domingo, 28 de fevereiro de 2016

Diário de Veneza





Veneza, sem nenhum exagero, não tem igual no mundo. Não fosse seu reconhecimento e fama internacionais, ao descrevê-la pensariam que se tratasse de ficção, surrealismo ou realismo fantástico, dada a sua construção entre múltiplos canais que se entrecruzam e permitem a passagem de centenas de gôndolas em que o gondoleiro precisa se abaixar ao passar debaixo de suas pequenas pontes de pedra.

A chegada na estação ferroviária já se dá às margens do Canal Grande causando deslumbramento a quem desce os seus degraus.

Veneza é uma cidade única no mundo, embora ocasionalmente algumas cidades brasileiras adquiram suas feições devido aos alagamentos e enchentes de seus rios...

Com toda sua urbanização feita entre canais de água com pontes de pedra ligando suas estreitas vielas, o turista passeia a pé ou em gôndolas, lanchas ou barcos chamados de “vaporettos”, jamais de carro, ônibus ou metrô.

Tem diante dos sentidos uma cidade medieval com seus sobrados, com uma arquitetura com traços orientais, vitrines repletas de máscaras do carnaval veneziano, vidros coloridos, aromas e perfumes (como era inverno não senti o tão falado mau cheiro de seus canais).


Uma grande pedida em Veneza é subir ao campanário da Piazza San Marcos para ter uma vista panorâmica com um mar esverdeado, ilhas cheias de palácios, palacetes e igrejas, bem como os telhados vermelhos que dão um colorido especial a uma paisagem de tirar o fôlego. Fique preparado para o badalar de enormes sinos bem junto dos ouvidos quando estiver no alto campanário!

São muitos os prédios que tem suas portas de entrada nos canais, até hotéis são acessados pelas gôndolas pretas, que estão espalhadas por toda a cidade dando o toque romântico com seus gondoleiros de camisa listrada e chapéus de palha com fitas vermelhas que quebram com seus gritos folclóricos o silêncio de uma cidade sem o costumeiro ruído de carros e suas buzinas de todas as grandes cidades.

Vale passear pela cidade, tanto caminhando por suas ruas estreitas quanto navegando pelos seus canais. 

Fizemos inicialmente uma caminhada desde a estação ferroviária até o mercado de Rialto, passando antes pela Piazza San Marco e pela Ponte dos Suspiros, perto da praça, que leva este nome não pelos suspiros dos amantes, mas pelos suspiros dos prisioneiros, pois liga o palácio dos doges a uma prisão.


No retorno para a estação ferroviária pegamos um “vaporetto”, espécie de ônibus aquático que faz a ligação entre os principais pontos turísticos de Veneza e que navega pelo Canal Grande e proporciona uma vista privilegiada de todos os palácios às suas margens.

Inesquecível esta Veneza, fonte de inspiração para tantos poetas e romancistas, artistas e cineastas, compreensivelmente, quando se constata com seus próprios olhos!

Edu Cezimbra,

Veneza, Itália, 15/02/2016