quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Terapia Corporal



XII

O diafragma distentido

Mostra a força

Da respiração sonora

Relata vida


XIII

Redescubra seu prazer

Acelere sua pulsação

Tensione seus músculos

Inspire profundo

Goze


"Foi lá por 85"

Foto da  capa de Rino de "O corpo em terapia" de A. Lowen, da Ed. Summus  

Edu Cezimbra

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Jornada del Muerto






Inauguraste o apocalipse

Na pacata Hiroshima

Jornada del Muerto

Deserto belicoso



Trágica premonição  

Captada no Japão 

Eco radioativo 

Sinal letal
"Foi lá por 85"

  Edu Cezimbra

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Gilka Machado e o "Ser Mulher"



Ser mulher, vir à luz trazendo a alma talhada
para os gozos da vida, a liberdade e o amor,
tentar da glória a etérea e altívola escalada,
na eterna aspiração de um sonho superior…
Ser mulher, desejar outra alma pura e alada
para poder, com ela, o infinito transpor,
sentir a vida triste, insípida, isolada,
buscar um companheiro e encontrar um Senhor…
Ser mulher, calcular todo o infinito curto
para a larga expansão do desejado surto,
no ascenso espiritual aos perfeitos ideais…
Ser mulher, e oh! atroz, tantálica tristeza!
ficar na vida qual uma águia inerte, presa
nos pesados grilhões dos preceitos sociais!


GILKA MACHADO (1893-1980)
Vinda de família de artistas, com mãe atriz, parentes poetas e músicos, Gilka Machado foi uma grande poeta, que, nesses últimos anos, infelizmente caiu no ostracismo. Publicou em 1915, aos 22 anos, seu primeiro livro, Cristais Partidos. Durante a década de 1920, continua a escrever, lançando Estados d’Alma (1917), Mulher Nua (1922), Meu Glorioso Pecado (1928), e Amores que mentiram, que passaram (1928). Foi uma importante precursora da literatura erótica escrita por mulheres. Em 1979, recebeu o prêmio Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras.


Foto: Edu Cezimbra

domingo, 31 de julho de 2016

terça-feira, 26 de julho de 2016

Retorno ao Alegrete



Quase quinhentos quilômetros nos separam,

Alegrete da minha criança.

Mas não há distância

Que separe minha lembrança

De ti, cidade da minha querência.

Caminho por tuas ruas e praças

Como quem volta ao passado 

E me reencontre em cada passo.

Estás bem ali de novo com tuas histórias

Singelas mas marcantes para minha memória.


Foi por sonhar acordado em tuas esquinas

Que inventei o meu mundo,

Cheio de imensidões e estreitezas simultâneas.

Foste um trampolim para saltar fora

Com identidade, intenção e sentido.

Porque contigo aprendi o desejo de ir longe

Deixando por ti saudade, sentimento e desejo,

Cidade pequenina, de tantas lonjuras e vastidão,

De tantas idas e vindas em meu viver andejo.

Nem sempre ao teu encontro, mas contigo no coração.



 Porto Alegre, 26 de julho de 2016.

Edu Cezimbra

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Entrevista com a minha criança




Há quanto tempo, minha criança…
Não tenha medo, minha criança…
Ainda queres crescer, minha criança?...
Vamos brincar de quê, minha criança?…

- Tu estás aí, minha criança?
- …

- Tens medo de quê, minha criança...???
- Como eu estou velho…- O tempo passa…

- Mas ontem eu era bem magrinho…

- É o peso dos anos….
- De que ano tu vem?

- 2016…
- O ano 2000 era tão distante em 1968, pensei que nunca chegaria...

- E o mundo não acabou…

- Como o tempo custa pra passar...nas aulas. Passa muito ligeiro nas 
férias.

- Parece que foi ontem e faz tanto tempo…

- Tu ainda sabe brincar?

- Tento brincar com meus netinhos…

- E minha mãe, meu pai, meu irmão?
- Seguem vivos e fortes!

- !!!- E o que eu vou ser quando crescer?

- Vais continuar sendo este menino sonhador e inquieto.

- Eu quero ser escritor, até já comecei um livro. Já tenho até o 

título: “Mundo Pequeno”, minha história, começa quando eu nasci!

- Olha, vai dar um livro bem grande!

- Então vou mudar o título para “Mundo Vasto”!

- Mundo mundo vasto mundo,

se eu me chamasse Raimundo

seria uma rima, não seria uma solução.

Mundo mundo vasto mundo, 

mais vasto é meu coração.

- Hahahaha… essa é boa!

- Esses versos são do Carlos Drummond de Andrade, um poeta que 

vais gostar muito quando começares a gostar de poesia.

- O meu avô é poeta, fez uns versos pra um tal de Honório…

- O meu também! Hehehe…
- Olha, o Luizoto tá me chamando pra correr, tiau, meu velho!
- Vai lá, então! Mas antes de ir deixa te falar uma coisa: não deixa de correr atrás de teus sonhos!



Porto Alegre, 11 de julho de 2016.

Edu Cezimbra, 57 anos, correndo atrás dos sonhos de criança.

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Primeiramente Fora Temer





  • Onde ouviu medidas impopulares de Temer ouça medidas antipopulares...

  • Os milionários lembram saudosos do FHC e do Britto, agora matam a saudade com Temer e Sartori,

  • O Temer foi eleito? O Hitler também. Depois se deu o golpe apoiado pelo parlamento, judiciário e propaganda da Globo e do Goebells. ‪#‎ForaTemer‬

  • Inegável a memória dos ricos deste Brasil. Diferentemente da classe média brasileira desmemoriada, os milionários, a "zelite", estão lembrando com saudades do governo FHC que lhes rendeu muito dinheiro fácil com suas privatizações, também conhecidas por privataria do patrimônio público da nação. Temer, Sartori no RS, estão dando boas lembranças a eles...Primeiramente ‪#‎ForaTemer‬

  • Onde ouvir Lava Jato, ouça Anti-PT. E mesmo assim, interessante constatar que tem petistas que os anti-petistas do Moro e do Gilmar não conseguem achar um pedalinho que dirá uma pedalada?

  • Parei de percorrer a timeline do facebook nesse instante. Dá uma grande tristeza ver que os problemas sociais se agravam com este desgoverno interino e golpista. Então, primeiramente ‪#‎ForaTemer‬!


  • Uma berinjela assa no forno para uma brusqueta junto ao brasedo vivo do fogão a lenha estalando que faz a chaleira chiar parece que até dizendo, primeiramente, ‪#‎ForaTemer‬!


  • A primeira machadada que desferi abriu uma cunha na cara-de-pau. Pensei que era dura a cara-de-pau... A segunda machadada soltou serragem para finalmente rachar em vários pedaços o PMDB e o PSDB. Rachar lenha é um excelente exercício bioenergético para descarregar a raiva!

  • Tuitada: a seguir sendo denunciado assim, logo Temer vai estar concorrendo com o Aécio nesta disputa pelo primeiro lugar na corrupção.‪#‎ForaTemer‬


  • A neblina está tão intensa que cria uma cena fantasmagórica, ainda por cima aparece, de repente, um animal preto surgindo em meio a bruma no jardim... Para espantar o vampiro primeiramente grito ‪#‎ForaTemer‬!


Porto Alegre, inverno de 2016.

Edu Cezimbra

Escola sem partido, partido sem escola




Basta inverter a ordem dos termos para nos darmos conta da falácia do slogan "escola sem partido": escola sem partido, partido sem escola...

A escola sempre foi e sempre será sem partido; aqui no Brasil ainda se pode falar: sem biblioteca, sem professor, sem merenda, sem condições de ensino e aprendizagem, enfim.

"Escola sem partido" é uma boa jogada de marketing para certo setor reacionário brasileiro que pretende manter "tudo como dantes no quartel de Abrantes".

 "O preço da liberdade é a eterna vigilância" (perdão, mais slogans), convenhamos, é aplicado à risca pelos conservadores como se constata no patrulhamento ideológico a que se dedicam com fervor missionário.

A inversão dos termos me ocorreu por dois motivos semelhantes: não temos partidos no Brasil, muito menos escolas, na correta acepção dos termos...

E a pergunta que fica: a quem interessa não termos Escolas e Partidos no Brasil em sendo ambos apanágio da dita modernidade, tão proclamada quanto escamoteada nestas plagas?

Está aí um bom tema para a redação no ENEM, se tiver ENEM...


Porto Alegre, 07 de julho de 2016.

Edu Cezimbra




quarta-feira, 6 de julho de 2016

Moacyr Scliar e a Bíblia


"Assim, me vi, no dia seguinte, escrevendo a história tal como eles queriam. A mulher sendo fabricada a partir de uma costela de Adão. A mulher dando ouvidos à serpente. A mulher provando do fruto da Árvore do Bem e do Mal. Em suma: a mulher cagando tudo."

Em "A mulher que escreveu a Bíblia", livro de Moacyr Scliar, fui surpreendido pelo estilo irreverente em linguagem coloquial narrando uma fantasia do escritor de origem judaica de Porto Alegre sobre uma esposa de Salomão que escreve o Velho Testamento a pedido do rei.

Há trechos do livro de muito bom humor, do jeito de  Luis Fernando Veríssimo e, outro, em que tive a lembrança de Monteiro Lobato nas "Reinações de Narizinho", livro infanto-juvenil, quando apresenta personagens bíblicos como a Rainha de Sabá.

O livro que traz muitas cenas de erotismo com gírias modernas, obtém um efeito surpreendente mesmo para os leitores de Scliar, e se lê dando boas risadas...

Enfim, o texto da segunda capa não faz propaganda enganosa quando diz que "A mulher que escreveu a Bíblia faz parte daquela seleta categoria dos livros que é impossível parar de ler" e eu acrescentaria: parar de rir!

Porto Alegre, 06 de julho de 2016.

Edu Cezimbra




sábado, 2 de julho de 2016

Manuscristo de Manoel Bandeira, garoto-propaganda de tinta para caneta-tinteiro


Esta garimpagem  literária vem do facebook do chargista Santiago Neltair Abreu.

Eu como bom lixeiro que sou, encontrei no lixo seco de alguém, uma seleção do Reader's Digest de 1966. Lá um anúncio da tinta Parker Quink, aquela que servia para um instrumento do passado que poucos jovens viram, a caneta tinteiro. E o garoto propaganda é o poeta Manuel Bandeira com a sua própria caligrafia no poema "Irene no Céu":
                         Irene no Céu
Irene preta
Irene boa
Irene sempre de bom humor.
Imagino Irene entrando no céu:
- Licença, meu branco!
E São Pedro bonachão:
- Entra, Irene. Você não precisa pedir licença.