sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Poema borrado


A poeta Adélia Prado chorou
ao ler um poema
do Carlos Drummond de Andrade.

Chorou em uníssono
cada palavra lágrima
na folha do livro.

Cada palavra dissolvida
na gota salgada de saudade
rolava na página borrada.

E deixava no poema
e no poeta 
manchas marcadas de amor 
à poesia.


Porto Alegre, 26 de agosto de 2016.

Edu Cezimbra