segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

As mães por quem surgem as revoluções

"As mães, ninguém tem pena delas.
Ela sabia disso. Tudo o que dizia Pavel da vida das mulheres era verdade, verdade amarga e  familiar, e o coração dela palpitava numa loucura de doces sensações, a sua ternura desconhecida confortava-a pouco a pouco. E então, que vais fazer? perguntou, interrompendo o filho. Aprender, para depois ensinar aos outros. Temos que estudar, todos nós, operários. Temos que saber, temos que entender a razão de a vida ser tão dura para nós.”

As mães por quem surgem as revoluções...

Enforcamentos, açoitamentos e mutilações eram usuais na Rússia czarista, antes de 1917. Eram os 'métodos' aceitos para os latifundiários russos castigarem os servos por faltas mínimas em suas terras.

A brutal e total repressão czarista era um sistema totalitário que a todos impregnava. Mesmo entre os idosos, os pais e os operários havia essa aceitação tácita da violência como nos conta Máximo Gorki, em seu romance épico "A Mãe'.

Ocorre-me que o que aconteceu na Rússia czarista tem muita semelhança com o que aconteceu e, pior, ainda acontece no Brasil. 

Qual a diferença entre a Rússia czarista e o Brasil golpista? Máximo Gorki em outro trecho de sua obra-prima nos dá uma pista:

“Senta-te, mãe...
Ela sentou-se pesadamente ao lado dele e endireitou-se, atenta e séria, e preparou-se para ouvir algo importante.
(...)Leio livros proibidos. Os livros são proibidos porque dizem a verdade sobre a vida de operários... São impressos às escondidas e, se os encontram aqui, metem-me na prisão, porque eu  quero saber a verdade. Compreendes?
(...) Não chores! pediu com ternura, mas para a mãe era como se ele lhe estivesse a dizer adeus para sempre."

Foi Raul Seixas que sentenciou que "brasileiro não gosta de ler", após escrever um livro repleto de verdades que ninguém leu, e que depois foram divulgadas em seus rocks de amplo alcance popular. 

Raul morreu antes de testemunhar a morte da música popular no Brasil por decapitação da inteligência cultural brasileira. 

Com a palavra, as mães brasileiras...

Porto Alegre, 09 de janeiro de 2017.


Edu Cezimbra