quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

Brutalidade e Violência

 


Assisti, ontem, no Canal Curta, "Filmes que marcaram época" sobre o polêmico "Laranja Mecânica"  do diretor Stanley Kubrik.

Chamou-me a atenção a reação do governo inglês contra o filme com tentativas de proibir a exibição por "incitação à violência".

Especialmente as cenas de estupro violentos cometidos pela gangue juvenil.

Os tablóides sensacionalistas de Londres alardearam o aumento da violência por parte de adolescentes estimulados pelo filme.

Segundo os produtores do filme entrevistados a intenção era denunciar a violência de forma cruel para impactar os espectadores.

O meu caro e raro leitor já deve estar lembrando de outro filme com a mesma boa intenção em que o tiro saiu pela culatra que é o brasileiro "Tropa de Elite".

Repare que o governo de Sua Majestade não foi contra a violência de estado perpetrado contra o jovem Alex na forma de uma violenta técnica de "lavagem cerebral".

Uma violência psicológica diferente da violência estatal brasileira, que tortura e mata para combater os traficantes dos morros cariocas.

Nos dois filmes aparece a violência gratuita que cobra um alto preço da sociedade.

A brutalidade dos adolescentes é naturalizada, por isso pode ser lapidada.

Obviamente, se a violência é brutal aí já é a brutalidade explicíta de "Tropa de Elite".

Essa brutalidade é adquirida por condicionamento para gerar a violência de estado.

Por isso, a violência jamais será revolucionária por ser brutalidade reacionária.

Fica a provocação: filmes violentos não estimulam a violência em pessoas inteligentes e sensíveis.

O que gera violência é a ignorância, como disse um dos entrevistados do documentário.


Porto Alegre, 11 de fevereiro de 2021.

Imagem: Alex e Capitão Nascimento, Google

Design: Canva

Edu Cezimbra


quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

Incertezas

 


Via longe

O perto

Por incerto

O hoje


Ia sem

A pressa

De quem

Na incerteza


Sabia pouco 

Do nada

Por louco

Se passou


Porto Alegre, 10 de fevereiro de 2021.

Imagem: Salvador Dali, Google

Edu Cezimbra

terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

O Poste e a Árvore

 









Um poste, todo altivo, exibe-se para uma frondosa árvore.

- Eu sou o poste do progresso! Portanto, abre alas que eu quero passar!!!

Embora frondosa a árvore não era orgulhosa.

- Desculpe o incômodo, "seu" Poste, desconhecia sua importância...

- Desta vez passa, mas saiba que nada pode deter o progresso!

- Que mal pergunte, mas onde tá o tal progresso? que  não tô vendo...

- Como não?!! és cega, por acaso? Não estás a ver os fios de alta tensão que eu seguro?!!!

- Ah... achei que eram cipós...

- Cipós?!!! São fios que conduzem a eletricidade que move as máquinas do progresso!!!

- Entendo... as máquinas são o progresso, mas por aqui tudo piorou por causa das tais máquinas.

- Que dizes?!!! estás louca? és contra o progresso?!!!

- Não, senhor, não sou contra o progresso, mas desde que ele chegou muita coisa piorou... Antes, por aqui, todos estavam bem melhores.

- Ora, e vão ficar melhores, porque o progresso traz...traz...- ordem!

-Ah, tá...Ordem e Progresso, não é?

- Isso, todo mundo em ordem, bem alinhados, levando o progresso!

- Olha, "seu" Poste, aqui entre nós, mas se o progresso é isso, então tá causando a maior desordem...

O Poste não deu ouvidos para a velha Árvore, progredindo com a devastação, enquanto a Árvore matutava.

- O progresso é o maior atraso...

Moral do apólogo: em nome do progresso se cometem os maiores crimes.


Porto Alegre, 9 de fevereiro de 2021.

Imagem: Google

Edu Cezimbra

Avô

 

Avô, um pai amaciado na pedregosa e esburacada estrada da vida.

Porto Alegre, 9 de fevereiro de 2021.

Imagem: arquivo pessoal

edu cezimbra

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021

Brados

 


Pelas barbas do profeta,

Brada o mulá.

Pelas barbas do poeta,

Brada a musa.


Pelos pelos dos peludos,

Brada o cabelereiro.

Pelas penas das penosas,

Brada o carniceiro.


Cada um brada 

Pelo que tem.

Cada qual ganha

Assim o seu vintém.



Porto Alegre, 8 de fevereiro de 2021.

Imagem; Marc Chagall, Google

edu cezimbra

domingo, 7 de fevereiro de 2021

Desejo de Partida


 Como surgiu o meu desejo de partida?

Não lembro bem, mas desconfio...

Havia uma premente necessidade de fugir de tudo e de todos.

Uma espécie de "negacionismo da querência", ou de uma não-querência.

Havia alguns exemplos próximos para despertar o desejo de partida.

Colegas que iam estudar em cidades grandes como Santa Maria, Pelotas e Porto Alegre.

Quando regrassavam ao pago sempre iam nos visitar no colégio.

Puro exibicionismo, contavam dinheiro na frente dos pobres.

Contavam histórias de cidade grande que despertavam, ou reforçavam, meu desejo de partida.

Não foi fácil. Minha mãe não gostava nada da ideia de soltar seus inocentes filhinhos na selva de pedra.

Depois de muita insistência finalmente consegui realizar o desejo de partida.

Fomos estudar em uma outra cidade, longe de tudo e de todos, assim eu pensava.

A ironia do destino foi que permaneci longe de tudo e de todos.

E foi aí que o desejo de partida transformou-se em desejos, nem tão puros nem tão simples.

Entre eles, o desejo por comida, um apetite insaciável que dava prejuízo à dona da pensão onde fazíamos as refeições.

A lição de um desejo, seja qual for, é que a sua realização não resolve nossos problemas pessoais.

Os problemas pessoais fazem parte da bagagem, por isso aconselho não levar malas grandes...


Porto Alegre, 7 de fevereiro de 2021.

Imagem: arquivo pessoal

edu cezimbra

sábado, 6 de fevereiro de 2021

Depois do Grito


 

Atônito,

Como permaneço

Acima de tudo.


Atômico,

Como sinto

Acima de todos.


Afônico

Como fico

Depois de tanto.




Porto Alegre, 6 de fevereiro de 2021.

Imagem: Andréia Michels, Pinterest

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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

Direito

 

Quando a Justiça morre é preciso ressuscitar o Direito.

Porto Alegre, 5 de fevereiro de 2021.

Imagem: capa de "O Processo Maurizius"

edu cezimbra

Caminhada Noturna


Caminhando ao redor do morro, às margens do Guaíba, ao anoitecer, deslumbramo-nos com as belezas naturais do lugar. Comentei com a Maritânia, que após um giro por países e grandes cidades europeias, imbatíveis em sua arquitetura e história, constatei que o que nos diferencia mesmo é a nossa natureza sem igual, um patrimônio cultural paisagístico pouco valorizado pelos brasileiros, excetuando nossos indígenas e poetas românticos, a exemplo de Gonçalves Dias, em sua "Canção do Exílio":

Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
Quando completamos nossa caminhada a lua cheia, em todo o seu esplendor, tomava banho na beira do Guaíba, prateando suas águas e iluminando a mata, ao redor, parece que confirmando a minha impressão...

(Em 05/de fevereiro de 2015)


Porto Alegre, 5 de fevereiro de 2021.

Imagem: arquivo pessoal

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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

Segredos de um funeral

 

Um eremita que se autocondenou a uma prisão particular por 40 anos decide fazer a sua festa fúnebre enquanto está vivo!

O filme é baseado na história real de Felix "Bush" Breazeale, morador do Tennessee.

Neste caso a vida supera a ficção.

Muitas histórias maldosas são contadas pelos moradores da cidade, mas nehuma é verídica.

A verdade ficou guardada por 4 décadas por Bush, que, antes de morrer, decide revelar seu segredo em uma festa fúnebre.

O filme gira em torno de como atrair os moradores locais para a festa, já que Felix não era muito popular.

Trata-se de culpa, dor e remorso.

A dor do remorso é pungente, mas Felix não busca o perdão de Deus, mas de alguém.

- É a esta pessoa que ele pergunta: "Dá pra escolher quem se ama?".

A resposta fica no ar, mas o filme mostra que dá pra escolher como morrer.

Não é pouca coisa...



Porto Alegre, 4 de fevereiro de 2021.

Imagem: divulgação, Pinterest

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