segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Dúvidas




Quero, não quero

Isso ou aquilo

Se o que é vero

É só a quilo


Deixo, não deixo

Esse ou aquele

Se chamar desejo

No arrepio da pele

 

Corro, não corro

Aqui ou ali

Não peço socorro

Caso eu cair

 

Paro, não paro

Lá ou acolá

Piso no barro

Pra me limpar

 

Quero não, quero...

Deixo não, deixo...

Faço não, faço...

Paro não, paro.


Porto Alegre, 30 de janeiro de 2017.

Foto: cena do filme 'A Encruzilhada'

Edu Cezimbra

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

A escola dos sonhos do professor Policarpo Parreira


O professor Policarpo Parreira acordou animado.

Teve uma ideia, queria propô-la logo a seus alunos.

Antes de sair preparou sua cuia de mate e enquanto aguardava a água chiar na chaleira velha lembrou de como e por que começara a lecionar.

Desde guri escutava que 'a educação é a solução para o país', - que ele amava muito.

Ele acreditou fervorosamente nessa solução. Dedicou-se ao ensino com afinco e labor, buscando diuturnamente contagiar seus alunos para o estudo e a pesquisa.

Como já sabemos de outro conto, Policarpo é professor de literatura e ama os livros e as palavras.

Entretanto, depois de tantos anos de magistério, estava cansado das aulas expositivas e maçantes (até para ele). Provas, correções e redações para o vestibular com temas pré-estabelecidos lhe entendiavam...

Então, saiu esperançoso naquela manhã radiosa para propor a suas turmas que ao invés de aulas, provas e chamadas diárias realizassem 'oficinas de criação literária' para ao final do ano letivo publicarem um livro com seus escritos.

Tinha certeza que os alunos adorariam a sua ideia genial!

(Aquela noite o professor Policarpo Parreira foi dormir acabrunhado, pensando seriamente em se aponsentar para ele mesmo escrever o seu tão sonhado livro...)


Porto Alegre, 27 de janeiro de 2017.

Foto: Universo dos Leitores

Edu Cezimbra

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Ambição de Midas


Há quem faça da vida caça ao tesouro,
Que guarde em caixa-forte feito relíquia 
Ações da bolsa, títulos da dívida feito ouro,
Pensando egoísta em si e sua rica família.

Toda atenção é para o patrimônio que avalia
Como se de igreja fosse ídolo sem desdouro
Ao inviolável contrato de casamento de mais-valia,
Assustando herdeiros que igualdade é mau agouro.

Acreditam piamente que tudo pode o dinheiro,
- Até devastar a Terra -, aumentando a pobreza,
Sem reconhecer o que é justo e verdadeiro.

Doutrinados desde cedo a buscar muita riqueza,
- A qualquer custo -, fazem da vida uma corrida
Do ouro interminável, devastando toda a natureza.

Porto Alegre, 26 de janeiro de 2017.

Foto: Rei Midas

Edu Cezimbra


quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Matinê


Quando guri não podia faltar ao 'matinê' da 1 domingueiro em minha cidade natal.

Ainda mais quando tinha filme de mocinho (quase sempre tinha).

Os mocinhos eram 'bons moços' , daí o nome, óbvio... Sempre elegantes, galãs, brancos, obrigatoriamente. 

Dificilmente se via um negro nesses bang-bang. 

Índios, sim, sempre maus, atacando povoados, fazendas e caravanas com seus cavalos e gritos de guerra.

O mocinho não errava um tiro e seu revólver nunca descarregava. Os bandidos tinham péssima pontaria, - nunca acertavam o mocinho, apesar do tiroteio contra ele.

Os filmes de 'espada' também eram uma atração. 

Maciste e Hércules italianos impressionavam a gurizada com seus músculos e força enfrentando vilões e tiranos e sempre demolindo os cenários para gáudio da plateia.

Nesse 'nível' havia os filmes de 'luta' com o 'El Santo', lutador mascarado mexicano que enfrentava ladrões nas ruas e adversários nos ringues.

Dessa época, que eu me lembre, são os primeiros filmes do Batman e do Robin com o Batmóvel de rabo de peixe.

Também eram muito apreciados os filmes do Tarzan e da Jane, com Boy e a Chita fazendo palhaçadas, voando de cipó em cipó até o mergulho no rio, quando o Tarzan lutava com jacarés para em seguida enfrentar leões e caçadores, nessa ordem.

Depois vinham os filmes de 'gozada' (não é o que parece)... Eram as comédias com Jerry Lewis, Cantinflas e Mazzaropi com muitas gargalhadas garantidas.

Não gostávamos dos filmes musicais. Esses eram considerados 'filmes ruins', sem graça. Sobrou até para 'Yellow Submarine' dos Beatles, pasme...

Depois do matinê, as brincadeiras eram sempre de 'polícia e ladrão', lutas de espada e brigas de rua, subir nas árvores feito o Tarzan repetindo as cenas dos filmes. 

Recordo que o  cinema parecia imenso como retrata Woody Allen em 'A Era do Rádio', mas isso já é outra história...

Porto Alegre, 25 de janeiro de 2017.

Foto: 'Cinema Paradiso'

Edu Cezimbra





terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Barba, Cabelo e Bigode


Futebol é o Trem da Alegria
Afonsinho tem barba que é um campo
Caju tem cabelo que é rede
Nei Conceição tem bigode que é chuteira
A bola é a dos Novos Baianos
Com música e futebol
De alta qualidade
Sem amarras deu olé!

Depois endureceram o futebol
E o circo
Virou campo de batalha
Nunca mais os artistas
Somente gladiadores
Duros, embrutecidos
Pelo treinamento militar
Carecas barbados
Desmiolados

Só boné...
Inspirado no documentário 'Barba, Cabelo e Bigode, do diretor Lúcio Branco.

Porto Alegre, 24 de janeiro de 2017.

Edu Cezimbra

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

O tempo e o dinheiro


'Tempo é dinheiro'... Será?

Se tempo fosse dinheiro teríamos mais ou menos tempo para gastar.

Se tempo fosse dinheiro teria ou não teria acabado...

Mas, felizmente, tempo não é dinheiro!

O tempo é mais uma continuidade no espaço: quanto mais espaço mais tempo.

Quanta gente fala em aperto quando sem dinheiro.

Quando sem tempo não se está em um aperto?

'No maior sufoco' é o que se diz...

Entretanto, 'dar um tempo' é um paradoxo que cria um vácuo nos relacionamentos amorosos.

Ter tempo para si, tempo para os outros, tempo para ter tempo: isso não tem preço, não há dinheiro que pague!

O tempo é dinheiro apenas para quem não sabe desfrutá-lo...

Porto Alegre, 23 de janeiro de 2017.

Edu Cezimbra 

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Mundo vasto mundo



Mensagens edificantes mantém o mundo
Para o bem,
Para o mal.

Religiões aguentam o mundo
Para enganar o tormento,
para ludibriar o sofrimento.

Moral detém o mundo
Para o novo controlar,
Para o velho legislar.

Filosofia questiona o mundo
Para não se questionar,
Para não se afastar.

Arte cria o mundo
Para seu açoite,
Para seu deleite.


Porto Alegre, 11 de janeiro de 2017.

Foto: The Intercept

Edu Cezimbra

Sacadas do facebook



  • Deixar corruptos combater a corrupção lembra Drácula cuidando do banco de sangue.

  • Temer não liga para impopularidade, por isso a temeridade das medidas antipopulares.

  • Temer diz que não cai de pinguela. -Só se o FHC não balançar ela.

  • ‘Hoje em dia, nós estamos abusando da democracia’, diz Schirmer.

  • Ver as injustiças sociais não te torna comunista ou cristão; humanista, sim.

  • Depois da poesia, a academia! - De letras? Não, manejo do bambuzal.

  • RS: Estado de anencefalia por causa do Zikartori.

  • O Ministério da Saúde adverte: "pessoas, que pautam sua vida pela paixão clubística ou religiosa correm alto risco de sofrer um rebaixamento intelectual ou mesmo mental."

  • Crise no RJ e RS: - A culpa é do Brizola?

  • No Brasil tudo passa, menos a pobreza e os reaça.

    • Feliz 2037, Brasil (após 20 anos de PEC do Fim do Mundo)!

    • Gaúcho foi politizado na Legalidade do Brizola. Depois midiotizado pela RBS.

    • Depois do Inter foi a vez do RS sofrer rebaixamento, graças aos seus dirigentes.

    • Lápide para a AL-RS: " aqui jaz o povo mais politizado do Brasil".

    • Bombas fora da AL-RS mas a maior bomba é o pacote do Sartori sendo votado lá dentro.

    • Quem com golpe governa com golpe será desgovernado.

    • Uma meia verdade é uma mentira inteira.

    • Alexandre Morais quer acabar com a maconha sozinho. Não seja egoísta, Alexandre!

    • Educação não é solução se não desligar a televisão.

    • Não tem pão? Comam panetone, dirá Temer nesse Natal.

    • Pior que o rebaixamento do Inter é o do Brasil para "República de Bananas'.

    • Ar condicionado com aroma de mato e orvalho: abro a janela!

    • No Hospício Brasil tem muito doido mas mais perturbada está a diretoria.

    • Antes de uma Escola Sem Partido é urgente uma TV Sem Partido.

    • Tudo fica tão perto do coração em uma cidade pequena.

    • Pessoas que criticam as medidas de proteção social como comunismo não são do povo.

    • Quem confunde democracia com comunismo não tem que estar no facebook, mas no MOBRAL.

    • Tem gente que confunde democracia com comunismo. Precisam estudar história.

    • Quem tem boca vaia Temer.

    Facebook, dezembro de 2016.

    Edu Cezimbra

    segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

    As mães por quem surgem as revoluções

    "As mães, ninguém tem pena delas.
    Ela sabia disso. Tudo o que dizia Pavel da vida das mulheres era verdade, verdade amarga e  familiar, e o coração dela palpitava numa loucura de doces sensações, a sua ternura desconhecida confortava-a pouco a pouco. E então, que vais fazer? perguntou, interrompendo o filho. Aprender, para depois ensinar aos outros. Temos que estudar, todos nós, operários. Temos que saber, temos que entender a razão de a vida ser tão dura para nós.”

    As mães por quem surgem as revoluções...

    Enforcamentos, açoitamentos e mutilações eram usuais na Rússia czarista, antes de 1917. Eram os 'métodos' aceitos para os latifundiários russos castigarem os servos por faltas mínimas em suas terras.

    A brutal e total repressão czarista era um sistema totalitário que a todos impregnava. Mesmo entre os idosos, os pais e os operários havia essa aceitação tácita da violência como nos conta Máximo Gorki, em seu romance épico "A Mãe'.

    Ocorre-me que o que aconteceu na Rússia czarista tem muita semelhança com o que aconteceu e, pior, ainda acontece no Brasil. 

    Qual a diferença entre a Rússia czarista e o Brasil golpista? Máximo Gorki em outro trecho de sua obra-prima nos dá uma pista:

    “Senta-te, mãe...
    Ela sentou-se pesadamente ao lado dele e endireitou-se, atenta e séria, e preparou-se para ouvir algo importante.
    (...)Leio livros proibidos. Os livros são proibidos porque dizem a verdade sobre a vida de operários... São impressos às escondidas e, se os encontram aqui, metem-me na prisão, porque eu  quero saber a verdade. Compreendes?
    (...) Não chores! pediu com ternura, mas para a mãe era como se ele lhe estivesse a dizer adeus para sempre."

    Foi Raul Seixas que sentenciou que "brasileiro não gosta de ler", após escrever um livro repleto de verdades que ninguém leu, e que depois foram divulgadas em seus rocks de amplo alcance popular. 

    Raul morreu antes de testemunhar a morte da música popular no Brasil por decapitação da inteligência cultural brasileira. 

    Com a palavra, as mães brasileiras...

    Porto Alegre, 09 de janeiro de 2017.


    Edu Cezimbra 
     
     


      


    sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

    O Tom do Sabiá




    Cigarras chiam na mata
    No rádio nova bossa
    Coisa rara na praça
    Olha só o sábia!
    -Não dá pra olhar...
    Só pra escutar
    Mas tá ali, ó!

    Porto Alegre, 06 de janeiro de 2017.

    Foto: capa de 'Passarim', Tom Jobim

    Edu Cezimbra