quinta-feira, 20 de agosto de 2020

Montanhas e Vales

 

Montanhas e vales

Olhos d'água viram córregos

Carregam o sal da terra 


Porto Alegre, 20 de agosto de 2020.

Imagem: cena de Carteiros nas Montanhas, Google

Edu Cezimbra

Celebração da Mediocridade

 


A celebração da mediocridade é apanágio da sociedade do espetáculo de Guy Debord.



Porto Alegre, 20 de agosto de 2020.

Imagem: Brecht Vandenbroucke, Facebook

Edu Cezimbra

quarta-feira, 19 de agosto de 2020

A Fuga


"A Fuga", filme argentino, é uma parábola sobre a permanente fuga do impermanente em cada um de nós.

Mas, do que se foge, afinal?

A princípio da prisão, certo?

Ao fugir da prisão, porque se segue preso?

As respostas, embora unânimes, tem motivos diferentes.

O que nos mantém prisioneiros não é destino, mas escolha...

Há sempre um motivo para permanecer na prisão: político, pessoal, passional ou passivo.

Todos fugimos de uma prisão para ir de encontro à outra.

Um, por revanche, outro, por vingança, aquele, por retaliação.

A fuga, portanto, é ilusória quando se está preso a uma situação existencial.

O jogo é interminável para quem nele é viciado.

Portanto, a liberdade não se dá pela fuga, mas pela aceitação da condição humana.

É essa liberdade condicional que merece um "molumento", no dizer de um dos fugitivos...



Porto Alegre, 19 de agosto de 2020.

Imagem: cartaz do filme, Google

Edu Cezimbra

terça-feira, 18 de agosto de 2020

O Camarão e a Tilápia


O molho de camarão vermelho cobriu a tilápia branca.

A tilápia recebeu de braços, digo, nadadeiras abertas os pequeninos camarões.

Logo, abriu-se o debate: quem é melhor, a tilápia ou o camarão?

Os camarões afirmaram seu raro sabor de frutos do mar.

A tilápia não deixou por menos e marcou sua presença com uma carne macia.

A maioria optou pelo molho de camarão.

Um dos comensais defendeu com unhas e dentes a tilápia que respondeu na ponta da língua.

- Eu sei que sou bonita e gostosa!

Os camarões aproveitaram a deixa e cantaram:

- Assassinaram o camarão!

O debate não durou, pois não se fala de boca cheia...


Porto Alegre, 18 de agosto de 2020.

Imagem: Google

Edu Cezimbra

segunda-feira, 17 de agosto de 2020

Alto Lá!

 


Alto lá! Não forces a entrada

Se não sabes a minha senha,

Não te direi a contra-senha

Nem te permito a parada.


Vá recuando, não te queixas

Com as mãos bem para o alto.

Ajoelha-te e não te mexas

Para evitar mais um assalto.


Não me digas I love you

Nem me entre sem bater

Se não descer do brucutu.


Vá passear lá nas Bahamas,

Fique bem longe daqui, mister,

Aqui não é república de bananas.


Porto Alegre, 17 de agosto de 2020.

Imagem: Brasil de Fato, Google

Edu Cezimbra

domingo, 16 de agosto de 2020

O Copo

 

Um copo pode ser dois...

O pessimista dirá que o copo está meio vazio.

O otimista dirá que o copo está meio cheio.

Um realista dirá que há um copo pela metade.

Observe, um copo pode ser divido em dois, pois não?

Resta a candente questão: quem acabaria com o copo primeiro?

Aposto que seria o otimista pois ainda veria o copo cheio...

O pessimista tomaria o conteúdo do copo mais devagar para não acabar de uma vez com o pouco que tinha.

Já o realista lavaria o copo para beber.

O meu atento e raro leitor ficará se perguntando: o que estavam bebendo, afinal?!!

- Fica ao gosto do leitor, aceito sugestões...


Porto Alegre, 16 de agosto de 2020.

Imagem: Georges Braque, Pinterest

Edu Cezimbra

sábado, 15 de agosto de 2020

Enquanto há vida

 


Enquanto há dívida há cobrança, enquanto há dúvida há segurança - enquanto há vida há criança...


Porto Alegre, 15 de agosto de 2020.

Imagem: Brian Spruit, Pinterest

Edu Cezimbra

sexta-feira, 14 de agosto de 2020

Soledade e Felicidade


Dona Soledade e Senhorita Felicidade:

Dona Soledade é uma megera.

Senhorita Felicidade é uma donzela.

Um compositor até fez uma canção: “Toda donzela tem uma mãe que é uma megera”, - mas não é o nosso caso.

Dona Soledade não é a mãe da Senhorita Felicidade, nem parentes são, como sabem os que as conhecem bem…

Embora a Dona Soledade deseje a Senhorita Felicidade, esta não quer nem saber daquela, o que, convenhamos, é natural.

Acontece que Soledade é uma senhora solitária e Felicidade é uma moça tímida.

Não se trata de uma realidade - a solidão de Dona Soledade -, mas de um sentimento, que ocorre até no meio de uma multidão.

A timidez de Felicidade tem a ver com a insatisfação da mesma multidão com a vida que leva.

É por isso que é tão difícil para Dona Soledade encontrar a jovem Felicidade.

De outro modo, a Soledade seria só Felicidade...


Porto Alegre, 14 de agosto de 2020.

Imagem: Cícero Dias, Pinterest

Edu Cezimbra

quinta-feira, 13 de agosto de 2020

Eu Que Sei?



Bem Me

Quer

Mal Me

Quer


Dá Pé

Vai Que


Sei Não

Sei

Eu Que

Sei?!



Porto Alegre, 13 de agosto de 2020.

Imagem: Google

Edu Cezimbra

quarta-feira, 12 de agosto de 2020

Normalidade

 



Tudo voltou à normalidade na Terra depois de um ano inteiro de pandemia.

A pandemia foi causada por um vírus mutante altamente resistente à vacinas que agregou-se ao O² e ao H²O, tornando a Terra inabitável.

Porém, o ser humano tem uma insuperável capacidade de adaptação.

O que ocorreu foi que os ricos sobreviveram em bunkers, enquanto os pobres morriam aos milhões.

Quem tinha muito dinheiro pode pagar os equipamentos de proteção.

Trajes espaciais foram adaptados para uso na Terra, a comida foi toda liofilizada e a água obtida por métodos de dessanilização da água do mar.

Toda a produção industrial foi robotizada e os produtos entregues por drones.

A TV segue transmitindo normalmente e os jogos de futebol da Copa Planetária são jogados virtualmente.

As relações sociais são mantidas pelas redes sociais e os negócios através da internet.

Por este breve relato podemos constatar que tudo voltou à normalidade na Terra...

Porto Alegre, 12 de agosto de 2020.

Imagem: Guerra dos Mundos, Google

Edu Cezimbra