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quarta-feira, 13 de maio de 2026

Maldito Espinosa

 


O documento de excomunhão determinava: "Maldito ele seja de dia e maldito seja de noite. Maldito seja quando se deita e maldito seja ele quando se levantar".

Baruch leu a Bíblia e chegou a uma conclusão:

Não foi Deus que escreveu a Bíblia.

A Bíblia foi escrita por homens, líderes tribais.

Por isso, Baruch foi excomungado...

Foi amaldiçoado, mas não silenciado.

Seus escritos foram lidos por muitos e preconizaram a democracia e a modernidade.

A ironia da história é que Baruch Espinosa foi educado para ser rabino...

Começou a fazer perguntas, por exemplo: por que Deus descansou no sétimo dia se era onipotente?

Baruch abriu uma brecha em um muro das lamentações...

Por ela foi expulso de sua comunidade, virou um pária,  e teve de se virar sozinho.

Mudou seu nome para 'Benedictus' (Baruch, em latim) e foi trabalhar como polidor de lentes.

Enquanto polia lentes afiava mentes: Deus é Natureza, Deus é Universo, portanto não há povo eleito.

Essa categoria universal abalou o 'establishment'...

Outros filósofos, entre eles, Descartes optaram por se calar diante dessa verdade por amor à própria pele.

Se Espinosa mexeu contigo, assim como a Marilena Chauí, saiba mais:

 


 

 

Porto Alegre, 13 de maio de 2026.

Imagem:estátua de Espinosa, Google

Edu Cezimbra 

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Diário de Montevidéu III

 

Uma breve caminhada desde o hotel a Livraria 'Escaramuza' é um passeio inesquecível.

Ruas arborizadas e casario antigo preservado de Montevidéu já valem a viagem.

Ainda melhor é achar a livraria instalada num casarão cheio de livros até o forro.

Os livros são ponto alto da visita contemplando desde os clássicos até os contemporâneos.

A surpresa não parou por aí, porque ao andarmos por seu requintado piso de mosaicos nos deparamos com um pátio interno coberto de plantas onde desfrutamos de momentos agradáveis.

Após, satisfeitos e felizes, seguimos caminhando pela '18 de Julio' até a Intendência Municipal onde descobrimos o Museu de História da Arte.

 

Impressionante a fidelidade das réplicas das obras de arte, especialmente as esculturas, abrangendo todas as épocas desse patrimônio histórico e cultural que sabe ser a Arte.

Com os corações e mentes repletos de tantas obras maravilhosas voltamos ao hotel para descansarmos e estarmos preparados para as 'Llamadas 2026' , desfiles das 'comparsas' do candombe uruguaio.

Foram momentos de muita emoção presenciar a força da tradição africana no Uruguai.

Contagiante a vibração dos componentes das 'comparsas' e do público presente na passarela da 'Isla de Flores'.

Mais do que torcer por uma 'comparsa' as pessoas vibram com todas!

Voltamos para o hotel com a sensação de dever cumprido, ou seja, como testemunhas de que ainda temos humanidade no Uruguai...


 

 

Montevidéu, 6 de fevereiro de 2026.

Imagens: arquivo pessoal

Edu Cezimbra 

 

sábado, 11 de outubro de 2025

História ou Religião

 


Recordar o passado é História, repetir o passado é Religião 

Existe História da Religião, mas não Religião da História, ou existe?. 

 

 

Porto Alegre, 11 de outubro de 2025.

Imagem: Batismo, Google

Edu Cezimbra 

terça-feira, 7 de outubro de 2025

Terra Plana

 



A Terra Plana tem extrema inclinação para a direita.

 

 

Porto Alegre, 7 de outubro de 2025.

Charge: Nani, Google

Edu Cezimbra 

domingo, 24 de agosto de 2025

Alfabetização à la Grega

 

 

Alfa vê Beta e Gama

Entra no Delta o Psi até Ômega

Tau Tau!

 

 

Porto Alegre, 24 de agosto de 2025.

Imagem: alfabeto grego, Google

Edu Cezimbra 

quinta-feira, 24 de julho de 2025

Ciência de Mim

 

"Conhece-te a ti mesmo" - como ter ciência de mim? -, se "só sei que nada sei". 

 

 

Porto Alegre, 24 de julho de 2025.

Imagem:Sócrates, Google

Edu Cezimbra 

terça-feira, 15 de abril de 2025

Gaia

 


A  véspera

É nada

Sem o amanhã

 

O amanhã

É tudo

Com a véspera

 

A espera

É nula

Sem o clã

 

O clã

É todo

Com a espera 



Porto Alegre, 15 de abril de 2025.

Imagem: Gaia e Urano, Google

Edu Cezimbra

domingo, 13 de outubro de 2024

Perdão e Esquecimento

 


A escritora Carla Madeira,  autora da obra-prima "Tudo é Rio" brindou seus ouvintes em mesa da FLIP 2024 com esta reflexão:

"Perdoar para que não se repita; esquecer para não atualizar a dor" com o seguinte adendo: "perdão não é impunidade."

O que me leva a pensar que perdão não é anistia...

O perdão é individual; a anistia é coletiva.

O indivíduo é aprendiz e o coletivo aprendizagem.

Aprendizagem é social e o individual é particular.

O esquecimento protege a vítima mas garante a impunidade, ou pior, permite a repetição do passado.

Portanto, a anistia do algoz é atualizar a dor da vítima.

Só a justiça consola enquanto a impunidade revolta...


Porto Alegre, 13 de outubro de 2024.

Imagem: monumento Tortura Nunca Mais

Edu Cezimbra

terça-feira, 24 de outubro de 2023

Mãe Terrível

 


Perseu cortou a cabeça de

Medusa

O escudo como espelho do

 Herói

Ao lhe ver em seu

Escudo

Viu que Medusa era

Mãe

Herói corta a cabeça da

Terrível

Para pensar por

Si Próprio

Sem se deixar ser

Estátua 


Porto Alegre, 24 de outubro de 2023..

Imagem: Perseu e Medusa

Edu Cezimbra

sexta-feira, 7 de julho de 2023

Amor Eterno

 

"O amor eterno é o amor impossível. Os amores possíveis começam a morrer no dia em que se concretizam", sentenciou Eça de Queiroz.

Perdão, Eça, mas se os amores começam a morrer quando se concretizam, a culpa não é do amor.

O amor é eterno por infinito...

O infinito é uma dimensão temporal que transcende o espaço.

O amor é atemporal e não morre porque renovado.

Quando se ama o amor é eterno enquanto dura...

A duração é o tempo e o espaço unidos pelo amor.

O amor passa de geração em geração por ser aprendido.

- Que bonito, exclamou a vó. - Que bonito é o abraço do infinito, emendou a netinha. 

 

Porto Alegre, 7 de julho de 2023.

Imagem: Claude Michel 

Edu Cezimbra

quarta-feira, 17 de maio de 2023

Noventa e nove libras

 


"Quando eu era jovem", escreveu Théophile Gautier, "não poderia aceitar como poeta lírico quem estivesse pesando mais que noventa e nove libras." (Note-se que Gauthier diz poeta lírico, aparentemente conformado com o fato de que os romancistas tinham de ser feitos de matéria mais rústica e pesada.) Gradativamente, o aspecto do tuberculoso, que simbolizava uma atraente vulnerabilidade, uma sensibilidade superior, tornou-se cada vez mais a aparência ideal das mulheres, enquanto os grandes homens dos meados e fins do século XIX engordaram, fundaram impérios industriais, escreveram centenas de romances, fizeram guerras e saquearam continentes.

 A citação de Téophile Gautier sobre o pré-requisito para ser um poeta lírico é paradigmática do romantismo.

Note que 99 libras são menos de 50 quilos.

Com este peso pena os poetas lírico só saiam à campo em busca de inspiraçã com "céu de brigadeiro".

Susan Sontag utiliza a citação do Gautier para espinafrar os grandes homens sem deixar de fora as mulheres magras...

Interessante (sinônimo de romântico), não?

Sontag, nesse capítulo de seu livro "A Doença como Metáfora" escrevia sobre a tuberculose, doença que para os românticos  manifestava a sensibilidade superior e a espiritualidade elevada dos tuberculosos.

Desnecessário me alongar sobre a citação...

Fica o registro, com a ressalva: os romancistas são grandes homens, com muito fôlego, pois escrever grandes romances é uma prova de atletismo, como já escreveu um filósofo...            

 

 

Porto Alegre, 17 de maio de 2023.

Imagem:Kate MacDowell, Revista Germina

Edu Cezimbra

segunda-feira, 18 de julho de 2022

Perguntas e Respostas

 


Uma boa pergunta gera respostas diversas

uma boa resposta fica sem mais perguntas. 


Porto Alegre, 18 de julho de 2022.

Imagem:Google

Edu Cezimbra

quarta-feira, 1 de junho de 2022

Com ou Sem Sombra

 

Na sombra

Na surdina

Na socapa

A gente vai

Fingindo que

Não capta

 

Sem sombra

Sem sorte

Sem sino

A gente vai 

Levando 

Essa cena

 

Com sombra 

Com sol

Com sal

A gente vai

Soltando 

Muito suor

 

 

Porto Alegre, 1º de junho de 2022.

Imagem: Emil Wolff, Wikimedia Commons

Edu Cezimbra

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022

O Porco e o Farofeiro


Correio do Bicho

Recebemos carta da  Associação Internacional dos Direitos Suínos com o seguinte conteúdo:

Vimos por meio desta protestar veementemente contra a associação espúria, infame e especista dos porcos com o presidente farofeiro.

Nós, porcos, somos animais limpos e cheirosos quando criados livres ao invés dos chiqueiros imundos dos humanos.

O presidente farofeiro, sim, tem seu chiqueirinho palaciano onde defeca seus excrementos diários conspurcando suas funções.

Nós, porcos, sabemos nos comportar em público e comemos em nossos cochos sem derramar a farofa.

As cenas patétcas do presidente farofeiro não nos representam. 

Os humanos precisam atualizar suas associações e parar de projetar seus defeitos em nós, porcos.

Falta de decoro, de educação e de civilidade são características de alguns humanos, não todos, felizmente.

Nós, porcos, somos animais inteligentes e sensíveis que amamos nossos filhotes e a natureza, portanto, mais respeito! 

Assinado: Porcino Leitão, Presidente da PIG Brasil: Associação Internacional dos Direitos Suínos. 


Porto Alegre, 2 de fevereiro de 2022.

Charge: Leandro Franco,  Facebook

Edu Cezimbra
 

terça-feira, 7 de dezembro de 2021

Terra



 

Terra, gordinha pressurosa,

corre apressada,

gira zelosa.


Porto Alegre, 7 de dezembro de 2021.

Imagem: Vênua de Willendorf, Google

Edu Cezimbra

sexta-feira, 24 de setembro de 2021

Máscaras


Agonia

disfarce com

 alegria.


Ansiedade

esconda com

felicidade.


Angústia

oculte com

simpatia.


Apenas 

não se mostre

com penas.



Porto Alegre, 24 de setembro de 2021.

Imagem: Garry Gay, Pinterest

Edu Cezimbra

sexta-feira, 27 de agosto de 2021

Eletrocardiograma

 


O poeta fez um eletrocardiograma e captou as ondas curtas da Poesia.


Porto Alegre, 27 de agosto de 2021.

Imagem: arte de Poesiências, Facebook

Edu Cezimbra

quarta-feira, 12 de maio de 2021

Águas da Vida

 


Deixo-me arrastar

pelas águas caudalosas

do rio do vir-a-ser.


Deixo-me flutuar

nas águas salgadas

do mar de lágrimas.


Deixo-me afogar

nas águas passadas

da minha saudade.


Deixo-me saciar

nas águas doces

da fonte da poesia.



Porto Alegre, 12 de maio de 2021.

Imagem: escultura de M. Cholakowsla, Pinterest

Edu Cezimbra

domingo, 18 de abril de 2021

A Teimosia da Imaginação

 

izabel

O caso emblemático da melhor bonequeira de Minas Gerais, Mestra Dona Izabel Mendes da Cunha

Eduardo Sejanes Cezimbra

“Teimosia da Imaginação” é o nome escolhido com muito acerto e propriedade para a série de documentários que foi exibida no Canal Curta retratando a vida e obra de artistas populares do Brasil.

A expressão “teimosia da imaginação” remete a uma reflexão: se com tão poucos recursos são capazes de obras tão expressivas, o que não fariam se tivessem o devido e merecido apoio?

Um caso emblemático é o da hoje considerada melhor “bonequeira” de Minas Gerais, Mestra Dona Izabel Mendes da Cunha, falecida aos 90 anos.

cabeçaIzabel Mendes da Cunha é uma das artistas brasileira mais reconhecidas no exterior graças ao seu feitio todo próprio de esculpir suas peças de cerâmica, que ela chamava carinhosamente de bonecas.

Com uma história de vida de muito trabalho e dificuldades no agreste mineiro, na fazenda Córrego Novo, ajudava sua mãe a cuidar de crianças e sonhava com bonecas, que ela nunca tinha visto, por isso confeccionou suas primeiras com sabugo de milho que enfeitava com panos.

Aprendeu a confeccionar utensílios de barro que vendia mais facilmente, como panelas, potes e jarras, bem como figuras de presépio, mas o seu pendor artístico falava mais alto e começou a fazer bonecas pequenas e médias para conseguir também vendê-las.

“A gente fala que mulher é parte fraca…Parte fraca é aquela pessoa que não garante”, lembrando a perda do marido e a sua luta para sustentar os filhos sozinha, trabalhando na roça e após com suas esculturas de barro.

dona_izabel_vale_2

Gostava de esculpir noivas cuidadosamente enfeitadas com grinaldas, buquês e vestidos luxuosos.Outra predileção era por mulheres amamentando com os olhos fitos em um horizonte distante. Olhos que gostava de pintar de azul, em lembrança aos olhos do pai.

Reconhecia o valor de sua arte e cobrava preços altos para o poder aquisitivo de seu povoado no Vale do Jequetinhonha sendo obrigada a viajar a cidades próximas da rodovia Rio-Bahia onde começou, aí sim, a vender as suas peças e chamar a atenção dos viajantes e do prefeito de sua cidade que começou a adquir suas bonecas em cooperação com o conselho de desenvolvimento da região.

“Eu prefiro mais o artista que o artesão”, afirmava Dona Izabel que preferia ser chamada de artista do que de artesã.

Quanto à sua técnica diz “É uma coisa que a gente não sabe nem falar. É um pensar da gente ali que tá parecendo aquilo que a gente tá pensando fazer… É duas formas…são as mãos da gente”…

E como toda Mestra que se preze ensinou seus filhos e a moradores de Santana do Araçuaí a sua arte com o barro que hoje conta com 38 artesãos em torno de uma associação que tem em Dona Izabel  a pessoa que lhes mostrou um caminho feito com duas mãos, barro e imaginação.

A história de Dona Izabel mostra bem o quanto é importante para todo artista ter, além de seu talento, o apoio de políticas públicas que alavanquem a sua arte, pois ganha o artista e todos ao seu redor.

Assista o documentário clicando aqui

Publicado originalmente em Ecologia dos Saberes

segunda-feira, 12 de abril de 2021

Arqueólogo das Palavras


 Palavra osso pesa

quando vira pedra.

O poeta é arqueólogo

das palavras duras,

pesadas.


Escava sentidos

onde havia 

palavras 

consentidas.


Palavras poéticas são

as que não tem 

mão única.


Bom senso

só no labor.

Poeta vai na contramão!



Porto Alegre, 12 de abril de 2021.

Imagem: Gilgamesh, Pinterest

Edu Cezimbra