domingo, 20 de março de 2022

América Latíndia

 


O povo da América Latíndia, continente assinalado por Loyola, é preguiçoso, não gosta de trabalhar.

Não resta dúvida, é um povo amigo e hospitaleiro, entretanto ladrão e briguento.

A comparação é feita a partir de outro continente longínquo, porém balizador: a Europariana, chamemos assim.

O meu caro e raro leitor, atento, perceberá logo de cara que a maldosa comparação é de alguém que trata os indígenas como trata os eslavos, origem da palavra escravo.

Dito de outro modo: escravocratas que exploram povos amigos e hospitaleiros, aproveitando-se da superioridade dos armamentos, não de "raça" como alardeiam.

História velha e recente, ao mesmo tempo.

É que as classes patronais sempre querem mais e mais-valia...

Não basta o sangue e o suor querem as lágrimas dos oprimidos para os manterem assim.

O que os deixa em estado de sítio é quando os indígenas, eslavos e outros "aborígenes" não aceitam mais suas ordens e recuperam seu modo de vida em suas ex-colônias.

Perceberá o leitor e leitora que a pecha de vagabundos, ladrões e bandidos cai como uma luva, ou melhor, um tapa de luva, nessa casta parasitária.

Por isso, quando um destes parasitas reclamar que o povo não trabalha porque não gosta pergunte se ele trabalha ou vive do trabalho alheio.

 

Porto Alegre, 20 de março de 2022.

Imagem:Charges Ululantes, Brasil de Fato, Google

Edu Cezimbra

sábado, 19 de março de 2022

O Tempo e a Memória

 


 Toda memória tem seu tempo. Quem não tem tempo não  tem memória.

 

Alegrete, 19 de março de 2022.

Imagem: Pinterest

Edu Cezimbra 

sexta-feira, 18 de março de 2022

Recordações

 


Recuerdos

De um passado

Extinto.

 

Invenções

Na forma de

Recordações.

 

Alegrete, 18 de março de 2022.

Imagem: Salvador Dalí, Google

 Edu Cezimbra

quinta-feira, 17 de março de 2022

A Ilha do Tesouro

 

Nenhum homem é uma ilha, escreveu um famoso escritor.

A recíproca é verdadeira, dirá um homem racional.

Esquece o animal racional que um homem é uma criatura isolada como uma ilha no oceano se não estiver em um continente.

Reparou que é a Ilha do Tesouro que o homem ambiciona.

O tesouro da humana ilha está enterrado bem fundo no homem.

O homem precisa do mapa do tesouro para se achar.

Toda ilha tem um tesouro que só é achado quando o mapa da humanidade for descoberto.

Não à toa os tesouros da humanidade estão à espera de serem descobertos.

Achar o tesouro que há em mim depende do mapa que há em nós.

É o egoísmo que impede o achado.

Somente o altruísmo possibilita o encontro do tesouro.

O tesouro que há em mim é feito com o ouro e a prata que há em nós.

Por isso, nenhum homem é uma ilha sem tesouro...


Alegrete, 17 de março de 2022.

Imagem: Pinterest

Edu Cezimbra

quarta-feira, 16 de março de 2022

O Pescador e o Poeta

 

 

Pescador pesca peixes

Em rios, lagos e mares.

 

Poeta pesca palavras

Entre risos, lágrimas e amores.

 

Os peixes do pescador são comida,

As palavras do poeta são sentidas.

 

Pescadores e poetas tem paciência e ardil,

Peixes e palavras não se deixam pescar fácil. 

 

 

Porto Alegre, 16 de março de 2022.

Imagem: Pinterest

Edu Cezimbra  

terça-feira, 15 de março de 2022

Canto de Passarinho

 

Quem viu passarinho 

antes escutou 

o seu canto.

 

Porto Alegre, 15 de março de 2022.

Imagem: Pinterest

Edu Cezimbra 

segunda-feira, 14 de março de 2022

Garoa

 


Ninguém usa "guarda-garoa", por isso fica molhado e com cara de bobo.

Vem daí a expressão "chuva de molhar bobo".

"Chove, não molha" é coisa de quem não vai na chuva pra não se molhar.

O Chuvisco não é o gato da Garoa.

Chuvisqueiro, mas pode chamar de garoa.

Em terra de garoa o sapato quer galocha. 

Usa capa e galocha quem já se gripou com garoa.

Não existe nuvem de garoa, por isso a garoa é uma chuva subestimada.

Nuvem de chuva quando se resfria fica espirrando garoa.

Mais vale uma garoa no ar do que duas nuvens passageiras.

 

Porto Alegre, 14 de março de 2022.

Imagem: Google

Edu Cezimbra


domingo, 13 de março de 2022

A Madame, o Mordomo e a Senhorita

 


Madame mandou o mordomo chamar a senhorita.

- Senhorita é solicitada na sala por madame.

- Obrigado, Alfredo, diga para mamãe que logo após a toalete irei vê-la.

- Pois não, senhorita.

Madame tinha pressa, ficou possessa, não gostava de ser contrariada 

- Diga para aquela sirigaita que venha imediatamente senão vai se ver comigo!

- Pois não, madame.

O mordomo retornou à suíte da senhorita e da porta do banheiro deu o seu recado.

- Perdão, senhorita, mas madame mandou lhe chamar, imediatamente.

- Alfredo, diga para aquela chata que irei quando terminar meu banho de sais e que ela vá lamber sabão!

O mordomo assim falou para madame:

- Madame, a senhorita não poderá comparecer ao recinto pois toda ensaboada quer que madame vá provar o sabão.

Madame perdeu o "aplomb" e xingou a filha e o mordomo com todos os palavrões que conhecia da zona, enquanto o mordomo pensava com seus botões dourados:

"O mordomo entre a madame  e a senhorita é como o marisco entre o mar e o rochedo, até a volta do patrão e do patrãozinho - aí sai de baixo..."

 

Porto Alegre, 13 de março de 2022.

Imagem:cena de "O Mordomo da Casa Branca", Google

Edu Cezimbra

sábado, 12 de março de 2022

Estereótipo


 

Tipo assim

Faz uma selfie

Pra mim

 

Típico mesmo

Faz uma foto

A esmo

 

Faz tipo

Bem típico

Estereótipo

 

Porto Alegre, 12 de março de 2022.

Imagem: Google

Edu Cezimbra

sexta-feira, 11 de março de 2022

Um Filme Familiar

 


Assisti  no Festival Cine Ceará o filme "5 Casas".

O filme já havia começado quando liguei a TV. 

Logo percebi que a paisagem me era muito familiar.

As cenas, no campo e na cidade, evocavam lugares de minhas andanças pelo Pampa gaúcho.

Durante longos minutos tentei adivinhar onde se passava o filme...

Os entrevistados pelo diretor Bruno Gularte Barreto falavam com o sotaque acentuado dos gaúchos fronteiriços com o Uruguai.

Pelo casario antigo achei que fosse em Bagé.

Pelos campos abertos me pareceu Livramento.

Errei por pouco, o documentário foi rodado em Dom Pedrito, entre Bagé e Livramento.

Depois de me situar prestei mais atenção no roteiro do filme.

As "5 Casas" que dão título ao filme se referem a casas de pessoas que marcaram a vida do menino Bruno.

Órfão precoce de pai e mãe, depois de muitos anos longe de sua cidade natal ele retorna para recuperar a memória de suas origens.

As fotos recuperadas de uma tapera da estância da família foram amplificadas pela projeção no muro de uma das "5 Casas".

A passagem da câmera pelas casas ajuda a recuperar a memória apagada da infância traumática.

As perguntas que tinha foram respondidas pelos mais velhos que conheceram ou conviveram com seus pais.

Tão importante quanto os velhos são os amigos, especialmente o amigo homossexual.

Como em toda cidade pequena as relações são muito policiadas e Bruno e seu amigo gay não escaparam dessa vigilância moralista.

Enfim, um filme bem familiar para quem morou em uma cidade do interior, portanto universal no que diz respeito a nossa humanidade. 

 


Porto Alegre, 11 de março de 2022.

Imagem:divulgação, Google

Edu Cezimbra