segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Leitura matinal comentada à tarde


SE ME ARRUINAREM O POVO, QUEM ME SUSTENTARÁ E QUEM HÁ DE AMPARAR OS ENCARGOS DO ESTADO? - Henrique IV

Sílvio Ferraz de Arruda, em "Frases Célebres Notáveis", comenta:

"Durante seu reinado, Henrique IV sempre procurou olhar com particular atenção a questão do bem estar das classes laboriosas, tão oprimidas durante a guerra civil. Dizia ele: "Tudo ia mal quando o pai ali não estava; hoje tem cuidado com os filhos e tudo corre bem". Durante seu reinado reprimiu com grande severidade as exações dos financeiros e a licença dos homens de guerra, citando muitas vezes essa palavras."

 Um rei populista, diriam, desdenhosamente, os neoliberais de plantão.

Henrique IV escapou por pouco da morte junto com seus "irmãos" protestantes, em 1573, na macabra "Noite de São Bartolomeu", em que foram assassinadas milhares de pessoas, em Paris.

Um rei moderno diriam os monarquistas de plantão.

O que me chamou muito a atenção foi sua preocupação com as "classes laboriosas", coisa rara entre reis do século XVI, nos passados e vindouros...

Inegável a semelhança do discurso de Henrique IV com um presidente (não o homônimo) mas o seu opositor, que também corre o risco de ser assassinado politicamente por um punhal, não de aço, mas de papel...
São igualmente conhecidas estas palavras dirigidas ao Duque de Savoia, exprimindo um desejo futuro que foi obstado pelo punhal de Ravaillac: " Se Deus me der ainda muitos anos de vida, eu farei com que não haja um só lavrador em meu reino que não possa ter uma galinha na sua panela aos domingos".


Porto Alegre, 27 de novembro de 2017.

Foto: Francisco D. Cezimbra

Edu Cezimbra