Grandes nuvens são caravelas a singrar velozes o céu sopradas pelo vento leste.
Porto Alegre, 10 de junho de 2021.
Imagem: Rob Gonsalves, Pinterest
Edu Cezimbra
Blog de Eduardo Sejanes Cezimbra para escrever sobre a vida, rascunhando impressões, como se manuscrito com caneta-tinteiro e mata-borrão. "Escrevo porque preciso, publico porque amo."
Grandes nuvens são caravelas a singrar velozes o céu sopradas pelo vento leste.
Porto Alegre, 10 de junho de 2021.
Imagem: Rob Gonsalves, Pinterest
Edu Cezimbra
Olho pro céu
Recebo mensagens
Fico nas nuvens
Até cair
a
chu
va
...
Porto Alegre, 9 de junho de 2021.
Imagem: René Magritte, Pinterest
Edu Cezimbra
Na boa, tô de boas!
Antigamente é que era bom...
Atualmente é bem melhor.
Bons tempos, bons tempos!
Porto Alegre, 8 de junho de 2021.
Imagem:Cândido, Google
Edu Cezimbra
- Quem mandou não estudar...
A afirmação é condenatória.
De fato, falta de escolaridade não ajuda ninguém.
Entretanto a sentança pode ser uma questão.
- Quem mandou não estudar?
Algum engraçadinho dirá que foi a Nice.
- Nice?
A necessidade, dirá o engraçadinho...
O que, na maioria dos casos, é uma cruel realidade.
Muita criança abandona os estudos por ter que ajudar no sustento de sua família.
As ruas estão cheias de menores vendendo balas nas sinaleiras para comprovar essa cruel realidade.
Outro, crítico da escola, dirá que a escola não ajuda, ainda mais quando tiram a merenda.
Também é uma resposta.
Nos últimos anos apareceu outra resposta por força da conjuntura.
Quando se abrem vagas nas universidades para os negros, índios e maiorias excluídas a minoria privilegiada, os donos do poder não aceitam.
Portanto a resposta é: quem mandou não estudar...
Porto Alegre, 7 de junho de 2021.
Imagem: Negro Belchior, Google
Edu Cezimbra
Criança quando brinca
Ninguém pode segurar.
Só na hora da sobremesa,
Todos correndo para a mesa!
Poesia de Íris Cezimbra Armbrust
Porto Alegre, 6 de junho de 2021.
Imagem: Pinterest
Edu Cezimbra
Não é de hoje que o mundo é assim.
O que não serve de consolo, pelo contrário...
Depois de tudo sobrou pouco para contar.
O que restou foi o que sobrou para os sobreviventes.
Quem sobreviveu já tinha uma longa experiência de viver de restos.
Os que tudo possuíam pereceram sob o peso do desespero.
Muitos morreram deprimidos, outros se mataram.
Para quem tinha tudo foi insuportável a perda total.
Não existe mais mercado.
As mercadorias viraram sucatas.
O lixo acumula mas não gera acumulação, aos poucos vai sumindo...
O dinheiro nada vale e por isso saiu de circulação.
Por isso sobreviveu quem já vivia no lixão: ratos, urubus, baratas e os miseráveis.
Confirma-se, assim, a tese de que mais forte que a inteligência é o instinto de sobrevivência.
Porto Alegre, 5 de junho de 2021.
Imagem:Estamira, Google
Edu Cezimbra
Tinha os olhos baixos
por caminhar chão de seixos.
Tinha os olhos semicerrados
por caminhar ruas de asfaltos.
Tinha os olhos abertos
por caminhar na areia dos desertos.
Mantinha o olho vivo
Para caminhar altivo...
Porto Alegre, 4 de junho de 2021.
Imagem: Salvador Dali, Google
Edu Cezimbra
Fotografar a realidade pode desagradar quem a nega.
Um fotógrafo com uma máquina fotográfica na mão e um olhar despretensioso pode desagradar muitos.
Basta fotografar pessoas negras magras, lindas e publicar as imagens.
Não precisa comparar as pessoas negras com as pessoas brancas.
O que desagrada aos que negam a realidade é a prova que as pessoas negras estão vivas e fortes apesar dos supremacistas brancos.
Não foi a intenção do fotógrafo, mas quem está em eterna vigilância percebe.
Perceber que não é melhor que as pessoas negras ofende muitas pessoas brancas.
Robert Frank, um fotógrafo europeu que imigrou para os EUA foi o autor deste incômodo, sem querer.
A melhor contribuição de um estrangeiro, seja fotógrafo ou não, é revelar um país aos seus próprios cidadãos.
Para tanto é preciso percorrer as estradas, cidades, guetos e becos que não não são vistos pela maioria dos seus habitantes.
Porto Alegre, 3 de junho de 2021.
Imagem: Robert Frank, Google
Edu Cezimbra
Sol flerta com nuvem
Ela se ruboriza toda
Quando ele passa
Porto Alegre, 2 de junho de 2021.
Imagem: Akatsuki, Pinterest
Edu Cezimbra
V de vingança.
I de indignação.
N de nojo.
G de genocídio.
A de amargura.
N de neurose.
Ç de ação.
A de aberração.
O acróstico nos ajuda a pensar um pouco sobre a vingança.
A indignação causada por ato vil e covarde.
O nojo ao autor de uma maldade ignóbil.
O genocídio que muitas vezes é motivo de vingança.
A amargura que gera o fel que alimenta o desejo de vingança.
A neurose que é o motor dessa roda a girar continuada e impiedosamente.
A ação que faz das vítimas agentes secretos da vingança.
A aberração patética que se torna o vingador.
O dito popular "a vingança é um prato que se come frio" diz muito da vingança enquanto ressentimento mais que sentimento.
Alguém pode dizer que há pratos que se comem frios porque quentes queimam a língua de quem os prova.
Moral do acróstico: VV de Vingança porque ela vai e volta.
*Livremente inspirado no filme Munique, de Steven Spielberg
Porto Alegre, 1º de junho de 2021.
Imagem: Amazon, Google
Edu Cezimbra