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terça-feira, 13 de maio de 2025

Soneto da Saudade

 

Se na fria noite ouvires um grito

Saibas que sou eu a clamar por ti

Saudoso, solitário, triste, aflito

A implorar teu amor para mim ausente.

 

Venha, meu amor, com teu passo silente,

Quero derramar lágrimas em teu peito,

Formar cascatas a molhar meu leito

E, assim, mergulhar em ventre ardente.

 

Depois, quando saciada a minha sede

Adormecido, contente em abraço estreito 

Vou me deixar ficar a balançar como em rede,

 

Como criança a ressonar saciada e serena

Depois de matar a saudade do doce peito

Materno de minha musa amante plena. 


 

Porto Alegre, 13 de maio de 2025.

Imagem: Marc Chagall, Google

Edu Cezimbra

quarta-feira, 18 de dezembro de 2024

As Amazonas Contra os Centauros

 


Amazonas guerreiras em selvagem luta

Contra centauros bárbaros e fascistas

Comedores de humana carne em disputa

Por terras férteis devastando as florestas.


Silvícolas guerreiras na vital e épica defesa

Da vida em nome da vicejante Amazônia

Imensa da equatorial floresta em pé ilesa

Para que todos preservem a descendência.

 

Avante! bravas e indômitas cavaleiras

Não esmoreçam nessa rude e cruel batalha

Por mais florestas plenas e altaneiras,

 

Na afirmação dessas airosas bandeiras

Do Pampa à Amazônia sem fornalha

Flâmulas verdejantes a tremular brasileiras!



Porto Alegre, 18 de dezembro de 2024.

Imagem: Georgy Kurasov, Pinterest

Edu Cezimbra

sexta-feira, 5 de abril de 2024

O Laço e o Nó

 


Cada dia que se vive morre-se um pouco

Nada do que vivo é imune à morte 

Quem vive cada dia tem ouvido mouco

Ao chamado da cortadeira da sorte.


Não teme a morte quem a vida ama

A vida é pois o que dela a morte reclama

A obstinada ceifadora gosta do laço forte

Para assim implacável não errar o corte.


Mas mais vale o laço forte com a vida

Do que o nó apertado sem piedade e sem dó

A sufocar a vida com o medo da morte.


Então ao fim e ao cabo da dura lida

O que se leva depois de tudo é tão só

O que tudo se viveu com amor e arte.



Porto Alegre, 5 de abril de 2024.

Imagem:Google

Edu Cezimbra

quinta-feira, 4 de janeiro de 2024

O Crepúsculo do Macho

 

Mulheres gritam alto em uníssono

Ao despertarem em nova aurora

De longuíssimo e brumoso sono

Pleno de sonhos primevos de outrora.

 

Homens tem pavor desse forte coro 

Cantando suas dores e agruras

Vozes femininas erguem-se às alturas

Bradando a perfídia da falta de decoro.

 

Clamando pelo adiado devido respeito

Exigem portanto nada mais, nada menos

Que a plenitude de seus plenos direitos.

 

Já é chegado um novo tempo, assim acho,

O dia tingido de sangue, pranto e númeno

Anunciando o negado crepúsculo do macho. 


Porto Alegre, 4 de janeiro de 2024.

Imagem:Fernando Albarran, Medeia

Edu Cezimbra

sábado, 2 de setembro de 2023

Amante Platônico

 

Não carece nenhum heterônimo

Quem o poema escreve sem pretensão

Muito menos algum pseudônimo

Se a poesia vem do fundo do coração.

 

O poeta é apenas um outro anônimo

No meio da amorfa e insana multidão.

Versos se fazem com paixão e ânimo

De amante em platônica devoção.


À luz da Musa o nome não interessa

Do poeta que seja um humilde homem

Ou formosa mulher que se expressa,


E que mais de poeta não se peça

Do que o intenso e vero sentimento

De quem faz da Poesia seu intento.

 

Porto Alegre, 2 de setembro de 2023.

Imagem: Pinterest

Edu Cezimbra

domingo, 2 de julho de 2023

A Boa Nova

 


Depois que o covarde Caim matou Abel

Fecharam-se os portais do paraíso, então

Abriram-se as portas da corrupta Babel

E a luta fatal foi de irmão contra irmão.

 

Para virar esta trágica página da Bíblia

É urgente pular para o Santo Evangelho

Onde o Novo Testamento supera o Velho

Trazendo paz e amor para toda a família.

 

Pois não é muito cristão brigar com irmão,

Por isso vale a pena ouvir de novo a homilia

Onde, na montanha, prega o perdão Cristo.

 

 Amai-vos uns aos outros, assim foi dito:

Como vos amei, eis aqui a boa e nova lição

Para irmãos viverem em paz e harmonia.


Porto Alegre, 2 de julho de 2023.

Imagem:Ghirlandaio, Capela Sistina

Edu Cezimbra

terça-feira, 1 de fevereiro de 2022

Emoções

 


Ao cair da tarde quem decai é o sol,

Vai caindo lento feito balão de gás.

Os velhos costumavam chamar arrebol

O que os jovens veem tão só como fugaz. 


Ergue-se a primeira estrela no céu

Enquanto as sombras da noite escura

Apagam aos poucos a luz com seu véu

E a lua espera paciente e casta a sua hora.

 

Surge no céu  inesperada e bela, com surpresa,

Causando paixões  nos inocentes namorados,

Mexendo marés emotivas com a delicadeza


De quem na companhia de constelações

Rege  destinos pelo zodíaco traçados

Por emoções que arrebatam os corações.



Porto Alegre, 1º de fevereiro de 2020.

Imagem: Jack Savage, Facebook

Edu Cezimbra

quarta-feira, 3 de março de 2021

O Cavaleiro da Esperança


 

De muitas coisas mais lhe quis a vida

Fazer mais e mais com muito esmero,

Sem medidas, destarte sempre desmedida

Para lutar contra todo e tanto desespero.


Dessa vida  coube-lhe a parte mais difícil

Sem postergar para depois a partida,

Com  a cavalaria, empunhando o fuzil

À bandoleira,  marchou, arriscando sua vida.


Por andar de canto em canto por todo Brasil

Foi guiando a Coluna Prestes em luta varonil

Sem economizar gota do precioso combustível


De seu sangue e seu frágil corpo perecível.

Em que pese suas atrozes dores não sucumbiu,

Foi deixando sua marca lendária e inesquecível.


Porto Alegre, 3 de março de 2021.

Imagem: Coluna Prestes, Portinari, Google

Edu Cezimbra

quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

Consciência Humana

 




De todos os lugares do mundo o gueto

Mais visitado pelas garras da justiça

Com seu braço branco da polícia

Estava o bairro negro de Soweto.


Esta que toma forma de milícia

Desprezando da plena vida o direito

A quem dão por decreto cor do preto

Tornando o espaço penitenciária.


Queriam marcar a ferro o humano

De cada um e toda sua família

Fazendo de pária o filho africano


Em seu  chão, sua própria pátria,

Um cruel apartheid desumano

Ofensa para a humana consciência.


Porto Alegre, 13 de janeiro de 2021.

Imagem: Rogério Reis, Google

edu cezimbra

quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

O Mistério da Lua

 


Lua, tu és misteriosa ao Oriente,

Lado a lado com Vênus fulgurante,

Ainda mais quando Crescente

Deixas a Estrela Dalva mais brilhante.


Quando te pisaram velha, estéril Lua

Acabaram assim com a beleza tua.

Eras só uma pobre, seca e crestada

Rocha dura muito, mas muito pesada.


Felizmente para todos os amantes

Vale o verso: "a Lua é dos namorados",

Segues misteriosa, etérea, atraente


Feito um solitário farol iluminado,

Guia de corações desejosos e ardentes,

Para sempre a musa dos apaixonados!


Porto Alegre, 17 de dezembro de 2020.

Imagem::Google

edu cezimbra

sexta-feira, 27 de novembro de 2020

Cápsula

 


Quero viajar em uma cápsula

A um tempo espacial e temporal

Para parar o tempo e deter o infernal

E a natureza retornar  sem bula.


Uma viagem além do tempo e do espaço

É jornada sem rumo e sem retorno

Onde o aqui e agora é o bagaço

De cana que queima no forno,


Para assim gerar a espessa fumaça

De cortina para efetivar o estorno

E varrer do mapa toda ameaça


Para a vida que se ressente

De uma chance em que renasça

Da cinza quente do presente.



Porto Alegre, 27 de novembro de 2020.

Imagem: Vladimir Kush, Google

edu cezimbra

quinta-feira, 5 de novembro de 2020

Nosso Chão


 

Lugar em que morrerei

Em que todos morrerão,

Terra de muito chão

Onde um dia descansarei.


A Terra não tem fronteira

É uma só extensão

Sem eira nem beira

Toda ela é nosso chão.


É nossa Terra natal

Um lugar de nascimento

Onde a vida é natural,


Portanto, neste momento,

Em que me descubro mortal

Espero meu renascimento.


Porto Alegre, 5 de novembro de 2020.

Imagem: Google

edu cezimbra


domingo, 30 de agosto de 2020

Eros e Psiquê

 

De todas as coisas que fiz ontem

Não me arrependo de nenhum momento

Em que não faria tudo novamente

Nem que fosse ao menos em pensamento.



Não há nenhum arrependimento

Em quem faz o que lhe faz contente,

O que não faria penosa e contritamente

Se obrigado do dever pelo tormento.



O que se faz por prazer é diferente,

Não há nada do que se arrepender

De tanto gozo e delírio transcendente



Se o que se faz capte e aprenda

Da vida o sabor único e surpreendente

Para fazer dela uma erótica legenda.


Porto Alegre, 30 de agosto de 2020.

Imagem: Toulouse-Lautrec, Google

Edu Cezimbra

segunda-feira, 17 de agosto de 2020

Alto Lá!

 


Alto lá! Não forces a entrada

Se não sabes a minha senha,

Não te direi a contra-senha

Nem te permito a parada.


Vá recuando, não te queixas

Com as mãos bem para o alto.

Ajoelha-te e não te mexas

Para evitar mais um assalto.


Não me digas I love you

Nem me entre sem bater

Se não descer do brucutu.


Vá passear lá nas Bahamas,

Fique bem longe daqui, mister,

Aqui não é república de bananas.


Porto Alegre, 17 de agosto de 2020.

Imagem: Brasil de Fato, Google

Edu Cezimbra

terça-feira, 28 de abril de 2020

Amores Loucos


Sem achar o tesouro do amor
Rolo pedras vagabundas,
Escavo cada vez mais 
Minas quentes e profundas.
Porque o amor é uma joia
Enterrada bem no fundo,
É como diamante bruto
A ser desencavado um dia.
Meu peito até parece
Obra de inacabada demolição
Feito lua cheia de buracos.
Na busca de amores loucos
Cavo fundo o coração
Sem nunca tapar os seus ocos.

Porto Alegre, 28 de abril de 2020.

Imagem: Pinterest

Edu Cezimbra



segunda-feira, 16 de março de 2020

A Sombra






Se da fria noite medo tiveres
Lembra-te que lá fora há estrelas
A brilhar em céu escuro e alhures
Como que luzindo para tu vê-las.


Ao cair da noite escura rápido
Uma coruja abre as asas e voa
Para a torre da igreja e entoa
Um lúgubre pio por ti ouvido.



Se entre a bruma que densa flutua
Surja um vulto que se esconda
E por isso ainda mais te acentua


A face obscura que te assombra
Por ter uma lanterna na mão nua
A expor trêmula a tua sombra.










Porto Alegre, 16 de março de 2020.

Imagem: Led Zeppelin, Google

Edu Cezimbra

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

Desterro


Distante de tudo e todos em meu desterro
Voluntário permaneço próximo de forte dor,
Vagando ao léu, perdido, sem destino erro
Por descaminhos ermos seja pra onde for.

Deixo sem olhar para trás tudo o que tenho
Para depois sem olhar em frente me perder.
Carrego comigo um rijo cajado de bom lenho,
Apoiado nele, passo a passo, sem me deter

Prossigo vagabundo e mudo, sem rumo certo,
Afastando de mim tudo o que já não lembro,
Pois por mais que esqueça não te quero perto

Nesta fuga, sem fim e meta, a que me imponho
Ao pressentir longínqua e fria minha amada
A quem dedico para além e sempre todo sonho.




Porto Alegre, 5 de fevereiro de 2019.
Imagem: Pinterest
Edu Cezimbra