sexta-feira, 8 de abril de 2016

Não nos afastemos muito


"Por que o medo pela amizade? 

Por que a prevenção contra as pessoas que procuram se aproximar de outros?

Não entendo por que tanto medo em se aproximar do vizinho e lhe estender a mão num gesto de fraterna solidariedade.

 Onde foram parar os princípios cristãos da bondade, do amor e da amizade?

São tantas as perguntas que prefiro parar de interrogar...

Eu, agora, olho a multidão, qual serpente esguia a rastejar nas ruas sujas das 
metrópolis.

Eu sinto o medo de ser assaltado, a angústia reprimida da solidão, a incerteza 
no dia de amanhã que aquela massa de homens desfila.

A civilização ocidental endeusou o consumismo em detrimento a outros valores 
espirituais, como a religião, o congraçamento entre os homens, povos e países,

E o que resulta desta suposta evolução? Um surto estarrecedor de uma doença social, a violência, que mata, que oprime, que seduz, que estupra."

A redação baseada no poema do Drummond não foi concluída pelo vestibulando (pouco estudioso) da época, mas que gostava de escrever. Talvez por que tenha se afastado do tema ou, talvez, por que a professora de português, tenha lido para toda a turma outra redação do tímido vestibulando...

Santa Maria, maio de 1979.

Edu Cezimbra