Tu falha
Eu falo
Da falha
Ao ato falho
Porto Alegre, 21 de setembro de 2026.
Imagem: Eros e Psiquê, Google
Edu Cezimbra
Blog de Eduardo Sejanes Cezimbra para escrever sobre a vida, rascunhando impressões, como se manuscrito com caneta-tinteiro e mata-borrão. "Escrevo porque preciso, publico porque amo."
Tu falha
Eu falo
Da falha
Ao ato falho
Porto Alegre, 21 de setembro de 2026.
Imagem: Eros e Psiquê, Google
Edu Cezimbra
O documento de excomunhão determinava: "Maldito ele seja de dia e maldito seja de noite. Maldito seja quando se deita e maldito seja ele quando se levantar".
Baruch leu a Bíblia e chegou a uma conclusão:
Não foi Deus que escreveu a Bíblia.
A Bíblia foi escrita por homens, líderes tribais.
Por isso, Baruch foi excomungado...
Foi amaldiçoado, mas não silenciado.
Seus escritos foram lidos por muitos e preconizaram a democracia e a modernidade.
A ironia da história é que Baruch Espinosa foi educado para ser rabino...
Começou a fazer perguntas, por exemplo: por que Deus descansou no sétimo dia se era onipotente?
Baruch abriu uma brecha em um muro das lamentações...
Por ela foi expulso de sua comunidade, virou um pária, e teve de se virar sozinho.
Mudou seu nome para 'Benedictus' (Baruch, em latim) e foi trabalhar como polidor de lentes.
Enquanto polia lentes afiava mentes: Deus é Natureza, Deus é Universo, portanto não há povo eleito.
Essa categoria universal abalou o 'establishment'...
Outros filósofos, entre eles, Descartes optaram por se calar diante dessa verdade por amor à própria pele.
Se Espinosa mexeu contigo, assim como a Marilena Chauí, saiba mais:
Porto Alegre, 13 de maio de 2026.
Imagem:estátua de Espinosa, Google
Edu Cezimbra
Uma breve caminhada desde o hotel a Livraria 'Escaramuza' é um passeio inesquecível.
Ruas arborizadas e casario antigo preservado de Montevidéu já valem a viagem.
Ainda melhor é achar a livraria instalada num casarão cheio de livros até o forro.
Os livros são ponto alto da visita contemplando desde os clássicos até os contemporâneos.
A surpresa não parou por aí, porque ao andarmos por seu requintado piso de mosaicos nos deparamos com um pátio interno coberto de plantas onde desfrutamos de momentos agradáveis.
Após, satisfeitos e felizes, seguimos caminhando pela '18 de Julio' até a Intendência Municipal onde descobrimos o Museu de História da Arte.
Impressionante a fidelidade das réplicas das obras de arte, especialmente as esculturas, abrangendo todas as épocas desse patrimônio histórico e cultural que sabe ser a Arte.
Com os corações e mentes repletos de tantas obras maravilhosas voltamos ao hotel para descansarmos e estarmos preparados para as 'Llamadas 2026' , desfiles das 'comparsas' do candombe uruguaio.
Foram momentos de muita emoção presenciar a força da tradição africana no Uruguai.
Contagiante a vibração dos componentes das 'comparsas' e do público presente na passarela da 'Isla de Flores'.
Mais do que torcer por uma 'comparsa' as pessoas vibram com todas!
Voltamos para o hotel com a sensação de dever cumprido, ou seja, como testemunhas de que ainda temos humanidade no Uruguai...
Montevidéu, 6 de fevereiro de 2026.
Imagens: arquivo pessoal
Edu Cezimbra
Recordar o passado é História, repetir o passado é Religião
Existe História da Religião, mas não Religião da História, ou existe?.
Porto Alegre, 11 de outubro de 2025.
Imagem: Batismo, Google
Edu Cezimbra
A Terra Plana tem extrema inclinação para a direita.
Porto Alegre, 7 de outubro de 2025.
Charge: Nani, Google
Edu Cezimbra
Alfa vê Beta e Gama
Entra no Delta o Psi até Ômega
Tau Tau!
Porto Alegre, 24 de agosto de 2025.
Imagem: alfabeto grego, Google
Edu Cezimbra
"Conhece-te a ti mesmo" - como ter ciência de mim? -, se "só sei que nada sei".
Porto Alegre, 24 de julho de 2025.
Imagem:Sócrates, Google
Edu Cezimbra
A véspera
É nada
Sem o amanhã
O amanhã
É tudo
Com a véspera
A espera
É nula
Sem o clã
O clã
É todo
Com a espera
Porto Alegre, 15 de abril de 2025.
Imagem: Gaia e Urano, Google
Edu Cezimbra
A escritora Carla Madeira, autora da obra-prima "Tudo é Rio" brindou seus ouvintes em mesa da FLIP 2024 com esta reflexão:
"Perdoar para que não se repita; esquecer para não atualizar a dor" com o seguinte adendo: "perdão não é impunidade."
O que me leva a pensar que perdão não é anistia...
O perdão é individual; a anistia é coletiva.
O indivíduo é aprendiz e o coletivo aprendizagem.
Aprendizagem é social e o individual é particular.
O esquecimento protege a vítima mas garante a impunidade, ou pior, permite a repetição do passado.
Portanto, a anistia do algoz é atualizar a dor da vítima.
Só a justiça consola enquanto a impunidade revolta...
Porto Alegre, 13 de outubro de 2024.
Imagem: monumento Tortura Nunca Mais
Edu Cezimbra
Perseu cortou a cabeça de
Medusa
O escudo como espelho do
Herói
Ao lhe ver em seu
Escudo
Viu que Medusa era
Mãe
Herói corta a cabeça da
Terrível
Para pensar por
Si Próprio
Sem se deixar ser
Estátua
Porto Alegre, 24 de outubro de 2023..
Imagem: Perseu e Medusa
Edu Cezimbra
"O amor eterno é o amor impossível. Os amores possíveis começam a morrer no dia em que se concretizam", sentenciou Eça de Queiroz.
Perdão, Eça, mas se os amores começam a morrer quando se concretizam, a culpa não é do amor.
O amor é eterno por infinito...
O infinito é uma dimensão temporal que transcende o espaço.
O amor é atemporal e não morre porque renovado.
Quando se ama o amor é eterno enquanto dura...
A duração é o tempo e o espaço unidos pelo amor.
O amor passa de geração em geração por ser aprendido.
- Que bonito, exclamou a vó. - Que bonito é o abraço do infinito, emendou a netinha.
Porto Alegre, 7 de julho de 2023.
Imagem: Claude Michel
Edu Cezimbra
"Quando eu era jovem", escreveu Théophile Gautier, "não poderia aceitar como poeta lírico quem estivesse pesando mais que noventa e nove libras." (Note-se que Gauthier diz poeta lírico, aparentemente conformado com o fato de que os romancistas tinham de ser feitos de matéria mais rústica e pesada.) Gradativamente, o aspecto do tuberculoso, que simbolizava uma atraente vulnerabilidade, uma sensibilidade superior, tornou-se cada vez mais a aparência ideal das mulheres, enquanto os grandes homens dos meados e fins do século XIX engordaram, fundaram impérios industriais, escreveram centenas de romances, fizeram guerras e saquearam continentes.
A citação de Téophile Gautier sobre o pré-requisito para ser um poeta lírico é paradigmática do romantismo.
Note que 99 libras são menos de 50 quilos.
Com este peso pena os poetas lírico só saiam à campo em busca de inspiraçã com "céu de brigadeiro".
Susan Sontag utiliza a citação do Gautier para espinafrar os grandes homens sem deixar de fora as mulheres magras...
Interessante (sinônimo de romântico), não?
Sontag, nesse capítulo de seu livro "A Doença como Metáfora" escrevia sobre a tuberculose, doença que para os românticos manifestava a sensibilidade superior e a espiritualidade elevada dos tuberculosos.
Desnecessário me alongar sobre a citação...
Fica o registro, com a ressalva: os romancistas são grandes homens, com muito fôlego, pois escrever grandes romances é uma prova de atletismo, como já escreveu um filósofo...
Porto Alegre, 17 de maio de 2023.
Imagem:Kate MacDowell, Revista Germina
Edu Cezimbra
Uma boa pergunta gera respostas diversas;
uma boa resposta fica sem mais perguntas.
Porto Alegre, 18 de julho de 2022.
Imagem:Google
Edu Cezimbra
Na sombra
Na surdina
Na socapa
A gente vai
Fingindo que
Não capta
Sem sombra
Sem sorte
Sem sino
A gente vai
Levando
Essa cena
Com sombra
Com sol
Com sal
A gente vai
Soltando
Muito suor
Porto Alegre, 1º de junho de 2022.
Imagem: Emil Wolff, Wikimedia Commons
Edu Cezimbra
Recebemos carta da Associação Internacional dos Direitos Suínos com o seguinte conteúdo:
Vimos por meio desta protestar veementemente contra a associação espúria, infame e especista dos porcos com o presidente farofeiro.
Nós, porcos, somos animais limpos e cheirosos quando criados livres ao invés dos chiqueiros imundos dos humanos.
O presidente farofeiro, sim, tem seu chiqueirinho palaciano onde defeca seus excrementos diários conspurcando suas funções.
Nós, porcos, sabemos nos comportar em público e comemos em nossos cochos sem derramar a farofa.
As cenas patétcas do presidente farofeiro não nos representam.
Os humanos precisam atualizar suas associações e parar de projetar seus defeitos em nós, porcos.
Falta de decoro, de educação e de civilidade são características de alguns humanos, não todos, felizmente.
Nós, porcos, somos animais inteligentes e sensíveis que amamos nossos filhotes e a natureza, portanto, mais respeito!
Assinado: Porcino Leitão, Presidente da PIG Brasil: Associação Internacional dos Direitos Suínos.
Terra, gordinha pressurosa,
corre apressada,
gira zelosa.
Porto Alegre, 7 de dezembro de 2021.
Imagem: Vênua de Willendorf, Google
Edu Cezimbra
Agonia
disfarce com
alegria.
Ansiedade
esconda com
felicidade.
Angústia
oculte com
simpatia.
Apenas
não se mostre
com penas.
Porto Alegre, 24 de setembro de 2021.
Imagem: Garry Gay, Pinterest
Edu Cezimbra
Deixo-me arrastar
pelas águas caudalosas
do rio do vir-a-ser.
Deixo-me flutuar
nas águas salgadas
do mar de lágrimas.
Deixo-me afogar
nas águas passadas
da minha saudade.
Deixo-me saciar
nas águas doces
da fonte da poesia.
Porto Alegre, 12 de maio de 2021.
Imagem: escultura de M. Cholakowsla, Pinterest
Edu Cezimbra

Eduardo Sejanes Cezimbra
“Teimosia da Imaginação” é o nome escolhido com muito acerto e propriedade para a série de documentários que foi exibida no Canal Curta retratando a vida e obra de artistas populares do Brasil.
A expressão “teimosia da imaginação” remete a uma reflexão: se com tão poucos recursos são capazes de obras tão expressivas, o que não fariam se tivessem o devido e merecido apoio?
Um caso emblemático é o da hoje considerada melhor “bonequeira” de Minas Gerais, Mestra Dona Izabel Mendes da Cunha, falecida aos 90 anos.
Izabel Mendes da Cunha é uma das artistas brasileira mais reconhecidas no exterior graças ao seu feitio todo próprio de esculpir suas peças de cerâmica, que ela chamava carinhosamente de bonecas.
Com uma história de vida de muito trabalho e dificuldades no agreste mineiro, na fazenda Córrego Novo, ajudava sua mãe a cuidar de crianças e sonhava com bonecas, que ela nunca tinha visto, por isso confeccionou suas primeiras com sabugo de milho que enfeitava com panos.
Aprendeu a confeccionar utensílios de barro que vendia mais facilmente, como panelas, potes e jarras, bem como figuras de presépio, mas o seu pendor artístico falava mais alto e começou a fazer bonecas pequenas e médias para conseguir também vendê-las.
“A gente fala que mulher é parte fraca…Parte fraca é aquela pessoa que não garante”, lembrando a perda do marido e a sua luta para sustentar os filhos sozinha, trabalhando na roça e após com suas esculturas de barro.

Gostava de esculpir noivas cuidadosamente enfeitadas com grinaldas, buquês e vestidos luxuosos.Outra predileção era por mulheres amamentando com os olhos fitos em um horizonte distante. Olhos que gostava de pintar de azul, em lembrança aos olhos do pai.
Reconhecia o valor de sua arte e cobrava preços altos para o poder aquisitivo de seu povoado no Vale do Jequetinhonha sendo obrigada a viajar a cidades próximas da rodovia Rio-Bahia onde começou, aí sim, a vender as suas peças e chamar a atenção dos viajantes e do prefeito de sua cidade que começou a adquir suas bonecas em cooperação com o conselho de desenvolvimento da região.
“Eu prefiro mais o artista que o artesão”, afirmava Dona Izabel que preferia ser chamada de artista do que de artesã.
Quanto à sua técnica diz “É uma coisa que a gente não sabe nem falar. É um pensar da gente ali que tá parecendo aquilo que a gente tá pensando fazer… É duas formas…são as mãos da gente”…
E como toda Mestra que se preze ensinou seus filhos e a moradores de Santana do Araçuaí a sua arte com o barro que hoje conta com 38 artesãos em torno de uma associação que tem em Dona Izabel a pessoa que lhes mostrou um caminho feito com duas mãos, barro e imaginação.
A história de Dona Izabel mostra bem o quanto é importante para todo artista ter, além de seu talento, o apoio de políticas públicas que alavanquem a sua arte, pois ganha o artista e todos ao seu redor.
Assista o documentário clicando aqui