Blog de Eduardo Sejanes Cezimbra para escrever sobre a vida, rascunhando impressões, como se manuscrito com caneta-tinteiro e mata-borrão. "Escrevo porque preciso, publico porque amo."
quinta-feira, 19 de novembro de 2015
Redescobrir o Brasil pela alfabetização e descolonização culturais
Eduardo Sejanes Cezimbra
Valorizar a identidade brasileira através de sua diversidade cultural é uma forma de redescobrir o Brasil, como nos lembra 'Notícias do Brasil, cantada por Milton Nascimento: “Uma notícia está chegando lá do interior / Não deu no rádio, no jornal ou na televisão / Ficar de frente para o mar, de costas pro Brasil /Não vai fazer desse lugar um bom país“.
Alfabetização cultural significa a cura do “complexo de vira-latas”, expressão utilizada atualmente para ilustrar a colonização das mentes e corpos dos brasileiros como podemos ver no jovem de corpo encurvado, voz abafada, olhar desviado, mas tênis e boné de marca norte-americana (fabricado na China) para levantar a sua vacilante auto-estima Será que levanta mesmo?
Pastores vestidos como executivos de empresas transnacionais gritam palavras de ordem da Bíblia neo-pentecostal do fundamentalismo religioso norte-americano para a clientela também vestida “socialmente” para o culto da prosperidade.
Um dos maiores sintomas desta colonização (senão o pior) são as viagens de brasileiros a Miami para compras de produtos fabricados na China! Deixam bilhões de dólares no exterior em compras de quinquilharias ao invés de investir em seu país, reclamando dos impostos.
Como ser autêntico, verdadeiro se toda a publicidade e a mídia te forçam a ser caricaturalmente estrangeiro em seu próprio país? De onde vem este complexo de vira-latas? Onde está escrito que os brasileiros não tem identidade própria?
Cabe lembrar aqui a tentativa de embranquecimento do Brasil para D. Pedro II reinar em um império europeizado, pois não queria ser imperador de negros, indígenas e mestiços, que felizmente ainda fazem parte da formação nosso país. A presença negra na Argentina é mínima perto do Brasil porque lá os negros foram exterminados mesmo, embora deixassem o tango como legado inolvidável de sua música nacional.
Para uma descolonização e alfabetização culturais eficazes é preciso sair da resistẽncia para a re-existência cultural, precisa desesconder o Brasil e seus vizinhos latino-americanos para uma coexistência pacífica baseada em raízes comuns.
Valorizar a identidade brasileira através de sua diversidade cultural é uma forma de redescobrir o Brasil, como nos lembra 'Notícias do Brasil, cantada por Milton Nascimento: “Uma notícia está chegando lá do interior / Não deu no rádio, no jornal ou na televisão / Ficar de frente para o mar, de costas pro Brasil /Não vai fazer desse lugar um bom país“.
Alfabetização cultural significa a cura do “complexo de vira-latas”, expressão utilizada atualmente para ilustrar a colonização das mentes e corpos dos brasileiros como podemos ver no jovem de corpo encurvado, voz abafada, olhar desviado, mas tênis e boné de marca norte-americana (fabricado na China) para levantar a sua vacilante auto-estima Será que levanta mesmo?
Pastores vestidos como executivos de empresas transnacionais gritam palavras de ordem da Bíblia neo-pentecostal do fundamentalismo religioso norte-americano para a clientela também vestida “socialmente” para o culto da prosperidade.
Um dos maiores sintomas desta colonização (senão o pior) são as viagens de brasileiros a Miami para compras de produtos fabricados na China! Deixam bilhões de dólares no exterior em compras de quinquilharias ao invés de investir em seu país, reclamando dos impostos.
Como ser autêntico, verdadeiro se toda a publicidade e a mídia te forçam a ser caricaturalmente estrangeiro em seu próprio país? De onde vem este complexo de vira-latas? Onde está escrito que os brasileiros não tem identidade própria?
Cabe lembrar aqui a tentativa de embranquecimento do Brasil para D. Pedro II reinar em um império europeizado, pois não queria ser imperador de negros, indígenas e mestiços, que felizmente ainda fazem parte da formação nosso país. A presença negra na Argentina é mínima perto do Brasil porque lá os negros foram exterminados mesmo, embora deixassem o tango como legado inolvidável de sua música nacional.
Para uma descolonização e alfabetização culturais eficazes é preciso sair da resistẽncia para a re-existência cultural, precisa desesconder o Brasil e seus vizinhos latino-americanos para uma coexistência pacífica baseada em raízes comuns.
Como tão bem ensinou o escritor uruguaio Eduardo Galeano, recentemente falecido, descolonização cultural e alfabetização cultural, são gêmeas siamesas, andam de mãos dadas pelas trilhas das culturas populares brasileiras e latino-americanas.
Uma rede de solidariedade enraizada em pequenas cidades, nas periferias das metrópolis, nas casas humildes, capelas, terreiros, associações, aglutinam milhares de pessoas em atividades coletivas, irmanados no intuito de fazer acontecer uma festa.Esta festa dos 'de baixo' que na visão de Milton Santos, eminente geógrafo brasileiro farão a necessária transformação social brasileira, pode ser a Festa do Redescobrimento do Brasil.
Uma rede de solidariedade enraizada em pequenas cidades, nas periferias das metrópolis, nas casas humildes, capelas, terreiros, associações, aglutinam milhares de pessoas em atividades coletivas, irmanados no intuito de fazer acontecer uma festa.Esta festa dos 'de baixo' que na visão de Milton Santos, eminente geógrafo brasileiro farão a necessária transformação social brasileira, pode ser a Festa do Redescobrimento do Brasil.
Publicado originalmente em Ecologia dos Saberes
Porto Alegre, 10 de novembro de 2015.
Imagem: Carybé, Google
Edu Cezimbra
quarta-feira, 18 de novembro de 2015
terça-feira, 17 de novembro de 2015
sábado, 7 de novembro de 2015
Amores Brutos e os novos homens de Gaia
Há uma outra luz, muito nova e quase invisível, ainda, mas real entre os machos da espécie.Transcendendo à matrix que é a cultura que os educa a serem durões e sempre vencedores, esses novos homens de Gaia apontam para o recentíssimo masculino saudável do planeta.
Criaturas poderosas mas amorosas, yang mas sensíveis, solares mas não reizinhos...
É deles que fala Eduardo Sejanes Cezimbra, facilitador da RETRANS, dentista homeopata, terapeuta floral e, aliás, um belo exemplar da nova espécie.
Em "Amores Brutos" (Amores Perros), Iñarritu termina seu filme com esta dedicatória: "Para Luciano. Porque também somos o que perdemos." Outro título mais antigo, "Os brutos também amam", dois filmes por demais apropriados para iniciarmos esta conversa virtual.
Aliás, nada melhor que um círculo virtuoso para se sair de um círculo vicioso...
Os "Amores Brutos" dos machos da espécie já são por demais conhecidos: posse, ciúmes, abandono, traições, dominação, controle, poder, crimes passionais, violência contra mulheres e crianças.
A rinha de cachorros em que um dos personagens de "Amores Brutos" coloca seu animal na b
usca
do enriquecimento rápido é uma metáfora do ter que vencer a qualquer
custo, para ganhar a menina através de objetos de desejo consumista...
As meninas que adoram meninos maus (bad boys) são reforçadoras deste
círculo vicioso... O tênis de marca, o boné, o vídeogame com muitas
armas e mortes sangrentas vai dessensibilizando e tornando banal tanto o
consumismo de produtos de grife, quanto a violência, "fáceis" de se
obter e descartar...Também as três estórias que acontecem separadamente em "Amores Brutos", até que se entrecruzem, nos alertam para estas interações ocultas que se precipitam em trágicos acidentes de trânsito, denunciando vidas desperdiçadas.
Ironicamente, apesar de adentrarmos o novo milênio clamando por Paz,
os meninos ainda são treinados para serem durões, cabelos cortados
rentes, militares, para se diferenciarem das meninas, ganhando a
qualquer preço e sendo incentivados a conquistarem todas elas ao mesmo
tempo.Como se meninos fossem apenas isto!
As imagens e objetos que mobilizam este comportamento competitivo e beligerante são sempre fálicas, percebem?
Armas de fogo, revólveres, carabinas, metralhadoras, espadas, carros potentes, e um futebol furioso, atrás de meter uma bola no gol para derrotar seu adversário.Mas você pode estar se perguntando: sim, e daí?
Daí, que, muitas das vezes, a grande dificuldade dos meninos é obterem esta permissão familiar e social para demonstrarem sentimentos como amor, compaixão, solidariedade.
- Este menino é estranho!
Daí, muito se reclama dos índices de violência. Lembrando, as taxas de mortalidade entre homens jovens por acidentes de carro e armas de fogo são altíssimas, (40% das mortes são de jovens homens entre 20 e 29 anos), bem como as taxas de gravidez indesejada entre meninas adolescentes.
Afinal, o que estamos estimulando mesmo em nossas crianças e nossos jovens?!
Há muitas explicações racionais para estes acontecimentos, mas prefiro buscar no inconsciente coletivo estas projeções arquetípicas. São mais poéticas mesmo!
Os mitos que os regem ainda são os de Zeus, Teseu, Marte, Hércules, todos misóginos, machistas chauvinistas, prepotentes, fascistas e traidores. Heróis impiedosos, com morte violenta, morrendo em nome da honra, sempre em nome de uma bandeira de guerra. E, para que se constelem, ou seja, para que se manifestem em surtos psicóticos, ignorem seus alertas, mormente seus aspectos positivos.
Mas haveria algum deus ou semi-deus que pudesse se elevar acima deste manjado thriller hollywodiano ou mesmo de "Amores Brutos"?
Pois acreditem, existe!

Os
mistérios de Orfeu (ver também Oxumarê, Osíris) com sua lira em forma
de coração, integrando seu lado feminino, capaz de encantar os animais,
vejam só, o artista, antena da raça, tão maltratado nestes últimos
séculos de racionalismo, os aedos, trovadores e cantadores... Estes
cantores das tradições orais, oráculos do Amor, da União entre os
opostos complementares - sem lutas, por favor, já basta!Em síntese, ressensibilizar o homem é permitir-lhe o viço do Amor Universal, um coração aberto e receptivo ao "chi" cósmico, a energia da Vida.
Aprender o aikidô, sabendo que derrotar um inimigo é encarar a sua própria derrota, pois a luta rompe a sutil Unidade da Totalidade que é o Amor.
O Novo Homem de Gaia será o seu Orfeu, Oxumarê, Osíris, homem sensível, amoroso, compassivo, aquele que se viu na beleza da sua amada e para ela doou sua própria vida, capaz de descer aos infernos para a resgatar, sem se prender ao passado, seu erro fatal, o apego material que o faz olhar para trás em busca de sua amada Eurídice, pois:
T(E) = ARTE, TEMPO é ARTE!
Como já cantou nosso querido poetinha:
Soneto do amor total
Amo-te tanto meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.
Amo-te enfim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.
Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.
E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.
Vinícius de Morais
Amo-te tanto meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.
Amo-te enfim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.
Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.
E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.
Vinícius de Morais
Dedicado a meu Doce Amor, que soube lapidar este Amor Bruto.
Eduardo Sejanes Cezimbra57 anos, dentista homeopata, terapeuta floral, hipnólogo e facilitador da RETRANS - Rede Transcultural Holista/Main#Profile.aspx?uid=8949955234760262404
ecezimbra@gmail.com
PORTO ALEGRE/RS
Amores Perros/Trailer: http://br.youtube.com/watch?v=XToRtfQbeHgIlustrações: Edição de arte a partir de fotos de ADOBE IMAGES
Manchete
Capa da Revista Manchete, 11/03/1989. A revista já não circula mais, há muito tempo, mas os problemas seguem os mesmos, agora sem manchetes.
Tuitada: "LIBERDADE DE IMPRENSA"
"Liberdade de imprensa" para a grande mídia é como voz de prisão: "Você tem o direito de ficar calado".
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