segunda-feira, 11 de novembro de 2019

Passarinho e Passarão


"Um passarinho me contou"... que passarinhos não contam, cantam.

"Viu passarinho verde"... também passarinho azul, vermelho, preto, branco e amarelo.

"Quero-quero" canta o passarinho, digo, passarão.

"Eu passarinho, eles passarão", emendaria o poeta.

O tico-tico informa que o "Tico-tico no fubá" não é um prato, mas uma canção, embora não fale que serve de mãe para o chupim, que é um passarão.

A seleção é canarinho e amarelou na Copa... 

Como podes ver, meu caro e raro leitor, estou cercado por pássaros, uns passarinho, outros passarão.

Algo tem em comum. Todos cantam e encantam o poeta brasileiro!




Viadutos, 11 de novembro de 2019.

Imagem e vídeo: arquivo pessoal

Edu Cezimbra

sexta-feira, 8 de novembro de 2019

O Banquete Liberal


Jantar é coisa de pobre, banquete é privilégio de rico.

Bons vinhos importados, pratos exóticos afrodisíacos, tudo como exige o bom-gosto.

Os convidados são todos liberais, muito liberados, - desde que a mulher e o homem sejam dos outros.

Junte pessoas liberais em um banquete e logo vem a libertinagem...

A liberalidade é com os bens alheios também, por isso o liberalismo é a liberdade de se livrar dos outros.

Precisa muito vinho importado para confessar estas verdades ditas de forma sofisticada.

O que vale mesmo é levar vantagem em tudo...

Por isso, o banquete liberal é feito de forma a se tornar uma orgia interminável.

Se não for totalitário não tem graça, precisa humilhar e retaliar os pobres.

De preferência fazer o pobre passar fome para, aí sim, banquetearem-se com prazer perverso.

O banquete liberal só pode continuar com a organização neoliberal.

Um prato que jamais será servido neste banquete é o bacurau pois é indigesta a revolta popular...


Porto Alegre, 8 de novembro de 2019.

Imagem: Pinterest

Edu Cezimbra

quinta-feira, 7 de novembro de 2019

quarta-feira, 6 de novembro de 2019

A Democracia e a Ditadura


A Dona Ditadura é uma carola sempre com a Bíblia em uma mão e um cassetete  na outra.

A Democracia é uma menina com caderno em uma mão  sendo levada para a escola pela mão da mãe ou do pai.

A Ditadura olha rancorosa para essa cena, pois não tem pai nem mãe, embora tenha "filhotes da ditadura".

Dona Ditadura grita para a Democracia:

- Lugar de mulher é na cozinha!!!

Ao que a Democracia retruca:

- Lugar de mulher é onde ela quiser!!!

É o que basta para a Ditadura gritar:

- Intervenção militar!!! Pra acabar com essa "pouca vergonha"...

Quando a Democracia distribui sua merenda com os coleguinhas pobres a Ditadura xinga:

- Comunista!

Neste ponto, a Democracia vacila, pois sabe que não é comunista e tenta contemporizar:

- O comunismo acabou, Dona Ditadura...

Aí a Ditadura exclama triunfante:

- Vai pra Cuba!!!

A Democracia vira as costas e vai brincar de roda com as coleguinhas e os coleguinhas e a Ditadura acusa:

- Você é muito mole!

Ao que a Democracia sussurra para os coleguinhas que caem na gargalhada:

- E você é muito burra, burra demais...

A Ditadura fica por ali feito uma diretora das antigas, pronta para dar o bote, chacoalhando o guizo... 


Porto Alegre, 6 de novembro de 2019.

Imagem: Editora Boitatá, Google

Edu Cezimbra

terça-feira, 5 de novembro de 2019

segunda-feira, 4 de novembro de 2019

Poucas Palavras



Queria escrever
Grandes laudas
Mas minha letra
É miúda.
São estreitas 
As pautas
Do caderno
E o risco da caneta
Deslizando 
Na linha azul
Apanha palavras
Poucas
No ar...


Porto Alegre, 4 de novembro de 2019.

Imagem: Pinterest

Edu Cezimbra

O Valor da Natureza



As águas do lago não estão paradas.

Se olharmos bem, a brisa suave faz a água do lago vibrar sutilmente.

O lago recolhe a água da chuva e aumenta seu volume em silêncio...

As grandes árvores da beira do lago ficam dentro d'água e não se afogam, agarradas a pedras redondas.

Os sabiás cantam sem parar nos galhos de ingazeiros e chorões.

Pescadores imóveis sonham com tainhas prateadas...

Barcos de pesca na areia sonham com pescadores...

O caminho de terra é quase deserto, acompanhado de recantos que parecem jardins japoneses feitos pela natureza.

Quem nele caminha se deixa levar pela beleza de recantos que são santuários naturais.

Ao entardecer, o sol quente mergulha nas águas do lago e o lago se ruboriza.

O por-do-sol é digno de Van Gogh.

Como um quadro de Van Gogh em sua época, o valor da natureza é subestimado...



Porto Alegre, 4 de novembro de 2019.

Imagem: Google

Edu Cezimbra

sábado, 2 de novembro de 2019

O Avarento


Sem bens
Não tem
Onde cair morto

Sem vintém
Não tem
Botequim aberto

Sem trem
Não tem
Ninguém por perto

Hein?!!
Nem vem
Que não tem!!!

Porto Alegre, 2 de novembro de 2019.

Imagem: Google

Edu Cezimbra

sexta-feira, 1 de novembro de 2019

Triste Ciência


 “O homem de hoje não cultiva o que não pode ser abreviado.”  - Paul Valéry

Marcelo Leandro dos Santos no evento IHU Ideias, palestrou sobre "A triste ciência de Theodor Adorno".

"Outro ponto que chama atenção de Adorno é que os laços humanos vão perdendo força", explicou o palestrante.

"As pessoas aos poucos vão parando de criar os seus próprios assuntos", disse ele.

"Esse declínio da formação cultural, acaba tendo uma relação muito forte com a Indústria Cultural", afirmou Santos,

Sobre a Indústria Cultural: "Como se ela fosse uma força bem organizada, que fosse substituindo os aspectos íntimos das relações das pessoas".

"Os objetivos da sociedade vão deixando de proporcionar as relações subjetivas, pois isto não interessa em sua administração", alertou Santos.

O que, segundo ele, é um choque para a filosofia, pois "os velhos laços humanos são sempre importantes, nunca são desprezados".

Após ler os aspectos apontados pelo palestrante fica plausível o título da palestra: "A triste ciência de Theodor Adorno", concordará o meu caro e raro leitor...

Porto Alegre, 1º de novembro de 2019.

Imagem: Pinterest

Edu Cezimbra