segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Por onde andará a paz?


"Se queres a paz, prepara-te para a guerra" é a máxima vigente. Por que motivo nunca se escreveu:"Se queres a guerra, prepara-te para a paz"?..

Mas haverá paz entre vencedores e derrotados, paz entre os militares sem uma guerra? Um exército sem guerra está em paz somente nos cemitérios militares onde "descansam em paz" os seus heroicos soldados.

Haverá paz enquanto houverem exércitos, indústria bélica, corrida armamentista, fronteiras e bandeiras?

“Se queres a paz, prepara-te para o amor”. O dito hippie e popular “faça amor, não faça a guerra”diz muito sobre o necessário salto de consciência para transcendermos a dicotomia guerra/paz.

Afora o lirismo da expressão, sua potência reside no reconhecimento dos pressupostos da paz, entre eles o amor. O cientista Wilhelm Reich, que de lírico não tinha nada, escrevia sobre a potência do amor: “Conhecimento, trabalho e amor natural são as fontes de nossa vida. Deveriam também governá-la; e a responsabilidade total deveria ser assumida pelos homens e mulheres que trabalham, em toda parte».

O “amor natural” a que Reich se refere é o que nos é negado por um sistema moralista e hipócrita “sempre alerta”, feito escoteiro da moral e bons costumes a coibir toda e qualquer manifestação de amor natural em nome da “família tradicional”.

Justiça social, direitos humanos, conhecimento, liberdade, solidariedade são alguns dos pressupostos para a paz, sem eles o que há é uma paródia de paz disfarçando o medo, a estagnação e a indiferença.

Aliás, o ideograma chinês contrário à paz não é guerra, e sim estagnação. Interessante, não? Os chineses tem na cosmovisão taoista uma maneira muito própria de entender as aparentes contradições através da geração do oposto complementar.

Mas, note bem, pressupostos não são garantia totais de paz, afinal, quem conhece história sabe que muitas sociedade e civilizações relativamente pacíficas foram e ainda são invadidas, saqueadas e devastadas por exércitos, armadas e piratas de estados imperialistas.

E, nem sempre a cultura garante a paz, como se viu na culta e educada Alemanha dominada pelo nazismo. Então, voltamos ao bom e velho Reich, que nos fala de uma peste emocional geradora do ódio, da perversidade e do fanatismo e que é terreno fértil para as ideologias totalitárias e belicosas.

Em um momento como este em que o planeta se vê ameaçado por tantas guerras, tragédias ambientais e humanitárias fica a pergunta:


































  
Alegoria de Alexandre Machado sobre bandeira do "Pacto Röerich"        

 


 
E se parássemos de guerrear conosco mesmo

haveria a paz tão almejada?

A paz tão decantada na bacia das almas...

A paz apascentada feito ovelhas nos campos verdes...

A paz de uma criança a dormir...alimentada.

Edu Cezimbra

                                                                                                                                                   





























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