revela
medos
que a luz
descomhece.
A luz
oculta
realidades
que a
sombra
reconhece.
Sombra
é na luz
que vislumbra.
Luz
é na sombra
que deslumbra.
Porto Alegre, 10 de janeiro de 2022.
Imagem Goya, Pinterest:
Edu Cezimbra
Blog de Eduardo Sejanes Cezimbra para escrever sobre a vida, rascunhando impressões, como se manuscrito com caneta-tinteiro e mata-borrão. "Escrevo porque preciso, publico porque amo."
revela
medos
que a luz
descomhece.
A luz
oculta
realidades
que a
sombra
reconhece.
Sombra
é na luz
que vislumbra.
Luz
é na sombra
que deslumbra.
Porto Alegre, 10 de janeiro de 2022.
Imagem Goya, Pinterest:
Edu Cezimbra
Camarão sempre se considerou um bichinho enjoado.
Todo jantar chique lá estava ele apresentado na forma de coquetel, salada ou molho.
No fundo do mar só queria conversa com a Lagosta, a Ostra e o Linguado.
Afinal, não iria se misturar com essa "arraia-miúda"...
Numa dessas boca-livres ficou mal-falado.
Todos os frutos do mar cochichavam entre si: - o Camarão virou comunista.
- O Camarão ficou ainda mais vermelho, mas boca-de-siri, pediu o siri para o polvo.
O Polvo, para demonstrar todo o seu alvoroço, moveu todos os tentáculos.
- Camarão vermelho, vá lá, agora Lula como prato principal já é demais!
- Temos que acabar com essa polarização! - sentenciou a Traíra, tentando se aproveitar da situação.
O oportunismo da Traíra pegou muito mal, os frutos do mar se indignaram e queriam partir para as vias de fato.
O que parecia ser o começo de mais uma tragédia no fundo mar foi solucionado pela Lula.
- O que é isso, companheiro? Vamos todos fazer uma "paella", mas sem a Traíra, que não é fruto do mar, nem flor que se cheire.
E completou o cardápio como um chefe reconhecido: - e a sobremesa vai ser picolé de chuchu!
Moral da fábula: quando acaba a conciliação vem a reconciliação de classes.
Porto Alegre, 9 de janeiro de 2022.
Imagem: Google
Edu Cezimbra
Grávida de estrelas
a noite pariu
um dia de sol
Filme desastre dos EUA sempre tem heróis.
"Não Olhe Para Cima" não foge à regra, mas apresenta muitos anti-heróis.
Talvez pela crítica ferina aos negacionistas, que são muitos, capitaneados pelo cínico ex-presidente Trump.
No filme, Trump é trocado por uma presidente com atuação hilária de Meryl Streep.
Outro personagem caricato que causa repulsa ao espectador é o assessor presidencial, filho da presidente, figura odiosa, interessado em bajular a presidente e garantir seu cargo.
Esta dupla contracena com o cientista (Leonardo DiCaprio) e sua estagiária que descobriu um cometa prestes a colidir com a Terra e causar uma extinção total.
O filme trata da ameaça de um cometa, mas poderia ser um vírus, uma catástrofe ambiental, um genocídio ou qualquer outra realidade que os negacionistas pretendam escamotear.
"Não olhe para cima" é o título da campanha negacionista da ameaça sideral e que quer explorar comercialmente o cometa, comandada por um guru do smarphone, uma mistura de Bill Gates e Steve Jobs.
O filme é uma tragicomédia, uma sátira ao comportamento alienado da sociedade estadunidense, uma farsa pela caracterização das personagens, sejam políticos, jornalistas, cientistas ou cidadãos anônimos.
Manipuladores e manipulados usam e abusam de bordões publicitários, tais como "o cometa vai gerar empregos para meus filhos".
Basta substituir cometa por "reforma trabalhista" para entender a ironia da história...
Recomendo, pois a maior catástrofe no filme é para os negacionistas, destruídos sem dó nem piedade pelo roteiro.
Enfim, um exemplo de como a ficção supera o fake news!
Porto Alegre, 7 de janeiro de 2022.
Imagem divulgação, Google:
Edu Cezimbra
Cabeça-de-vento
Pode me chamar
Não ligo
Sou mesmo
Faço questão
Sou poeta!
Cabeça-de-vento
Atraio passarinhos
Assim me deixo levar
Pelo sonho
Cabeças-duras
Estes passarão!
Porto Alegre, 6 de janeirode 2022.
Imagem: Giovanni Dalessi, Pinterest
Edu Cezimbra
O menino do interior nunca vira o mar.
Ao subir a duna alta deparou com aquela imensidão estrondosa.
Já ouvira o rumor do mar sem ter ideia da sua dimensão oceânica.
Foi mesmo impressionante...
Ficou parado, esperando a mãe chegar.
- Manhê, como é grande o mar!
- Sim, meu filho, o mar é grande e salgado pelas tantas lágrimas derramadas pelos homens, mulheres e crianças que se afogaram nele.
O menino estremeceu.
- Como assim, mãe?!1 - perguntou assustado.
- É que foram muitos os que morreram no mar, por isso não vai no fundo.
Quando o menino entrou no mar pela primeira vez foi com medo, não do mar, mas com o medo da mãe.
Quando saiu do mar já não era o mesmo. Saiu velho como o homem, porque o mar tem história, e quem nele entra não volta mais o mesmo...
Porto Alegre, 5 de janeiro de 2022.
Imagem: Carol Carmichael, Pinterest
Edu Cezimbra
A leitura de um corpo vê um corpo com ou sem leitura.
Um corpo com leitura deixa-se ler.
Um corpo sem leitura não se lê.
O leitor incorpora a leitura.
O corpo fala quando lido.
Porto Alegre, 4 de janeiro de 2022.
Imagem: Leonardo Da Vinci, Google
Edu Cezimbra
Se vivo fosse, Lima Barreto mudaria o título de seu romance satírico "Os Bruzundangas" para "The BrUSAdungas", tamanha a colonização cultural dos brasileiros e brasileiras.
Bem verdade que também em sua época a colonização cultural do Brasil era feita pela França, convenhamos, com muita classe e glamour.
Não faltou um sambista para escrever num samba que "tem muito francês no morro".
Madames, garçons e garçonnières abundavam num Rio que tentava parecer Paris.
Depois que os EUA invadiram e dominaram parte da Europa um outro sambista avisou que "o patrão mandou cantar com a língua enrolada".
Walt Disney deixou o Zé Carioca, acompanhado por patos e patetas, e levou Carmen Miranda, que voltou americanizada.
As madames foram para Miami e o sinhô quis ser chamado de dotô, adotando fumaças de "wasp": branco, anglo-saxão e protestante.
Não por acaso, os "bíblias" da época de Lima Barreto viraram crentes neopentecostais, "made in USA".
Sobrou "dog" e "xis" em cada esquina irrigados por cocas muito açucaradas e viciantes.
Por essas e outras é que acho que Lima Barreto atualizaria o nome de sua sátira para "The BrUSAdungas...
Porto Alegre, 3 de janeiro de 2021.
Imagem: cartaz de "saludo Amigos", Google
Edu Cezimbra
Quando ergo os olhos
Para o céu estrelado
Sinto catedrais de Gaudí
Porto Alegre, 2 de janeiro de 2022.
Imagem: arquivo pessoal
Edu Cezimbr
Sem introduçao
Pela nitrodução
Pra começo
Nitrodução
É implosão
Demolição total
Do concreto
Nitroglicerina
Aplicada na
Base do
Concretismo
Vai ao
Mais fundo do
Buraco negro
Porto Alegre, 1º de janeiro de 2022.
Imagem:
Edu Cezimbra