sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Uma canção no rádio


"Pôxa, como foi bacana te encontrar de novo"
O radinho de pilha captava a Rádio Nacional, já tarde da noite, meu irmão mais novo escutava deitado o programa ao vivo, entrevistando Gilson de Souza, cantor e compositor que lançava o álbum "Pôxa".

Bem baixinho, para não acordar nossos pais que dormiam no quarto ao lado.

"curtindo um samba junto com meu povo"
Era por volta de 1975, e, eu lembro que gostei muito do samba, tanto que pedi para aumentar o volume do radinho, ao que ele se negou, prudentemente, diga-se.

E eu não estava enganado. "Pôxa" foi mesmo um sucesso, sendo muito tocada a partir de seu lançamento, tornando conhecido o cantor e compositor Gilson de Souza, antes disso um cantor da noite paulistana.

Conto isso para mostrar a potência de um mísero radinho de pilha, bem sintonizado, no imaginário de um adolescente.

Já se passaram mais de 40 anos e a canção permanece gravada na minha memória, já não tão boa, para as canções que tanto gostava de escutar.

As rádios brasileiras, pasmem, tocavam muita música brasileira!

Era natural escutar compositores como Chico Buarque, Gil, cantoras como Elis Regina, Clara Nunes, duas vozes inesquecíveis para mim.

E olha que eu morava em uma pequena cidade do interior do RS, mas a única rádio, na época, tocava muita MPB de qualidade.

Não quero te chatear, meu caro e raro leitor, comentando a cruel realidade da programação das rádios atuais.

Fiquemos com Gilson de Souza e seu samba clássico "Pôxa" (sem a bronca de meu pai - "apaga esse rádio, guri!"):




 Pôxa,
Como foi bacana te encontrar de novo
Curtindo um samba junto com meu povo
Você não sabe como eu acho bom
Eu te falei que você não ficava nem uma semana
Longe desse poeta que tanto te ama
Longe da batucada e do meu amor
Pôxa,
Por que você não pára pra pensar um pouco?
Não vê que é motivo de um poeta louco
Que quer o teu amor pra te fazer canção
Pôxa,
Não entre nessa de mudar de assunto
Não vê como é gostoso a gente ficar junto
Mulher o teu lugar é no meu coração

Porto Alegre, 15 de setembro de 2017.

Foto: Google

Edu Cezimbra