"Não mais sabemos do barco, mas há sempre um náufrago." - Orides Fontela, poeta homenageada na 24ª FLIP
Dois escritores:
Milton Hatoum conta a história de Martim, um estudante na época da ditadura militar brasileira na trilogia 'O Lugar Mais Sombrio'.
Hisham Matar conta a história de Khaled, um estudante líbio, em Londres, na época da ditadura em seus país, no romance 'Meus Amigos'.
Milton vê o romancista como herdeiro dos que não tiveram voz...
Hisham não superou o desaparecimento do pai na ditadura líbia...
Dói esse pai desaparecido, por isso é preciso lembrar do pai conhecido.
Ambos lidaram com o medo nas ditaduras.
Hisham chama de 'pedagogia do medo' e lembra que o temperamento vai além da ideologia; considera o romance como história do temperamento humano.
Milton cita Kafka para falar dos desaparecidos e diz que este autor escreve sobre 'a ameaça da catástrofe'.
No romance 'O Castelo', o desconhecido é nada, porém é alguma coisa, assim como o imigrante.
Essas poucas anotações não cobrem todo o pensamento desses dois grandes escritores, mas espero que sirvam de estímulo para o meu caro e raro leitor assistir na íntegra essa mesa da FLIP.
Porto Alegre, 5 de agosto de 2026.
Imagem: 24ª FLIP, Google
Edu Cezimbra

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