quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Matinê


Quando guri não podia faltar ao 'matinê' da 1 domingueiro em minha cidade natal.

Ainda mais quando tinha filme de mocinho (quase sempre tinha).

Os mocinhos eram 'bons moços' , daí o nome, óbvio... Sempre elegantes, galãs, brancos, obrigatoriamente. 

Dificilmente se via um negro nesses bang-bang. 

Índios, sim, sempre maus, atacando povoados, fazendas e caravanas com seus cavalos e gritos de guerra.

O mocinho não errava um tiro e seu revólver nunca descarregava. Os bandidos tinham péssima pontaria, - nunca acertavam o mocinho, apesar do tiroteio contra ele.

Os filmes de 'espada' também eram uma atração. 

Maciste e Hércules italianos impressionavam a gurizada com seus músculos e força enfrentando vilões e tiranos e sempre demolindo os cenários para gáudio da plateia.

Nesse 'nível' havia os filmes de 'luta' com o 'El Santo', lutador mascarado mexicano que enfrentava ladrões nas ruas e adversários nos ringues.

Dessa época, que eu me lembre, são os primeiros filmes do Batman e do Robin com o Batmóvel de rabo de peixe.

Também eram muito apreciados os filmes do Tarzan e da Jane, com Boy e a Chita fazendo palhaçadas, voando de cipó em cipó até o mergulho no rio, quando o Tarzan lutava com jacarés para em seguida enfrentar leões e caçadores, nessa ordem.

Depois vinham os filmes de 'gozada' (não é o que parece)... Eram as comédias com Jerry Lewis, Cantinflas e Mazzaropi com muitas gargalhadas garantidas.

Não gostávamos dos filmes musicais. Esses eram considerados 'filmes ruins', sem graça. Sobrou até para 'Yellow Submarine' dos Beatles, pasme...

Depois do matinê, as brincadeiras eram sempre de 'polícia e ladrão', lutas de espada e brigas de rua, subir nas árvores feito o Tarzan repetindo as cenas dos filmes. 

Recordo que o  cinema parecia imenso como retrata Woody Allen em 'A Era do Rádio', mas isso já é outra história...

Porto Alegre, 25 de janeiro de 2017.

Foto: 'Cinema Paradiso'

Edu Cezimbra