Enquanto a chaleira chia
Ao crepitar da lenha bruta
Ergue o fogo o grito
Liberdade e Luta!
A chama da rebeldia
Mantém aceso o dito
Da vida que é resoluta
Porto Alegre, 17 de maio de 2024.
Imagem: foto de Rafael S. Goelzer
Edu Cezimbra
Blog de Eduardo Sejanes Cezimbra para escrever sobre a vida, rascunhando impressões, como se manuscrito com caneta-tinteiro e mata-borrão. "Escrevo porque preciso, publico porque amo."
Enquanto a chaleira chia
Ao crepitar da lenha bruta
Ergue o fogo o grito
Liberdade e Luta!
A chama da rebeldia
Mantém aceso o dito
Da vida que é resoluta
Porto Alegre, 17 de maio de 2024.
Imagem: foto de Rafael S. Goelzer
Edu Cezimbra
Te digo, minha prenda
Se me falta a pinga
Logo pego meu pingo
Me vou direto pra venda
Seja dia santo ou domingo
Não há quem me renda
Com essa sede que respingo
Até o fundo do poço
Porque aí repito, te digo
Eu que não largo o osso!
Porto Alegre, 11 de maio de 2024.
Imagem: Pinterest
Edu Cezimbra
Depois de sequestrarem a foca
Num balneário do litoral
Levaram a coitadinha de caminhão
Até a cidade natal
Onde colocada num aquário
Comeu todos os peixinhos
Morrendo de indigestão.
Não é pra fazer fofoca
Mas pobrezinho do animal
Batizada de Maroca
Foi retirada da praia
E sem noção ambiental
Foi parar num chafariz
Onde virou imortal.
Porto Alegre, 25 de abril de 2024.
Imagem: foto do autor
Edu Cezimbra
Venham as esperadas águas
De março com toda força
Pra limpar toda mágoa
De quem se esforça
Em ser filho de uma égua
Na cidade ou na roça.
Já era hora de lavar a alma
De tanto ódio sem sentido
De tanta água parada e má
Causando dor e gemido
Por quem não se acalma
Pelo que é passado já vivido.
Agora não peça nem conte
Com uma injusta anistia
Quem fez de tanta morte
Seu constante dia a dia
Fazendo da tragédia mote
Pra rir da desgraça alheia.
Porto Alegre, 2 de março de 2024.
Imagem: Erick Lima, Pinterest
Edu Cezimbra
Todo herói tem seu momento
Que não dura para sempre
Só alguns tem monumento
Herói para uns, vilão para outros
Pois muitos causam sofrimento
O povo opta em ser covarde vivo
Do que ser valente morto
O povo precisa de heróis
Para ter seus dias feriados
E temas pra samba-enredo
O povo também tem seus vilões
Só que tem um grande medo
Bandido bom é bandido morto
Pra só então virar herói
Antigamente o xerife era vilão
E o herói era o ladrão
Roubava muito dos ricos
Dava um pouco para os pobres
Já Lampião assaltava por vingança
Pois assassinaram seus pais
Quando ainda era criança
Veja como são as coisas
Quem é herói da nação
Muitas vezes caçou
Quem defendia a população
Por isso preste muita atenção
Pra não tratar como vilão
Quem defende o seu lado
Porto Alegre, 9 de maio de 2023.
Imagem: Pinterest
Edu Cezimbra
Não dou murro
Em ponta de faca
Porque não sou burro,
Nem em guampa de vaca
Porque não sou touro.
Não me perco em tiroteio
Porque não sou cachorro,
Nem me meto em rodeio
Porque não sou bezerro.
Eu sou só um bicho feio
Que come o bicho que corro.
Porto Alegre, 30 de março de 2023.
Imagem: Mapinguari, Alfredo Mucci, Google
Edu Cezimbra
Irmão das almas
Por que te dizes
Se somos desalmados
Sem alma
Desanimados
Irmão sem alma
Irmão que almejas
Ter alma
Se te negaram alma
Que desejas.
Talvez a veja
Sob sete palmos
De terra seca
Sem salmos
Ninguém inveja
Ainda alma
Não te negues
A quem tem
Somente a ti
A quem pregues.
Porto Alegre, 29 de março de 2022.
Imagem: Irving Amen, Pinterest
Edu Cezimbra
A mentira não perdoa
Porém não perdura
Tem pés de barro
A gigantesca impostura
Tomba porque pesada
Quando ao averiguar
É logo desmascarada.
Pois se é mentira
Falta com a verdade
A farsa causa enganos
No pobre inocente
De maneira tão covarde
Ofendendo a tanta gente
Espalhando a inverdade.
É preciso desmascarar
Tamanha falsidade
Quem tem honestidade
Não pode acreditar
Em pérfida impiedade
A causar calamidade
Pela verdade sonegar.
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Porto Alegre, 13 de novembro de 2021.
Imagem: Google
Edu Cezimbra