Mais realista que o rei é o bobo da corte que dá a real sem perder a cabeça.
Porto Alegre, 12 de abril de 2025.
Imagem: Andrey Shishkin, Pinterest
Edu Cezimbra
Blog de Eduardo Sejanes Cezimbra para escrever sobre a vida, rascunhando impressões, como se manuscrito com caneta-tinteiro e mata-borrão. "Escrevo porque preciso, publico porque amo."
Mais realista que o rei é o bobo da corte que dá a real sem perder a cabeça.
Porto Alegre, 12 de abril de 2025.
Imagem: Andrey Shishkin, Pinterest
Edu Cezimbra
Sol de Outono
Discreto e misterioso
Ainda mais beleza
Porto Alegre, 11 de abril de 2025.
Imagem: Monet, Google
Edu Cezimbra
Porto Alegre, 9 de abril de 2025.
Imagem: Anita Mafaltti, Google
Edu Cezimbra
O vento e a água tem como aliado o tempo que passa
disfarçado de calendário gregoriano.
Porto Alegre, 8 de abri de 2025.
Imagem: Van Gogh, Facebook
Edu Cezimbra
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Boêmio não é sonâmbulo mas volta pra casa como se fosse.
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Madrugada dominical é vestibular para a faculdade do sono matinal.
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O Sol espia do alto de sua cobertura nas nuvens e lá em cima permanece, de olho nas mudanças na Terra.
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Com céu nublado galo canta triste porque Aurora não atende.
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Com Sol de Outono
Galo canta toda manhã
Pedindo sol a pino
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Tudo passa... menos a castanha.
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Depois da enchente falta água.
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O Ministério da Saúde alerta: água fervendo queima a erva e estraga o mate.
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O Sol de Outono não ofusca, mas opala a Lua.
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Aurora deslumbrante em trajes púrpuras faz o galo cantar entusiasmado.
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Outono
Ora pro nóbis
Brisa perfumada
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Mais vale o Outono, uma meia estação, do que nenhuma estação.
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Outono chega como manda o figurino com tudo que tem direito!
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Eu vi aracuã na goiabeira comendo fruta e depois vi o filhote, porque aracuã desfruta sua família.
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Pôr do Sol vendedor de algodão doce rosa no céu: - de dar água na boca.
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Goiaba é fruta roubada da passarada que se come ajoelhado debaixo da goiabeira.
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O despertar se dá sem despertador depois de um sono bom cheio de bons sonhos!
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O Sol já vai alto embriagado pelos buquês frutados do Outono.
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Abro a janela e o Outono se apresenta em tela plena com sua meia luz.
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Folhas douradas
Pelo Sol Nascente
Prenúncio de Outono
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A ventania agita o dia fazendo a manhã fria.
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Um sombrite gigante refresca a manhã.
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Um céu de prata combina com a Lua, ovo de Páscoa.
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Depois da chuva a madrugada é ainda mais fresca... - bom pra virar de lado e seguir dormindo!
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Depois da onda de calor a chuva é refrigerante zero que cai do céu.
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Cansado de ser ribalta o Sol tirou uma folga - logo no Domingo -, dia de casa cheia.
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O Sol ensaia uma luz outonal na sala parecendo abajur.
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Se não consegues ver a realidade melhore tua visão de mundo - com um oculista? -, não, em uma livraria.
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Quando abro a janela do quarto parece Cinemascope exibindo filme Technicolor "Ainda Estou Aqui" estrelado pelo Sol.
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Viajo porque amo, volto pela saudade.
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Olho vermelho, o Sol Nascente é feroz samurai a defender o seu império.
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Viajo porque amo, volto porque preciso.
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O Ministério da Saúde alerta: "obediência devida" está subordinada à obediência à vida.
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Facebook, março de 2025.
Imagem:Google
Edu Cezimbra
Porto Alegre, 28 de março de 2025.
Imagem: Picasso, Pinterest
Edu Cezimbra
Sou um homem doente... Um homem mau. Um homem desagradável. Creio
que sofro do fígado. Aliás, não entendo níquel da minha doença e não sei, ao
certo, do que estou sofrendo. Não me trato e nunca me tratei, embora respeite a
medicina e os médicos. Ademais, sou supersticioso ao extremo; bem, ao menos
o bastante para respeitar a medicina. (Sou suficientemente instruído para não ter nenhuma superstição, mas sou supersticioso.)
Dostoiéviski desce aos porões da alma humana e retorna despido de hipocrisia, tão útil na vida em sociedade.
Toma o cuidado de escrever uma nota de esclarecimento inicial frisando que a obra não é baseada em ninguém (muito menos nele), portanto baseado em todos...
Os títulos das muitas traduções para o português já demonstram isso: "Diário do Subsolo", "Memórias do Subsolo", "Notas do Subsolo", "Cadernos do Subterrâneo", "Notas do Subterrâneo", "A Voz do Subterrâneo".
A prodigalidade de títulos já demonstra a atração desse livro de Dostoiéviski, que, diga-se, passou despercebido na época em que foi publicado no formato folhetim.
Mas chega de notas e cadernos e vamos aos fatos.
Para mim, esse primeiro parágrafo de "Memórias do Subsolo" é um dos mais impressionante que já li: "Sou um homem doente... Um homem mau. Um homem desagradável."
Uma espécie de "Confissão do Inconfessável", podemos intitular...
Alguém que se apresente dessa forma é alguém que nada tem a perder.
É o "Lobo da Estepe", de Hermann Hesse, solto na cidade, sem ética, sádico e psicopata.Supõe que sofre do fígado mas nunca se tratou.
Como todo supersticioso é um negacionista enrustido: embora acredite nos médicos não os consulta.
O que faz essa personagem tão atraente para os leitores do Fiódor, creio, é a sua assumida personalidade perversa que nos proporciona o "espetáculo da crueldade", no dizer de Nietzsche.
Erupciona o recalque do que foi enterrado no subsolo do subconsciente.
Como disse um pensador: dê poder (por menor que seja) a um homem e conhecerá quem ele é...
Porto Alegre, 26 de março de 2025.
Imagem: capas do livro, Medium
Edu Cezimbra
Dê uma chance ao John
Imagine Lennon
Vivendo em Paz
Em Stockholm
Ou no Leblon
Meu rapaz
Seria muito bom
Seria bom demais!
Porto Alegre, 25 de março de 2025.
Imagem: Andy Warhol, MutualArt
Edu Cezimbra
Taiga asiática, uma das regiões mais inóspitas, selvagens e inexploradas do planeta.
Neste ambiente onde a Natureza impera ocorre um encontro inesperado entre duas pessoas totalmente diferentes nos hábitos e costumes que apesar disso se tornam amigos.
Um filme russo dirigido pelo japonês Akira Kurosawa por si só já e um tratado de amizade...
De fato, o maior valor de Dersu Uzala é a amizade, comprovando o dito popular que amigos não se fazem mas se encontram.
Para Dersu Uzala todos e tudo são pessoas, demonstrando que o perspectivismo xamânico não é tão somente ameríndio.
Essa consideração para com todos os seres vivos é um grande ensinamento perene desses povos para nós, os autodenominados civilizados...
Assim, quando Derzu deixa fósforos, arroz e sal numa cabana perdida na taiga aprendemos que o próximo a chegar nela não morrerá de fome e de frio.
Também não se queima carne na fogueira, deixa-se para que outras pessoas se alimentem, sejam texugos, ratos ou lobos.
Aprendemos que na taiga quem sobrevive não é o mais forte, mas quem a teme, pois segundo Dersu a pessoa não é nada diante da poderosa Natureza.
Eis mais um filme antigo (1975) de uma atualidade gritante...
Porto Alegre, 23 de março de 2025.
Imagem: cartaz do filme, Google
Edu Cezimbra