segunda-feira, 4 de abril de 2022

Inverno

 


Tudo parado
Até a luz imóvel
Tempo paralisado
 
Porto Alegre, 4 de abril de 2022.
 
Imagem: Van Gogh, Pinterest
 Edu Cezimbra 

domingo, 3 de abril de 2022

Paradoxo de Poeta

 


Poeta é  um paradoxo: depois que morre vira imortal. 

 

Porto Alegre, 2 de abril de 2022.

Imagem: Jean-Baptiste Monge, Pinterest

Edu Cezimbra

sábado, 2 de abril de 2022

Casablanca

 


Assisti mais uma vez ao clássico "Casablanca".

Muito já se falou e escreveu sobre este filme.

Então, por que voltar a Casablanca?

História de um triângulo amoroso com ângulos obtusos de forma original.

Lamentável que a atualidade de Casablanca se prende ao fato do ressurgimento de tendências de extrema-direita inspiradas no nazifascismo.

Há também, no filme, um triângulo político formado  pela Alemanha nazista, a França ocupada e Casablanca livre.

Nessa trigonometria não há teorema de Pitágoras...

Em épocas de acirramento político-ideológicos como aquela e a nossa as posições tendem ao maniqueísmo.

O Bem é uma fuga para longe do conflito, da dor e da morte e o Mal é não conseguir escapar...

Humano, demasiado humano.

Talvez, o Amor seja o "X do problema" no caso em tela.

O Amor é capaz dos maiores sacrifícios e permite a fuga da pessoa amada.

Quem fica em Casablanca não fica em lugar nenhum, talvez em uma utopia entre o Bem e o Mal...  

"Casablanca", vale a pena ver de novo, porque segue "novo".


 

 Porto Alegre, 2 de abril de 2022.

Imagem:Google

Edu Cezimbra

sexta-feira, 1 de abril de 2022

Poetas

 

Poeta 

não tem sexo,

tem nexo.

 

Poeta 

não se diverte,

tem meta. 

 

Poeta

não tem casta,

se basta.

 

Poeta

não é besta,

é seta.

 

 

Porto Alegre, 1º de abril de 2022.

Imagem: Pinterest

Edu Cezimbra

quinta-feira, 31 de março de 2022

Marciais ou Marcianas


 

*

E o pôr do sol de hoje? Não comprometeu, pelo contrário, entregou - diria o comentarista esportivo, substituindo o meteorologista.

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A questão central não é quem criou Deus, mas por que eu me criei - diz o megalomaníaco.

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Com o patrocínio da Vinícola JC o céu entrou em cadeia nacional para retransmitir o pôr do sol, transformando a água em vinho.

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A função "soneca" do despertador existe pra despertar sem dor.

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Quem só vê defeito é porque sempre está insatisfeito.

 *

União Europeia banca Pilatos: essa guerra é do Putin, ele que acabe com a Ucrânia, digo, com a guerra.

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Nunca namore alguém como a OTAN namorou com a Ucrânia.

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Mais vale um pensamento manuscrito do que dois esquecidos.

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Nessa "guerra de sanções" quem é a Dalila?

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Não basta ter potência, há que saber o que fazer dela, senão vira prepotência.

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Céu que muito relampagueia não chove (dito gauchesco pós-moderno).

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Esse acordo ortográfico do português : depois de tirar o acento das ideias tira o hífen do pôr do sol (ao menos deixou o chapéu).

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Tão desapropriado quanto um sem-teto ou um sem-terra é um poeta sem palavras.

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E a Rússia já tomou Berlim, digo, Kiev?

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Aberta a temporada de temporais: são as águas de março levando o verão.

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Depois da rendição vai ser só Ucrânia Oriental, que a Ocidental fugiu, antes do Putin construir o Muro de Kiev.

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Palavras obscenas no "ocidente": strogonoff, salada russa, vodka, Putin.

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Depois da tempestade vem a falta de luz.

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Sol nascente incendiou nuvens. Felizmente choveu.

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O temporal das 18:30 chegou no horário.

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O mato tomou banho de chuva e ficou mais perfumado.

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O pôr do sol com seu toque de Midas doura a pílula das nuvens de temporal iludindo andorinhas de que ainda é verão.

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Entre nuvens douradas e céu azul, o sol nascente ilumina a manhã perfumada e fresca.

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Quem viu o passarinho antes escutou o seu canto.

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Não basta saber, precisa sabor.

 *

As nuvens de chuva pegaram um baita resfriado: ficam espirrando garoa sem parar.

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Goiaba madura no quintal tá bicada ou caiu no chão esborrachada.

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Depois da seca, céu nublado e umidade no ar são um alívio para a natureza.

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Eu não sei, mas desconfio que a "comida dos deuses" tem gosto de batata-doce assada no forno a lenha.

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Não basta o Riobaldo quer Omar Sharif.

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Poesia não é coisa que se faça... Ela está nos olhos de quem a vê.

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Com o pôr do sol deixando tudo dourado, a Lua Cheia não se faz de rogada e torna a noite prateada.

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O medo faz rezar, quem reza seus medos despreza.

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Do jeito que vai é capaz do Lobão vazar o endereço da Chapeuzinho Vermelho.

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Não li tudo, por isso releio.

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O pior anti-intelectual é o que se acha intelectual.

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O céu nublado faz com que o sol espie por entre nuvens e volte a dormir.

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Muita gente viajando no cosmo, porque "pra viajar no cosmo não precisa gasolina".

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Esse povo não perde o bom humor (apesar de tudo), está chamando o Bolsolão do MEC de Amensalão, "Amém?!"

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Alvorada, o Sol se mostra um alquimista esforçado, transforma o chumbo do céu em ouro celestial, por fugazes instantes.

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País com gás é país com Petrobras, já país com gases é com desgoverno Bolsonaro.

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A contento está, contente estou!

 *

Não há guerra que sempre dure, nem paz que nunca se acabe.

 *

Pra viajar na maionese não precisa gasolina, o problema é que precisa óleo.

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O TSE proibiu manifestações políticas no Lulapaluuza, digo, Lulapalooza.

 *

Combustíveis fósseis: gás, petróleo e atiçar guerras para fomentar economia.

 *

No pôr do sol de ontem, o Sol, romântico, presenteou uma echarpe escarlate para enfeitar a Lua.

 *

Rússia e Ucrânia perto de um acordo de paz: "brigando a gente se entende".

 *

Oscar descobre a identidade secreta do Batman: Will Smith.

 *

Em dia quente o pôr do sol ao mergulhar incendiou as águas do lago.

 *

O General Inverno chegou apresentando armas: frio, umidade, sombra e paralisia.

*

Em dia escuro e frio, o pôr do sol tece um cobertor de nuvens vermelhas e azuis para aquecer as estrelas e a Lua.

 

Facebook, março de 2022.

Charge: Mocanus, Jornalistas Livres

Edu Cezimbra 

O Mapa do Poeta

 


Sinto uma dor infinita
Das ruas de Porto Alegre
Onde por Quintana jamais passarei
 
 
Porto Alegre, 31 de março de 2022.
 
Imagem: Casa de Cultura Mário Quintana, Google
 
Edu Cezimbra 
 

quarta-feira, 30 de março de 2022

A Agulha e o Buraco

 


Sempre se fala, unilateralmente, diga-se de passagem, do "buraco da agulha", nunca da "agulha do buraco".

Por isso, a agulha vivia implicando com o "seu buraco".

- Seu inútil, não fazes nada o dia todo, ficas aí vivendo às minhas custas!

O buraco respondia, provocativo, para a "dona agulha".

- Ora, bem sabes que não fazes nada sem mim - abria-se o buraco.

A agulha cutucava o buraco com sua agudeza habitual.

- Sou tão fina e elegante e tenho que mostrar esse buraco na minha cara.

Era nessa hora que o buraco era mais embaixo e mesmo assim não se fechava para a agulha.

- São os buracos, digo, os ossos do ofício, querida...

A briga entre os dois seria interminável não fosse a linha.

- Vamos acabar com essa pendenga, está na hora de trabalhar - dava a linha.

Alinhada, a agulha arrematava com o "seu buraco". 

- Lá vem essa intrometida, mas não fosse a costureira não era ninguém...

Moral do apólogo: em briga de agulha e buraco quem dá a linha é a costureira.

 

Porto Alegre,  30 de março de 2022.

Imagem: Google

Edu Cezimbra

terça-feira, 29 de março de 2022

Irmão Sem Alma

 


Irmão das almas

Por que te dizes

Se somos desalmados

Sem alma

Desanimados

Irmão sem alma

Irmão que almejas

Ter alma

Se te negaram alma

Que desejas.

 

Talvez a veja

Sob sete palmos

De terra seca

Sem  salmos

Ninguém inveja

Ainda alma

Não te negues

A quem tem

Somente a ti

A quem pregues. 

 

Porto Alegre, 29 de março de 2022.

Imagem: Irving Amen, Pinterest

Edu Cezimbra 

 

segunda-feira, 28 de março de 2022

De Guerra e de Paz

 



Não há guerra que sempre dure, nem paz que nunca se acabe.
Se a guerra é uma extensão da política quem deveria ir para a frente de batalha seriam os políticos que a declaram.

Provavelmente, acabariam as guerras... ou os políticos.

A guerra é um combustível fóssil, assim como o petróleo e o gás, move economias em recessão causando aquecimento global.

A paz é um intervalo entre guerras e a duração dele depende dos políticos.

Quando os políticos fazem guerra quem briga são os povos e quem morre são os pobres.

Guerra e Paz não andam juntas mas viajam no mesmo trem da história.

A guerra e a paz embarcam no trem da história cuja locomotiva é a economia e o maquinista é político.

O político faz arminha mas quem dispara é o soldado.

Desfile celebrando a paz é sempre desfile militar de quem ganhou a guerra.

Mais vale um político dormindo do que dois roncando grosso...  

 

Porto Alegre, 28 de março de 2022.

Imagem: cena de "O Grande Ditador", Google

Edu Cezimbra

domingo, 27 de março de 2022

Preguiça Solar

 


O céu nublado faz com que o sol espie por entre nuvens e volte a dormir.

 

Porto Alegre, 27 de março de 2022.

Imagem: escolhida por Lacyta T. Maia

Edu Cezimbra