sexta-feira, 15 de abril de 2016

O triste fim de um pobre brasileiro



Das calmas noites de lua cheia e nevoeiro, da calada de uma noite fria, surge a figura de um andarilho.

É um indigente, um brasileiro comum, como muitos de muitos que perambulam famintos pelas ruelas sórdidas da metrópoles brasílicas.

Não tem paradeiro. Só tem de muito seu a fome inadiável, urgente.

Por isso seus passos são trôpegos, suas palavras balbuciantes como as de um ancião decrépito.

Após tantos descaminhos chega a uma rua muito larga, fracamente iluminada por um vacilante poste de luz competindo com o clarão da lua cheia.

É um momento trágico, até solene na sua solidão. 

O pobre brasileiro se permite todos os delírios agora que não sente nem a dor lancinante de seu estômago vazio, nem a completa compreensão da têmpora latejando. 

Ele vê e acredita no que vê... Uma imensa massa humana a escorrer na avenida, que lhe trazem todas as vontades irrealizadas entoando palavras de ordem e empunhando tochas e estandartes:

Você, brasileiro, merece morrer


Você, brasileiro, que não chorou

Agora, já pode chorar

Porque chegou seu fim

Você não tem escolha

É o seu destino fatal!

E, enquanto entoavam tal diatribe aproximavam-se com os olhos paralisados, injetados de sangue, vestindo ternos pretos e gravata. Não tinham cabelos, exalando misticismo pelos poros.

O pobre brasileiro, coitado, a essa altura mal se sustentava em pé tal o pavor que a visão lhe impunha. Mal sabia ele que aquilo tudo era o início de uma longa iniciação pelos mistérios de uma seita antiga que o tinha eleito para bode expiatório. 

Desde os tempos coloniais, inspirados por crenças medievais, que a seita elegia um bode expiatório para o ritual secreto de perpetuação do seu poder.

Eis que o pobre brasileiro, mais uma vez, surgia trêmulo à sua frente...

"Foi lá por 86"

Edu cezimbra