sábado, 30 de abril de 2016

Pesadelo



Uma quimera medonha

Horroriza minhas noites

Enxofre na bruma

Crotalizando sonhos

Monstro minotauro

Sinistrando ideal

Malévola musa

Perturbando minha paz









"Foi lá por 85"

Edu Cezimbra

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Epitáfios de Leminski


Inverno de 2014

Arte:  Edu Cezimbra

Foto: Francisco Cezimbra

Leituras Matinais


1ª) Ao abrir ao "acaso" a "Gramática do Tempo" do Boaventura de Sousa Santos sou brindado com este parágrafo: "É tão fácil e irrelevante cair na ilusão retrospectiva de projetar o futuro no passado, como cair na ilusão prospectiva de projetar o passado no futuro. O presente eterno e uno faz a equivalência entre as duas ilusões e neutraliza ambas. Com isto, a nossa condição assume uma dimensão kafkiana: o que existe não se explica nem pelo passado nem pelo futuro. Do determinismo desmentido pelas consequências passa-se para a contigência sem causa. Este nevoeiro epistemológico atua como bloqueio do pensamento e da ação emancipatórias. Se a modernidade desarmara o passado da sua capacidade de irrupção e de revelação para a entregar ao futuro, o presente kafkiano desarma o futuro dessa capacidade. O que irrompe no presente kafkiano é errático, arbitrário, fortuito e pode mesmo ser absurdo.Há quem veja, pelo contrário, na eternização do presente a nova tempestade do Paraíso que sustenta o Angelus Novus."


2ª) Abrir um bom livro ao "acaso" ao despertar pode dar nisso: "No instante em que uma pessoa qualquer se volta para si mesma e se dá conta das inspirações do que poderia ser, nesse mesmo instante, ela se torna uma estudiosa da natureza, tanto nos aspectos visíveis quanto invisíveis." Este pequeno trecho do livro "O Processo da Intuição - Uma Psicologia da Criatividade" , de Virginia Burden, me fez ver o quanto é necessário a interiorização para nos reconectarmos conosco mesmo, com os outros e com a natureza. 


3ª) Da "orelha" do livro infanto-juvenil "O Menino do Dedo Verde" compartilho este excerto: ""Sua missão é justamente despoluir, humanizar, reintroduzir a poesia num universo do qual ela se encontra exilada. Sobre um mundo cinza e enlutado, Tistu deixa impressões digitais misteriosas que suscitam o reverdecimento e a alegria." Acho que compreendi meu "surto poético sazonal" de primavera! 


Edu Cezimbra

Coleção Poética Outono/Inverno

 
  • Ar frio em céu azul pálido faz o sol mais distante dar um tom de aquarela à paisagem prenhe de cores, aromas e sabores.
  • O dia amanheceu friorento com um cobertor de nuvens no céu abafando o sol.
  •  Uma brisa fria e insistente arrepia a barriga d'água do Guaíba e as folhas verdes brilhantes de sol abanam para o dia.
  • Um sol contrito veio apresentar suas condolências e seu abraço caloroso a um céu azul metálico por tantas lágrimas derramadas nos últimos dias.
  • Previsão poética de hoje conta com a ajuda do Érico Veríssimo e sua prosa poética quando nos descreve um azul metálico do céu e um sol com tons de mel no amanhecer na Estância do Angico dos Cambarás. em dias de muito frio e geada.
  • O frio de 9º em Belém Novo faz o céu azul espalhar um cobertor de nuvens de lã para se aquecer e ainda deixa uma fresta para o sol.
  •  Há no céu de Belém Novo um imenso chumaço de nuvens de algodão esparramado pelo vento sul, feito niño que vem do Uruguay desfraldando uma bandeira azul e branca com um sol radiante no canto.
  •  E o general inverno teima em se manter de pé com suas nuvens cinzentas e rajadas frias amedrontando a primavera. Até os sábias batem em retirada, cantando baixinho...
  • Canção da Garoa, de Mario Quintana, adaptado por Íris , minha netinha de 2 anos:
    E chove sem saber por que,
    e tudo "fica molhado"...

    E não é?...

     Outono/inverno de 2013.

    Edu Cezimbra
     

A ditadura na escola



 Ao comentar sobre o fiasco do atletismo brasileiro em Moscou veio à tona, do fundo do baú da memória, um episódio dos meus tempos de aluno ginasial no, hoje, para mim, longínquo Alegrete. 

Fazíamos um jornalzinho mimeografado e entre outras notas do cotidiano escolar e citadino escrevi sobre o baixo desempenho brasileiro nas Olimpíadas de Munique de 1972 (apenas 2 medalhas de bronze). 

Depois de uns dias de distribuição do jornalzinho, qual não foi minha surpresa, ao ser chamado à sala da secretaria da escola para ser severamente censurado por ter feito a óbvia constatação de que o Brasil, na época com 90.000.000 de habitantes, deveria proporcionalmente ter melhor desempenho nas ditas Olimpíadas.

Na minha ingenuidade adolescente, entre os 13 e 14 anos de vida, desconhecia completamente que estávamos em plena ditadura militar. E que, a julgar pelos atuais resultados do atletismo brasileiro persiste, inercialmente.


Porto Alegre, 13 de agosto de 2013.

Edu Cezimbra

terça-feira, 26 de abril de 2016

Arte



A natureza e a cultura são ligadas pela arte


A vida nos bosques, lembrando Henry David Thoreau, convida
                                                                                       [ à criatividade


Há vida em uma foto ou a foto é uma natureza morta?



Porto Alegre, 26 de abril de 2016.

Edu Cezimbra

Foto: Francisco Cezimbra

Brecht e a Felicidade


Cena de "A Ópera dos Trẽs Vinténs"

" Sim, corre atrás da felicidade, mas não
                                                    [corras demais!
Pois todos correm atrás da felicidade
E a felicidade corre justamente atrás de todos!..."

De "A Ópera dos Três Vinténs", de Bertold Brecht

Brecht, irônico por demais nestes versos...

A ácida ironia de Brecht já sinalizava uma época em que as pessoas correm muito.

Tempos modernos, em que a ansiedade fazia cada vez mais vítimas incautas de um modelo desumanizador.

A sutileza de Brecht não é nada didática, aliás...

Se parássemos de correr a felicidade nos alcançaria?

Fica a questão aos meus qualificados leitores!

Porto Alegre, 26 de abril de 2016.

Edu Cezimbra

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Menos...



Se o materialismo humano (leia-se consumismo) cresceu seis vezes (!!!) mais que a população humana, para minorar o sofrimento humano e a destruição do planeta, precisamos criar urgentemente os programas 'Menos': Menos Consumismo, Menos Automóveis, Menos Asfalto, Menos Petróleo, Menos Eletrônicos, Menos Capitalismo.

E, se nós, humanos, ainda preservássemos o instinto de sobrevivência aliado á inteligência, ao invés de menos imposto sobre produtos industrializados deveríamos, isso sim, clamar por "Menos Produtos Industrializados".

Deixo para Davi Yanomami as palavras finais deste alerta: "São essas as palavras dos nossos espíritos, que os brancos desconhecem. Eles já possuem mercadorias mais do que suficientes. Apesar disso, continuam cavando o solo sem trégua, como tatus-canastra. Não acham que, fazendo isso, serão tão contaminados quanto nós somos. Estão enganados."

Edu Cezimbra



Lembranças



Ontem à noite, aqui em Porto Alegre, encontrei com o cineasta Sílvio Tendler, na homenagem póstuma ao Moacyr Scliar, e comentei com ele e sua esposa sobre a falta que fazem para a inteligência brasileira pessoas do quilate intelectual e ético de um Moacyr Scliar, João Ubaldo Ribeiro, Rubem Alves, Ariano Suassana. 

Complementei, divagando, que até parecem que estão sendo poupados de tanta mediocridade.
 

Agora, pela manhã, mais dois expoentes da cultura brasileira foram se juntar a esta seleção brasileira de homens notáveis: Leandro Konder e Manoel de Barros. 

Assim, o Brasil fica ainda mais carente de inteligência, sensibilidade e carácter pois não está havendo renovação nesta seleção de craques.

Porto Alegre, 13 de novembro de 2014.

Edu Cezimbra

domingo, 24 de abril de 2016

Mas indevassável é teu espectro


Magneticamente

Me atraiste

Caí na armadilha 

Do amor

Como ferro-em-brasa

Conheci teu corpo

Mas indevassável

É teu espectro

"Foi lá por 85"

Edu Cezimbra

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Giordanna e a Árvore



Toda criança é feliz e saudável quando tem uma árvore para subir e brincar.
Todo projeto autoritário tem medo de lugares aprazíveis, onde as pessoas se reúnem. Os parques nas cidades são fundamentais para a qualidade de vida e a democracia participativa.

As crianças, os idosos e os jovens não deveriam ser cortados deste espaço de convivência que é o Gasômetro, no "Centro Histórico" de um Porto pouco Alegre, sob pena de gerarmos um clima de insegurança e violência.

Quando se mexe nestes espaços públicos instaura-se a perda da memória dos lugares costumeiros de encontro, de jogos e de lazer de toda uma população e aumentam os casos de depressão, doenças crônico-degenerativas segundo indicadores da OMS.

Arquitetos, urbanistas, especialistas em tráfego em cidades que estão paralisadas pelos congestionamentos de automóveis estão derrubando viadutos, largas avenidas para em seus lugares colocarem ...árvores, bancos de praça e pessoas.

Assim é que se faz uma cidade saudável: com respeito aos espaços conquistados pela sua população para a convivialidade.
 
Não tarda o tempo em que Porto se tornará mais Alegre de novo...

Então, Giordanna, a tua árvore é tua e ninguém pode cortá-la.

Ela é tua por merecimento, pelo exemplo que nos deste, e ninguém de sã consciência vai tirá-la daí!

                                                                            Porto Alegre, 3 de junho de 2013.
                                                                                                           Edu Cezimbra


quinta-feira, 21 de abril de 2016

A Arte de Curar



                                           A Arte de Curar


Homeopatia é Arte                                                         Todo artista vai além

Todo homeopata artista                                                  Vê o que ninguém viu

Tela é o paciente                                                            Capta o gênio do remédio

E o quadro é o remédio                                                   Investigando o repertório

Homeopatia é Arte                                                          Homeopatia é Arte

Todo homeopata artista                                                   Cura duradoura

Se cada remédio retrate                                                  Trazendo à memória

Rara individualidade                                                        Vis medicatrix natura

Homeopatia é Arte                                                           Homeopata é artista

Todo homeopata artista                                                   Seja a sua forma de arte

Busca a nota afinada                                                       Pluralista ou unicista

Na potência adequada                                                     Homeopatia é a que cura

Homeopatia é Arte                                                           Eis a Arte de Curar

Todo homeopata artista                                                   Ao oceano que é o ser

Que o remédio acerta                                                      Uma gota diluída

Com sua Matéria Médica                                                 Tudo pode informar


                                             Poema e Arte: 2013

                                                 Edu Cezimbra

Betinho


"Foi lá por 86"

Arte: 2013

Edu Cezimbra

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Vulcão



Apego-me aos teus gestos

Porque me atrais

Como pedra de fogo

Forjada no vulcão

Dos teus pudores

"Foi lá por 85"

Arte: 6 de setembro de 2013

Edu Cezimbra

Ouro Preto


    OURO PRETO

    Ouvidor-mor
                  mortífera
                           ferocidade

    Ouro derramado
                     amado vil
                                  vila rica

    Outrora forte
                  fortuna macabra
                                        brasão real

    Ourives artesãos
                  arte sacra
                          sacrílegos exploradores

    Ouro Preto
              pretores implacáveis
                                 plácida rebeldia

                                                                                                         "Foi lá por 85"

Arte: 3 de outubro de 2013

Edu Cezimbra

terça-feira, 19 de abril de 2016

Redemoinho



Ansiosa busca
Do prazer
Perseguição sôfrega
Da poesia
Força brutal
Do delírio
Desrepressão formal
Redemoinho


  "Foi lá por 85"

Edu Cezimbra

Posto à prova



Não quero mais sofrer
A dor de ser homem

Macho invencível

Quero agora outra vida

Mais Lúcida

Com menos cobrança

- Entender - não cobrar

"Foi lá por 85"

Edu Cezimbra
 

Steinbeck e o Sucesso



John Steinbeck, autor do romance "A Rua das Ilusões Perdidas", considerado por muitos críticos como a sua obra-prima, faz o personagem Doc, biólogo, comentar sobre Mack e seus amigos vagabundos, aos quais ele vê de seu laboratório, sentados no alto de uma colina.


Doc disse:
 - Olhe só para eles. Acho que são os verdadeiros filósofos. Mack e os rapazes sabem tudo o que já aconteceu no mundo e provavelmente tudo o que acontecerá. Creio que sobrevivem neste mundo em particular melhor do que as outras pessoas. Mostram-se relaxados  numa época em que as pessoas se consomem de ambição, nervosismo e cobiça. Todos os nossos homens supostamente bem-sucedidos são doentes com estômagos ruins e almas piores.Mas Mack e os rapazes são saudáveis e extremamente puros. Podem fazer tudo o que querem. Podem satisfazer seus apetites sem os chamarem de qualquer outra coisa.

O companheiro de copo de Doc, no momento, é Richard Frost, que declara:
- Acho que eles são iguais a todos os demais. A única diferença é que não tem dinheiro. 
- Mas poderiam ter. Sempre poderiam estragar suas vidas para ganhar dinheiro. Mack possui qualidades de gênio. São todos muito espertos, quando querem alguma coisa. Mas conhecem bem demais a natureza das coisas para querê-las desesperadamente.
Doc insiste em sua tese e lança como prova a indiferença do grupo em relação ao desfile de 4 de julho. E aposta umas cervejas de que eles não virarão a cabeça para assistir a parada.

- Não existe o homem que seja capaz de resistir a uma parada - afirmou Richard Frost.

Aposta feita. Doc pondera:

- Sempre me pareceu muito estranho.  As coisas que admiramos nos homens, bondade e generosidade, franqueza, honestidade, compreensão e sentimento são os elementos do fracasso em nosso sistema. E as características que detestamos, astúcia, ganância, cobiça, mesquinharia e egoísmo, são os fatores do sucesso. Enquanto os homens admiram as qualidades que citei, adoram o resultado das outras características.

Acho que não precisa contar quem ganhou a aposta, parece óbvio. O que me tocou muito nestes parágrafos é o quão antigo e recorrente (arquetípico) este paradoxo do sucesso.

Talvez ajude a entender porque Don Pepe Mujica, político uruguaio, tenha tanta receptividade e repercussão mundiais, quando a maioria dos seus colegas são tão criticados.


Porto Alegre, 19 de abril de 2016.

Edu Cezimbra

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Cutucadas no golpe

Começou a "reforma"

  • Troco uma Constituição Federal usada por uma Bíblia.
  • O PMDB é uma infecção oportunista que assola o Brasil há décadas.
  • Valeu Cunha é o assunto do momento no Twitter... Refaço meu anúncio: troco minha Constituição Federal usada por um antiemético.
  • Quem foi golpista nunca perde a trairagem...
  • Quando o político vota pela 'minha família' é melhor presenteá-lo com um livro de 'prendas domésticas' e depois mandar de volta para casa onde fará bom uso...
  • Lamentavelmente são poucos Chicos e muitos Cu Nhas...
  • A corrupção alheia é maldita...Já a corrupção familiar é "legítima defesa".
  • Enquete: Por que impeachment pode ser 'bênção disfarçada' para o PT?
    ( ) PT sai como vítima do golpe
    ( ) PT faz auto-crítica
    ( ) PT tem Lula
    ( ) PT sem PMDB
  • Deus disse: "QUEM USAR MEU NOME EM POLÍTICA E FUTEBOL VAI ARDER NO INFERNO"!!!
  • Para os deputados golpistas a corrupção alheia é maldita, embora tenham uma corrupção que lhes é muito "familiar"
  • Mais de 2/3 dos deputados assinaram um atestado de analfabetismo político com essas declarações apaixonadas pelo "meu cunhado"...
  • Tem gente falando por aí que também cuspiria no Bolsonazi. Que é isso, pessoal: eu vomitaria nele, aquele vomito em jato...
 
Porto Alegre, 18 de abril de 2016.
 
Edu Cezimbra

A Profecia


Se ao troar da hecatombe
Aparições celestes
Simularem milagres
Reafirmarás tua fé

Se os anjos da destruição
Soarem as trombetas
Turíbulos com incenso 
Queimarás em louvação

Se no esplendor da dor
Sentires as chagas do Senhor
Deixarás de lado os pudores
E te persignarás em mil altares

Se não crês nas profecias
Cegando tua crença mitológica
Gritarás bem alto 
E em vão o nome do Senhor

Porque Nostradamus falou
Da visão de São João
Mais cedo ou mais tarde
Nos alcançará o Armagedon

"Foi lá por 85"

Edu Cezimbra

Paraguaduras, o País Sem Futuro



Paraguaduras é um país com os olhos e os dois pés fincados no passado.

Convictamente zeloso de seu passado, alardeado como "País Sem Futuro".

Um repórter estrangeiro que lá chegasse estranharia muito esta pretensão orgulhosa de manter tudo como "dantes no quartel de Abrantes".

O que faz de Paraguaduras um país que é motivo de chacota no mundo civilizado e de preocupação entre os países vizinhos.

Sempre que um paraguadurenho viaja para estes países vizinhos logo os nativos avisam:" cuidado, é paraguadurenho".

Já estão sabendo de seus modos sinuosos, sempre pronto para dar um jeitinho e se preciso um golpe baixo mesmo.

Chama a atenção de seus visitantes  o total desinteresse pelo processo civilizatório cujo arremedo é "para inglês ver".

O passado em Paraguaduras acontece em prédios de arquitetura arrojada, largas avenidas sempre congestionadas e muita devastação da natureza. Paradoxal, não? Aparentemente. Pois ao conhecer mais a fundo a mentalidade de sua elite dirigente se entenderá este orgulho estampado em sua bandeira azul, amarela e verde com uma Cruz de Malta circundada por uma inscrição: "Alto  e Meia Volta, Volver".

E o povo deste país é sempre o culpado pelas tentativas de melhorar de vida, ofensa máxima ao pensamento comedido de sua elite, sempre preocupada em manter a população satisfeita com muito trabalho escravo, ali chamado de salário mínimo.

Qualquer melhoria nos indicadores salariais e do poder aquisitivo são imediatamente combatidos pelo Ministério da Austeridade com a subida razão que o trabalho enobrece o homem.

A mídia deste país também é motivo de chacota no exterior pelo seu elevado índice de manipulação da opinião pública. Os estudiosos paraguaduristas tem dificuldade de compreender o fenômeno que alguns batizaram maliciosamente, diga-se, de "me engana que eu gosto".

Paraguaduras já recebeu a visita de escritores famosos. Kafka jogou a toalha lá, confessando que sua pena era incapaz de alcançar a realidade paraguadurenha. Invocou Shakeaspere com seu MacBeth para descrever a realidade ultrapassada e traiçoeira do país. Saiu também fazendo gracinhas como era de esperar: "Há algo de podre no Reino da Dilmanarca".

Pudera, em Paraguaduras há um acordo tácito entre a elite dirigente de variados setores e poderes que é zelosamente respeitado por todos: "temos que combater a corrupção"... dos outros, leia-se, a corrupção alheia, porque a da elite é familiar e aceita como legítima defesa contra a modernidade civilizada que insiste em taxar grandes fortunas.

Imagine que a Rainha de Paraguaduras ousou ser honesta e governar em desacordo com a nobreza. Escândalo nacional, divulgado incessantemente pela Rede Golpe, onde já se viu, controlar o tesouro real e viver frugalmente. 

Após um longo processo conspiratório a Rainha Má foi deposta e condenada à pena capital que em Paraguaduras é assistir TV aberta 12 horas por dia sem direito à vida inteligente. Assim aprende a não bancar a honesta...

Porto Alegre, 18 de abril de 2016.

Edu Cezimbra








domingo, 17 de abril de 2016

O Emprego


"O Emprego" é uma animação argentina que de forma alegórica demonstra tanto o trabalho humano que existe em cada objeto que utilizamos em nosso dia a dia quanto somos objetos em um trabalho alienado.
Com um final totalmente inesperado é uma crítica demolidora ao clichê de que o "trabalho dignifica o homem" e pode ser uma introdução "animada" ao filme "Servidão Moderna".

Deputado




Basta!

Não escutarei 

Teu discurso

Nojento


Hoje

Mais que nunca

Tu saberás

Verme


Nunca

Mais tuas astúcias

Me aviltarão

Sanguessuga


Agora

Sou poeta!

Tu apenas

Deputado...


"Foi lá por 85"

Edu Cezimbra 


sexta-feira, 15 de abril de 2016

Rumor de águia



                                                                              VI

                                                      Banirás os bandidos

                                                      Do fundo do peito

                                                      Imitarás os reis

                                                      Darás vazão à soberba

                                                      E inquietarás os anjos

                                                      Num rumor de águia


"Foi lá por 85"

Edu Cezimbra

Estigma



Estigma é um sinal,  marca implacável,  não conhece adversário.

Nos porões do pesadelo se fundem seus ferros quentes.

Ingênuo aquele que pensa estar livre desta tortura.

Como segunda pele aos poucos vai se desnudando.


E aparece medonho com gritos de pânico.

Por isso, desça!

Vamos, vai ser melhor...


Desvende agora essa sua tragédia imortal antes que  outro o faça!

"Foi lá por 86"

Edu Cezimbra
 

O triste fim de um pobre brasileiro



Das calmas noites de lua cheia e nevoeiro, da calada de uma noite fria, surge a figura de um andarilho.

É um indigente, um brasileiro comum, como muitos de muitos que perambulam famintos pelas ruelas sórdidas da metrópoles brasílicas.

Não tem paradeiro. Só tem de muito seu a fome inadiável, urgente.

Por isso seus passos são trôpegos, suas palavras balbuciantes como as de um ancião decrépito.

Após tantos descaminhos chega a uma rua muito larga, fracamente iluminada por um vacilante poste de luz competindo com o clarão da lua cheia.

É um momento trágico, até solene na sua solidão. 

O pobre brasileiro se permite todos os delírios agora que não sente nem a dor lancinante de seu estômago vazio, nem a completa compreensão da têmpora latejando. 

Ele vê e acredita no que vê... Uma imensa massa humana a escorrer na avenida, que lhe trazem todas as vontades irrealizadas entoando palavras de ordem e empunhando tochas e estandartes:

Você, brasileiro, merece morrer


Você, brasileiro, que não chorou

Agora, já pode chorar

Porque chegou seu fim

Você não tem escolha

É o seu destino fatal!

E, enquanto entoavam tal diatribe aproximavam-se com os olhos paralisados, injetados de sangue, vestindo ternos pretos e gravata. Não tinham cabelos, exalando misticismo pelos poros.

O pobre brasileiro, coitado, a essa altura mal se sustentava em pé tal o pavor que a visão lhe impunha. Mal sabia ele que aquilo tudo era o início de uma longa iniciação pelos mistérios de uma seita antiga que o tinha eleito para bode expiatório. 

Desde os tempos coloniais, inspirados por crenças medievais, que a seita elegia um bode expiatório para o ritual secreto de perpetuação do seu poder.

Eis que o pobre brasileiro, mais uma vez, surgia trêmulo à sua frente...

"Foi lá por 86"

Edu cezimbra

quinta-feira, 14 de abril de 2016

Ruína


As vontades insatisfeitas

Onde vão?

Não vão...

Ficam escarafunchando

Brechas no seu arcabouço

Até que...

                ele

                      rui

"Foi lá por 85"

Edu Cezimbra

A minha vida é um facebook aberto...


  • As reparações para os indígenas vítimas da ditadura se farão com a demarcação de suas terras na democracia, ou para eles a ditadura não acabou?
   
  • Ecologizar os movimentos sociais ou socializar o movimento ecologista, o que é mais urgente?

  • Constato o quanto ainda nos falta de uma genuína educação à altura dos desafios de nossa era para o povo e para os políticos, representantes deste povo. 

  • A minha vida é um facebook aberto...

  • A filosofia como um modo de ser e estar no mundo encontra na vida de Wittgenstein um raro exemplo! 

  • Quanto à justiça não há neutralidade, mas omissão, cumplicidade, leniência. 

  • Os Estados Unidos da América, USA (para os mais chegados), quem diria, também adotaram o bolivarismo. Eleições tiveram mais de 140 plebiscitos, entre eles, um que legalizou a cannabis. Depois da Inglaterra, Suíça, os EUA, o que não irão dizer os paladinos da intervenção militar sobre este fenômeno?

  • A missão prioritária da Educação Ambiental é deter a extinção acelerada das espécies, incluindo a espécie humana.

  • Diz um "cientista" político que no fim das contas o que sobrou das manifestações de junho de 2013 foram 2 partidos, como não citou as siglas deduzo que são o PT e o anti-PT,

  • "Inteligência generalizada e agilidade mental são os inimigos mais poderosos da ditadura e, ao mesmo tempo, as condições básicas de democracia efetiva." A frase é do Aldous Huxley é antiga, mas se aplica a esta onda reacionária que pretende manipular as redes sociais!

  • Basta ver as "palavras de ordem" dos manifestantes reacionários para perceber que manter o entulho autoritário da ditadura militar é incubar o ovo da serpente fascista.

  • A velhice é uma idade paradoxal: muitos reclamam, poucos querem sair dela!

  • O Povo das Caixas foi como um Kaingáng chamou aos brancos. Fica mais uma vez comprovado o poder de nominar dos índios, pois é cada um na sua caixa separado do mundo.


 Facebook, 2014

Edu Cezimbra

Escalada social



Para subir na escada social

Basta ir com vontade adentrando os corredores atapetados dos cassinos da

                                                                                                   [especulação      


Aos poucos ir afundando na areia movediça dos jogos de azar da fama e da 


                                                                                                      [fortuna         

Seja um pouco de cada:

Cínico com os puros

Tolo com os sagazes

Temerário na hora da prudẽncia

Rebelde quando é preciso respeito

Fanático contra os sensatos

Ah, coloque uma dose dupla de espírito ditatorial , e voilá!

"Foi lá por 86"

Edu Cezimbra

Foto: Francisco Cezimbra

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Arte do desregramento




Mestre sou 

Na arte do desregramento

Porque irracionalmente

Procuro ansioso o Nirvana

Mas quanto mais tento

Mais me aborreço

 

"Foi lá por 85"

Edu Cezimbra

Perguntas da chuva matinal



Por que pensamos poesias enquanto a vida é trágica?

Por que não assumimos rebeldias se a morte é certa?

Por que a vontade inabalável de alguns contra a má vontade de tantos?

Por que a descoberta da contradição dentro de nós não pacifica o ser inquieto?

Por que ser cínico enquanto há tantas virtudes a cultivar?

Porque se cada um percebesse a visão de um mundo sem guerras, sem cobiça e sem exploração a paz seria inevitável... 

"Foi lá por 86"

Edu Cezimbra

Foto: Francisco Cezimbra


terça-feira, 12 de abril de 2016

Previsões poéticas



  • Um céu de chumbo se forra de chumaços de algodão para não se quebrarem os cristais do granizo.

  • A primavera na menopausa do aquecimento global despeja tempestades pelos poros.

  • A Primavera é uma romântica incorrigível. Apesar do frio nos oferece flores por todo canto!

  • A natureza, como um mestre zen, primeiro nos ensina com koans e, depois, com uma bastonada forte.

  •  Ar frio em céu azul pálido faz o sol mais distante dar um tom de aquarela à paisagem prenhe de cores, aromas e sabores. 

  • O dia amanheceu friorento com um cobertor de nuvens no céu abafando o sol.

  • Uma brisa fresca e perfumada sensualiza ares primaveris convidando as árvores e a passarada para frutíferos encontros.

  • Com o fogo do sol, o céu fez das nuvens, pipocas, para juntos assistirem o espetáculo da natureza em festa! 

  • Apesar do General Inverno, o canto da passarada segura a primavera no bico!

  • Balões de água no céu estouraram todos de uma vez.


Porto Alegre, primavera de 2013.

Edu Cezimbra


Foto: Francisco Cezimbra






Voo


Porto Alegre, 18 de novembro de 2013.

Edu Cezimbra

Foto: Francisco Cezimbra

Depois da chuva



Porto Alegre, 21 de novembro de 2013.

Edu Cezimbra

Foto: Maritânia Dallagnol

Heresia




     Com o punhal do poder
 Matei meu amor

Herege

Como pagar o crime?

"Foi lá por 85"

Edu Cezimbra

A liberdade e o poder



Liberdade é um dever de todos nós.

Não podemos reter por muito tempo este ímpeto!

Mas, que quimera mais longínqua...

Que sonho mais distante pode haver?

Se não basta a liberdade, é preciso o poder!

Há que lutar pelo poder, essa palavra tão temida...

 Mas a vontade indomável leva ao poder.

O que é preciso?

Que todos dele se apropriem!

Que seja popular o poder!

Que seja universal enquanto há espaço!

Que seja eterno enquanto é tempo!


"Foi lá por 86"

Edu Cezimbra

Foto: Francisco Cezimbra

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Dançando na chuva



Pingos de chuva

na vidraçam convidam

para dançar na chuva.



Porto Alegre, 26 de setembro de 2014.

Edu Cezimbra

Foto de Nelson Oliveira

Nave espacial




Vó,

Carro é meio de transporte?

É...

Então prefiro nave espacial...

Ah, sim!

Poder tocar nas estrelas

Dar um pulo na Lua

Girar em volta da Terra

Ir de Belém a “Céu” Leopoldo

Sem perguntar

Vai demorar pra chegar?!

Depois dar um pulo

Ao Louvre,

Para ver a Bruxonilda

Cair da vassoura!

Hi...hi...hi...

Por essa e por outras

Nave espacial é o

Meio de transporte

Preferido da minha netinha!


Porto Alegre, 11 de abril de 2016.
 Edu Cezimbra, inspirado pela netinha Íris

domingo, 10 de abril de 2016

Água de beber



Pássaros não perguntam se
de rio
de lago
de poça
apenas bebem a água.

Porto Alegre, 21 de julho de 2015.

Edu Cezimbra

Ionesco e a falta de amor


O que nos falta, afinal, para escaparmos do aniquilamento coletivo de que nos fala Ionesco no excerto acima? 

Se não estou enganado foi Gandhi quem disse: "olho por olho, dente por dente e todos acabarão cegos e desdentados"...

Ionesco alerta para esta condição humana moderna: "Em realidade, está claro que cada homem detesta a si mesmo em outro". 

E, se pergunta: " O que podemos fazer se tudo fracassou? Quase não nos amamos.  Amar ao próximo como a si mesmo, é odiá-lo."

Ionesco escreveu estas palavras tão contundentes para a Revista Continente, veículo de manifestação política  de intelectuais dissidentes do regime soviético,  em fins de julho de 1974 . 

Chamou minha atenção sua maneira de falar de amor: "Tive que vencer uma autocensura para escrever a palavra amor.  Falar de amor, de amizade, na França, de religião também, ou de humanismo, é atrair para si o ridículo, as zombarias."

Em 1979, já me questionava: "Por que o medo pela amizade? 

Por que a prevenção contra as pessoas que procuram se aproximar de outros?

Não entendo por que tanto medo em se aproximar do vizinho e lhe estender a mão num gesto de fraterna solidariedade.

 Onde foram parar os princípios cristãos da bondade, do amor e da amizade?"

Que eu me lembre não tinha esta preocupação do ridículo ao escrever a palavra amor, com o devido desconto de ter apenas 19 anos, ter muito amor para dar e ainda não ter lido Ionesco...

Porto Alegre, 10 de abril de 2016.

Edu Cezimbra