domingo, 30 de abril de 2017

sexta-feira, 28 de abril de 2017

quarta-feira, 26 de abril de 2017

A política e o diabo



Sem notar que são observadas três pessoas discutem política em uma mesa de botequim.

- Olha, esse negócio de esquerda e direita já era, hoje são todos farinhas do mesmo saco...

- Não dá pra colocar todos no mesmo saco,não... a esquerda ainda luta pelo proletariado.

- Sim, e a direita liberal pugna pela liberdade, pela livre iniciativa.

- Vocês dois tem é que se atualizar, então não estão vendo que hoje todos eles enriquecem às custas do povo.

-  Tem quem rouba mas faz...

- E tem quem roube menos e faça mais...

- Vocês precisam é se atualizar, em que mundo vocês vivem?!!

Enquanto o debate prosseguia, logo ali de baixo, pelas frestas do assoalho, três personagens históricos de uniformes chamuscados discutem quem ganhou a aposta.

- Evidentemente a vitória é do rapaz do centro, pela sua capacidade de rejeitar tanto a direita quanto a esquerda - declara secamente De Gaulle.

- Nada disso, repare que o esquerdista defende as bandeiras da esquerda com muito realismo socialista - decreta Stálin, inchando o peito cheio de medalhas carbonizadas.

- Mas quem mente repetidas vezes é o direitista, assim é que se manipula as massas, logo voltarei ao poder! - inflama-se Hitler berrando e gesticulando muito.

Nisso, alguém lhes puxa para baixo com um redemoinho de fogo, dando-lhes um sermão.

- Já falei pra vocês não interferirem mais na política, seus amadores. Isso é pra profissionais como eu,  com no mínimo dois mil anos de experiência na arte de dividir e reinar!


Porto Alegre, 26 de abril de 2017.

Charge: O Procurador do Povo

Edu Cezimbra

terça-feira, 25 de abril de 2017

Questão de temperamentos


Um sujeito melancólico lê no jornal que sua aposentadoria foi adiada e cai em um choro convulsivo.

Um sujeito sanguíneo lê a mesma notícia e assobiando muda para a seção de esportes do jornal.

Um sujeito fleumático lê e segue lendo a seção política do jornal com a mesma indiferença.

Um sujeito colérico nem termina de ler, rasga o jornal e cancela a assinatura.

Então, você é melancólico, sanguíneo, fleumático ou colérico diante do mundo?

Há quem diga que atualmente ocorra uma epidemia de depressão no mundo. 

E quais seriam as outras epidemias? 

Há quem reclame da indiferença da opinião pública diante de tantas tragédias; seria uma epidemia de apatia?

Há quem reclame da busca incessante de diversão no mundo; seria uma epidemia de alienação?

Há quem reclame da onda de ódio que se manifesta nas disputas políticas; seria uma epidemia de raiva?

Sempre que assisto alguém dando o seu "diagnóstico" sobre aspectos da vida social fico achando que a mosca tonta da generalização voltou a atacar.

Ou, por outro lado, o ratinho da redução está roendo uma zona cerebral de alguém.

Ou, talvez, estejamos todos precisando nos livrar de tantas ideias velhas representadas por velhas palavras e buscarmos um novo vocabulário para entender o mundo, - antes que ele nos devore... 

Porto Alegre, 25 de abril de 2017.

Edu Cezimbra





segunda-feira, 24 de abril de 2017

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Guinevire e Lancelote


NO GALOPE VELOZ DO PENSAMENTO
Fiz da língua minha ágil espada
Para contar o deslumbramento
De na Távola Redonda por morada
Permanecer ao lado dessa senhora
Guinevire, minha dama apaixonada.
Fez de mim seu valente cavalheiro
Para na batalha ter seu lenço por bandeira
Por escudo
sua boca de dentadura faceira
E como mote um coração de aventureiro.



Mote e glosa do poeta de cordel Assis Coimbra:

Pra lendária Avalon eu viajei
E entrei para o *exército de Arthur,
Rei bondoso que com sua *excalibur
Tornou-me Lancelote em sua *grei.
E fiel escudeiro eu me tornei
Para ver Guinevire, em tal momento.
Só que ao *vê-la, foi grande encantamento
Que ali mesmo fiquei *paralisado.
Mas depois por ela fui muito amado,
NO GALOPE VELOZ DO PENSAMENTO.


Porto Alegre, 20 de abril de 2017.

Edu Cezimbra

quarta-feira, 19 de abril de 2017

A presença do maligno



"Quem sou eu para para emitir juízos sobre as tramas do maligno, especialmente", acrescentou, parecendo querer insistir nesse ponto, "em um caso em que os que tenham dado início à inquisição, os bispos, os magistrados civis e todo o povo, talvez até os próprios acusados, desejavam verdadeiramente sentir a presença do demônio? Bem, talvez a única prova verdadeira da presença do diabo seja a intensidade com que todos, naquele momento, desejam sabê-lo em ação..."

Umberto Eco, em seu livro "O Nome da Rosa" coloca essa fala na boca do arguto Frei Guilherme de Bakerville para desviar a conversa com o abade obcecado pelo demônio.

O romance transcorre em plena Idade Média, século XIV, em mosteiro no norte da Itália e transmite todo o espírito dessa época com muitas passagens como a citada acima.

O que talvez surpreendesse o escritor é o quanto esse tipo de visão de mundo persiste em pleno século XXI, ao menos no Brasil.

Não pretendo tecer uma crítica a esse tipo de crença mas sim mostrar que, apesar de todas as transformações que o mundo passou, desde a Idade Média, ela persiste com a mesma intensidade.

Frei Guilherme ao tentar encerrar a especulação em torno do demônio fornece uma pista e tanto para entendermos essa permanência do "chifrudo".

É a intensidade com que todos desejam saber da ação do diabo que o mantém presente ainda hoje em dia.

Vou mais longe: uma religião persiste porque há quem intensamente acredite nela...


Porto Alegre, 19 de abril de 2017.

Foto: cena de "O Nome da Rosa"

Edu Cezimbra


terça-feira, 18 de abril de 2017

Ditados impopulares


 

Em tempos de vacas magras quem engorda é o tubarão.

 

Em casa de ferreiro espeto de ferragem.

 

Na descida todo santo usa o freio motor.

 

Pau que bate em Chico não bate em Francisco.

 

Uma mão lava a outra se tiver água e sabão.

 

O homem é o lobo do lobo.

 

Se a farinha é pouca vá comprar mais.

 

Água mole em pedra dura tanto bate até que acaba.

 

Mais bonita que laranja de supermercado.

 

Em rio que tem piranha jacaré não passa fome.



Porto Alegre, 18 de abril de 2017.

Charge: Laerte

Edu Cezimbra

 




sábado, 15 de abril de 2017

Malhação dos judas


São judas por todo lado
Fica fácil a delação
De tantos judas brasileiros
Não vai faltar malhação
Difícil é achar paneleiros
Tem aos magotes no congresso
No tribunal também tem
De pilatos se fazendo
Porém não enganam ninguém
Na mídia são como bolacha
Em qualquer canto se acha
Avisa lá se esqueci de alguém...

Porto Alegre, 15 de abril de 2017.

Charge: Thiago

Edu Cezimbra

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Pietá



Porto Alegre, 14 de abril de 2017.

Foto: Pietá, Michelangelo Buonarroti

Edu Cezimbra

quinta-feira, 13 de abril de 2017

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Ted Fire, um escritor incendiário



Hoje, nosso jornal conversará com o renomado escritor Ted Fire, autor de muitos livros não-lançados, que por isso obtém um sucesso retumbante na internet.

- Ted, qual a fórmula para o sucesso de um escritor sem livros publicados?

- É não lançar livros...

- Explica para nossos leitores porque essa resistência contra o lançamento de livros.

- Prefiro tiro ao alvo.

- Como assim, Ted?

- Sou um autor incendiário, entende, além disso o inverno aqui é muito rigoroso...

- E?...

- O alvo é o fogão...

- Certo, mas o que usa como ..."munição"?

- Os meus livros, óbvio.

- Por quê?!

- Pega fogo rápido, não precisa ficar assoprando...

- Então está solucionado o mistério do por que teus livros não circulam. Diga para os nossos leitores um título que costuma queimar?

- Escrevi um que rendeu mais de mil folhas em branco: " Diálogos Inteligentes no BBB"...

- Esse foi o seu maior livro?

- Sim, olha que eu tive de cortar milhares de folhas em branco, exigência do editor. Asseguro que não foram desperdiçadas, rendeu uma boa fogueira.

- Mais algum título que fazes questão de queimar?

- Sim. A novela em mil capítulos intitulada "Sempre a Mesma", com mil páginas repetidas...

- Ted, isso de uma certa forma te torna um autor difícil para os leitores.

- Sim, tão inacessível quanto Joyce, Saramago, Proust, Kafka. Aliás acredito que superei o Kafka nesse ponto!

- Como assim?!

- Ele também queria queimar seus escritos, eu queimo...

N.R: ainda bem que nosso repórter tinha um microfone oculto...


Porto Alegre, 12 de abril de 2017.

Foto: Diário Digital

Edu Cezimbra


terça-feira, 11 de abril de 2017

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Panis et circensis


Eu quis cantar
Minha canção iluminada de sol
Soltei os panos sobre os mastros no ar
Soltei os tigres e os leões nos quintais
Mas as pessoas na sala de jantar
São ocupadas em nascer e morrer

Mandei fazer
De puro aço luminoso um punhal
Para matar o meu amor e matei
Às cinco horas na avenida central
Mas as pessoas na sala de jantar
São ocupadas em nascer e morrer

Panis et circenses, música de Caetano e Gil interpretada pelos Mutantes, é uma canção de crítica social, - embora desatualizada -, pois feita antes dos reality shows que monopolizam a atenção e as preferências dos telespectadores.

Se atualizada fosse (ainda bem que não) os últimos versos de cada estrofe teriam de ser mudadas.

Como ficariam, arrisco palpite: "Mas as pessoas na sala de jantar / São ocupadas em manter ou eliminar", dando além disso um sutil duplo sentido, ao menos para os versados em psicanálise.

Fico a imaginar um cenário de volta às lutas dos gladiadores, agora na TV, onde a "eliminação" era para valer, dependendo de um polegar para cima ou para baixo.

Provavelmente duplicaria a audiência e número de "eleitores", concorrendo com os programas policialescos, que já decidem a vida ou a morte dos desprezados"vagabundos", já que "bandido bom é bandido morto", desde que pobre.

O leitor que me dá a honra de sua companhia nas redes sociais irá entender porque escrevo dessa forma tão irônica. 

O número de votos pagos que uma etapa de eliminação de um desses programas arrecada é assombrosamente assustador.

Se a Alcyone perguntasse para o Tom Jobim qual a saída para essa abstenção de inteligência nacional ele provavelmente responderia: " o aeroporto"...

Fiquemos com "Os Mutantes" (na França) para compensar:



 Porto Alegre, 10 de abril de 2017.

Imagem:wikimedia

Edu Cezimbra



sexta-feira, 7 de abril de 2017

A Terceira Guerra Mundial


"1984" de Orwell já é um clássico.

A estratégia de "guerra permanente" para manter o povo amedrontado e submisso segue "operacional", como se vê na Síria.

- Terceira Guerra Mundial nos TTs, os "assuntos do momento" no twitter. 

- Bingo, Orwell!

- O Trump está Putin com a Rússia. 

- Aí, ataca a Síria, queria ver atacar a Rússia... 

- Queria mesmo?

- Deus nos livre!

Nas postagens e comentários das redes sociais os posicionamentos sobre o ataque sempre são contraditórios, espelhando a polarização ideológica.

Inegavelmente, uma guerra entre duas superpotências nucleares é um cenário tenebroso para qualquer mortal.

Mesmo uma guerra convencional já acirra os ânimos e obriga as pessoas a tomarem partido de um dos lados.

Como se lê ou se vê no filme "1984" as pessoas ficam completamente magnetizadas com as notícias e cenas de uma guerra entre dois países hipotéticos.

- Ah, mas no caso da Síria não são países hipotéticos!

- Mesmo assim há muitas hipóteses para justificar a guerra...

- Eu desconfio que o Trump quis experimentar o seu poder de fogo, tipo brincar com fogo.

- Esse blog só ataca os americanos, quero ver atacar os russos!

- O Trumposo estava com aprovação baixa nas pesquisas.

Pelos debates que se travam percebe-se nitidamente (força de expressão), como disse um político, "na guerra a primeira vítima é a verdade".

Surge então a "pós-verdade" (nome novo para algo velho), que durante a guerra serve para controlar ou causar pânico entre os civis.

- E do jeito que a coisa vai já deve ter gente torcendo pela bomba H... 

Porto Alegre, 7 de abril de 2017.

Edu Cezimbra


quinta-feira, 6 de abril de 2017

Pandeiro


Cena brasileira:
em roda de samba,
capoeira
ou poesia,
sempre bate um pandeiro
seja noite, seja dia!



Porto Alegre, 6 de abril de 2017.

Imagem: por Iara Teixeira. adaptação de ilustração para o livro História da Música Popular brasileira para crianças de Simone Cit

Edu Cezimbra

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Conto de fadas utópico


Hoje em dia, um escritor de contos de fadas teria sérias dificuldades até para começar uma história.

- Em um lugar muito distante de qualquer cidade havia...

- Como assim?! distante de qualquer cidade?!...gritaria o editor ou mais provavelmente sua voz interior.

- Tá, e por que não?...

- Ora, em que mundo você vive?! Não existem mais lugares distantes de cidades, seja pela quantidade delas, seja pela velocidade dos meios de transporte.

Obviamente,  sempre é possível variar o lugar...

- Ok...ok...vamos recomeçar assim: em um lugar isolado de tudo havia...

- Hahaha... "lugar isolado de tudo", você está desatualizado, hem? Depois dos satélites e da internet o planeta se tornou uma aldeia global!

Depois de coçar a cabeça, levantar da cadeira, andar até a cozinha para pegar um lanchinho o contista tenta de novo.

- Hum...que tal, então: em um lugar desconhecido por todos havia...

- Pára, peraí, assim não dá! Depois do "google maps" não existe mais lugar desconhecido, tudo foi mapeado, até o cafundó do Judas onde o diabo perdeu as botas, não me faça chorar de rir!

Entre desesperado e irritado o contista tenta ser irônico.

- E se ao invés de um lugar eu criasse um "não-lugar"...

- "Não-lugar"? Não-lugar até que soa bem... não, isso é utopia!

- Isso aí, vai se chamar Utopia! Em uma ilha chamada Utopia havia um rei muito bondoso com seu povo mas com um xerife muito cruel que ambicionava seu lugar, e por aí vai!

Observe, caro e raro leitor, que Utopia é o nome de um livro de autoria de Thomas Morus que imagina como seria um reino ideal e o nome virou sinônimo de fantasia, delírio, idealismo, enfim "conto de fadas".

- Aff... não é nada fácil escrever um conto de fadas hoje em dia... 

Porto Alegre, 5 de abril de 2017.

Foto: gravura de Utopia

Edu Cezimbra


terça-feira, 4 de abril de 2017

Criancices


Para os netinhos Íris, Guadua e Rosa Amma e para todos os seus tios e vovôs.


Porto Alegre, 04 de abril de 2017.

Edu Cezimbra


segunda-feira, 3 de abril de 2017

De cidades e pessoas


Toda e qualquer cidade tem seus encantos, atrações, peculiaridades e características próprias,- até certo ponto (e época).

Assim como as pessoas, pensou você, perspicaz leitor?

Bingo! A questão que não se deveria calar é por que as cidades brasileiras e as pessoas perderam sua originalidade a ponto de não haver diferença entre elas?

Não falo em comparar as cidades e as pessoas mas em termos descritivos...

Por exemplo as nossas cidades durante e após o "milagre econômico" da ditadura militar passaram a imitar as cidades dos EUA.

Todas, pequenas, médias ou grandes queriam seguir a moda dando-se ares de cidades modernas com muitos edifícios altos (muito altos, preferentemente).

As avenidas e ruas perderam seus antigos calçamentos de pedra substituídos pelo asfalto impermeabilizante.

Muitas praças, parques e ruas tiveram suas árvores arrancadas para darem lugar às calçadas e avenidas de concreto aumentando as ilhas de calor.

As casas comerciais perderam seus charmosos letreiros de madeira ou bronze por imensos anúncios que encobrem fachadas tradicionais na fisionamia da cidade.

Peço perdão pela monotonia da descrição, mas a intenção é essa mesma...

Destacar o quanto nossas cidades tornaram-se monótonas, sem graça e sem personalidade, em especial as cidades mais desenvolvidas economicamente.

Quanto às pessoas, diga-se de passagem, há bastante tempo estão muito parecidas com nossas cidades de concreto em sua rigidez, aceleração, enjaulamento e monotonia.

Não me surpreendem... 

Porto Alegre, 03 de abril de 2017.

Edu Cezimbra

Poema reescrito


Porto Alegre, 03 de abril de 2017.

Edu Cezimbra

domingo, 2 de abril de 2017