segunda-feira, 13 de fevereiro de 2023

Avidamente

 


Quando a vida mente é por questão de sobrevivência, questão de vida ou morte, dito de outro modo, avidamente quer manter a vida. 

* Mote de Heduardo Kiesse, Poesiências.


Porto Alegre, 13 de fevereiro de 2023.

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Edu Cezimbra

domingo, 12 de fevereiro de 2023

O Cemitério da Praga Emocional

 


“Alguém já disse que o patriotismo é o último refúgio dos canalhas: quem não tem princípios morais costuma se enrolar em uma bandeira, e os bastardos sempre se reportam à pureza da sua raça. A identidade nacional é o último recurso dos deserdados. Muito bem, o senso de identidade se baseia no ódio, no ódio por quem não é idêntico."

Umberto Eco, no seu livro "O Cemitério de Praga", coloca essas ácidas reflexões como pensamentos de um personagem tão canalha quanto os "patriotas".

Tão sem princípios morais quanto os que se enrolam na bandeira nacional.

Deserdado por não ter noção do que seja uma autêntica e salutar identidade nacional baseada na inclusão e na igualdade.

Para tal personagem nefasto é o ódio irracional e ideológico aos judeus o que criaria uma identidade nacional...

Como constatamos com essa leitura de "O Cemitério de Praga", Umberto Eco recua no tempo para demonstrar o quanto algumas palavras e símbolos funcionam para mobilizar o ódio de uma população, tal qual ocorreu na Alemanha nazista de Hitler, de triste memória.

A prescrição maquiavélica do inescrupuloso personagem diz tudo sobre a condição de uma população suscetível a esse tipo de perversa manipulação política e ideológica:

 "É preciso cultivar o ódio como paixão civil. O inimigo é o amigo dos povos. É sempre necessário ter alguém para odiar, para sentir-se justificado na própria miséria.” 
 
 
Porto Alegre, 12 de fevereiro de 2023.

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Edu Cezimbra

 

sábado, 11 de fevereiro de 2023

Boêmios

 


O pôr do sol despertou

Todos os boêmios

Eles fazem da lua seu dia

 

Torres, 11 de fevereiro de 2023.

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 Edu Cezimbra

 

terça-feira, 7 de fevereiro de 2023

A Lei do Mais Fraco

 


Todos conhecem "a lei do mais forte": é a lei contra o mais fraco.

Um jurista foi consultado e opinou sobre "a lei do mais fraco":

- A rigor, por contraditório, seria a lei contra o mais forte, mas tal dialética jurídica inexiste.

 - Todos são iguais perante a lei - recita "o mais fraco".

"O mais forte" apenas sorri desdenhosamente...

- Data venia, acontece que para o mais forte a lei é bem flexível, veja o caso dos bilionários que obtém habeas corpus com muita facilidade, apesar de roubarem milhões, enquanto muitos que cometem crimes famélicos tem sua prisão mantida.

"O mais fraco" coça a cabeça e conclui melancolicamente:

- Então a lei é uma serpente que só pica os descalços.

Já escreveu Fernando Sabino: "para os pobres é dura lex sed lex: a lei é dura, mas é a lei. Para os ricos é dura lex sed latex: a lei é dura mas estica.


Porto Alegre, 7 de fevereiro de 2023.

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Edu Cezimbra

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2023

domingo, 5 de fevereiro de 2023

Sol Poente

 


Sol poente faroeste

Nuvens de sangue

Águas do lago vinho


Porto  Alegre, 5 de janeiro de 2023.

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Edu Cezimbra

sábado, 4 de fevereiro de 2023

O Dia e Eu

 


 Com chuva ou com sol

Nublado ou ensolarado

O dia se oferece

Para todos e para tudo.

Tenho, pois, que aproveitar 

O dia, pois sou ele.


Porto Alegre, 4 de fevereiro de 2023.

Imagem: Google

Edu Cezimbra

Amrik


"(...) aqui eram grandes não os poetas e ilustrados mas os que ganhavam mais dinheiro nas vendas e juntavam mais e prosperavam mais e aqui só prosperavam os ignorantes que nem ler e escrever sabiam."  

Ana Miranda, no romance "Amrik" conta a desilusão de um velho poeta e erudito libanês quando chegou no Brasil.

Acostumado a receber as honrarias e o reconhecimento dos libaneses pela sua arte e sabedoria, aqui, viu-se reduzido à humilde condição de um escrevente de cartas alheias.

Amrik é a pronúncia de América pelos imigrantes libaneses que aqui aportavam em busca da liberdade religiosa que não encontravam no Líbano dominado pelos turcos.

Por isso, até hoje, os libaneses e sírios são chamados de turcos pelos brasileiros pois chegavam com passaporte emitido pela Turquia.

Conto essa pequena história para dizer que embora não seja nem libanês nem tenha tanta erudição também fico triste com a constatação que no Brasil os "grandes" sejam os bilionários apoiadores do Bolsonaro.

Bolsonaro, que personifica o "triunfo das nulidades, a prosperidade da desonra e o crescimento da injustiça" como escreveu o genial Rui Barbosa.

Não tenho vergonha de ser honesto, como concluiu, com ironia, nosso intelectual, mas, sim, tenho a satisfação de ser poeta, o que muito me consola...


Porto Alegre, 3 de fevereiro de 2023.

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Edu Cezimbra

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2023

Boca do Inferno

 

 

- Para a Boca do Inferno só se vai obrigado.

 

- Depois de cair na "Boca do Inferno" a boca do povo é o Paraíso.

 

- A Boca do Inferno é o vestibular para a Garganta do Diabo.

 

- Quem tem Boca do Inferno vaia Roma.

 

- Quando se abre a Boca do Inferno muitos caem nela.

 

- Vem daí o dito popular: em Boca do Inferno fechada não entra mosca.


 

Porto Alegre, 2 de fevereiro de 2023.

Imagem: Aleksandra Waliszewska, Facebook

Edu Cezimbra

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2023

Pês


 


Passivo é o paciente  

Potente é a pólvora

Pacífico é o povo

Pateta é o pato

 

 
 Porto Alegre, 1º de fevereiro de 2023
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Imagem: Pinterest
 
Edu Cezimbra