quarta-feira, 6 de julho de 2016

Moacyr Scliar e a Bíblia


"Assim, me vi, no dia seguinte, escrevendo a história tal como eles queriam. A mulher sendo fabricada a partir de uma costela de Adão. A mulher dando ouvidos à serpente. A mulher provando do fruto da Árvore do Bem e do Mal. Em suma: a mulher cagando tudo."

Em "A mulher que escreveu a Bíblia", livro de Moacyr Scliar, fui surpreendido pelo estilo irreverente em linguagem coloquial narrando uma fantasia do escritor de origem judaica de Porto Alegre sobre uma esposa de Salomão que escreve o Velho Testamento a pedido do rei.

Há trechos do livro de muito bom humor, do jeito de  Luis Fernando Veríssimo e, outro, em que tive a lembrança de Monteiro Lobato nas "Reinações de Narizinho", livro infanto-juvenil, quando apresenta personagens bíblicos como a Rainha de Sabá.

O livro que traz muitas cenas de erotismo com gírias modernas, obtém um efeito surpreendente mesmo para os leitores de Scliar, e se lê dando boas risadas...

Enfim, o texto da segunda capa não faz propaganda enganosa quando diz que "A mulher que escreveu a Bíblia faz parte daquela seleta categoria dos livros que é impossível parar de ler" e eu acrescentaria: parar de rir!

Porto Alegre, 06 de julho de 2016.

Edu Cezimbra