sexta-feira, 14 de junho de 2019

Greve Geral


"O que eu explico pro meu patrão?!"


Patrão
Vou explicar 
Minha situação

Patrão 
Vou expurgar
Minha situação

Patrão
Vou expiar 
Minha situação

Patrão
Vou excomungar 
Minha situação


Porto Alegre, 14 de junho de 2019.

Imagem: Pinterest

Edu Cezimbra

quinta-feira, 13 de junho de 2019

Revoltas, revoluções e reviravoltas


A História mostra que a revolta é uma revolução com volta, por assim dizer.

Depois de muita balbúrdia e vandalismos os revoltosos voltam para casa menos revoltados.

Já a revolução é uma revolta sem volta, seguindo a mesma lógica.

Depois de muita balbúrdia e vandalismos os revoltosos vão para o palácio, também menos revoltosos.

Há outro fato histórico, pouco estudado: as reviravoltas. Se usarmos as mesmas categorias políticas podemos dizer que a reviravolta é uma revolução sem revolta.

A reviravolta acontece quando menos se espera, por isso não é estudada pelos cientistas políticos.

Vai daí que a reviravolta é uma revolução sem revolta, - não há revolta aparente, mas uma revolução silenciosa. 

Diferentemente das revoltas e das revoluções que exigem multidões, as reviravoltas são causadas por um indivíduo que ousa sair do convencional.

Uma mulher negra que recusa ceder seu assento no ônibus para um homem branco nos EUA causou uma reviravolta nos direitos civis norte-americanos.

Alguém de dentro de uma instituição que, enojado com tantas conspirações abjetas, resolve entregar conversas clandestinas para um jornalista íntegro disposto a escancarar a verdade para os cidadãos.

Quando revoltas não resolvem e revoluções não acontecem, há muitos exemplos de atitudes individuais ou de um pequeno grupo de pessoas que geram reviravoltas históricas, felizmente.

Já diz o dito popular: "as voltas que o mundo dá"...


Porto Alegre, 13 de junho de 2019.

Imagem: Pinterest

Edu Cezimbra

O Verbo e a Verba


No princípio era o Verbo
E o Verbo se fez vergonha

No princípio era o Verbo
E o Verbo se fez verborragia

No princípio era o Verbo
E o Verbo se fez verba

Porto Alegre, 13 de junho de 2019.

Imagem: Google

Edu Cezimbra

quarta-feira, 12 de junho de 2019

Círculo social



A convivialidade permitiu à humanidade sobreviver por milênios, aliás, é condição “sine qua non”  para a nossa humanidade.

O círculo é a forma ancestral de acolhimento. Permite que todos se olhem e se sintam participantes da comunidade.

Talvez, venha daí a expressão "circulação das ideias".

O círculo vicioso (mas sempre círculo) é onde as ideias não se renovam, o que nos leva a andar em círculos, quando o que precisamos é sentar no círculo.

Eis aí a função do círculo: fazer com que as pessoas não se sintam perdidas, andando em círculos.

Em um mundo tão enquadrado nada melhor que sair do seu quadrado e entrar no círculo de todos.


Porto Alegre, 12 de junho de 2019.

Imagem: bosquímanos, Sebastião Salgado

Edu Cezimbra

terça-feira, 11 de junho de 2019

Fusca Primaveril





















Porto Alegre, 11 de junho de 2019.

Imagem: Pinterest

Design: Canva

Edu Cezimbra

Guernica em Paris



Um oficial alemão do exército de ocupação nazista da França visita o ateliê do então já célebre pintor Picasso, em Paris, e pergunta sobre o painel Guernica: "você que fez isso?" - "não, foram vocês" -, fulminou Picasso.

Porto Alegre, 11 de junho de 2019.

Imagem: arquivo pessoal

Edu Cezimbra


segunda-feira, 10 de junho de 2019

Tragicomédia brasileira

O cavaleiro diabólico que apareceu a Lino Pedra Verde (legenda do livro "A Pedra do Reino") 






Quando os tempos são muito difíceis, a esperança de salvação é depositada em um herói ou em um deus.

Heróis tem efeitos colaterais graves, entre eles, o fascismo, - que o digam os romanos...

O herói ou semi-deus é um mito arcaico. Se este mito é clássico, tudo bem.

Agora, se este "mito" é transferido para um político, aí sai de baixo, que o fascismo vem de roldão...

Quem conhece mitologia grega sabe bem que heróis tem vida curta e trágica.

Se a tragédia se restringisse ao "mito", vá lá... acontece que a tragédia é grega.

O povo, que sofre com heroísmos, sabe:

- Não olha agora, mas lá vem aquele louco metido a "mito". Tomara que não nos veja, senão vem pedir nossos votos prometendo a salvação...

Este povo sabido - por ressabiado -, não vai atrás dos sacerdotes dos templos, sempre dispostos a apoiar "mitos" que lhes rendam fiéis e, especialmente,  dízimos.

O povo que acredita nos sacerdotes tem  esperança de salvação através de um mito heroico ou divino, mas a julgar pelas consequências trágicas desta crença  parece mais um desejo inconsciente de danação eterna.

Se a história se repete como farsa, segundo Marx, no Brasil, ela acontece como tragicomédia...


Porto Alegre, 10 de junho de 2019.

Imagem: desenho de Ariano Suassuna

Edu Cezimbra

domingo, 9 de junho de 2019

Debaixo do Equador

Eu a vi

Não foi nos
EUA


Eu a vi
Não foi na
Europa

Eu a vi
Debaixo do
Equador


Porto Alegre, 9 de junho de 2019.

Imagem: Pinterest

Edu Cezimbra

sábado, 8 de junho de 2019

Breve história da proibição da erva-mate

A definição da erva-mate pelo antropólogo Lévi-Strauss como “amarga e cheirosa ao mesmo tempo, como uma floresta inteira concentrada em algumas gotas” diz de uma forma poética muto das qualidades desse chá,  “considerando-o como um rito social e vício privado”.
livrodrogasEm seu livro Filtros, Mezinhas e Triacas: as drogas no mundo moderno, tese de mestrado do historiador Henrique Carneiro, de onde extraímos a poética definição da erva-mate, há uma breve história da proibição do consumo do mate que vale muito destacar: O mate foi proibido em 1596, por Hernandárias, governador da Província do Paraguai. Mas a proibição em nada impediu a propagação do vício, que  o governador Diogo Marín Negrón denunciava nos seguintes termos ao rei da Espanha: “Há nesta governação, geralmente em homens e mulheres um vício abominável e sujo, que é tomar algumas vezes ao dia a erva com grande quantidade de água quente, com gravíssimo dano do espiritual e temporal, porque tira totalmente a frequência do Santíssimo Sacramento e faz aos homens preguiçosos”.
O referido historiador traz em sua tese de mestrado as obrigatórias informações cientícas: ” O Ilex paraguaienses, como o nome científico expressa, tem origem no Paraguai, ” Além disso aponta a origem da palavra mate como quechua, significando cabaça (no sul do Brasil chamada de cuia). Os guarani chamam o mate de caa.
Também chamada de “erva missioneira” por ser o produto de maior consumo nas missões jesuíticas no Paraguai,, Uruguai, Argentina e sul do Brasil, desde o século XVII.
Em que pese a proibição e muito por causa dela, conta-nos Henrique Carneiro que os jesuítas “com a instalação da Província da Companhia de Jesus do Paraguai açambarcaram toda a produção do mate, recebendo em 1645 a licença oficial para o comércio e mantendo, desde então, um monopólio que durou até 1767”.
Eduardo Sejanes Cezimbra
Publicado originalmente em Ecologia dos Saberes 
Porto Alegre, 8 de junho de 2019.
Imagem: arquivo pessoal
Edu Cezimbra