sábado, 11 de maio de 2019

sexta-feira, 10 de maio de 2019

As Regras da Vida


O que significa "vencer na vida" para você?

Para a maioria "vencer na vida" é ter muito, mas muito dinheiro.

- Ah.  tá podendo... 

Vencer está muito associado ao jogo. E, neste caso. o jogo é de azar...

Qualquer jogo tem suas regras que precisam ser seguidas sob pena de sair do jogo.

Jogos são irresistíveis por essa capacidade de mimetizar a vida.

Aqui, cabe a pergunta: a vida tem regras?

Se a vida fosse um jogo de tabuleiro viria com as regras básicas, entre elas:

- Não durma no volante.

- Não pise na grama ou pise.

- Não conte dinheiro na frente dos outros.

- Não arrote ou arrote na mesa.

- Não durma no ponto.

- Não durma de touca ou durma.

- Ajude quem necessita.

- Ame seu próximo, mas não o explore.

- Não pare na pista.

- Pare, olhe, escute.

O meu caro e raro leitor já pensou com seus botões: "ele está achando que é Moisés", foi?

Deus me perdoe, longe de mim esta pretensão tão pastoral.

Todas estas regras estão aí para serem seguidas ou não...

Tudo isso para dizer que a vida não é uma partida, mas uma chegada.

Se a vida fosse uma corrida de fundo, melhor parar e descansar, - para não "perder a vida".

Porto Alegre, 10 de maio de 2019.

Imagem: Barry Kite, Pinterest

Edu Cezimbra


quinta-feira, 9 de maio de 2019

Luz Outonal


Porto Alegre, 9 de maio de 2019.

Imagem: arquivo pessoal

Design: Canva

Edu Cezimbra

Guantanamera



"De Guantánamo a Havana tudo pode acontecer."
Bem que poderia ser o título do filme cubano "Guantanamera".

Sob o pretexto de transladar o corpo de uma "guajira guantanamera", uma "menina de Guantánamo", que morre ao voltar à sua terra natal passados cinquenta anos e reencontrar o amor da juventude, o filme é um "road movie" latino que passeia por paisagens rurais e ruas de várias cidades cubanas entre Guantánamo e Havana.

É uma viagem, mas não é turística. Pelo contrário, escancara a dura realidade cubana, um mergulho nas águas turvas da revolução cubana.

Aliás, diga-se de passagem, realidade muito "exaltada" pela imprensa nacional e internacional como prova cabal do fracasso do socialismo. Não à toa surge o bordão ideológico primário do "vai pra Cuba".

Portanto, não cansarei o meu caro e raro leitor, com o rol de problemas materiais por que passa a formosa ilha caribenha.

Aqui, nestes breves comentários sobre "Guantanamera" prefiro frisar as dificuldades anímicas de Cuba, tão bem captadas na película em tela.

Para mim, aí reside a maior dificuldade de Cuba: a crise econômica é "sublimada" por delirantes planos burocráticos e relatórios ufanistas de burocratas cubanos.

Essa tensão entre o regime castrista e a população civil aparece em todo o filme. Apesar de todo controle estatal da economia mostra-se as desobediências civis do povo para enfrentar o racionamento de víveres e a carência econômica.

Ainda assim, "Guantanamera" é um filme deliciosamente romântico. As canções cubanas emocionam o espectador sensível ao contar em seus versos as histórias de vida dos protagonistas do filme.

Alerto que é um filme que prende do início ao fim, afirmando o amor acima do autoritarismo  burocrático.

Uma última observação: com todos os problemas materiais de Cuba, durante todo o "cortejo fúnebre" não se vê mendigos maltrapilhos e famintos entre o povo cubano. As pessoas do povo estão bem vestidas e com sorrisos largos mostrando todos os dentes saudáveis.

Trailer de Guantanamera (espanhol):







Porto Alegre, 9 de maio de 2019.

Imagem: cena e cartaz do filme, Google

Edu Cezimbra




quarta-feira, 8 de maio de 2019

A Moral e a Política


Ela é a encarnação da Moral. 

Até no nome: Mora Morais.

A outra é encarnação da Política.

Sim, até no nome: Poliana Polis

As duas moram perto, mas tem pouca intimidade.

Quando se encontram a briga é previsível.

Dona Mora vem com uma das suas sentenças lapidares para provocar a jovem Poliana:

- Eu sou o tipo da pessoa muito respeitada, todos tem o costume de me cumprimentar em qualquer lugar onde eu chegue. 

A menina Poliana é muito sagaz, apesar da pouca idade, e aproveita para cutucar dona Mora Morais:

- Ai, Dona Mora, vai me desculpar, mas a senhora, na verdade, é muito temida, por isso todos lhe saúdam para depois falar mal pelas costas.

- Minha filha, é melhor que falem pelas costas do que pela frente, como é o teu caso...

Poliana acusa a estocada certeira da rígida moral mas não desiste da peleja:

- O importante é que falem de mim, Dona Mora, afinal quem não é vista não é lembrada, não é verdade?

- Sei não, Poli, tem certas épocas que o melhor mesmo é não ser lembrada...

A discussão começa a se acentuar quando Dona Mora apela, lembrando os hábitos promíscuos (sic) de Poliana Polis.

Chega ao máximo da tensão quando Poliana chama Dona Mora de moralista de cueca.

Dona Mora e Poliana tem um vizinho que gosta de filosofar e, neste ponto, Dona Mora e Poliana concordam, pois consideram suas colocações ponderadas.

- Calma, amigas, vocês não precisam brigar tanto. Lembrem-se que, embora tenham divergências inconciliáveis, muita gente considera muito as duas, nem que seja com dois pesos e duas medidas.

Antes de terminar, é preciso dar o nome de senhor tão idealista: Platão, mesmo nome do filósofo grego, que disse que a Moral e a Política são excludentes, séculos antes de Mora Morais e Poliana Polis.


Porto Alegre, 8 de maio de 2019.

Imagem: Pinterest

Edu Cezimbra


segunda-feira, 6 de maio de 2019

Poetas não envelhecem




O que aconteceu
Ao poeta,
Envelheceu?
Poetas não envelhecem
Fenecem com
Arcaísmos

O que aconteceu
Ao poeta,
Sumiu?
Poetas não somem
Assumem seus
Romantismos

Talvez o poeta não saiba que está no século XXI...

Pois acontece
Que aí  
O poeta 
Renasce
Ávido por 
Modernismos



Porto Alegre, 6 de maio de 2019.

Imagem: Rimbaud, Pinterest

Edu Cezimbra

domingo, 5 de maio de 2019

A caixa de ferramentas


- Abriu a caixa de ferramentas!!! - gritou um prego.

- Oba! vou dar um giro por aí adentro! - exclamou um parafuso.

- E eu vou junto que tu anda muito entradinho! - replicou a porca com ciúmes.

- Vocês não vão a lugar nenhum sem mim! - avisou uma empertigada chave de fenda.

- Mas eu posso bater o martelo...- rebateu o próprio.

- Só se me utilizar antes...- influiu-se o óleo lubrificante.

- Antes vão ter de me segurar... - assegurou a bucha.

- Sem mim não tem como furar... - bancou-se a broca.

- Pecinhas egoístas - recrimina a furadeira - então não sabem que sou eu que abro caminho para todos vocês?!!

- Certo, desde que alguém acione a furadeira, coloque a bucha no buraco feito pela broca, aparafuse a peça e conclua o trabalho, batendo o martelo - coloca as coisas em seu devido lugar o operário da construção, fechando a caixa de ferramentas.



Porto Alegre, 5 de maio de 2019.

Imagem: Pinterest

Edu Cezimbra

sexta-feira, 3 de maio de 2019

Países e governos


"Cada país possui o governo que merece", frase atribuída ao Conde de Maistre, um ferrenho crítico da Revolução Francesa.

Não surpreende, no caso de um conde, que ele escreva a um amigo desabafando com tanta acrimônia as medidas do governo revolucionário francês, entre elas, a decapitação de aristocratas.

A frase tornou-se célebre, muito provavelmente pelo seu uso tão repetido quanto o revezamento de governos mundo afora.

Ela é aplicada ad nauseam cada vez que um governo não satisfaz os interesses de quem a profere.

Se invertermos os termos da oração fica "cada governo tem o país que merece". O que muda tudo, dirá meu esperto e raro leitor.

E, aqui para nós, é mais, como direi, realista ( não no sentido que o Conde de Maistre atribuiria à palavra) ...

Convenhamos, não dá para culpar um país inteiro pelos erros crassos de seus governos. Erros que não poucas vezes levaram países inteiros à ruína, tanto literal quanto figurativamente.

Deixo à critério do leitor a lembrança de países que foram altamente prejudicados por seus irresponsáveis ou ineptos governos.

Fica o consolo que os países são mais duradouros que seus governos, embora estes façam de tudo para acabar com aqueles...


Porto Alegre, 3 de maio de 2019.

Imagem: Debret, Pinterest

Edu Cezimbra