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| Avô, um pai amaciado na pedregosa e esburacada estrada da vida. |
Porto Alegre, 9 de fevereiro de 2021.
Imagem: arquivo pessoal
edu cezimbra
Blog de Eduardo Sejanes Cezimbra para escrever sobre a vida, rascunhando impressões, como se manuscrito com caneta-tinteiro e mata-borrão. "Escrevo porque preciso, publico porque amo."
Pelas barbas do profeta,
Brada o mulá.
Pelas barbas do poeta,
Brada a musa.
Pelos pelos dos peludos,
Brada o cabelereiro.
Pelas penas das penosas,
Brada o carniceiro.
Cada um brada
Pelo que tem.
Cada qual ganha
Assim o seu vintém.
Porto Alegre, 8 de fevereiro de 2021.
Imagem; Marc Chagall, Google
edu cezimbra
Não lembro bem, mas desconfio...
Havia uma premente necessidade de fugir de tudo e de todos.
Uma espécie de "negacionismo da querência", ou de uma não-querência.
Havia alguns exemplos próximos para despertar o desejo de partida.
Colegas que iam estudar em cidades grandes como Santa Maria, Pelotas e Porto Alegre.
Quando regrassavam ao pago sempre iam nos visitar no colégio.
Puro exibicionismo, contavam dinheiro na frente dos pobres.
Contavam histórias de cidade grande que despertavam, ou reforçavam, meu desejo de partida.
Não foi fácil. Minha mãe não gostava nada da ideia de soltar seus inocentes filhinhos na selva de pedra.
Depois de muita insistência finalmente consegui realizar o desejo de partida.
Fomos estudar em uma outra cidade, longe de tudo e de todos, assim eu pensava.
A ironia do destino foi que permaneci longe de tudo e de todos.
E foi aí que o desejo de partida transformou-se em desejos, nem tão puros nem tão simples.
Entre eles, o desejo por comida, um apetite insaciável que dava prejuízo à dona da pensão onde fazíamos as refeições.
A lição de um desejo, seja qual for, é que a sua realização não resolve nossos problemas pessoais.
Os problemas pessoais fazem parte da bagagem, por isso aconselho não levar malas grandes...
Porto Alegre, 7 de fevereiro de 2021.
Imagem: arquivo pessoal
edu cezimbra
Atônito,
Como permaneço
Acima de tudo.
Atômico,
Como sinto
Acima de todos.
Afônico
Como fico
Depois de tanto.
Porto Alegre, 6 de fevereiro de 2021.
Imagem: Andréia Michels, Pinterest
edu cezimbra
Um eremita que se autocondenou a uma prisão particular por 40 anos decide fazer a sua festa fúnebre enquanto está vivo!
O filme é baseado na história real de Felix "Bush" Breazeale, morador do Tennessee.
Neste caso a vida supera a ficção.
Muitas histórias maldosas são contadas pelos moradores da cidade, mas nehuma é verídica.
A verdade ficou guardada por 4 décadas por Bush, que, antes de morrer, decide revelar seu segredo em uma festa fúnebre.
O filme gira em torno de como atrair os moradores locais para a festa, já que Felix não era muito popular.
Trata-se de culpa, dor e remorso.
A dor do remorso é pungente, mas Felix não busca o perdão de Deus, mas de alguém.
- É a esta pessoa que ele pergunta: "Dá pra escolher quem se ama?".
A resposta fica no ar, mas o filme mostra que dá pra escolher como morrer.
Não é pouca coisa...
Por mais que peças
Não serás atendido
Por não ser a pedido.
Não é preciso pedir amor.
Ele se dá, por vencido
O vencedor.
Porto Alegre, 3 de fevereiro de 2021.
Imagem: Gerolamo, Pinterest
edu cezimbra
Ele não gostava de marasmo.
Sempre achou marasmo um orgasmo.
Ora, marasmo... Não é nenhuma marola.
Marasmo, para ele, era um tsunami, só pelo radical mar.
Se fosse surfista poderia surfar no marasmo...
Ela não gostava de pasmaceira.
Sempre foi de paz.
Ora pasmaceira... Não era nenhum pastiche.
Sempre achou pasmaceira um pacifismo.
Pasmaceira, para ela, era estar em paz embaixo da macieira.
Se fosse agricultora cultivaria a pasmaceira.
A vida tem destas coisas inopinadas.
Conheceram-se em uma biblioteca quando pesquisavam duplos sentidos no mesmo dicionário para as palavras marasmo e pasmaceira.
Tiveram dois filhos.
A menina chamaram de Martinha e o menino de Pasteur.
Viveram felizes para sempre com marasmo e com pasmaceira...
Porto Alegre, 2 de fevereiro de 2021.
Imagem: Picasso, Google
edu cezimbra
provocativa,
vestiu-se com lingerie
de nuvens rendadas
para acender
a chama da paixão
entre os amantes.
Lua Cheia,
eterna musa
inspiradora
dos poetas
e dos amantes,
sempre sensual,
sedutora!
Porto Alegre, 1º de fevereiro de 2021.
Imagem: Pinterest
edu cezimbra