domingo, 22 de outubro de 2017

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Conversa franca


- Oha só, falando francamente...

- Fala, mano.

- Aff...Tu não tem jeito, mesmo...

- Uéé, por que isso agora?

- Não te enxerga?! Tu parece um boné velho, tá na capa da gaita!

- Exagero teu, me sinto um guri!

- Com essa pança, só se for guri de pensão, bem gordo...

- Não tem graça...

- E esses cabelos e barba, brancos e grandes, parece o Papai Noel!

- Ou o Karl Marx.

- ???...

- O Charles Darwin...

-???...

- O Leonardo da Vinci...

-???...

- Ah, deixa pra lá!

- O que eu queria mesmo era um amigo da minha idade pra brincar todo dia...

- A propósito, agora temos que sair para aquela festa de casamento.

 O homem termina a conversa franca consigo mesmo, dando uma última olhada no espelho, para ajeitar o nó da gravata...

Porto Alegre, 20 de outubro de 2017.

Imagem: Janus. Watercolour by Tony Grist. 2011

Edu Cezimbra

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Nomeação


Não te esqueças
Quem te fez
O que és
E o que poderias ser

Não te olvides
Quem te criou
Desse jeito
E não de outro

Não te chamas 
Pelo nome porque
Registrado
Assim ficaste

Sobretudo
Não te deixes enganar
Pelo que és
Para ser o que já serias

Porto Alegre, 18 de outubro de 2017.

Imagem: Pinterest

Edu Cezimbra

Utopias



Porto Alegre, 18/10/2017

Tela de Stanislav Plutenko

Desig: fotor

Edu Cezimbra

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Por quem os sinos dobram



"Toda dor pode ser suportada se sobre ela puder ser contada uma história", lembra-nos Hannah Arendt.

A filósofa Hannah Arendt fala "de cátedra" dessa imensa dor que se abateu sobre os judeus.

 As tragédias e os dramas, não por acaso, são numerosos na literatura, no teatro e no cinema.

Desde as tragédias gregas os espectadores fazem uma catarse pessoal e coletiva, durante uma sessão de teatro ou cinema.

Nesses casos, o que mobiliza as emoções são a empatia e a identificação com os personagens do drama.

Lamentavelmente, nem sempre é assim, como podemos ver nos programas policialescos e sensacionalistas em que a tragédia alheia vira espetáculo diário e naturalizado.

Nesses programas o que acontece é uma exacerbação da violência social e o sentimento que impera é o gosto pelo sangue derramado - pelos outros...

A escala dessa dor coletiva também é afetada pela região do mundo onde acontecem tragédias.

Um atentado terrorista na França comove o mundo todo, enquanto na Somália gera pouca comoção e solidariedade.

A morte de uma pessoa em bairro de classe média, no Brasil, gera maior revolta que uma chacina na favela.

Houve outros extermínios no mundo, tais como os dos armênios, dos curdos, de povos africanos e indígenas que não tiveram nenhuma repercussão mundial.

Caro e raro leitor,  deixo aqui uma pergunta: consegues sentir a dor de todas essas pessoas que sofreram tanto e não tiveram suas histórias contadas, como prescreve Hannah Arendt?

John Donne, poeta e pregador anglicano, sentiu: "a morte de qualquer homem me diminui, porque sou parte do gênero humano. E por isso não perguntes por quem os sinos dobram; eles dobram por ti". 

Porto Alegre, 17 de outubro de 2017.

Foto: Guernica, Pablo Picasso

Edu Cezimbra









segunda-feira, 16 de outubro de 2017

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Humano demasiado humano


"O mundo, na hora presente, está cheio de grupos raivosos autocentralizados, cada qual incapaz de considerar a vida humana como um todo, cada qual preferindo destruir a civilização a ceder uma polegada. Para essa estreiteza de vista, não há instrução técnica que possa fornecer um antídoto, na dose em que o exige a psicologia humana, este deve ser encontrado na história, na biologia, na astronomia e em todos os estudos que, sem destruírem o auto-respeito, convençam o indivíduo de contemplar-se em sua própria perspectiva. 
 Bertrand Russel, escreveu o "O Elogio do Lazer" em 1957, visando, no parágrafo acima, a "Guerra Fria".

O caro e raro leitor há de concordar que, se eu não desse a devida referência, poderia imaginar que esse parágrafo citado foi escrito hoje.

"Grupos raivosos autocentralizados", na hora presente, são o que mais temos. 

Fico a me perguntar se Russel tinha noção da "longevidade" desse diagnóstico social catastrófico.

Pela sequência de seu pensamento penso que não...

Atualmente, a "instrução técnica" impera, sempre visando a competitividade.

A perspectiva do indivíduo nessas condições é de "uma estreiteza de vista" alarmante.

Mais adiante, Russel insiste neste ponto:
"O que é necessário não é este ou aquele fragmento de informação específica, mas o conhecimeto que inspira uma concepção dos objetivos da vida como um todo;" (...)
Sabemos que em momentos de crise econômica, social e política os tais "grupos raivosos" tendem a proliferar, sempre buscando um "füher", um líder paternal, que resolveria todos os problemas da sociedade.

Impressiona que adolescentes, tão avessos à autoridade do pai, são os que mais caiam na tentação autoritária e patriarcal na política brasileira.

Ainda hoje, soube que Trump retirou os EUA da UNESCO devido à participação da Palestina nesse organismo da ONU.

Isso diz muito sobre o grau de dificuldade para superarmos a fragmentação da "vida humana" imposta por políticas segregacionistas. 

A ciência, cultura e educação que a UNESCO promove globalmente é um antídoto a essas concepções estreitas, preconceituosas, racistas e xenófobas.

Bertrand Russel conclui o parágrafo com essa afirmação categórica, que nos serve como um fecho de ouro: 
"É das concepções mais amplas, combinadas com a emoção impessoal, que a sabedoria brota mais espontaneamente."

Porto Alegre, 12 de outubro de 2017. 

Imagem: depositphotos

Edu Cezimbra



quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Tempo e Espaço



Porto Alegre, 11 de outubro de 2017.

Pintura de Fernando Botero

Design: Canva

Edu Cezimbra

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Enganos e Desenganos


Não gostamos de ser enganados.

Por outro lado, "me engana que eu gosto"...

Há quem prefira não saber do engano. Algo assim: nunca se desengana quem se engana sempre.

Se o engano é um problema, o desengano é a solução?

Hum...às vezes preferimos ser enganados, sem falar no auto-engano.

O auto-engano não existe mais, agora é autoengano...

Se o paciente "foi desenganado", antes "foi enganado"? Boa pergunta, quando se quer suscitar um questionamento sobre a "medicalização da sociedade"...

Se não me engano foi o escritor Mark Twain que disse: "é mais fácil enganar as pessoas que as convencer que foram enganadas". 

A ilusão é uma espécie de engano, especialmente na "sociedade do espetáculo".

Em momentos de dificuldades  prospera a sociedade do espetáculo, como podemos ver nas grandes salas que recebem milhares de pessoas.

Essa busca de diversão em momentos de crise econômica e social é reconhecida por historiadores, sociólogos e antropólogos. 

A projeção cinematográfica é o ponto culminante dessa ilusão em massa (TV é hors concours).

Junto com a ilusão vem a projeção. Ou seria o contrário?

A projeção, psicanaliticamente falando, é um tipo de autoengano, já que culpamos os outros por nossas falhas de caráter.

Goebbel, ministro da propaganda nazista, foi o primeiro a combinar as duas projeções, deixando seguidores fiéis no Brasil...

Uma das minhas frases preferidas sobre o tema é de Gramsci:

"O desafio da modernidade é viver sem ilusões, sem se tornar desiludido."  


Porto Alegre, 10 de outubro de 2017.

Foto: cena de "Cidadão Kane"

Edu Cezimbra







segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Um outro tempo


 Disse um sábio zen que "não há futuro sem passado". Ao que acrescento: não há passado sem futuro...

O presente é um passado a espera do futuro.

O "aqui e agora" é o que temos, dizem os místicos, esquecendo-se do passado e não pensando no futuro.

Dizem alguns que o presente é eterno. A eternidade, no entanto, é o somatório do passado, do presente e do futuro.

O futurista pode ser um saudosista que tenta recuperar os bons tempos passados.

O conservador é um crente que quer viver em um passado "aqui e agora".

Já o progressista é um cético que anseia em fugir do tradicional sem nada mudar.

Prefiro evitar essas dualidades... Aprendi com os taoístas: o grande salto é a integração do passado, do presente e do futuro. 

A filosofia taoísta sabe que "quando eu deixar ir o que sou eu me torno o que poderia ser"... 

Note que esse aforismo integra presente, passado e futuro. Não é surreal isso?...


Porto Alegre, 9 de outubro de 2017.

Imagem: Pinterest

Edu Cezimbra







sábado, 7 de outubro de 2017

Rosa Amma







Rosa Amma!

Quando eu nasci
Encontrei minha família
Eu era bebezinha
Foi lá que eu brinquei
Agora tenho um aninho!

Pra que é a poesia?
Quando molha nas janelas
Eu vejo,
Mas agora, o fim da poesia,
Não vejo!

Sou feliz! 











Poesia da minha netinha Íris, seis anos, ditada de uma só vez (como sempre) para sua vó, em homenagem ao primeiro aninho de sua irmã Rosa Amma.


Porto Alegre, 2 de outubro de 2017.

Arte: Íris Cezimbra Armbrust

Foto: Lua Cezimbra

Edu Cezimbra

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

A sedução de um toque



Um toque é irresistível... Dificilmente alguém se incomoda com um toque. 

Óbvio, há excessões, como Marnie, a personagem do romance de mesmo nome do escritor inglês Winston Graham (o livro virou filme, sob direção do mestre do suspense, Alfred Hitchcock).

Um toque não precisa  necessariamente ser físico.  Ás vezes, uma pergunta tem a sedução de um toque: 

- No seu apartamento ou no meu?

Antecipo-me, pois antes dessa pergunta sutil há todo um protocolo a ser rigorosamente cumprido.

Tinha um amigo que iniciava a abordagem com uma pergunta:

- Co-co...nhece o PT (era gago)? Evidentemente, não são todas as perguntas que funcionam, mas que esse amigo popularizou o PT não há como negar...   

Nem sempre o toque tem essa função sexual explícita.

Um toque pode ter uma função compassiva, por exemplo, dar uma dica, mas sempre é mais efetivo se na forma de uma pergunta:

- Por que não te tratas com homeopatia?

- Já tentaste a acupuntura?

Quando diante de alguém que se (de)formou assistindo o Jornal Nacional, qual seria o toque sutil?

- Co-co...nhece o PT?... Não!, mais efetivo começar pela novela...

Nunca tente esganar o interlocutor, por favor! Antes, mude de assunto, distraia, fale do tempo ( que calor...), a família (como vai a senhora sua mãe?), o trabalho ( já arranjou emprego?)...

Para homens há o recurso infalível do futebol (assegure-se do time do interlocutor).

Para mulheres? Não se preocupe, elas te darão os toques sutis...

Porto Alegre, 5 de outubro de 2017.

Imagem: Google

Edu Cezimbra






quarta-feira, 4 de outubro de 2017

terça-feira, 3 de outubro de 2017

As mentiras de sempre


Na realidade, a mentira é um vício maldito. Não somos homens nem estamos ligados uns aos outros mais que por palavras.
Montaigne, no século XVI, já amaldiçoa a mentira. 

Coloca a mentira como o pior dos pecados; com menos intensidade, a teimosia.

Em sua época, a mentira não era digna de um cavalheiro, não era nobre mentir...

O que Montaigne não diz é que se a mentira é a negação da realidade é porque ofenderia ao real, ou seja, ao rei. 

Embora, no final desse "Ensaio", elogie o Rei Francisco I por desmascarar um embaixador milanês mentiroso.

E, atualmente, onde a mentira é mais nociva?

Provavelmente, na política. Aqui ela assume esse caráter perverso de manipulação da opinião pública e de dividir os homens - no dizer de Montaigne, não esqueça.

No Brasil, uma das maiores fontes de mentira política é a mídia corporativa. 

Seus métodos são de manual do Ministério de Propaganda de Goebbels, e mais recentemente, da imprensa sul-africana da época do famigerado apartheid, sem esquecer a Okhrana, polícia secreta do czar Nicolau II, que divulgou um livro apócrifo, a fraude do "Protocolo dos Sábios do Sião".

Mais grave é a justiça brasileira forjar provas contra um político como Lula, com o intuito assumido de afastá-lo da candidatura à Presidência da República.

Inconsequentes, mas não sem consequências funestas, abrem espaço e cancha para aventureiros que usam de mais mentiras para caluniar pessoas e deturpar a história. 

São capazes de afirmar que o partido nazista era socialista e Hitler esquerdista, acredite se quiser...

A mentira é tão desavergonhada na mídia, no governo e nas redes sociais que assume várias facetas.

Uma das facetas mais hediondas é a negação de fatos há muito comprovados entre eles o aquecimento global, a nocividade de venenos e transgênicos, o desmatamento da Amazõnia, entre outros.

Outra faceta perversa é a deturpação de dados para justificar o desmonte da previdência social e das leis trabalhistas.

Não quero encher meu caro e raro leitor com estatísticas econômicas, por isso deixo outra citação para finalizar e que me parece à altura de Montaigne.

Diz o economista Guilherme Delgado à IHU On-Line: 

O discurso de que a economia dá sinais de suspiro em relação à recessão que o país enfrenta nos últimos anos é uma “narrativa que, aparentemente, faz o acalanto geral da sociedade, mas, infelizmente, ela é falsa.
Não há esses sinais de melhora, até porque quem constrói essa narrativa é, ao mesmo tempo, responsável e prorrogador dos ingredientes que a falsificam do ponto de vista dos fatos”, frisa.


Porto Alegre, 3 de outubro de 2017.

Imagem: J. Borges

Edu Cezimbra









segunda-feira, 2 de outubro de 2017

sábado, 30 de setembro de 2017

Frases de Setembro


Muito se fala em sustentabilidade, pouco se fala em equidade.

No Brasil não tem mais "raposa cuidando do galinheiro".
 -Agora é tucano..


Um ressentido com seus ex-amigos é o mais vingativo dos inimigos...

A desgraça de um país é o seu governo não dever satisfações a ninguém...no país.

Depois do "pobre de direita" do Tim Maia, aparece o "rico metido a esquerda" do Lula.

São tantas malas de dinheiro que fica difícil contar...- Mala$, a moeda da corrupção.

Caixa-2, caixa-3, caixa-4, caixa- 5... põe na Caixa...Geddel.

Deu a louca no Brasil...

Já disse e repito: "traíra" não é aliado, é inimigo na trincheira.

Estou a listar filmes de ficção que retratem o Brasil atual. Já listei 3: "Deu a Louca no Mundo", "Apertem os Cintos: o Piloto Sumiu" e "A Lei é Para Todos". Mais algum?

Foi o STF que teve sua dignidade atingida pelas denúncias ou foi a dignidade atingida pelos seus ministros?

"Prenda-me se for capaz", filme preferido dos tucanos.

Guará, nosso velho cachorro, apelido "Guaraxote", por arremeter contra carros, quando novo, foi correr no céu dos cachorros.

Caso prendam Geddel, após cumprir a pena,  terá emprego garantido na Casa da Moeda.

Andar com dinheiro na mala é uma coisa, andar com malas de dinheiro é coisa de traficante.

Vem aí "O Acordão", haverá malas suficientes  para tantos ?

Uau!, O Globo superou a Veja com 1ª página sem Geddel mas com suas malas de dinheiro próximas aos nomes de Lula e Dilma!

Todo golpista temerário vira um ditador temeroso. #ForaTemer
 

Mãe, tu já tomou a tua "Hoteupatia"? Guadua, meu netinho de 3 anos,  que se trata com "Homeupatia", amiguinho do "Teuquior"...

Antes, no tempo de Manoel de Barros, a imaginação inventava mentiras, agora, no tempo da Globo,  inventa verdades.

- Vô, tem que ser como manda o Figurino! (para minha netinha Íris, o figurino é um homem mandão)...

No faroeste caboclo de Brasília não mata quem sacar primeiro, mata quem prender primeiro.
 - É um tal de prende e solta...


E a "Queer B", quando começa?...

Engana-se quem diz "eu já vi esse filme". Mais honesto dizer "eu já esqueci esse filme"...

Aqui não tem furacão, aqui não tem terremoto...
 -É pior, tem Temer, Sartori e  Marchezan.


Atenção ZHelotes, não confunda cobertura jornalística com acobertamento do Sartori. #ZeroFora

Tudo às claras, embora gemas...

- Tiau, vai pela sombra, respondia meu velho pai, quando um amigo dele se despedia. - Pra não se queimar, arrematava depois...

Superintendente  do IBAMA indicado p/ Rogério Marinho/PSDB preso. Aí aparece um  daltônico e diz que a culpa é da "gestão vermelha".
 

Cantor  sertanejo emitindo opiniões políticas rivaliza  c/ "Folha": não houve  ditadura militar no Brasil, mas "militarismo vigiado".

Novelas e BBB estão cheias de "libertinagem" e ninguém fala nada, estranho critério esse do MBL para com a Globo e RBS...

Não é possível qualquer discussão razoável com quem se (de)forma pelo "Jornal Nazional".

Polícia   permite assédio moral e físico contra visitantes de uma exposição e  depois protege os criminosos. - Na Alemanha nazista?

Bastou Maduro anunciar a taxação das grandes fortunas na Venezuela que a oposição golpista correu para mesa de diálogo.  

Desgoverno Temer: caga e não sai da moita.

Amor é coração: recebe calor de alguém e não retém. 


Admirável Gado Novo: casa, trabalho, supermercado, lotérica, farmácia, hospital, cemitério.

Depois da suspensão da exposição "Queermuseu", fica a pergunta: o MBL quer museu?..

Temer  divulgou nota na qual afirmou que a nova denúncia de Janot “é realismo  fantástico em estado puro”. Contra a Dilma foi o quê?

Opinião pública, hoje em dia, é aquilo que a mídia publica.

Eric Hobsbawn constata que os políticos cuidam muito do que os eleitores NÃO querem ouvir. Faltou dizer o que os eleitores ouvem...e vêem.


É muito bom ouvir o canto dos sabiás, melhor ainda é não esquecer que eles cantam nas árvores...

Não basta ter PIB alto, tem que ter distribuição de renda.

Ministro Meirelles pede orações aos brasileiros.
 - Afinal, ele é ministro da economia ou da teologia da prosperidade?


Depois do "salve-se quem puder" vem inevitavelmente o "salve-me quem quiser"...

"A arte não deve habitar corações medrosos", assim falou Plínio Marcos, nos "anos de chumbo". - Tá valendo, mano!...

Quando "todo mundo" quer ser presidente, quem está errado, "todo mundo" ou o "presidente"?

# HomofobiaNãoÉDoença nos TTs do twitter, como tem gente "confundida"...

Acrofobia, agorafobia, aracnofobia, antropofobia, está faltando a #homofobia no CID - Código Internacional de Doenças.

É tanto furacão devastando o Caribe e os EUA que o Trump, na ONU, assumiu a retórica de devastar totalmente a Coréia do Norte.

Corintiano reclamando de arbitragem.
 - É muita ingratidão...


MBL  ia ter muito trabalho no Museu do Vaticano e na Capela Sistina, -  a  dúvida é se também o Papa iria ceder às suas chantagens.

Avós são pais reciclados pelos netos.

Se Deus interviesse no futebol, como acreditam fervorosamente alguns boleiros, o San Lorenzo, time do Papa, não perdia uma...

O sujeito chuta tantas bolas foras que quando acerta uma acha que é "milagre de Deus"...

'É mais fácil um "camelinho" atravessar o buraco de uma agulha do que um carro".  #DiaMundialSemCarro

Pai, perdoai-os, eles ( Temer, Sartori e Marchezan) não sabem o que fazem.

Hoje em dia não há mais "visão de mundo", mas televisão do mundo.

Anúncio para mural de trabalhador: troca-se horário de verão por aposentadoria.

O gol é aqui ⬇️⬇️⬇️- cartazes de torcedores, atrás das goleiras, cansados de ver seus atacantes chutarem pra longe do gol! 

Professor de História: Hitler gostava muito de ler Karl May.
MBL:  Viram, não falei que ele era de esquerda!

"É a hora de aproveitar esse momento para fazermos um banho de loja na Rocinha." Crivella, corrijindo, é "banho de sangue"...

A saúde é um paradoxo, quanto mais se investe em "cura" mais se adoece...

- Como argentino é racista, chamam "quilombo" a uma confusão...
 - Sim, por que não falam "barraco", como nós, brasileiros?...


Tem time que troca de treinador como jogador troca camisa.

No Brasil, revelar a verdade é crime, assim como ajudar os pobres.
 - Que o digam Nassif e  Lula.


 Só reconhece a primavera quem conhece o inverno.

Aécio foi afastado do senado pelo STF. Vai ficar de castigo, dormindo em casa...

O saudosismo é o oposto do futurismo?

O futurismo é uma espécie de saudosismo: quer recuperar os "bons tempos" que já não vive no presente.

O Aécio já está no regime semiaberto, STF? 

"Futuro não tem sem passado, existência do passado no futuro do presente." Embora pareça, não é o mestre jedi Yoda, mas o mestre zen Tomio Kikuchi... 

- Já tem gente chamando urubu de meu louro. 
 - Pior é chamar tucano de meu louro... 

Bastou um general falar em intervenção militar e a oposição já começou a chamar tucano de meu louro.

Eles comentarão, eu comentarinho... 

O desafio ético contemporâneo é manter-se honesto em um contexto corrupto.

A vida não é a arte, o que existe é a "arte de viver. 

Me tapo de picumã de fumaça, - mas não deixo o fogo apagar!
 


Facebook, setembro de 2017.

Charge: André Dahmer

Edu Cezimbra

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Música de fundo



O escritor Erico Verissimo contou em uma entrevista, há anos atrás,  que gostava de "tirar a sesta" embalado pelas músicas clássicas da Rádio da Universidade.

Não contou toda a verdade...

Agora, na comemoração de 60 anos da Rádio da Universidade (UFRGS), seu filho, Luis Fernando, revela que seu pai também escutava a rádio enquanto escrevia.

Como escritor que se preza ele gosta de uma tirada espirituosa, conclui afirmando que a rádio sexagenária também transmite "música de fundo para a criação literária".

Concordo totalmente! - Longe de mim me comparar ao talentoso Erico Verissimo, mas confesso que também gosto muito de escrever ouvindo música clássica sintonizado na mesma rádio.

O meu velho pai, que não é escritor, mas também gosta de um dito espirituoso, diz que quem escuta música clássica é "metido a besta"...

Lembro que ele ficava indignado na Sexta- Feira Santa, quando a única rádio de nossa cidade tocava somente música clássica - "música de defunto" - reclamava ele.

Felizmente não segui o seu veredicto (ressalvo que para outros gêneros musicais tem bom gosto) .

Descobri essa rara opção de rádio quando me mudei para Porto Alegre há mais de 30 anos, e sintonizei nos "1080 AM". 

Desde então passei a ouvinte assíduo, pois gostava de ler ouvindo música clássica (e sestear também).

Após, como profissional da saúde, descobri os benefícios para a saúde da música erudita.

E, agora, como escritor, também recomendo a música clássica como fonte de relaxamento e abertura mental.

Para quem se interessar, o link para escutar a Rádio da Universidade é este: 

http://www.ufrgs.br/radio/ 

Aproveito para deixar aqui meus parabéns pelos 60 anos de funcionamento da primeira rádio universitária brasileira, extensivo a todos que fazem da Rádio da Universidade uma emissora tão diferenciada, desejando que prossigam com a programação musical especialíssima!


Porto Alegre, 29 de setembro de 2017.

Foto: Leonid Streliaev

Edu Cezimbra


 


quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Lanterna Mágica


Lanterna mágica
Magnificando sonhos
Emitindo imagens
Em movimento na tela
Panorâmica

Cinema mudo
Sem som 
Sem cor
Sem legendas
Cinema falado
Com som
Com cor
Com legendas

Há magia no cinema

Seja ele em preto-e-branco
Com música de piano
Seja ele colorido
Com trilha sonora
Há risos
Há lágrimas
Há emoção
Há projeção


Porto Alegre, 28 de setembro de 2017.

Foto: cena de "Bastardos Inglórios"

Edu Cezimbra

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Previsão poética de primavera



O sol muda de posição e liberta a Primavera do cativeiro do General Inverno.

Seu hálito gelado vira brisa fresca, com traços de perfumes florais e cantos da passarada.

Aparecem os brotos de bambu...

Porto Alegre, 27 de setembro de 2017.

Imagem: Monet

Edu Cezimbra

terça-feira, 26 de setembro de 2017

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

sábado, 23 de setembro de 2017

Visões de Mundo



Quando Iarima viajou para Nova Iorque, na companhia do antropólogo Kenneth Good, disse que ia para a aldeia de seu marido.

Iarima é uma jovem Yanomami, e para ela o mundo é composto de aldeias espalhadas pela floresta.

Já no extremo sul do Brasil, o mundo é composto de estâncias de gado espalhadas pelo Pampa.

Para os Yanomamis é suficiente a noção matemática do um, do dois e de muitos.

Já para o gaúcho é suficiente um churrasco, dois tragos de canha e muito vanerão.

A piada (?) serve para ilustrar o quanto uma visão de mundo é formada pelo meio em que vivemos ou pela ideologia.

Um parêntese: podemos dizer que hoje não temos visão de mundo, mas "televisão do mundo".

Assim, ao invés de apreendermos o mundo "no mundo" o "apreendemos" em uma caixa com um tubo ou uma tela plana.

Voltemos a Iarima: que eu saiba ela não transportou a sua aldeia para Nova Iorque, - quando sentiu saudades, quis retornar para a sua floresta na Amazônia venezuelana.

Ao contrário do gauchão citadino, que transporta a estância, quando se muda de "mala e cuia" para galpões de estância, em pleno centro de Porto Alegre, durante um mês (setembro)!

Porto Alegre, como todos sabem, é uma metrópole, com todas as características de uma cidade grande e moderna.

Por isso, não tem uma "Rua das Tropas", por onde conduzir a boiada, então fica faltando o gado, embora não falte carne gorda para o churrasco...

Em compensação tem a Avenida Cavalhada, atualmente duplicada, por onde transitam os cavalos, cavalgados durante as celebrações da "Revolução Farroupilha". 

Também Iarima, quando se muda - e os Yanomamis se mudam muito, pois são nômades - , leva os seus pertences nas costas (os Yanomamis não conhecem a roda, convenhamos, de pouca valia em uma floresta densa). 

A visão de mundo de Iarima, embora pareça "primitiva", com o advento das telecomunicações, inspirou em McLuhan, teórico da comunicação, a figura da "aldeia global".

A propósito, será que Iarima e seu povo Yanomami, e, os gaúchos, entenderiam a metáfora? 


Porto Alegre, 23 de setembro de 2017.

Foto: ISA
 
Edu Cezimbra







sexta-feira, 22 de setembro de 2017

A Quadratura do Círculo Vicioso


Girando em círculos, baratas tontas - assim parecem os homens -, vistos do alto. 

Jogadores atrás de uma bola, caçadores em seus cavalos atrás de uma indefesa raposa, motoristas rodando em seus carros sem parar para descansar, para pensar...

Este estilo de vida "civilizado" parece uma corrida de revezamento, mas sem final, ou melhor, finalidade.

Ou um jogo de futebol, onde os jogadores ficam correndo atrás da bola, dando chutões para fora, em um frustrante 0 X 0 que não termina nunca, haja preparo físico!

Parece um labirinto, em que se entra e se fica girando, girando, pelos mesmos corredores, sem achar uma saída.

Pior, não querendo sair dessa imensa caverna de Platão de um mundo mecanizado, enrijecido e desumanizado.

Somos orgulhosos dessas correntes que nos prendem nessas engrenagens, que nos fazem correr apressados.

Parecemos o coelho de Alice, dando voltas sem cessar, olhando o relógio e com pressa, muita pressa.

Exibimos como provas de sucesso estas correntes presas em caixas sobre rodas, que entram em outras caixas, para trabalhar entre quatro paredes (caixa), voltar para outra caixa, até morrer e ser enterrado em um caixão...

Como definiu argutamente um índio Kaingang, " o povo das caixas":

“O mundo deles é quadrado, eles moram em casas que parecem caixas, trabalham dentro de outras caixas, e para irem de uma caixa à outra, entram em caixas que andam. Eles vêem tudo separado, porque são o Povo das Caixas…”

Paradoxal, não? Nossos círculos viciosos acontecem em quadrados, comprovando, pateticamente, a "quadratura do círculo vicioso"...


Porto Alegre, 22 de setembro de 2017.

Imagem: Pitu Freixas

Edu Cezimbra 

 


quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Vovô conta uma historinha


Avós são pais reciclados pelos netos.

Ser despertado aos gritos e safanões pelos netos é tão bom quanto ser despertado pelo canto dos sabiás.

E com a ajuda da vovó: 

- O vô vai contar uma historinha pra vocês...

- Mas eu escolho a historinha, impõe categórica a sua netinha.

- Tá, e qual é a historinha?

- Essa aqui (Ronaldinho Gaúcho e a Turma da Mônica)...

- Vamos lá, então... 

-  (...) A bola caiu num poço! 

- Vô, tu não leu o "tchibum!" ...

- Íris, tu já sabes ler?!!

Dá pra imaginar os olhinhos da minha netinha, brilhando de orgulho , enquanto o netinho Guadua ri muito com os sustos do Ronaldinho Gaúcho, com os olhos também brilhando...

Sim, é mesmo uma dádiva ser avô e poder contar uma historinha pra você, - meu caro e raro leitor de olhos brilhantes.


Porto Alegre, 21 de setembro de 2017.

Imagem: Pinterest

Edu Cezimbra


terça-feira, 19 de setembro de 2017

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Onde cantam os sabiás



Porto Alegre, 18 de setembro de 2017.

Foto: Francisco Cezimbra

Design: Canva

Edu Cezimbra

domingo, 17 de setembro de 2017

Pescador de Dourado


Com o brilho de nosso poetinha maior, Vinícius de Moraes!


Porto Alegre, 17 de setembro de 2017.

Foto:  Anne Beringmeier

Design: Canva

Edu Cezimbra

sábado, 16 de setembro de 2017

Balanço





Já temos temas
Temos tremas
Temos tremores
Temos tramas
Temos tramóias

Só não temos trabalho
Não temos baralho
Não temos carvalho
Não temos alhos
Não temos bugalhos

Mas temos embaraços
Temos golaços
Temos chumaços
Temos palhaços
Temos bagaços

Nos falta fama
Falta flama
Falta flâmula
Falta flamenco
Falta flagrante
                                        

Porto Alegre, 16 de setembro de 2017.

Imagem: Pinterest
Edu Cezimbra

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Uma canção no rádio


"Pôxa, como foi bacana te encontrar de novo"
O radinho de pilha captava a Rádio Nacional, já tarde da noite, meu irmão mais novo escutava deitado o programa ao vivo, entrevistando Gilson de Souza, cantor e compositor que lançava o álbum "Pôxa".

Bem baixinho, para não acordar nossos pais que dormiam no quarto ao lado.

"curtindo um samba junto com meu povo"
Era por volta de 1975, e, eu lembro que gostei muito do samba, tanto que pedi para aumentar o volume do radinho, ao que ele se negou, prudentemente, diga-se.

E eu não estava enganado. "Pôxa" foi mesmo um sucesso, sendo muito tocada a partir de seu lançamento, tornando conhecido o cantor e compositor Gilson de Souza, antes disso um cantor da noite paulistana.

Conto isso para mostrar a potência de um mísero radinho de pilha, bem sintonizado, no imaginário de um adolescente.

Já se passaram mais de 40 anos e a canção permanece gravada na minha memória, já não tão boa, para as canções que tanto gostava de escutar.

As rádios brasileiras, pasmem, tocavam muita música brasileira!

Era natural escutar compositores como Chico Buarque, Gil, cantoras como Elis Regina, Clara Nunes, duas vozes inesquecíveis para mim.

E olha que eu morava em uma pequena cidade do interior do RS, mas a única rádio, na época, tocava muita MPB de qualidade.

Não quero te chatear, meu caro e raro leitor, comentando a cruel realidade da programação das rádios atuais.

Fiquemos com Gilson de Souza e seu samba clássico "Pôxa" (sem a bronca de meu pai - "apaga esse rádio, guri!"):




 Pôxa,
Como foi bacana te encontrar de novo
Curtindo um samba junto com meu povo
Você não sabe como eu acho bom
Eu te falei que você não ficava nem uma semana
Longe desse poeta que tanto te ama
Longe da batucada e do meu amor
Pôxa,
Por que você não pára pra pensar um pouco?
Não vê que é motivo de um poeta louco
Que quer o teu amor pra te fazer canção
Pôxa,
Não entre nessa de mudar de assunto
Não vê como é gostoso a gente ficar junto
Mulher o teu lugar é no meu coração

Porto Alegre, 15 de setembro de 2017.

Foto: Google

Edu Cezimbra

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Três amigos


Três amigos, em uma mesa de botequim:
     

- A coisa tá dura, sem ofensa, Paulo Duro...

- Sem reclamação, João Romão, com perdão da rima pobre...

- Não perca a fé, vote em mim, José Café!

- Sem chance, até a Teologia da Prosperidade não prospera com essa crise.

- Ora, troca o "sem" pelo "cem": aí terá cem chances!

- Que nada, com esse governo estamos sem saída...

- A saída é a luta popular!

- Sem violência, sem luta de classe.

- Se olharmos bem há "cem saídas", com "C"!

- Cem candidatos é o que temos.

- Com "S" ou com "C"?...

- Sabem de uma coisa? Vou é encher a cara pra esquecer...

Maria Salete, a garçonete, secando a mesa desce mais uma "gelada", e anuncia:

- Cem dúvidas...com "C"!

Porto Alegre, 14 de setembro de 2017.

Imagem: Google

Edu Cezimbra