Poeta de vagas horas, cronista nas horas vagas, frases feitas todo dia, vou enchendo meus cadernos.
Porto Alegre, 6 de fevereiro de 2025.
Imagem: Google
Edu Cezimbra
Blog de Eduardo Sejanes Cezimbra para escrever sobre a vida, rascunhando impressões, como se manuscrito com caneta-tinteiro e mata-borrão. "Escrevo porque preciso, publico porque amo."
Poeta de vagas horas, cronista nas horas vagas, frases feitas todo dia, vou enchendo meus cadernos.
Porto Alegre, 6 de fevereiro de 2025.
Imagem: Google
Edu Cezimbra
"Bom garfo", eis uma expressão que não se aplicava ao guri baixinho e franzino.
"Formigão" sim. Atacava com regularidade o baleiro e as caixas de bombom e chocolate do bolicho do pai.
Lógico que não tinha fome.
Era um "mau garfo"...
Chegava ao ponto de jogar a comida do seu prato na "lavagem" dos porcos.
Gostava de beterraba cozida da salada porque era doce.
Leite só condensado.
Refeição pra ele era o chocolate.
Não era um "bom garfo" até que o pai vendeu o bolicho e o adolescente foi estudar em outra cidade.
Não sabe se a privação dos doces ou a explosão hormonal, o fato foi que de um dia pro outro começou a ter uma "fome canina".
Não havia feijão e arroz que chegasse.
A dona da pensão onde comia tinha que servir tigelas e mais tigelas de feijão e arroz para saciar a fome do seu, agora, esfomeado mensalista.
O guri magrinho engordou, prestou o serviço militar obrigatório e pegou corpo.
Só não perdeu o gosto para o chocolate que come com relativa moderação...
Porto Alegre, 9 de março de 2022.
Imagem:Pinterest
.Edu Cezimbra
A gurizada da zona aprendeu com os mais velhos que a pavimentação da rua onde brincavam era "o calçamento".
Foi o acontecimento do ano para a piazada.
As obras para o calçamento da rua onde moravam eram feitas com muitas mãos.
Não faltava mão de obra para ir calçando as pedras de arenito, lado a lado, sob a "supervisão" das crianças.
Os montes de areia e de paralelepípedos eram perfeitos para os brinquedos de rua.
Esperavam "bem-comportados", sentados nos degraus do bolicho o final de mais um dia de serviço para tomarem conta do material à disposição.
No outro dia, vinha a bronca do chefe do pessoal reclamando da areia e das pedras espalhadas durante a brincadeiras.
De fato, para guris de cidade do interior, aquela areia toda era a nossa praia.
Os paralelepípedos, felizmente, eram grandes e pesados para as mãos pequenas, mas, mesmo assim, os castelos de pedra se erguiam ao pôr do sol.
Depois de finalizadas as obras de calçamento da rua viam-se donas de casa felizes com a ausência da "polvadeira" e do "barral" em dias de chuva.
Os bolicheiros, açougueiros e outros comerciantes também se regozijavam pois seus negócios, agora com a rua calçada, eram mais prestigiados.
Uma lástima que estes calçamentos foram depois cobertos por asfalto, escondendo tantas histórias e impermeabilizando as ruas para as águas da chuva e das memórias da infância...
O calçamento, agora, só me aparece em sonho, como o de ontem, em que ajudava com minha companheira atual a calçar a calçada da rua da minha infância!
Porto Alegre, 4 de março de 2022.
Imagem: Pinterest
Edu Cezimbra
Esta semana li a introdução do livro de Joseph Stiglitz, vencedor do Prêmio Nobel de Economia, "Povo, Poder e Lucro" onde defende um "capitalismo progressista" para superar "uma era de descontentamento".
Comentei com minha companheira que a proposta de Stiglitz para os EUA é a que os governos de esquerda aplicam na América Latina, pela excessão de não proporem o controle político da economia globalizada.
Ainda ontem, assisti um filme em preto e branco, antigo mesmo, sem pretensões a filme de arte, mas com a de contar uma boa história de Natal.
No desenrolar de "A Felicidade Não Se Compra" fui me dando conta que o filme contava a história de um "capitalista progressista" preocupado em apoiar a melhoria das condições de vida de todos os seus concidadãos.
O filme hollywoodiano, da década de 40, conta a história de um banqueiro que empresta dinheiro aos pais de família para que estes pudessem garantir um futuro melhor a seus filhos.
Ao que o banqueiro ambicioso e cruel retrucava "não são meus filhos", dando a entender que pouco se lixava com o infortúnio das pobres crianças e de seus infelizes pais.
O drama do filme é sobre o personagem preocupado com o bem-estar e a felicidade dos seus semelhantes que se vê em dificuldades financeiras e pensa em suicídio até que um anjo sem asas vem em seu auxílio.
A grande ajuda do velho anjo é mostrar como seria vida das pessoas que o banqueiro apoiu, sem ele.
Dou-me ao trabalho de transcrever um trecho da introdução do livro de Stiglitz para que o meu caro e raro leitor perceba a semelhança com o filme:
"As consequências dessa economia e dessa política deformadas vão além da economia; elas afetam não somente a nossa política, mas a natureza de nossa sociedade e identidade. Uma economia e uma política desequilibradas, egoístas e sem visão levam a indivíduos desequilibrados, egoístas e sem visão. reforçando a fraqueza do sistema econômico e político."
Porto Alegre, 15 de desembro de 2021.
Imagem: cartaz do filme, Google
Edu Cezimbra
"O melhor dos bens é o que não se possui", escreveu Machado de Assis; digo eu - o melhor dos bens é o Bem Comum -, ao que o afiado autor rebateria com o "contentamento traz derramamento".
Como é cortante este Machado, bem ao gosto de Dostoiéviski!
Porto Alegre, 3 de dezembro de 2021.
Imagem: K. Gayvoronskaya, Pinterest
Edu Cezimbra
Fracasso e Sucesso são irmãos siameses.
A operação foi um fracasso, o que redundou nesse sucesso.
Obrigados a sempre estar juntos um conhece o outro mais que a si mesmo.
Interessante que isso acontece sem alienação ou sentimentos mesquinhos tais como o ciúme e a inveja.
O que merece ser destacado é o mútuo reconhecimento, resultando daí grandes aprendizagens.
Fracasso ensina a ser bom perdedor e reconhecer o sucesso alheio.
Sucesso ensina a não estar ao lado de maus vencedores que tornam a vida alheia um fracasso total.
E por aí gira a roda da fortuna...
Enfim, Fracasso e Sucesso são faces de uma mesma moeda chamada Real.
Só uma coisa Fracasso não aceita: um time de futebol se chamar Bonsucesso, aí já é demais...
Porto Alegre, 16 de outubro de 2021.
Imagem: Google
Edu Cezimbra
Porto Alegre, 15 de outubro de 2021.
Imagem: cena do filme, Google
Edu Cezimbra