domingo, 7 de fevereiro de 2016

Diário dos Alpes, 2ª parte



Cervinia,  05/02/2016, sexta-feira

Ontem fomos agraciados com um nascer do sol deslumbrante sobre a montanha. Umas poucas nuvens altas envolveram o sol que as deixou com as tonalidades de arco-íris, ou melhor, nuvem-íris...

Nada melhor que apanhar um sol após uma nevasca sentados na sacada ensolarada do prédio saboreando um bom mate gaúcho cercados de montanhas nevadas.

Achei um café a duas curvas do apartamento e aproveitei para postar a primeira parte deste “diário dos Alpes” e depois demos uma boa caminhada na estrada ainda com restos de neve apesar da remoção com tratores. 


Aproveitei para fotografar esta paisagem totalmente coberta de neve, com o Matterhorn Cervino quase todo nevado.

Combinamos uma carona com o amigo brasileiro Rodrigo, que reside na Itália, para a cidade de Aosta, capital da região autônoma do Valle d’Aosta e a viagem em si já dá uma boa ideia do que é esta região, com muitos povoados nas encostas com muralhas de pedra, formando terraços onde se pode ver as videiras que fazem o bom vinho local.

Surpresa total quando chegamos ao centro histórico de Aosta/Aoste (o francês é uma segunda língua), um museu a céu aberto, como seus administradores chamam sem nenhum exagero. 


Antes de chegarmos ao início do roteiro no Arco de Augusto tínhamos passado perto de uma ponte romana, ambas do século I a.C.

Outras atrações imperdíveis são a a Porta Praetoria, também do séc. I a.C, construída com enormes pedras da região e que em suas torres abriga até restaurante e o escritório de turismo da cidade e o Teatro Romano, com sua alta fachada de colunas e arcos erguida da mesma maneira, este do século I d.C. 





Tanto o arco quanto o teatro mantêm boa parte de seus formatos originais e dão uma boa noção do que era a arquitetura romana da época.

A Catedral de Aosta/Aoste tem uma porta muito divulgada nos guias turísticos: a Porta da Misericórdia, em alto-relevo e com afrescos antigos em toda a sua volta, uma visita obrigatória aos católicos e aos apreciadores da arte sacra antiga, porque abriga um museu com pinturas religiosas.

Como disse a Maritânia: uma viagem no tempo!!!

Hoje, sábado, 06/02, pegamos o ônibus até Chatillon, uma pequena cidade do Valle d’Aosta, estação ferroviária onde desembarcamos e que voltamos para um passeio. Um vento gelado aumentava o frio e as ruas estreitas potencializavam a sensação térmica enregelante.
Fizemos parte de um roteiro de trilhas entorno da cidadezinha e fomos parar na Igreja de São Pedro e São Paulo, que nos acolheu nas suas sombras cálidas tendo como única luz a que atravessava os vitrais dos santos.

Após nos abrigamos no primeiro café que apareceu onde tomei um café “corretto”, tradução: café com graspa (grappa), que aqueceu e deu um alento para continuarmos a “rû de la plaine” até um dos muitos castelos da região, que infelizmente não abre aos sábados...

Acreditem, tem “carnaval” em Chatillon... Fomos surpreendidos por um trator puxando um reboque com muitas crianças e suas mães em uma “festa de pijama” circulando pelas estreitas ruas escoltados por dois carros da polícia local.

Hoje, 07/02/2016, “a neve anda a branquear lividamente a estrada / e a minha alcova tem a tepidez de um ninho”, apropriados versos do inspirado poeta gaúcho  Alceu Wamosy, que me vem à mente quando levanto tarde e olho para fora da “alcova”...


Começou a nevar à noite e hoje de manhã a neve segue a cair,  mas de uma forma diferente, intensa e suave, encobrindo os ramos dos pinheiros desfolhados emprestando à paisagem cenas de “Cidadão Kane”, ‘rosebud’...

Por falar em “viagem no tempo”, escuto uma fita-cassete (?!) de blues, em um aparelho antigo muito bem conservado e com um repertório que inclui, além do blues, jazz, clássicos e pop (até Benito de Paula interpretado por orquestra de baile).


É carnaval, uma doce ilusão...Até breve, arrivederci!