quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Mundo vasto mundo



Mensagens edificantes mantém o mundo
Para o bem,
Para o mal.

Religiões aguentam o mundo
Para enganar o tormento,
para ludibriar o sofrimento.

Moral detém o mundo
Para o novo controlar,
Para o velho legislar.

Filosofia questiona o mundo
Para não se questionar,
Para não se afastar.

Arte cria o mundo
Para seu açoite,
Para seu deleite.


Porto Alegre, 11 de janeiro de 2017.

Foto: The Intercept

Edu Cezimbra

Sacadas do facebook



  • Deixar corruptos combater a corrupção lembra Drácula cuidando do banco de sangue.

  • Temer não liga para impopularidade, por isso a temeridade das medidas antipopulares.

  • Temer diz que não cai de pinguela. -Só se o FHC não balançar ela.

  • ‘Hoje em dia, nós estamos abusando da democracia’, diz Schirmer.

  • Ver as injustiças sociais não te torna comunista ou cristão; humanista, sim.

  • Depois da poesia, a academia! - De letras? Não, manejo do bambuzal.

  • RS: Estado de anencefalia por causa do Zikartori.

  • O Ministério da Saúde adverte: "pessoas, que pautam sua vida pela paixão clubística ou religiosa correm alto risco de sofrer um rebaixamento intelectual ou mesmo mental."

  • Crise no RJ e RS: - A culpa é do Brizola?

  • No Brasil tudo passa, menos a pobreza e os reaça.

    • Feliz 2037, Brasil (após 20 anos de PEC do Fim do Mundo)!

    • Gaúcho foi politizado na Legalidade do Brizola. Depois midiotizado pela RBS.

    • Depois do Inter foi a vez do RS sofrer rebaixamento, graças aos seus dirigentes.

    • Lápide para a AL-RS: " aqui jaz o povo mais politizado do Brasil".

    • Bombas fora da AL-RS mas a maior bomba é o pacote do Sartori sendo votado lá dentro.

    • Quem com golpe governa com golpe será desgovernado.

    • Uma meia verdade é uma mentira inteira.

    • Alexandre Morais quer acabar com a maconha sozinho. Não seja egoísta, Alexandre!

    • Educação não é solução se não desligar a televisão.

    • Não tem pão? Comam panetone, dirá Temer nesse Natal.

    • Pior que o rebaixamento do Inter é o do Brasil para "República de Bananas'.

    • Ar condicionado com aroma de mato e orvalho: abro a janela!

    • No Hospício Brasil tem muito doido mas mais perturbada está a diretoria.

    • Antes de uma Escola Sem Partido é urgente uma TV Sem Partido.

    • Tudo fica tão perto do coração em uma cidade pequena.

    • Pessoas que criticam as medidas de proteção social como comunismo não são do povo.

    • Quem confunde democracia com comunismo não tem que estar no facebook, mas no MOBRAL.

    • Tem gente que confunde democracia com comunismo. Precisam estudar história.

    • Quem tem boca vaia Temer.

    Facebook, dezembro de 2016.

    Edu Cezimbra

    segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

    As mães por quem surgem as revoluções

    "As mães, ninguém tem pena delas.
    Ela sabia disso. Tudo o que dizia Pavel da vida das mulheres era verdade, verdade amarga e  familiar, e o coração dela palpitava numa loucura de doces sensações, a sua ternura desconhecida confortava-a pouco a pouco. E então, que vais fazer? perguntou, interrompendo o filho. Aprender, para depois ensinar aos outros. Temos que estudar, todos nós, operários. Temos que saber, temos que entender a razão de a vida ser tão dura para nós.”

    As mães por quem surgem as revoluções...

    Enforcamentos, açoitamentos e mutilações eram usuais na Rússia czarista, antes de 1917. Eram os 'métodos' aceitos para os latifundiários russos castigarem os servos por faltas mínimas em suas terras.

    A brutal e total repressão czarista era um sistema totalitário que a todos impregnava. Mesmo entre os idosos, os pais e os operários havia essa aceitação tácita da violência como nos conta Máximo Gorki, em seu romance épico "A Mãe'.

    Ocorre-me que o que aconteceu na Rússia czarista tem muita semelhança com o que aconteceu e, pior, ainda acontece no Brasil. 

    Qual a diferença entre a Rússia czarista e o Brasil golpista? Máximo Gorki em outro trecho de sua obra-prima nos dá uma pista:

    “Senta-te, mãe...
    Ela sentou-se pesadamente ao lado dele e endireitou-se, atenta e séria, e preparou-se para ouvir algo importante.
    (...)Leio livros proibidos. Os livros são proibidos porque dizem a verdade sobre a vida de operários... São impressos às escondidas e, se os encontram aqui, metem-me na prisão, porque eu  quero saber a verdade. Compreendes?
    (...) Não chores! pediu com ternura, mas para a mãe era como se ele lhe estivesse a dizer adeus para sempre."

    Foi Raul Seixas que sentenciou que "brasileiro não gosta de ler", após escrever um livro repleto de verdades que ninguém leu, e que depois foram divulgadas em seus rocks de amplo alcance popular. 

    Raul morreu antes de testemunhar a morte da música popular no Brasil por decapitação da inteligência cultural brasileira. 

    Com a palavra, as mães brasileiras...

    Porto Alegre, 09 de janeiro de 2017.


    Edu Cezimbra 
     
     


      


    sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

    O Tom do Sabiá




    Cigarras chiam na mata
    No rádio nova bossa
    Coisa rara na praça
    Olha só o sábia!
    -Não dá pra olhar...
    Só pra escutar
    Mas tá ali, ó!

    Porto Alegre, 06 de janeiro de 2017.

    Foto: capa de 'Passarim', Tom Jobim

    Edu Cezimbra

    sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

    Roteiro de Natal


    Muito longe de shoppings decorados, longe de avenidas iluminadas, um casal de humildes refugiados busca um abrigo para passar a noite na beira de uma estrada que corta a floresta devastada.

    A jovem de traços nordestinos, marcados pelas privações da seca e da fome carrega em seu ventre uma criança.

    O jovem pai, negro quilombola maranhense, acompanha a mulher, apoiando-a com seus braços e ombros em sua vacilante jornada sob um sol abrasador.

    À primeira vista parecem um casal de retirantes, mas na verdade são fugitivos de suas terras, pois estão marcados para morrer.

    Não queriam ceder aos madereiros e garimpeiros os castanhais da floresta de sua reserva extrativista.

    Após um fuga às pressas de Nazaré, seu povoado, e depois de muito caminhar se aproximam de Belém do Pará.

    Seus nomes, Maria e José, são muitos comuns naquelas paragens.

    Tentaram arrumar pouso em pensões baratas da capital mas seu pouco dinheiro é insuficiente para pagar uma diária.

    Depois da longa caminhada, Maria começara precocemente o trabalho de parto, longe de qualquer hospital ou maternidade.

    Em desespero buscam um abrigo qualquer para receberem a criança anunciada.

    Já anoitecendo, encontram uma barraca de lona preta, dessas usadas em acampamento dos sem-terra.

    Exaustos pela longa jornada, com fome e sede, são ajudados por mulheres do acampamento que lhes dão água e macaxeira.

    Uma velha parteira recebe a criança que é enrolada em um pano vermelho, uma puída bandeira em que os jovens se veem desenhados.

    Então, aos poucos, a gente do acampamento se reúne ao redor da criança, que batizaram de Jesus, pois era noite de Natal.

    Uma estrela brilhante paira sobre a lona preta...

    Porto Alegre, 23 de dezembro de 2016.

    Edu Cezimbra

    quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

    quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

    Nomes próprios


    O professor Policarpo, certo dia, ao fazer a chamada de uma de suas muitas turmas percebeu que tinha um grupo de meninas que faziam jus ao nome. 

    O ano escolar já ia pela metade e de tanto repetir seus nomes notou que combinavam com seus caráteres.

    Como era professor de literatura percebeu que os nomes próprios se associavam a suas propriedades.

    Diva era a mais glomourosa, a diva da turma, com maneirismos de atriz de teatro de revista, sempre cortejada pelos colegas embevecidos pelo seu talento.

    Sofia era a mais sábia, ponderada, ajudando as colegas na filosofia, história e interpretação de texto.

    Hera era muito apegada às colegas, pronta para ir atrás delas, ciumenta e maternal.

    Stela era a estrela da turma, convidada a estrelar os curta-metragens das aulas de cinema.

    Petra era a mais firme, uma fortaleza mesmo, fundamental para a estabilidade de grupo tão plural.

    Essas 'meras coincidências' surpreenderam o professor Policarpo, com 100 anos de idade, - e ainda longe de se aposentar...

    Por um simples fato: já tinha conhecido muitas Divas, Sofias, Stelas, algumas Petras e poucas Heras que não faziam jus aos nomes.

    Pensativo, Policarpo fechou o caderno de chamada. Como era um idealista, a exemplo do personagem homônimo de Lima Barreto, considerou que se as pessoas fizessem jus ao nome haveria mais paz e menos guerra, mais selvas e menos machados, mais justos e menos maquiavélicos no mundo.

    "Alguns nomes são mais impróprios do que próprios", assim o Professor Policarpo concluiu melancolicamente a sua reflexão...


    Porto Alegre, 21 de dezembro de 2016.

    Foto: normalistas

    Edu Cezimbra

    terça-feira, 20 de dezembro de 2016

    Resistências



    Aqui já te encontravas
    Vivendo
    Muitos povos espalhados
    Pelas matas
    Falavas centenas de línguas
    Nominavas
    Rios, serras, cachoeiras
    Animais, árvores e sementes
    Para ti mais que coisas
    Sabias da floresta
     Os segredos 
    Tuas medicinas eram naturais
    Raízes, ervas, plantas
    Com teus cantos, danças
    E crenças
    Manténs viva a tua terra
    Sagrada

    Podias não falar latim
    Ou grego
    Nem entendias da missa
    O latinório
    Pois falavas línguas
    Africanas
    Vindos em navios negreiros
    Escondidas em trapos
    Trouxeste
    Sementes de culturas
    Ancestrais
    Memórias vivas
    De tuas tradições
    Sabedorias milenares plenas
    De humanidade
    Ocultados nos santos dos opressores
    Fostes capaz de manter vivos
    Os orixás

    Porto Alegre, 20 de dezembro de 2016.

    Edu Cezimbra

    segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

    Manoel de Barros e a linguagem dos pássaros


    "...Me procurei a vida inteira e não me achei - pelo que fui salvo."

    Acordei da sesta por Manoel de Barros como passarinho cantando a insignificância ciscando migalhas.

    Sonhava os versos de uma letra musicada por um compositor nordestino quando despertei com uma lufada de ar fresco soprado pela boca azul, verde do poeta das inutilidades.

    Sua fala mansa trinava água, terra, árvores, murmurando poesia como quem canta no ramo mais alto de um ipê-roxo.

    Sem pretensões, nem magnificência, - que esta ele deixa ao encargo de Deus - vai nos cantando novas palavras desprovidadas de sentido mas plenas de significados desocultados.

    "Fazer o desprezível ser prezado é coisa que me apraz"

    Era Manoelzinho correndo com seus amigos índios pantaneiros atrás de uma bola na pelada às margens do rio Paraguai.

    A sua poesia por ele mesmo recitada é como banho de rio depois de percorrer a trilha inóspita das palavras alinhadas com terno e gravata.

    Deixo aqui minha homenagem a Manoel de Barros que virou árvore para atrair mais passarinhos e com isso nos ensinar a 'linguagem dos pássaros':


    Porto Alegre, 19 de dezembro de 2016.

    Foto: divulgação

    Edu Cezimbra

    quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

    Entre a ideia e o ideal


    Ideias vem e vão
               vãs
               vadias 
    Capturadas em pleno
               voo
               viram ideais
    Como pássaro na gaiola
          em vão cantam

    Ideais sem ações
               sábias
               são vagas ilusões
    Destituídas de vigor
                Inócuos
    desmancham-se no vazio
                     Voláteis

    Ideias vem e vão
               voam
               vigoram
    quando pousam
    na floresta
            dos  pensamentos
                  Pensados juntos
               viram realidade 


    BR-386, 15 de dezembro de 2016.

    Foto: mural de Moacir na Chapada dos Veadeiros-GO

    Edu Cezimbra