingo, 23 de agosto de 2026

O Capitão Soviético

 

Se  Raskólnikov, personagem de Dostoiévski, no romance 'Crime e Castigo' fosse membro da polícia política stalinista seria 'O Capitão Soviético'. 

Para além do castigo, o oficial criminoso busca o perdão dos parentes de suas vítimas submetidas ao 'tratamento especial' (tortura e assassinato).

O 'terror stalinista' não perdoa ninguém, nem mesmo seus sequazes...

Ao contrário do título original, que sublinha a fuga do capitão, ele vai ao encontro dos entes queridos de suas vítimas.

Os seus camaradas da polícia política começam a perseguição para silenciar o 'traidor'.

O que o filme escancara é que uma sociedade aterrorizada pelo totalitarismo de estado torna-se cúmplice deste.

A ironia refinada do filme é a de que o capitão soviético busca o perdão por sentimento religioso, preocupado com a salvação de sua alma!

O crime foi cometido - haverá perdão -, ou o castigo prevalecerá?

Só vendo...  




Porto Alegre, 23 de agosto de 2026.

Imagem: cartaz do filme, Google

Edu Cezimbra 

sábado, 22 de agosto de 2026

Verdade e Ficção

 


Entre a Verdade e a Ficção há mais Imaginação do que supõe a Realidade.

Imagine a Verdade: será Dona ou será Donzela?

Se Dona perguntará: será Mentira ou será Verdade?

Dona Verdade baseará sua existência na experiência...

Se Donzela perguntará: será Possível ou será Impossível? 

Donzela baseará seu porvir na esperança...

Agora, imagine a Ficção: será Velha ou será Moça?

Se Velha indagará: será Falsidade ou será Verossímil? 

Velha anunciará a Realidade na forma de Literatura...

Se Moça perquirirá: será Boa ou será Má?

Moça achará inspiração na Realidade para a Poesia...  

Veja como são as coisas: a Verdade e a Ficção cabem na mesma caixa da Realidade; quando abrem a caixa vão espalhando Sabedoria através da Imaginação...

 

 

Porto Alegre, 22 de agosto de 2026.

Imagem: John, W. Waterhouse, Google

  Edu Cezimbra

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Os Idiotas

 

 

"Outrora, os melhores pensavam pelos idiotas;  hoje, os idiotas pensam pelos melhores. Criou-se uma situação realmente trágica: — ou o sujeito se submete ao idiota ou o idiota o extermina."

Com a máxima vênia ao genial dramaturgo Nelson Rodrigues, aponto um equívoco em sua irônica sentença...

 Os idiotas não pensam, por isso são assim classificados.

Não são os idiotas que submetem ou exterminam os melhores; são os piores.

Os piores da espécie não são idiotas (embora se façam), são perversos.

E, pior, são muito poucos os que manipulam os idiotas.

O meu caro e raro leitor sabe de quem se trata pois não é idiota e acompanha o noticiário com visão crítica...

 

 

Porto Alegre, 20 de agosto de 2026.

Charge: Pinterest

Edu Cezimbra 

 

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

O Grito Censurado

 

Quem grita no museu precisa de Mona, digo, bode expiatório.

É que o silêncio censura o grito.

O grito é de ouro quando o silêncio é de chumbo.

O museu exige silêncio para ouvir o grito.

O sorriso da Mona Lisa antecipa o Grito.

A Moça com Brinco de Pérola ouve o Grito fleumaticamente.

Quando dois dedos apontam para o bode expiatório, seis dedos apontam para o acusador.

 O mordomo, digo, o guardinha é o culpado...

 

 

Porto Alegre, 17 de agosto de 2026.

Charge: Pinterest

Edu cezimbra 

domingo, 16 de agosto de 2026

Sardinha na Brasa

 

O Bispo Sardinha na brasa...

Oswald de Andrade apoiou a Antropofagia.

Somos antropófagos porque orais.

Nossa oralidade vem da mastigação antropofágica regurgitada.

Por muito de Macunaíma não fomos catequizados.

Nossa Belém é do Pará, lembra-nos Mário de Andrade.

O tacacá, prato típico do Pará, é feito com a goma da mandioca.

A mandioca fundou o Brasil para desgosto de Monteiro Lobato.

"Se farinha fosse americana, mandioca importada / Banquete de bacana era farinha", cantou Juraíldes da Cruz.

Agora, sardinha na brasa, só em Portugal... 

 

 

Porto Alegre, 16 de agosto de 2026.

Imagem: Facebook

Edu Cezimbra 

 

 

sábado, 8 de agosto de 2026

Pôr do Sol em Brasília

 

  

Poente na Capital Federal, reflexos no outro lado do Lago Paranoá.

Os dias muito quentes, Sol cansado de tanto trabalhar dorme cedo que amanhã tem mais.

No Cerrado brasiliense, o Sol é símbolo onipresente.

Em Brasília, cidade jardim, o Sol, felizmente, tem suas sombras.

O céu de brigadeiro facilita ao Plano Piloto voar.

O Eixo Monumental é um rio de aço a desembocar no Paranoá...

 

 

Brasília, 8 de agosto de 226.

Imagem: arquivo pessoal

Edu Cezimbra

  

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Novos Ares

 

Sentado na borda da piscina na cobertura de um hotel em Brasília penso em nada declarar.

Entretanto, não é nenhum crime tomar banho na piscina, o crime é a água gelada da piscina.

O que compensa é a vista parcial do Lago Paranoá que refrigera a Capital Federal.

Dentro do Plano Piloto em formato de avião não dá para ver o avião, muito menos o piloto...

Ao menos sinto-me nas alturas na cobertura com piscina na Nova Capital.

 O Setor Hoteleiro Norte é cheio de torres mas, ao menos, o ar circula.

Sempre é bom respirar novos ares... 

 

 

Brasília, 7 de agosto de 2026.

Imagem: arquivo pessoal

Edu Cezimbra 

 

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

A Língua do Homem

 


"A sorte da humanidade seria muito mais feliz se estivesse igualmente na potência do homem tanto falar como calar-se. Mas a experiência ensina suficiente e superabundantemente que nada está menos em poder dos homens que a sua língua."

A citação acima do filósofo Espinosa fala da 'sorte da humanidade' no que tange a ser feliz.

Relaciona a felicidade do homem tanto a falar como a calar-se enquanto potência.

Como vemos, a língua tem esse poder, tanto para o bem quanto para o mal.

Por quê? Ora, quem não gosta de se expressar?...

Uma taça de vinho já é suficiente para soltar a língua, dar com a língua nos dentes...

Há quem tenha a língua presa, tem quem não tenha papas na língua.

Eis aí um dilema: falar ou se calar...

Quem cala consente, reza a sabedoria popular.

Quem fala desabafa, bota a boca no trombone. 

Porém, não confunda o silêncio do 'nada a declarar' com o silêncio do sábio.

Mais que oratória o sábio faz escutatória...

A língua é órgão do sabor e pode ser da sabedoria.

O desafio é fazer da língua uma linguagem.

Como bem disse a escritora Andréa del Fuego: "Enfrentar a língua para chegar na linguagem."

E, assim, chegamos na Literatura, a linguagem escrita que registra a língua dos povos.

Espinosa sabia das coisas...

 

 

Porto Alegre, 6 de agosto de 2026.

Imagem:Espinosa, Instagram

Edu Cezimbra 

 


 

 

 

 

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Dois Escritores

 

"Não mais sabemos do barco, mas há sempre um náufrago." - Orides Fontela, poeta homenageada na 24ª FLIP

Dois escritores:

Milton Hatoum conta a história de Martim, um estudante na época da ditadura militar brasileira na trilogia 'O Lugar Mais Sombrio'.

Hisham Matar conta a história de Khaled, um estudante líbio, em Londres, na época da ditadura em seus país, no romance 'Meus Amigos'.

Milton vê o romancista como herdeiro dos que não tiveram voz...

Hisham não superou o desaparecimento do pai na ditadura líbia...

Dói esse pai desaparecido, por isso é preciso lembrar do pai conhecido.

Ambos lidaram com o medo nas ditaduras.

Hisham chama de 'pedagogia do medo' e lembra que o temperamento vai além da ideologia; considera o romance como história do temperamento humano.

Milton cita Kafka para falar dos desaparecidos e diz que este autor escreve sobre 'a ameaça da catástrofe'.

No romance  'O Castelo', o desconhecido é nada, porém é alguma coisa, assim como o imigrante.

Essas poucas anotações não cobrem todo o pensamento desses dois grandes escritores, mas espero que sirvam de estímulo para o meu caro e raro leitor assistir na íntegra essa mesa da FLIP.

 


  

 

 

Porto Alegre, 5 de agosto de 2026.

Imagem: 24ª FLIP, Google

Edu Cezimbra 

 

domingo, 2 de agosto de 2026

Fatalismo ou Ceticismo

 


Paul Ricoeur no 'O Discurso da Ação' afirma: "Ao fatalismo do passado opõe-se o ceticismo do futuro".

Para situar a citação acima ao meu caro e raro leitor, antes o filósofo adverte que "o mundo não é um fato consumado"...

Explicado o 'ceticismo do futuro', concorda?

Paul Ricoeur argumenta que se o já feito é o encerramento, "o mundo da ação é abertura do que ainda fica por tornar verdadeiro".

Portanto, fica tácito que o 'ceticismo do futuro' nada tem a ver com o 'negacionismo do presente' que ameaça o futuro.

Afinal, enquanto o negacionista do presente torna a mentira um fato consumado, o cético do futuro é um buscador do verdadeiro...

 

 

Porto Alegre, 2 de agosto de 2026.

Imagem Ricoeur, Google:

Edu Cezimbra 

quinta-feira, 23 de julho de 2026

Bebu

 


Belzebu, chamado Bebu, pelos íntimos.

Costuma fazer visitas íntimas prolongadas...

Quem privou de sua companhia foi Rubem Braga conforme conta em sua crônica 'Eu e Bebu na hora neutra da madrugada':

"Muitos homens, e até senhoras, já receberam a visita do Diabo, e conversaram com ele de um modo elegante e paradoxal. Centenas de escritores sem assunto inventaram uma palestra com o Diabo. Quanto a mim o caso é diferente.Ele não entrou subitamente em meu quarto, não apareceu pelo buraco da fechadura, nem sob a luz vermelha do abajur. Passou um dia inteiro comigo. Descemos juntos o elevador, andamos juntos pelas ruas, trabalhamos e comemos juntos."

Bebu aproveitou a visita íntima a Rubem para reforçar sua pregação obsessiva contra Deus, entre outras 'chatices', como reclamou o cronista.

Já era de manhã quando, depois de beberem umas que outras, Bebu perguntou para Rubem:

"- Onde é que você vai?

- Vou dormir... E você?

Bebu me olhou com seus olhos escuros e respondeu com um sorriso de anjo:

- Vou à missa..."

Digno de Goethe! 

 

 

Porto Alegre, 23 de julho de 2026.

Imagem:Mefistófeles, Google 

Edu Cezimbra 

  



sexta-feira, 17 de julho de 2026

Mambembe

 

"Hoje tem espetáculo? Tem sim senhor!"

O circo é arquetípico e um filme que retrata a vida de seus artistas mexe com arquétipos.

O roteiro vai mudando conforme o encontro com pessoas de carne e osso mas que são artistas circenses.

O pai do diretor viajou muito pelo interior do Brasil e o filho prestou atenção em suas histórias de vida.

Porém, a ficção sobrepuja a biografia e isso ajuda o filme.

A ajuda da ficção realça a presença de pessoas reais que emocionam quem assiste o filme.

Pessoas do povo aprenderam com o circo e tem muito a ensinar.

Mambembe dá título ao filme e documenta um estilo de vida.

Mostra que o circo sobrevive na memórias de seus artistas e comprova sua relevância no imaginário popular... 

 



 

Porto Alegre, 17 de julho de 2026;

Imagem: cartaz do filme, Pinterest

Edu Cezimbra

  

quinta-feira, 16 de julho de 2026

A Queda do Céu

 

O xamã Yanomami Davi Kopenawa registrou sua cosmovisão no livro 'A Queda do Céu'.

Inspirados neste livro os diretores do documentário acompanham um 'kuarup' Yanomami.

O ritual fúnebre é inusitado pois visa acabar com a memória física do morto.

Foi filmado na época das invasões de garimpeiros e mortes de Yanomamis pela fome e consequentes epidemias.

Crenças ancestrais são confrontadas com a tecnologia de morte dos brancos invasores.

A tristeza de quem assiste a morte de suas crianças, a contaminação dos seus rios e a derrubada de sua floresta vira um libelo contra os brancos e o capitalismo.

Não é filme para quem acostumado com o cinema ocidental.

É registro etnográfico e peça de acusação para quem sabe das consequências... 

 


 

 

Porto Alegre, 16 de julho de 2026.

Imagem: cartaz do filme, Google

Edu Cezimbra 

terça-feira, 14 de julho de 2026

A Queda da Bastilha

 


A França não quedou na Bastilha, quem caiu foi a cabeça do rei.

O estado não era o rei...

O rei morreu, viva a república!

Vai a coroa, fica a cara...

Napoleão perdeu a guerra, mas não perdeu a cabeça - ou perdeu?

A guilhotina é democrática, literal e figurativamente... 

 

 

Porto Alegre, 14 de julho de 2026.

Imagem:Google 

Edu Cezimbra 

sábado, 11 de julho de 2026

O Grande Ditador

 


Mais do que um filme de guerra, 'O Grande Ditador' é sobre homens que fazem as guerras.

Charles Chaplin sai do cinema mudo para proferir um sonoro apelo à humanidade.

"Mais do que máquinas (de guerra?) precisamos de humanidade" - alerta o sósia do ditador.

Para Chaplin, o contrário de guerra não é a paz, mas o humanismo...

"Humano, demasiado humano"- sublinha Nietzsche -, antevendo o 'eterno retorno'...

Já disse um velho barbudo que a tragédia repetida na história vira farsa.

Chaplin em 'O Grande Ditador' fez da farsa uma profecia sobre a tragédia que se avizinhava do mundo.

A 2ª Guerra Mundial terminou com a derrota do ditador, mas a ironia da história é que os ditadores prosseguem fazendo guerras...


 

 

 Porto Alegre, 11 de julho de 2026.

Imagem: Google

 Edu Cezimbra