domingo, 19 de maio de 2019

Capitalista Fuleiro


"Capitalismo fuleiro", categoria criada pelo poeta e economista Lula Miranda, articulista da revista Caros Amigos, lá pelo futurista ano 2000, cada vez mais em vigência, no Brasil.

O Lula, autor desta coluna, explica em bom português, o significado de "fuleiro", regionalismo nordestino sinônimo de "ordinário, reles".

Dá indicativos de como identificar o "capitalista fuleiro", pelo uso sistemático de clichês economicistas tais como " custo Brasil", "déficit intrínseco da Previdência" (mimimi), "salário mínimo possível" e "encargos recessivos".

Diz o Lula, que não é Silva, que o "capitalista fuleiro" é um verdadeiro agente da deseconomia e da desinformação.

Escrito no ano 2000, ano em que já se sentia os efeitos perniciosos das perversas privatizações do governo FHC, que além de quebrarem o Brasil por três vezes consecutivas "brindaram" com péssimos serviços os consumidores brasileiros, o artigo não generaliza contra os empresários brasileiros.

Talvez, por não ser escrito em 2019, embora termine apelando pro Virgulino: "deixa de fuleragê, cabra!".


Porto Alegre, 19 de maio de 2019.

Imagem: charge de Rob para Caros Amigos

Edu Cezimbra




sábado, 18 de maio de 2019

Os Intelectuais e os leitores


                "Não pode haver intelectuais se não há leitores."
Jürgen Habermas, filósofo, faz este dramático alerta para a letrada sociedade européia. 

Todos nós, leitores, temos consciência da importância dos intelectuais em sua missão de serem "grilos falantes" de uma "sociedade pinóquia".

Se a conclusão for acertada então o próprio Habermas estaria pregando no deserto...

Nem tanto, penso eu. O que Habermas faz é carregar nas tintas para chamar a atenção para uma questão que tende a se  agravar, qual seja, a diminuição do número de leitores, na Europa, e no resto do mundo.

O que dizer do Brasil, então? Poucos leitores, escassas livrarias, logo, raros intelectuais.

Eu diria, parafraseando o filósofo Habermas, que no Brasil não podem haver intelectuais porque há muitos telespectadores...

Contudo, o que não podemos abrir mão é do papel dos "grilos falantes" em uma sociedade de fake news, concorda?

Não dá para esquecer que os nossos poucos espaços de reflexão nas universidades estão sob fogo cerrado do desgoverno Bolsonaro.

Podemos não ter os intelectuais acadêmicos para dizerem o que precisa ser dito, mas temos uma cultura popular de tradição oral que se ouvida tem muito a nos ensinar.

Duvida? Então dá uma passada no Nordeste para ver do que estou falando...


Porto Alegre, 18 de maio de 2018.

Imagem: Pinterest

Edu Cezimbra

Dia Cinzento


Porto Alegre, 18 de maio de 2019.

Imagem: Pinterest

Design: Canva

Edu Cezimbra

quinta-feira, 16 de maio de 2019

Brasil reincidente


O Brasil saiu do rol dos países emergentes, mas permanece firme no primeiro lugar dos países reincidentes.

Sabemos que a reincidência pode ser no crime, no vício, ou em ambos.

O Brasil é reincidente em ambos: no crime de racismo estrutural e no vício perverso dos escravocratas.

Outra reincidência grave é a da ditadura e do ataque às instituições democráticas, agravadas agora, pois este ataque vem justamente dos poderes que tem a missão de defendê-la.

A mim parece que esta reincidência crônica mereceria estudos e pesquisas sociológicas e, digo mais, psicológicas.

Como explicar esta falta de respeito pelas regras básicas da civilização, por que esta reincidência na barbárie colonial e fascista?

Por exemplo, o fim da escravidão com a Lei Áurea, em 1888 abriu brechas para se escrever logo depois, em 1890, um Código Penal racista que criminalizava e prendia os negros pelo simples fato de serem negros.

Pois é, meu caro e raro leitor, precisamos dar um FIM a essas tristes histórias para que haja um reinício do Brasil democrático e republicano e não a reincidência do Brasil colonial e autoritário.

E Viva o Povo Brasileiro!!!

Porto Alegre, 16 de maio de 2019.

Imagem: Pinterest

Edu Cezimbra


quarta-feira, 15 de maio de 2019

Desejo



Não sei o que de mim quero
Se só o que quero é a ti
Como saber de mim
Sem saber de ti?
Se tu soubesses
O que de mim não sei...
Se de mim não sabes
Como saberei de ti?
Se a mim não queres
A mim não quero...




Porto Alegre, 15 de maio de 2019.

Imagem: Picasso, Pinterest

Edu Cezimbra

Memórias do Prato


Ouço no rádio a notícia de que brasileiros estão "comendo" 5 litros per capita de veneno, enquanto saboreio o arroz orgânico do assentamento da reforma agrária,  feijão sem veneno debulhado pelo meu filho Fran e por mim, colhido nas terras dos pais da minha companheira, acompanhados de chuchu colhido nos fundos do quintal da casa de minha mãe, em Canela, junto com meu pai (in memoriam), além de uma salada verde da feira dos agricultores ecologistas da Tristeza, em Porto Alegre-RS.

Portanto, há alternativas ao alcance dos interessados...

Uma boa dica é a do ativista e pesquisador científico Michael Pollan que aconselha evitar "alimentos" anunciados na televisão.

Alargando a ideia de alimentação saudável, eu, por exemplo, não assisto os telejornais.

Outro dia li um artigo que afirmava que "comer é um ato revolucionário". Sendo assim, eu me assumo como um revolucionário armado de faca... e garfo!

"O Veneno Está na Mesa", mas no meu prato mando eu!

Porto Alegre, 15 de maio de 2019.

Imagem: arquivo pessoal

Edu Cezimbra


terça-feira, 14 de maio de 2019

Antônio Conselheiro


Antônio Conselheiro é o que se pode chamar de um profeta que pregava no deserto para multidões de pobres e desesperados sertanejos.

O sertão nordestino guarda em seu chão torrado pelo sol a memória do beato que dizia que "o sertão vai virar mar e o mar vai virar sertão".

Quando Canudos foi atacado pelo exército brasileiro, o lugar era uma povoação com mais de vinte mil almas que buscavam o consolo na figura messiânica do Conselheiro.

Por ter instituído o casamento civil, Antônio Conselheiro era contra a República e o Presidente da República era "um impostor que queria destruir a religião".

Alguns dos epítetos atribuídos ao beato dão conta de como a imprensa da época tratava-o: "fanático, insurgente, subversivo", entre outros "elogios".

Hoje, a imprensa seguiria rotulando o Conselheiro de fanático, além de agitador e terrorista.

Conta um historiador que um frade que passou por Canudos perguntou porque o líder religioso cercava-se de homens armados, ao que o Conselheiro respondeu com esta frase que se tornou célebre: 

"No tempo da Monarquia deixei-me prender porque reconhecia o governo; hoje não, porque não reconheço a República."

O meu caro e raro leitor, sempre alerta, já percebeu que o dito acima é uma legítima declaração de desobediência civil, o que faz do nosso Conselheiro um pioneiro junto com Thoreau, nos EUA!

Desobediência Civil que volta à tona, puxada por lideranças populares, para resistir ao atual governo brasileiro, cujo presidente insiste em prosseguir com a trágica herança colonial e imperial brasileira, cheia de histórias de repressão e massacres contra o pobre povo brasileiro. 


Porto Alegre, 14 de maio de 2019.

Imagem: Pinterest

Edu Cezimbra

segunda-feira, 13 de maio de 2019

Sortilégio



                                         Lançaste um sortilégio
                                         Bruxaria de amor
                                         Depois do que 
                                         Qualquer um rastejará 
                                         Aos teus pés
                                         Fará tudo que  desejares
                                         Será teu escravo sexual

                                         Só que o sortilégio falhou
                                         Cadastra-te então
                                         Em um site de relacionamentos...

Porto Alegre, 13 de maio de 2019.

Imagem: Pinterest

Edu Cezimbra

domingo, 12 de maio de 2019

Reino Animal


No reino animal o rei inconteste é o Leão.

Há, portanto, uma rígida divisão de classes em todo reino.

Todos os outros animais, nobres ou plebeus, rendem homenagem ao seu rei.

Uma fábula desconhecida pelos contistas europeus, talvez por desconhecimento do folclore brasileiro é a do auto-proclamado Rei Mico-Leão.

Com o advento das grandes navegações houve troca de embaixadores entre os animais de todos os continentes.

Após uma curta estada na África, o Mico-Leão, ao voltar para a mata brasileira convocou uma assembléia para se auto-proclamar rei. 

Para convencer os nobres animais da selva brasileira alardeou um parentesco com o poderoso Rei Leão da África.

Distribuiu títulos de nobreza para vários animais usando de analogias com os nobres animais africanos.

Se no reino animal africano os duques eram os elefantes nomeou as antas como duquesas (mais pela tromba do que pelo tamanho).

Os barões africanos como sabemos são os crocodilos, logo os jacarés do papo-amarelo viraram Barões do Pantanal.

Os marqueses africanos são os búfalos, portanto os búfalos importados da Índia viraram Marqueses de Marajó por analogia primata.

As condessas africanas são as girafas, sem problemas, temos as garças de pescoço comprido, as Condessas do Taim.

Apesar da frustração dos animais que não foram agraciados com títulos de nobreza, o Rei Mico-Leão I reinava absoluto no Reino Animal Brasileiro.

Até que um papagaio-de-pirata, que também havia viajado para a África em um navio pirata deu com a língua nos dentes, digo, no bico.

Denunciou a farsa do Mico-Leão, acusando-o de usurpador animal, pois os macacos na África não passavam de conselheiros do rei (apenas os babuínos), que o Rei Leão era um felino, do qual o mais próximo parente brasileiro era a onça pintada.

Antes de ir para o exílio político, em um zoológico parisiense,  Mico-Leão I acusou o papagaio-de-pirata de "amigo da onça", deixando como herança de seu breve reinado essa clássica expressão popular.

Moral da fábula: "Não basta sobrenome real, antes é preciso estar no topo da cadeia alimentar." 


Porto Alegre, 12 de maio de 2019.

Imagem: Google

Edu Cezimbra