sexta-feira, 29 de abril de 2016

Leituras Matinais


1ª) Ao abrir ao "acaso" a "Gramática do Tempo" do Boaventura de Sousa Santos sou brindado com este parágrafo: "É tão fácil e irrelevante cair na ilusão retrospectiva de projetar o futuro no passado, como cair na ilusão prospectiva de projetar o passado no futuro. O presente eterno e uno faz a equivalência entre as duas ilusões e neutraliza ambas. Com isto, a nossa condição assume uma dimensão kafkiana: o que existe não se explica nem pelo passado nem pelo futuro. Do determinismo desmentido pelas consequências passa-se para a contigência sem causa. Este nevoeiro epistemológico atua como bloqueio do pensamento e da ação emancipatórias. Se a modernidade desarmara o passado da sua capacidade de irrupção e de revelação para a entregar ao futuro, o presente kafkiano desarma o futuro dessa capacidade. O que irrompe no presente kafkiano é errático, arbitrário, fortuito e pode mesmo ser absurdo.Há quem veja, pelo contrário, na eternização do presente a nova tempestade do Paraíso que sustenta o Angelus Novus."


2ª) Abrir um bom livro ao "acaso" ao despertar pode dar nisso: "No instante em que uma pessoa qualquer se volta para si mesma e se dá conta das inspirações do que poderia ser, nesse mesmo instante, ela se torna uma estudiosa da natureza, tanto nos aspectos visíveis quanto invisíveis." Este pequeno trecho do livro "O Processo da Intuição - Uma Psicologia da Criatividade" , de Virginia Burden, me fez ver o quanto é necessário a interiorização para nos reconectarmos conosco mesmo, com os outros e com a natureza. 


3ª) Da "orelha" do livro infanto-juvenil "O Menino do Dedo Verde" compartilho este excerto: ""Sua missão é justamente despoluir, humanizar, reintroduzir a poesia num universo do qual ela se encontra exilada. Sobre um mundo cinza e enlutado, Tistu deixa impressões digitais misteriosas que suscitam o reverdecimento e a alegria." Acho que compreendi meu "surto poético sazonal" de primavera! 


Edu Cezimbra