Mostrando postagens com marcador política. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador política. Mostrar todas as postagens

domingo, 23 de agosto de 2026

O Capitão Soviético

 

Se  Raskólnikov, personagem de Dostoiévski, no romance 'Crime e Castigo' fosse membro da polícia política stalinista seria 'O Capitão Soviético'. 

Para além do castigo, o oficial criminoso busca o perdão dos parentes de suas vítimas submetidas ao 'tratamento especial' (tortura e assassinato).

O 'terror stalinista' não perdoa ninguém, nem mesmo seus sequazes...

Ao contrário do título original, que sublinha a fuga do capitão, ele vai ao encontro dos entes queridos de suas vítimas.

Os seus camaradas da polícia política começam a perseguição para silenciar o 'traidor'.

O que o filme escancara é que uma sociedade aterrorizada pelo totalitarismo de estado torna-se cúmplice deste.

A ironia refinada do filme é a de que o capitão soviético busca o perdão por sentimento religioso, preocupado com a salvação de sua alma!

O crime foi cometido - haverá perdão -, ou o castigo prevalecerá?

Só vendo...  




Porto Alegre, 23 de agosto de 2026.

Imagem: cartaz do filme, Google

Edu Cezimbra 

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Os Idiotas

 

 

"Outrora, os melhores pensavam pelos idiotas;  hoje, os idiotas pensam pelos melhores. Criou-se uma situação realmente trágica: — ou o sujeito se submete ao idiota ou o idiota o extermina."

Com a máxima vênia ao genial dramaturgo Nelson Rodrigues, aponto um equívoco em sua irônica sentença...

 Os idiotas não pensam, por isso são assim classificados.

Não são os idiotas que submetem ou exterminam os melhores; são os piores.

Os piores da espécie não são idiotas (embora se façam), são perversos.

E, pior, são muito poucos os que manipulam os idiotas.

O meu caro e raro leitor sabe de quem se trata pois não é idiota e acompanha o noticiário com visão crítica...

 

 

Porto Alegre, 20 de agosto de 2026.

Charge: Pinterest

Edu Cezimbra 

 

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Dois Escritores

 

"Não mais sabemos do barco, mas há sempre um náufrago." - Orides Fontela, poeta homenageada na 24ª FLIP

Dois escritores:

Milton Hatoum conta a história de Martim, um estudante na época da ditadura militar brasileira na trilogia 'O Lugar Mais Sombrio'.

Hisham Matar conta a história de Khaled, um estudante líbio, em Londres, na época da ditadura em seus país, no romance 'Meus Amigos'.

Milton vê o romancista como herdeiro dos que não tiveram voz...

Hisham não superou o desaparecimento do pai na ditadura líbia...

Dói esse pai desaparecido, por isso é preciso lembrar do pai conhecido.

Ambos lidaram com o medo nas ditaduras.

Hisham chama de 'pedagogia do medo' e lembra que o temperamento vai além da ideologia; considera o romance como história do temperamento humano.

Milton cita Kafka para falar dos desaparecidos e diz que este autor escreve sobre 'a ameaça da catástrofe'.

No romance  'O Castelo', o desconhecido é nada, porém é alguma coisa, assim como o imigrante.

Essas poucas anotações não cobrem todo o pensamento desses dois grandes escritores, mas espero que sirvam de estímulo para o meu caro e raro leitor assistir na íntegra essa mesa da FLIP.

 


  

 

 

Porto Alegre, 5 de agosto de 2026.

Imagem: 24ª FLIP, Google

Edu Cezimbra 

 

domingo, 2 de agosto de 2026

Fatalismo ou Ceticismo

 


Paul Ricoeur no 'O Discurso da Ação' afirma: "Ao fatalismo do passado opõe-se o ceticismo do futuro".

Para situar a citação acima ao meu caro e raro leitor, antes o filósofo adverte que "o mundo não é um fato consumado"...

Explicado o 'ceticismo do futuro', concorda?

Paul Ricoeur argumenta que se o já feito é o encerramento, "o mundo da ação é abertura do que ainda fica por tornar verdadeiro".

Portanto, fica tácito que o 'ceticismo do futuro' nada tem a ver com o 'negacionismo do presente' que ameaça o futuro.

Afinal, enquanto o negacionista do presente torna a mentira um fato consumado, o cético do futuro é um buscador do verdadeiro...

 

 

Porto Alegre, 2 de agosto de 2026.

Imagem Ricoeur, Google:

Edu Cezimbra 

sábado, 18 de julho de 2026

RIP

 

"Os vivos são sempre e cada vez mais governados pelos mortos", já reiterou um político gaúcho.  Ao que um dos citados respondeu:  
"Não perturbe a quem descansa em paz." 

 


Porto Alegre, 18 de julho de 2026.

Imagem: Google

Edu Cezimbra

   

quinta-feira, 16 de julho de 2026

A Queda do Céu

 

O xamã Yanomami Davi Kopenawa registrou sua cosmovisão no livro 'A Queda do Céu'.

Inspirados neste livro os diretores do documentário acompanham um 'kuarup' Yanomami.

O ritual fúnebre é inusitado pois visa acabar com a memória física do morto.

Foi filmado na época das invasões de garimpeiros e mortes de Yanomamis pela fome e consequentes epidemias.

Crenças ancestrais são confrontadas com a tecnologia de morte dos brancos invasores.

A tristeza de quem assiste a morte de suas crianças, a contaminação dos seus rios e a derrubada de sua floresta vira um libelo contra os brancos e o capitalismo.

Não é filme para quem acostumado com o cinema ocidental.

É registro etnográfico e peça de acusação para quem sabe das consequências... 

 


 

 

Porto Alegre, 16 de julho de 2026.

Imagem: cartaz do filme, Google

Edu Cezimbra 

terça-feira, 14 de julho de 2026

A Queda da Bastilha

 


A França não quedou na Bastilha, quem caiu foi a cabeça do rei.

O estado não era o rei...

O rei morreu, viva a república!

Vai a coroa, fica a cara...

Napoleão perdeu a guerra, mas não perdeu a cabeça - ou perdeu?

A guilhotina é democrática, literal e figurativamente... 

 

 

Porto Alegre, 14 de julho de 2026.

Imagem:Google 

Edu Cezimbra 

sábado, 11 de julho de 2026

O Grande Ditador

 


Mais do que um filme de guerra, 'O Grande Ditador' é sobre homens que fazem as guerras.

Charles Chaplin sai do cinema mudo para proferir um sonoro apelo à humanidade.

"Mais do que máquinas (de guerra?) precisamos de humanidade" - alerta o sósia do ditador.

Para Chaplin, o contrário de guerra não é a paz, mas o humanismo...

"Humano, demasiado humano"- sublinha Nietzsche -, antevendo o 'eterno retorno'...

Já disse um velho barbudo que a tragédia repetida na história vira farsa.

Chaplin em 'O Grande Ditador' fez da farsa uma profecia sobre a tragédia que se avizinhava do mundo.

A 2ª Guerra Mundial terminou com a derrota do ditador, mas a ironia da história é que os ditadores prosseguem fazendo guerras...


 

 

 Porto Alegre, 11 de julho de 2026.

Imagem: Google

 Edu Cezimbra

 

quinta-feira, 9 de julho de 2026

A Ira e o Eu

 


O Eu perde as estribeiras e a Ira aparece.

- Eu prendo e arrebento!

Ira é sombra do Eu.

- A Ira é divina!

A sombra é tempestade no deserto sem perdão. 

O Eu não perdoa e a Ira aumenta.

- Eu mato ou morro!

A Ira exige vingança.

- A Ira dos deuses!

Vingança é lenha na fogueira das vaidades do Eu.

- Eu mando e não peço!

O Eu só se dá por vencedor quando a Ira aniquila tudo.

- Eu venci a guerra!

Tudo é permitido quando a Ira domina o Eu...

 

 

Porto Alegre,  de julho de 2026.

Imagem:Enkidu e Gilgamesh, Google

Edu Cezimbra 

 

segunda-feira, 6 de julho de 2026

Pinóquio e Grilo Falante

 




Se uma mentira repetida muitas vezes vira verdade, então é preciso repetir muitas vezes uma verdade para que a mentira não cresça - em outras palavras: onde tem um Pinóquio é preciso um Grilo Falante.  

 

Porto Alegre, 6 de julho de 2026.

Imagem:Guillermo del Toro, Pinterest 

Edu Cezimbra 

quarta-feira, 17 de junho de 2026

O Bolo do Presidente

 


 Filme iraquiano premiado em Cannes que impactou o mundo denuncia o bloqueio econômico dos EUA e a ditadura de Saddam Hussein no início da década de 90.

Com sequências cinematográficas do 'pântano' onde famílias habitam ilhas flutuantes de junco o filme iraquiano mostra as consequências funestas das sanções e da ditadura para o povo do país.

Passando por privações, carestia e fome uma menina é sorteada na 'escola cívico militar' para fazer o bolo do presidente em comemoração ao seu aniversário.

Em pleno racionamento, inclusive de água potável, a menina e sua avó vão de carona até Bagdá.

A intenção da avó é deixar a neta com um casal da capital

Ao saber da decisão da avó, a menina foge e tenta conseguir os ingredientes do 'bolo do presidente' na companhia de seu amigo e colega de classe.

Em meio a manifestações de apoio convocadas pelo ditador vemos a luta do povo para sobreviver ao bloqueio e aos bombardeios dos EUA.

O final do filme é de rasgar o coração como constatará quem assistir a esse merecidamente premiado filme iraquiano. 

  


 

 

Porto Alegre, 17 de junho de 2026.

Imagem: Google

Edu Cezimbra 

quarta-feira, 13 de maio de 2026

Maldito Espinosa

 


O documento de excomunhão determinava: "Maldito ele seja de dia e maldito seja de noite. Maldito seja quando se deita e maldito seja ele quando se levantar".

Baruch leu a Bíblia e chegou a uma conclusão:

Não foi Deus que escreveu a Bíblia.

A Bíblia foi escrita por homens, líderes tribais.

Por isso, Baruch foi excomungado...

Foi amaldiçoado, mas não silenciado.

Seus escritos foram lidos por muitos e preconizaram a democracia e a modernidade.

A ironia da história é que Baruch Espinosa foi educado para ser rabino...

Começou a fazer perguntas, por exemplo: por que Deus descansou no sétimo dia se era onipotente?

Baruch abriu uma brecha em um muro das lamentações...

Por ela foi expulso de sua comunidade, virou um pária,  e teve de se virar sozinho.

Mudou seu nome para 'Benedictus' (Baruch, em latim) e foi trabalhar como polidor de lentes.

Enquanto polia lentes afiava mentes: Deus é Natureza, Deus é Universo, portanto não há povo eleito.

Essa categoria universal abalou o 'establishment'...

Outros filósofos, entre eles, Descartes optaram por se calar diante dessa verdade por amor à própria pele.

Se Espinosa mexeu contigo, assim como a Marilena Chauí, saiba mais:

 


 

 

Porto Alegre, 13 de maio de 2026.

Imagem:estátua de Espinosa, Google

Edu Cezimbra 

sexta-feira, 1 de maio de 2026

Caso 137

 

Filme francês, sucesso de público e crítica, baseado em fatos reais conta a história da repressão policial aos coletes amarelos em dezembro de 2018.

Quando a revolta popular contra a política neoliberal de Macron toma conta das ruas de Paris o que está em jogo é a República, segundo o discurso oficial.

Além das forças convencionais de repressão são chamados agentes de forças especiais sem preparo para atuar em manifestações de rua.

O filme desnuda o uso abusivo da força por parte de agentes do estado francês que ferem  gravemente um adolescente com duas balas de borracha na cabeça.

A investigação desse crime é feita por uma policial que se vê entre o espírito de corpo da polícia e a sua missão de apurar o caso, além de sua humanidade.

Quando seu filho adolescente conta que os seus colegas odeiam a polícia o dilema da mãe aumenta.

O mérito do filme é mostrar que a polícia é o braço armado do estado e que o abuso de autoridade é responsabilidade do mesmo.

O risco maior do estado militarizado é o de se voltar contra seus cidadãos como podemos constatar no Caso 137. 



 

Porto Alegre, 1º de maio de 2026.

Imagem: Google

Edu Cezimbra 

 

quinta-feira, 23 de abril de 2026

Fama Eleitoreira

 


"Quem reclama se difama" - reza o dito popular -, mas leva a fama e é eleito. 

 

 

Porto Alegre, 23 de abril de 2026.

Imagem: Google

Edu Cezimbra 

sábado, 18 de abril de 2026

Autobiografias e Biografados

 


Verdades autobiográficas revelam mais as ilusões do ego e as mentiras aplicadas a si mesmo.

Biografias autorizadas tendem a ocultar a sombra com muito brilhantismo.

Contudo, importa mais sermos subjetivos com os demais e objetivos conosco mesmo - já disse um filósofo... 

 

 

Porto Alegre, 18 de abril de 2026.

Imagem:Nicolas Poussin, Wikipédia

Edu Cezimbra 

sexta-feira, 3 de abril de 2026

Rede Ódio

 

Lili não odiava ninguém porque além de não ter rede social não assistia programas policialescos na TV.

Diria Simone de Beauvoir: não se nasce odiando, aprende-se a odiar - diria Nelson Mandela : aprende-se a odiar na telinha e na telona.

O ódio não é o contrário do amor, é contra à inteligência natural.

Como já disse Gandhi: olho por olho, dente por dente  e a humanidade acabará cega... e desdentada - digo eu...

 

 

Porto Alegre, 3 de abril de 2026.

Charge: Duke, Pinterest

Edu Cezimbra  

sábado, 14 de março de 2026

Peristaltismos

 


  • Muito movimento peristáltico no Brasil confirmando o dito popular que no peristaltismo todo laxante ajuda.
  • Peristaltismo, movimento muito ativo em defesa das cagadas homéricas.
  • Se tudo vira bosta, como cantou Sta. Rita Lee, haja peristaltismo!
  • É preciso muito esfíncter pra resistir a tanto peristaltismo.
  • O Ministério da Saúde adverte que o peristaltismo não é a favor do estatismo, mas da privada.

 

 

Porto Alegre, 14 de março de 2026.

Imagem:Youtube, Google

Edu Cezimbra

sábado, 7 de fevereiro de 2026

Diário de Montevidéu IV

 

No nosso quarto e último dia em Montevidéu decidimos fazer um giro pela cidade no 'Bus Turístico Montevideo'.

Iniciamos o 'tour' central na 'Plaza Independencia' vendo desde o segundo piso do ônibus elétrico o 'Circuito Histórico Cultural' de Montevidéu.

Vislumbramos o rico patrimônio artístico e cultural da cidade.

Todo o trajeto é feito por amplas avenidas com monumentos celebrando as datas e os fatos históricos do Uruguai.

Os prédios públicos estão localizados em meio a bem cuidados parques, entre eles o parque Rodó, próximo ao Estádio Centenário tombado pela FIFA.

São tantos os lugares de encher os olhos que encerro este diário de viagem por aqui para não cansar o meu caro e raro leitor.

Não sem antes recomendar muito o 'Bus Turístico Montevideo' como a melhor maneira de conhecer mais esta maravilhosa cidade do Sul da América!

 

 

 

Montevidéu, 7 de fevereiro de 2026.

Imagem: Bus Turístico Montevideo, Google

Edu Cezimbra 

 

segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

Obras

 


Todo governo faz obras - uns mais, outros menos -, só não faz

 quando está com "prisão de ventre". 

 

 

Porto Alegre, 15 de dezembro de 2025.

Imagem: cena de "Carlota Joaquina, Princesa do Brazil", Google

Edu Cezimbra 

sábado, 6 de dezembro de 2025

O Agente Secreto

 

"O Agente Secreto" não é agente nem secreto.

Um pesquisador universitário vira um clandestino em seu próprio país.

Um filme não precisa ser panfletário nem engajado politicamente para escancarar uma página trágica da História do Brasil.

Basta contar uma história pessoal de alguém perseguido por um fascista mas que a todos diz respeito.

O motorista do fusca amarelo ao parar em um posto de gasolina testemunha uma cena absurda...

O cadáver há dias putrefando próximo ao posto de gasolina é um símbolo mórbido de tudo de podre naquele Brasil dos "anos de chumbo".

Há mais interesse  no fusca amarelo do que no morto.

Mortos e desaparecidos têm aos montes...

É nesse clima pesado que se desenrola a trama de "O Agente Secreto".

Eis um filme com pouca ação e muita revolução...   




Porto Alegre, 6 de dezembro de 2025.

Imagem: cena do filme, Google

Edu Cezimbra