Blog de Eduardo Sejanes Cezimbra para escrever sobre a vida, rascunhando impressões, como se manuscrito com caneta-tinteiro e mata-borrão. "Escrevo porque preciso, publico porque amo."
“Não existe paraíso sem inferno e eu criei o inferno aqui” -
afirma o comandante de um campo de extermínio nazista.
Paraíso é um filme russo-germânico, dirigido por Andrei
Konchalovisky, que bota o dedo na ferida do Holocausto.
O discurso de Hitler de criar um paraíso para a “raça pura ariana”
contagia até um aristocrata alemão que ingressa na SS, tropa de elite nazista,
e vira homem de confiança de Himmler.
Sua missão é fiscalizar a corrupção dos comandantes e
oficiais nazistas nos campos de extermínio.
Por esses acasos da vida encontra sua paixão de um verão na
Toscana, uma aristocrata russa, prisioneira de um dos campos da morte,
condenada por ter escondido dois meninos judeus em Paris.
Na França ocupada pelas tropas alemãs há colaboradores e
resistentes que se enfrentam.
Os colaboracionistas franceses cumprem rigorosamente as leis
antissemitas dos nazistas e são os responsáveis pela prisão da russa.
Ocorrem cenas fortes da luta pela sobrevivência das
prisioneiras que, por exemplo, podem até matar por um maço de cigarros.
“Paraíso” é um filme feito para tocar a consciência de todos
os seus espectadores.
O filme capta bem a mentalidade dos nazistas e, também, de
suas vítimas.
Em tempos de retorno de grupos e governos apoiados por neonazistas
espalhados mundo a fora, “Paraíso”, mais que uma advertência sobre essa ameaça
perversa é uma radiografia da peste emocional que contagia os nazistas.
Assistimos uma guerra na Europa por causa desta ideologia
que muitos consideravam morta e sepultada.
A tentação totalitária é forte e os partidários do neonazismo
ucraniano se deixaram arrastar por ela.
Com a derrota nazista já assegurada as provas dos crimes
contra a humanidade foram queimadas, mas a obsessão pela “solução final”
prosseguiu.
Alongue o "xu" pra ver, chuva grossa rolando escarrada.
Exu mijando na encruzilhada.
Urra a trovoada depois da relampagueada.
Extravasa a rua alagada.
Quem é pego na enxurrada não se molha, fica todo ensopado, não dá pra ficar enxuto.
Falo isso porque hoje teve uma enxurrada, não deu mesmo pra ficar enxuto, tive que me enxugar e após trocar o short e a t-shirt (com perdão dos anglicismos).
A gurizada da zona aprendeu com os mais velhos que a pavimentação da rua onde brincavam era "o calçamento".
Foi o acontecimento do ano para a piazada.
As obras para o calçamento da rua onde moravam eram feitas com muitas mãos.
Não faltava mão de obra para ir calçando as pedras de arenito, lado a lado, sob a "supervisão" das crianças.
Os montes de areia e de paralelepípedos eram perfeitos para os brinquedos de rua.
Esperavam "bem-comportados", sentados nos degraus do bolicho o final de mais um dia de serviço para tomarem conta do material à disposição.
No outro dia, vinha a bronca do chefe do pessoal reclamando da areia e das pedras espalhadas durante a brincadeiras.
De fato, para guris de cidade do interior, aquela areia toda era a nossa praia.
Os paralelepípedos, felizmente, eram grandes e pesados para as mãos pequenas, mas, mesmo assim, os castelos de pedra se erguiam ao pôr do sol.
Depois de finalizadas as obras de calçamento da rua viam-se donas de casa felizes com a ausência da "polvadeira" e do "barral" em dias de chuva.
Os bolicheiros, açougueiros e outros comerciantes também se regozijavam pois seus negócios, agora com a rua calçada, eram mais prestigiados.
Uma lástima que estes calçamentos foram depois cobertos por asfalto, escondendo tantas histórias e impermeabilizando as ruas para as águas da chuva e das memórias da infância...
O calçamento, agora, só me aparece em sonho, como o de ontem, em que ajudava com minha companheira atual a calçar a calçada da rua da minha infância!
O "Bife Sujo" era um bar em frente ao bolicho do "seu Caco", no Alegrete.
"Seu Caco", meu pai, vendeu muito "Drury's", nas madrugadas, para os sedentos fregueses da renomada casa noturna da outra esquina.
"Rosinha" era o cozinheiro, um "maricão", gordo e suado, sempre com uma touca branca e avental engordurado, que saia da cozinha paramentado para comprar arroz, feijão e pão no bolicho.
Desconheço se tem a ver com o apelido do bar.
Bem que poderia ter um garçom apelidado "Copo Sujo", mas este era goleiro.
A casa onde estava instalado o vulgo "Bife Sujo" era tão velha que o reboco tinha descascado todo.
Parecia estes prédios gourmetizados que, atualmente, atraem uma clientela "fashion".
Não era o caso do "Bife Sujo", cuja clientela composta de boêmios, putas, veados, gigolôs e "calaveras" (jogadores de cartas), entre outros , atravessava as madrugadas confraternizando.
As brigas de facão ficavam para o "outro lado dos trilhos de Quaraí", nas chinas pobres.
Hoje chamariam o "Bife Sujo" de um boteco "pé sujo" , isso se fosse no Rio de Janeiro.
Que eu me lembre o restaurante não resistiu ao fechamento da zona na vizinhança.
O prédio foi rebocado e pintado pra virar um açougue, por essas ironias da história.
Até hoje as "pessoas de boa família" evitam passar naquela fronteira imaginária entre o sujo e o higiênico...