sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Rock


"Foi lá por 85"

Edu Cezimbra

Parábolas olímpicas




- Mestre, o que é a vida?
 

- O Bolt correndo os 100 e os 200 metros rasos, pequeno guepardo.



- Mestre, o que é a vida?
 

- Tem assistido às corridas com obstáculos, pequena rã?



- Mestre, o que é a vida?
 

- Já viu o salto à distãncia, pequeno canguru?



- Mestre, o que é a vida?
 

- A vida é um salto com vara, pequeno gafanhoto.

                                    

- Kazaquistão, Kirguistão, Uzbequistão, Azerbaijão, quanto atleta olímpico campeão.

- Tucanistão, campeão da corrupção...(Mestre Sócrates Magno)

Porto Alegre, 17 de agosto de 2016.

Foto: ESPN

Edu Cezimbra 

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Um recordista olímpico em Tacuarembó



Bar 'El Gamo', leva seu nome em homenagem a Juan Jacinto López Testa, nascido, crescido e vivido em Tacuarembó, foi uma das maiores glórias do atletismo oriental. Apelidado “El Gamo” por suas passadas largas, ele reinou em nível nacional e foi três vezes campeão sul-americano dos cem metros rasos. Disputou as Olimpíadas de Londres em 1948. Um ano antes, havia se sagrado campeão uruguayo, como de hábito. O tempo em que isso foi feito tirou da conquista o adjetivo de corriqueira. López Testa correu os cem metros rasos na altura do então recorde mundial. Os mesmos 10,2 segundos que o estadunidense Jesse Owens havia estabelecido em 1936. A marca, no entanto, nunca chegou a ser reconhecida oficialmente fora das fronteiras da Banda Oriental."

Tacuarembó também se considera a 'cidade mais futebolista do interior do Uruguai' e seu time já disputou a 1ª divisão de futebol profissional. (as fotos da parede do bar são do time profissional da cidade).



                                                        Tacuarembó,Uruguay,  03 de agosto de 2015.

                                                                                                           Edu Cezimbra

domingo, 14 de agosto de 2016

Pai


Pai nosso que está 

Na Terra

Nos deixa cair

No Mundo

Nos livra das mães 

Superprotetoras

Agora e na hora

Do nosso orgasmo

Axé!

Porto Alegre, Dia dos Pais 

Edu Cezimbra

sábado, 13 de agosto de 2016

Trem



O ruído frio das rodas nos trilhos começam logo após o apito que avisa: o trem já vai partir. 

O tilintar do metal pela janela ainda ecoará nos meus ouvidos. 

Que triste o progresso que levou nossos trilhos do Brasil. 

Se há algo que sentirei falta são essas veias de metal que unem a Europa, que diminuem distancias, que unem pessoas. 

Gosto de me imaginar, quem sabe um dia, saindo do Rio Grande e descendo lá no Tocantins... que lindo é a partida e a chegada de um trem... 

JK não entendia nada de poesia.

 

Zaragoza, Espanha, 13 de agosto de 2013.

Flora Cezimbra

terça-feira, 9 de agosto de 2016

O Leitor e o Escritor



Miguel Sanches Neto em A Segunda Pátria faz esta generosa concessão ao leitor apaixonado por um livro:

"Só quem se dedicou apaixonadamente a um livro sabe que ele lhe pertencerá para sempre, mesmo que não possa recordá-lo"

 E, assim, define esta figura anônima e esperada:

  "Um leitor é alguém que carrega clandestinamente as palavras que leu". 

Já o escritor é um receptador de palavras. 

Vai polindo as palavras, dando nelas um lustro com frases lapidares para que adquiram brilho.

O livro é um cofre que o escritor almeja aberto pelo leitor. 

Se bijuteria, falso diamante, pedra preciosa, ouro ou prata, quem decide é o sentimento do leitor por mais que se lapide a palavra.

Por isso, ao leitor, a última palavra.


Porto Alegre, 09 de agosto de 2016.

Edu Cezimbra

Não podemos escrever isso


"Fingindo de morto pra ganhar sapato novo."

- Desmond, não podemos escrever isso...


- Tá bom, escreva assim, então:



"Se tu és neutro em situação de injustiça, tu escolheste o lado do opressor."

Desmond Tutu 

Porto Alegre, 29 de julho de 2016. 

Edu Cezimbra

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Terapia Corporal



XII

O diafragma distentido

Mostra a força

Da respiração sonora

Relata vida


XIII

Redescubra seu prazer

Acelere sua pulsação

Tensione seus músculos

Inspire profundo

Goze


"Foi lá por 85"

Foto da  capa de Rino de "O corpo em terapia" de A. Lowen, da Ed. Summus  

Edu Cezimbra

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Jornada del Muerto






Inauguraste o apocalipse

Na pacata Hiroshima

Jornada del Muerto

Deserto belicoso



Trágica premonição  

Captada no Japão 

Eco radioativo 

Sinal letal
"Foi lá por 85"

  Edu Cezimbra

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Gilka Machado e o "Ser Mulher"



Ser mulher, vir à luz trazendo a alma talhada
para os gozos da vida, a liberdade e o amor,
tentar da glória a etérea e altívola escalada,
na eterna aspiração de um sonho superior…
Ser mulher, desejar outra alma pura e alada
para poder, com ela, o infinito transpor,
sentir a vida triste, insípida, isolada,
buscar um companheiro e encontrar um Senhor…
Ser mulher, calcular todo o infinito curto
para a larga expansão do desejado surto,
no ascenso espiritual aos perfeitos ideais…
Ser mulher, e oh! atroz, tantálica tristeza!
ficar na vida qual uma águia inerte, presa
nos pesados grilhões dos preceitos sociais!


GILKA MACHADO (1893-1980)
Vinda de família de artistas, com mãe atriz, parentes poetas e músicos, Gilka Machado foi uma grande poeta, que, nesses últimos anos, infelizmente caiu no ostracismo. Publicou em 1915, aos 22 anos, seu primeiro livro, Cristais Partidos. Durante a década de 1920, continua a escrever, lançando Estados d’Alma (1917), Mulher Nua (1922), Meu Glorioso Pecado (1928), e Amores que mentiram, que passaram (1928). Foi uma importante precursora da literatura erótica escrita por mulheres. Em 1979, recebeu o prêmio Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras.


Foto: Edu Cezimbra