sexta-feira, 28 de abril de 2017

quarta-feira, 26 de abril de 2017

A política e o diabo



Sem notar que são observadas três pessoas discutem política em uma mesa de botequim.

- Olha, esse negócio de esquerda e direita já era, hoje são todos farinhas do mesmo saco...

- Não dá pra colocar todos no mesmo saco,não... a esquerda ainda luta pelo proletariado.

- Sim, e a direita liberal pugna pela liberdade, pela livre iniciativa.

- Vocês dois tem é que se atualizar, então não estão vendo que hoje todos eles enriquecem às custas do povo.

-  Tem quem rouba mas faz...

- E tem quem roube menos e faça mais...

- Vocês precisam é se atualizar, em que mundo vocês vivem?!!

Enquanto o debate prosseguia, logo ali de baixo, pelas frestas do assoalho, três personagens históricos de uniformes chamuscados discutem quem ganhou a aposta.

- Evidentemente a vitória é do rapaz do centro, pela sua capacidade de rejeitar tanto a direita quanto a esquerda - declara secamente De Gaulle.

- Nada disso, repare que o esquerdista defende as bandeiras da esquerda com muito realismo socialista - decreta Stálin, inchando o peito cheio de medalhas carbonizadas.

- Mas quem mente repetidas vezes é o direitista, assim é que se manipula as massas, logo voltarei ao poder! - inflama-se Hitler berrando e gesticulando muito.

Nisso, alguém lhes puxa para baixo com um redemoinho de fogo, dando-lhes um sermão.

- Já falei pra vocês não interferirem mais na política, seus amadores. Isso é pra profissionais como eu,  com no mínimo dois mil anos de experiência na arte de dividir e reinar!


Porto Alegre, 26 de abril de 2017.

Charge: O Procurador do Povo

Edu Cezimbra

terça-feira, 25 de abril de 2017

Questão de temperamentos


Um sujeito melancólico lê no jornal que sua aposentadoria foi adiada e cai em um choro convulsivo.

Um sujeito sanguíneo lê a mesma notícia e assobiando muda para a seção de esportes do jornal.

Um sujeito fleumático lê e segue lendo a seção política do jornal com a mesma indiferença.

Um sujeito colérico nem termina de ler, rasga o jornal e cancela a assinatura.

Então, você é melancólico, sanguíneo, fleumático ou colérico diante do mundo?

Há quem diga que atualmente ocorra uma epidemia de depressão no mundo. 

E quais seriam as outras epidemias? 

Há quem reclame da indiferença da opinião pública diante de tantas tragédias; seria uma epidemia de apatia?

Há quem reclame da busca incessante de diversão no mundo; seria uma epidemia de alienação?

Há quem reclame da onda de ódio que se manifesta nas disputas políticas; seria uma epidemia de raiva?

Sempre que assisto alguém dando o seu "diagnóstico" sobre aspectos da vida social fico achando que a mosca tonta da generalização voltou a atacar.

Ou, por outro lado, o ratinho da redução está roendo uma zona cerebral de alguém.

Ou, talvez, estejamos todos precisando nos livrar de tantas ideias velhas representadas por velhas palavras e buscarmos um novo vocabulário para entender o mundo, - antes que ele nos devore... 

Porto Alegre, 25 de abril de 2017.

Edu Cezimbra





quinta-feira, 20 de abril de 2017

Guinevire e Lancelote


NO GALOPE VELOZ DO PENSAMENTO
Fiz da língua minha ágil espada
Para contar o deslumbramento
De na Távola Redonda por morada
Permanecer ao lado dessa senhora
Guinevire, minha dama apaixonada.
Fez de mim seu valente cavalheiro
Para na batalha ter seu lenço por bandeira
Por escudo
sua boca de dentadura faceira
E como mote um coração de aventureiro.



Mote e glosa do poeta de cordel Assis Coimbra:

Pra lendária Avalon eu viajei
E entrei para o *exército de Arthur,
Rei bondoso que com sua *excalibur
Tornou-me Lancelote em sua *grei.
E fiel escudeiro eu me tornei
Para ver Guinevire, em tal momento.
Só que ao *vê-la, foi grande encantamento
Que ali mesmo fiquei *paralisado.
Mas depois por ela fui muito amado,
NO GALOPE VELOZ DO PENSAMENTO.


Porto Alegre, 20 de abril de 2017.

Edu Cezimbra

quarta-feira, 19 de abril de 2017

A presença do maligno



"Quem sou eu para para emitir juízos sobre as tramas do maligno, especialmente", acrescentou, parecendo querer insistir nesse ponto, "em um caso em que os que tenham dado início à inquisição, os bispos, os magistrados civis e todo o povo, talvez até os próprios acusados, desejavam verdadeiramente sentir a presença do demônio? Bem, talvez a única prova verdadeira da presença do diabo seja a intensidade com que todos, naquele momento, desejam sabê-lo em ação..."

Umberto Eco, em seu livro "O Nome da Rosa" coloca essa fala na boca do arguto Frei Guilherme de Bakerville para desviar a conversa com o abade obcecado pelo demônio.

O romance transcorre em plena Idade Média, século XIV, em mosteiro no norte da Itália e transmite todo o espírito dessa época com muitas passagens como a citada acima.

O que talvez surpreendesse o escritor é o quanto esse tipo de visão de mundo persiste em pleno século XXI, ao menos no Brasil.

Não pretendo tecer uma crítica a esse tipo de crença mas sim mostrar que, apesar de todas as transformações que o mundo passou, desde a Idade Média, ela persiste com a mesma intensidade.

Frei Guilherme ao tentar encerrar a especulação em torno do demônio fornece uma pista e tanto para entendermos essa permanência do "chifrudo".

É a intensidade com que todos desejam saber da ação do diabo que o mantém presente ainda hoje em dia.

Vou mais longe: uma religião persiste porque há quem intensamente acredite nela...


Porto Alegre, 19 de abril de 2017.

Foto: cena de "O Nome da Rosa"

Edu Cezimbra


terça-feira, 18 de abril de 2017

Ditados impopulares


 

Em tempos de vacas magras quem engorda é o tubarão.

 

Em casa de ferreiro espeto de ferragem.

 

Na descida todo santo usa o freio motor.

 

Pau que bate em Chico não bate em Francisco.

 

Uma mão lava a outra se tiver água e sabão.

 

O homem é o lobo do lobo.

 

Se a farinha é pouca vá comprar mais.

 

Água mole em pedra dura tanto bate até que acaba.

 

Mais bonita que laranja de supermercado.

 

Em rio que tem piranha jacaré não passa fome.



Porto Alegre, 18 de abril de 2017.

Charge: Laerte

Edu Cezimbra

 




sábado, 15 de abril de 2017

Malhação dos judas


São judas por todo lado,
Fica fácil a delação
De tantos judas brasileiros.
Não vai faltar malhação,
Difícil é achar paneleiros.
Tem aos magotes no congresso,
No tribunal também tem,
De pilatos se fazendo
Porém não enganam ninguém.
Na mídia são como bolacha,
Em qualquer canto se acha,
Avisa lá se esqueci de alguém...

Porto Alegre, 15 de abril de 2017.

Charge: Thiago

Edu Cezimbra