segunda-feira, 11 de abril de 2016

Nave espacial




Vó,

Carro é meio de transporte?

É...

Então prefiro nave espacial...

Ah, sim!

Poder tocar nas estrelas

Dar um pulo na Lua

Girar em volta da Terra

Ir de Belém a “Céu” Leopoldo

Sem perguntar

Vai demorar pra chegar?!

Depois dar um pulo

Ao Louvre,

Para ver a Bruxonilda

Cair da vassoura!

Hi...hi...hi...

Por essa e por outras

Nave espacial é o

Meio de transporte

Preferido da minha netinha!


Porto Alegre, 11 de abril de 2016.
 Edu Cezimbra, inspirado pela netinha Íris

domingo, 10 de abril de 2016

Água de beber



Pássaros não perguntam se
de rio
de lago
de poça
apenas bebem a água.

Porto Alegre, 21 de julho de 2015.

Edu Cezimbra

Ionesco e a falta de amor


O que nos falta, afinal, para escaparmos do aniquilamento coletivo de que nos fala Ionesco no excerto acima? 

Se não estou enganado foi Gandhi quem disse: "olho por olho, dente por dente e todos acabarão cegos e desdentados"...

Ionesco alerta para esta condição humana moderna: "Em realidade, está claro que cada homem detesta a si mesmo em outro". 

E, se pergunta: " O que podemos fazer se tudo fracassou? Quase não nos amamos.  Amar ao próximo como a si mesmo, é odiá-lo."

Ionesco escreveu estas palavras tão contundentes para a Revista Continente, veículo de manifestação política  de intelectuais dissidentes do regime soviético,  em fins de julho de 1974 . 

Chamou minha atenção sua maneira de falar de amor: "Tive que vencer uma autocensura para escrever a palavra amor.  Falar de amor, de amizade, na França, de religião também, ou de humanismo, é atrair para si o ridículo, as zombarias."

Em 1979, já me questionava: "Por que o medo pela amizade? 

Por que a prevenção contra as pessoas que procuram se aproximar de outros?

Não entendo por que tanto medo em se aproximar do vizinho e lhe estender a mão num gesto de fraterna solidariedade.

 Onde foram parar os princípios cristãos da bondade, do amor e da amizade?"

Que eu me lembre não tinha esta preocupação do ridículo ao escrever a palavra amor, com o devido desconto de ter apenas 19 anos, ter muito amor para dar e ainda não ter lido Ionesco...

Porto Alegre, 10 de abril de 2016.

Edu Cezimbra

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Home(m)nagem


 
  Não sou alegre

  Porque meu riso soa distante
  
  Não sou triste tampouco
  
  Porque tenho lágrimas escassas
  
  Sou um misto de ternura e cólera
  
  Há vida no que faço e digo
  
  Porque cada gesto emite energia
  
  E o prazer corre em minhas veias
  
  Transmitindo sensações incoerentes
  
  Resta a capacidade de se dar sem medo
  
  Pular as cercas do inferno
  
  Colher bombas no Vietnã

  Semear flores nas trincheiras
  
  Carregar crianças em triunfo

     Fazer valer seu nome

            Homem


 "Foi lá por 86"

Edu Cezimbra

Foto de Francisco Cezimbra

Lógica



Penso, logo existo,

penso, logo insisto,

penso, logo desisto...


Sinto, logo pinto,

sinto, logo minto,

sinto, logo finto...


Intuo, logo fluo,

intuo, logo flutuo,

intuo, logo recuo...

Porto Alegre, 28/03/2014

Edu Cezimbra

Não nos afastemos muito


"Por que o medo pela amizade? 

Por que a prevenção contra as pessoas que procuram se aproximar de outros?

Não entendo por que tanto medo em se aproximar do vizinho e lhe estender a mão num gesto de fraterna solidariedade.

 Onde foram parar os princípios cristãos da bondade, do amor e da amizade?

São tantas as perguntas que prefiro parar de interrogar...

Eu, agora, olho a multidão, qual serpente esguia a rastejar nas ruas sujas das 
metrópolis.

Eu sinto o medo de ser assaltado, a angústia reprimida da solidão, a incerteza 
no dia de amanhã que aquela massa de homens desfila.

A civilização ocidental endeusou o consumismo em detrimento a outros valores 
espirituais, como a religião, o congraçamento entre os homens, povos e países,

E o que resulta desta suposta evolução? Um surto estarrecedor de uma doença social, a violência, que mata, que oprime, que seduz, que estupra."

A redação baseada no poema do Drummond não foi concluída pelo vestibulando (pouco estudioso) da época, mas que gostava de escrever. Talvez por que tenha se afastado do tema ou, talvez, por que a professora de português, tenha lido para toda a turma outra redação do tímido vestibulando...

Santa Maria, maio de 1979.

Edu Cezimbra


quarta-feira, 6 de abril de 2016

Zen






Medito em silêncio 

(nenhum pensamento),

particular refúgio

ao mental tormento.


Ao longe vislumbro

(nenhuma nuvem),

um horizonte rubro

e um sol radiante zen.






Porto Alegre, 29/03/2014

Edu Cezimbra

IX, X


IX

Desintoxico-me
Com poesia intuída
Palavras soltas destituídas
Sem nexo complexo
Poderoso tratamento
Para minha angústia
Sofrimento


X

Dar vazão ao coração
Sente mentalmente
A voraz sensação
Da inútil idade
De barrar o sentimento
Com mísera razão


"Foi lá por 85"

Edu Cezimbra

Inocência



"Versinhos inocentes"

A volúpia dos teus beijos
Incendiou minha paixão

O furor dos teus abraços
Alucinou minha razão

E o desengano que me trouxes 
 Calcinou meu coração

"Foi lá por 85"

Edu Cezimbra

terça-feira, 5 de abril de 2016

4 quadras



I Paródia do Pessoa

O poeta é um amador
Ama tão completamente
Que chega a fingir que é amor
O amor que deveras sente.


II

Um perdido instante,
há muito tempo esquecido,
faz-se saudade distante,
em um segundo percebido.


III

A palavra inspirada
aponta sentidos
nunca dantes percebidos
pela razão desalmada.


IV 

Consola-me saber

Da tragédia
A insurreição 
Do tédio

I,II e III, primavera de 2014
IV, "Foi lá por 85"

Edu Cezimbra

Foto de Francisco Cezimbra