quinta-feira, 9 de julho de 2020

Realidade

A vida não admite fake news porque é a sucessão de fatos reais o que constitui a realidade, ou por outra, a vida acontece enquanto vivermos.
A vida não admite fake news porque  a sucessão de fatos reais é o que constitui a realidade, ou por outra, a vida acontece enquanto vivermos.


Porto Alegre, 9 de julho de 2020.

Imagem: Kevin Lau, Pinterest

Edu Cezimbra



quarta-feira, 8 de julho de 2020

As Aventuras da Mercadoria


O Mercado está nervoso com a crise. A Mercadoria está encalhada…

O Mercado e a Mercadoria tem uma relação familiar.

Papai Mercado foi “ter uma conversa séria” com a dileta filha Mercadoria.

- Mercadoria querida, filhinha, o que houve? Estás tão parada aí neste canto da gôndola…

- Ai, papai Mercado, ninguém me quer, estou me sentindo en-ca-lha-da!!!

- Já anunciaste promoção?

- Já tentei promoção, pra mocinha, e nada!!!

- Então tens que partir pra liquidação!

- Ai, papai Mercado, hoje em dia nem se fala mais em liquidação, agora é “sale”, e nem assim desencalhei…

- Vamos apelar para a “Black Friday”!!!

- Nem assim desencalhei, papai…

- Não é à toa que estou nervoso, filhota!!!

- Sim, papai Mercado, se seguir assim vou virar sucata…

- Calma, titia, digo filhona… vamos bolar algo antes que vires sucata!

- Ai, papai, aí eu seria a “Rainha da Sucata”…

- Hum… é isso!!! Vou criar um “reality show” só pra ti, tipo BBB, vou chamá-lo de “As Aventuras da Mercadoria”, tu vais vender como nunca!!!

- Ai, papai, só não convida o Guedes para a direção, senão vais ter que chamar o programa de “As Desventuras da Mercadoria”...


Porto Alegre, 8 de julho de 2020.

Imagem: Pinterest

Edu Cezimbra

terça-feira, 7 de julho de 2020

Promessa


Perdoe, poesia

Se, às vezes, escrevo

Crônicas pra contar

Meu dia a dia.


Permita, poesia

Pois, às vezes, escrevo

Contos pra contar

Minhas histórias.


Prometo, poesia

De, sempre, escrever

Pensando em ti,

Minha amada poesia...



Porto Alegre, 7 de julho de 2020.

Imagem:Pinterest 

Edu Cezimbra

segunda-feira, 6 de julho de 2020

Entre a letra maiúscula e o ponto final

O escritor Ken Follett, no romance "Eternidade Por um Fio", conta uma anedota em que o todo-poderoso Kruschev, líder máximo da URSS, preferiu que um roteirista condenado a trabalhos forçados na Sibéria permanecesse naquelas terras gélidas e distantes exercendo a função de eletricista.

Segundo Follett, Kruschev argumentou que um roteirista em Moscou não serve para nada, enquanto um eletricista na Sibéria tem mais utilidade. 

Uma anedota que ilustra bem a opção soviética pela industrialização forçada em detrimento da liberdade de expressão e da criação artística e cultural.

O preço dessa opção custou caro para o PC soviético como sabemos.

O que me lembra o dito de Neruda: "Escrever é fácil. Você começa com uma letra maiúscula e termina com um ponto final. No meio você coloca ideias"...


Porto Alegre, 7 de julho de 2020.

Imagem: cartaz soviético, Pinterest

Edu Cezimbra


domingo, 5 de julho de 2020

Todas


Aos arautos
Toda atenção
Pois vem aí
A destruição

Aos videntes
Toda visão
Pois vem aí
A previsão

Aos profetas
Toda audição
Pois vem aí
A predição

Aos poetas
Toda precessão
Pois vem aí
A criação


Porto Alegre, 5 de julho de 2020.

Imagem: Alessia Lanetti, Google

Edu Cezimbra

sábado, 4 de julho de 2020

O Patinho Feio


Essa é a história de um Patinho Feio que nasceu em ninho de cisne.

Papai cisne olhou desconfiado para a mamãe cisne...

Dona Cisne minimizou a diferença: 

- Ah, puxou os primos do Paraná...

O patinho cresceu junto a seus irmãos adotivos e admirava muito seus papais cisnes.

O tempo foi passando e o patinho não continha a admiração pela beleza e altivez dos cisnes negros.

- Quando crescer quero ser como o senhor! - exclamou o Patinho Feio.

O senhor Cisne Negro olhou o Patinho Feio do alto e o fulminou com implacável juízo:

- Vai sonhando... tu não vais passar de Marreco de Maringá!

Moral da fábula: quem nasce pato não chega a cisne.


Porto Alegre, 4 de junho de 2020.

Imagem: Patife, Google

Edu Cezimbra

sexta-feira, 3 de julho de 2020

Conflito das Águas



Uma equipe de filmagem desembarca em Cochabamba para gravar cenas de um filme sobre a “conquista” das Américas por Colombo.

A intenção é economizar usando figurantes e locações na Bolívia devido ao baixo orçamento do filme.

Como todo projeto, nem tudo sai como planejado, especialmente, pelo “conflito das águas” (título em português).

Não à toa o tema volta à tona, recorrentemente, pois há sempre um governo que insiste na privatização desse bem comum.

O ouro tão avidamente buscado pelos espanhois no século XVI transformou-se em “ouro azul” das águas, objeto de cobiça dos novos saqueadores.

O título em espanhol é autoexplicativo: “También la lluvia”.

A relação com os povos indígenas permanecerá sendo a de exploradores e explorados com os mesmos requintes de crueldade.

A “película” espanhola teve dificuldade de ser concluída na Bolívia porque os valores indígenas ainda são mantidos íntegros.

Há ações que são inaceitáveis para estes povos, entre elas, expropiar os bens comuns ou matar seus filhos...


Porto Alegre, 3 de julho de 2020.

Imagem: cena do filme, Google

Edu Cezimbra

Sentido Mal




Poeta não é
Sentimental.
Verseja, apenas,
O sentido mal
Em suas penas.








Porto Alegre, 3 de julho de 2020.
Imagem: Baudelaire, Google
Edu Cezimbra

quinta-feira, 2 de julho de 2020

Duas Velas


A noite foi de vendaval. Um ciclone extra-tropical aterrorizou o sul do Brasil.

Ficamos dois dias sem luz (entenda: sem internet)…

Nestes casos de catástrofes é bom estar prevenido e dispor dos primeiros-socorros: livros, muitos, caneta BIC e caderno para escrever umas poucas e mal-traçadas linhas cercando o fogão a lenha.

Ah, sim, um pacote de velas é item obrigatório!

O baixo, felizmente, não é elétrico, e tocado pelas mãos hábeis do meu filho soa ainda mais grave e tocante.

Também faltou água, por pouco tempo, felizmente.

Felizmente, não necessitamos de eletricidade para respirar ( se não estivermos em uma UTI)…

O meu caro e raro leitor já deve ter notado que escrevi três vezes seguidas felizmente (quatro!)…

Sinal claro que não é preciso eletricidade para ser feliz…

P.S.: em homenagem à Maritânia que era (e é) feliz sem luz elétrica e ao Francisco que hoje está de aniversário. 



Porto Alegre, 2 de julho de 2020.

Imagem; foto de Francisco Cezimbra

Edu Cezimbra

terça-feira, 30 de junho de 2020

Joaninas


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8º, mas não se micha o gauchão. Bota básica de malha e por debaixo da bombacha bota logo o cuecão.
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Em dia frio é sempre bom lembrar: bomba não é microfone e cuia não é luva de lã.
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Bacurau pegou geral nos EUA, clima é de uma nova Guerra da Secessão contra o racismo.
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Sensação térmica de 8º C - tá mais pra sensação trêmula...
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Paráfrase: o que os olhos não veem, o coração não deseja, mas o pensamento enseja.
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O coração tem paixões que a razão desconhecem.
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Se quem é antifascista é terrorista, quem defende torturador é terrorista de estado.
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Fogão a lenha, para mim, símbolo do slow food, cozinha devagar mas a comida fica bem mais saborosa.
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Coisa boa este solzinho do meio-dia para aquecer (inconcebível para os amigos dos sertões brasileiros)!
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Além de bonito e romântico o tapete de folhas secas é benéfico ao solo.
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Se preguiça matasse seria uma morte lenta...
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Como seria o mundo sem a educação ambiental e a ação direta dos ambientalistas?
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Quer conhecer as pessoas, dê-lhes poder, ou coloque-as em quarentena.
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Depois de uma certa idade a coluna vira uma quinta-coluna.
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O sol espiou por entre as frestas das nuvens e voltou pra sua cama dossel porque está pra chover e muito frio.
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Se o futebol é o ópio do povo, as torcidas organizadas estão desintoxicadas.
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Parafraseando Millôr ( de novo): se for contra mim é marginal, se for a meu favor é gente de bem.
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Gostes ou não, frase de efeito é um aforismo com defeito.
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Embora pareça, "kakistocracia" não é o governo do Kakistoquistão, mas o governo dos piores, ou seja, é o (des)governo do Brasil.
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"A história é remorso", já disse Drummond, ao que emendo: pra quem tem bom sentimento...
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A democracia é demagogia quando impede ou cerceia a participação popular.
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Já dizia meu velho pai: "Não 'afroxa', Pedro Rocha!"
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Eu morro e não vejo tudo: depois do nazismo ser de esquerda agora o Bolsonaro é petista.
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Não bastasse o General Inverno ser contra a energia solar, ainda decreta toque de recolher na natureza.
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O fascista é um racista assumido.
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Quando as instituições vão de mal a pior é preciso deixar de ser instituído e ser constituinte.
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Dia dos Namorados: Feito o fogo na lareira há que mantê-lo aceso, assim também é com o amor.
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Quando faltam políticas públicas, abre-se espaço para que outros ocupem o lugar, entre eles, as seitas e as milícias.
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Bolsonaro quer criar novas UTIs: Unidades de Tanatologia Intensiva.
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O sol de inverno flerta com a manhã e não comparece...
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O casamento do Moro e do Bolsonaro durou pouco por incompatibilidade de gêmeos.
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Devido lotação esgotada, a frase do cemitério "Nós que aqui estamos por vós esperamos" foi mudada para "... por vós desesperamos".
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NAMASKÁRA: Saudação hindu em tempos de pandemia: a máscara que há em mim saúda a máscara que há em ti.
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Parafraseio Roberto Freire (Somaterapia): Sem libido não há sentido.
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Eu avisei (2017): Ascensão de Hitler na Alemanha deu-se em cenário de descrença em partidos tradicionais e crise econômica.
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Enquanto a esquerda faz "nota de repúdio", a direita repudia a nota.
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Autocrítica pode ser construtiva!
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Polícia Civil do DF faz busca e apreensão em chácara de apoiadores de Bolsonaro: acabou a munição, e agora?
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Se a "Corrida Maluca" fosse no Brasil quem seriam os personagens?
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A verdade surge quando a mentira é gigante.
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Todos sabemos que vamos morrer um dia, mas quando a morte é ocultada a vida é desvalorizada.
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A democracia pode e deve ser questionada, nunca sonegada.
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Quem é de esquerda não participa da rede social, mas da rede socialista...
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A vida é dura quando madura, depois amolece...
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A pandemia torna evidente que sem ecologia não há ambiente para manifestações políticas.
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Nas melhores livrarias, "A biografia de Sérgio Moro: uma vida inteira atrás do sítio errado"
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Caso Centrão-Bolsonaro, fica a dúvida, quem centralizará quem?
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Privatização da água: Brasil nadando contra a corrente, 58 países estatizaram de novo o serviço, por fracasso da privatização.
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Se o prejuízo fosse privado não haveria privatizações.
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Com o Centrão, Bolsonaro implementa novamente a democracia participativa: cada deputado pega a sua parte.
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A noite ergue lentamente a barra molhada da saia para parir uma manhã úmida e cinza.
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Quem dera a rapacidade fosse apenas uma etapa da vida humana.
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Facebook, junho de 2020.

Imagem: cartum de Miguel Paiva

Edu Cezimbra