A metamorfose
Ambulante do Raul
É pra ontem agora!
Porto Alegre, 10 de janeiro de 2021.
Design: Pinterest
edu cezimbra
Blog de Eduardo Sejanes Cezimbra para escrever sobre a vida, rascunhando impressões, como se manuscrito com caneta-tinteiro e mata-borrão. "Escrevo porque preciso, publico porque amo."
A metamorfose
Ambulante do Raul
É pra ontem agora!
Porto Alegre, 10 de janeiro de 2021.
Design: Pinterest
edu cezimbra
Diminutivos querem ser carinhosos.
- Meu neguinho, meu docinho...
Também podem diminuir o alvo da atenção: o moreninho, "A Moreninha".
Sem conotação racista, - porque no Brasil não existe racismo, táoquei?!!
Fulaninho, Sicraninho são os filhinhos da mãe e do papai.
Todos sem a intenção de infantilizar o marmanjo, que, aliás, nem se incomoda.
Não são apenas os nomes próprios que viram "nominhos".
Também os adjetivos e substantivos: pobrezinho, coitadinho - tadinho!-, riquinho, garotinho, pequenino, anjinho...
Caso deste testículo, digo, textinho,- pra não virar textão.
Quanto aos aumentativos, meu caro e raro leitor, fica para uma outra ocasião.
Mas fica registrada a questão, porque não é qualquer questiúncula...
Porto Alegre, 9 de janeiro de 2021.
Imagem: capa de "Riquinho", Google
edu cezimbra
Caetano cantou
Podres poderes
Trazendo à tona
Probos problemas
Aos poderosos podres
Patéticos patifes
De bancos em bancarrotas
Mendigando milhões
Extorquindo estados
Privatizando prisões.
Porto Alegre, 8 de janeiro de 2021.
Charge: Latuff, Google
edu cezimbra
Pacífico - tem gente com nome de oceano...
Ambos não fazem jus ao nome.
Bem verdade, tem compartamentos semelhantes.
Entre outros:
- São vastos, embora não saibam.
- São bravos, contudo passivos.
- São profundos, todavia inexplorados.
- São quentes, porém com correntes frias.
O Oceano Pacífico é o maior, não precisa de predicados.
Já o nosso personagem chama-se Pacífico Guerra Peixe, o que diz muito da condição humana...
Porto Alegre, 6 de janeiro de 2021.
Imagem: Fernão de Magalhães, Google
edu cezimbra
Da salsa
Ao samba
Muito saravá
Soou
Do jongo
Ao jazz
Muita ginga
Jogou
Da rumba
Ao rock
Muita pedra
Rolou
Porto Alegre, 5 de janeiro de 2021.
Imagem: Di Cavalcanti, Google
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O que a Serpente falou para Eva todos sabem.
Não sabem o que a Serpente falou para a Maçã...
- Maçã...Maçã... Maçã!!! acorda deste sono vegetativo!
A Maçã, que vivia quieta no seu canto, despertou sobressaltada.
- Hum... o quê? quem sibiliou neste Pomo-de-Adão?
- Fui eu, Maçã gostosa, saborosa, deliciosa, Fruto Proibido da Árvore do Conhecimento.
- Olha o respeito, sua víbora! Veja como fala, eu sou uma fruta do Paraíso!
Por isso mesmo que te acordei, minha linda... porque és uma fruta tentadora, irresistível...
- Deixa--me quieta, não estou a fim de publicidade, tenta a Banana...
- Ora, não seja tímida, tu és a mais bela fruta, por isso te escolhi!
- Bondade sua, Senhora Serpente, mas a Romã também é bela, afinal, é a fruta de Vênus....
- Psssiu... não fale em Deusa, Ele é muito ciumento!
- Entendi... pelo visto vou ter que aceitar este papel de de Fruto Proibido...- falou a Maçã, que já se mostrava entediada com a insistência da Serpente.
- Sssim - sibilou a Serpente - basta ficar bem à vista, que eu faço este serviço sujo, digo, serviço luxuoso...
Foi assim que a Maçã foi mordida por Eva, que por sua vez foi mordida, digo, desfrutada por Adão, inaugurando a propaganda como a alma do negócio.
Moral da parábola: o fruto proibido é mais caro.
Porto Alegre, 4 de janeiro de 2021.
Imagem:Google
edu cezimbra
Maresia leva
Além o mar
Salga terra
Salmoura
A marinar
Maré marisco
Ferro ferrugem
Sal salgueiro
Maresia é
Malícia do mar
Porto Alegre, 2 de janeiro de 2021.
Imagem: Carybé, Pinterest
edu cezimbra
As irmãs Pilar, solteironas, tem como diversão cuidar da vida alheia.
Desta forma sabem tudo o que acontece em Lagoa Branca, pequena cidade fictícia do RS.
O prefeito da cidade governa ditatorialmente o município.
Em regimes autoritários, devido à censura e à repressão, é preciso falar por parábolas.
Há pássaros negros com peito vermelho que também espionam todos os malfeitos das autoridades constituídas.
Depois de muitos desmandos os jovens da cidade se revoltam e saem com armas de fogo e porretes para caçar os pássaros negros.
São pássaros expiatórios porque as autoridades não são punidas pelos seus abusos e crimes.
Enquanto os moradores da cidade caçam os pássaros artificiais confeccionados em segredo por uma das irmãs Pilar, o prefeito é ignorado.
O que o escritor Josué Guimarães não poderia prever é que o seu romance “Os Tambores Silenciosos” seria, além de alegórico, profético.
Os pássaros expiatórios são outros, mas os autores dos crimes seguem ignorados, embora todos saibam quem são.
Porto Alegre, 1º de janeiro de 2020.
Imagem: Google
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