Blog de Eduardo Sejanes Cezimbra para escrever sobre a vida, rascunhando impressões, como se manuscrito com caneta-tinteiro e mata-borrão. "Escrevo porque preciso, publico porque amo."
O Facebook me lembra de um feriado , em 2015, na Praia do Rosa. Recordo que na volta para casa, demos uma parada para almoçar com amigos na Praia Gaúcha, em Torres, depois uma visitada ao CEBB Caminho do Meio, para finalmente chegar na Ponta da Cuíca, em Belém Novo, bairro do Extremo Sul de Porto Alegre. Enfim, um roteiro em meio à matas preservadas é revigorante e alentador, diante de tantas torres de concreto em nossas praias e cidades. Para quem mora no meio do mato, todo dia é verde, - que te quero verde!
O Brasil sempre foi visto com desconfiança pelas jovens repúblicas sul-americanas que lhe faziam fronteira.Por ser um Império regido por uma dinastia europeia, escravocrata, e principalmente pelo seu expansionismo territorial junto com a Argentina.
Uma data que poucos conhecem e que provavelmente prefere ser esquecida pelos uruguaios e paraguaios: 4 de agosto de 1864, ultimato do governo imperial brasileiro ao governo uruguaio para que abra mão de sua soberania política.
De tão ofendidos os uruguaios se recusam a arquivar o ultimato. Enviam cópia para Francisco Solano López, presidente do Paraguay, com o qual haviam assinado Tratado de Defesa em troca da livre navegação para os produtos paraguaios no Rio da Prata.
Resposta do governo paraguaio: considera qualquer invasão do Uruguay como declaração de guerra do Brasil ao Paraguay..
O governo paraguaio avisou ao Império do Brasil que a guerra seria inevitável caso essa invasão ocorresse.
A armada brasileira sobe o Rio da Prata e invade o Uruguay derrubando o seu governo constitucional e colocando no poder um caudilho favorável aos interesses do Império do Brasil e da Confederação Argentina.
O presidente Solano Lopez declara guerra ao Brasil na defesa dos uruguaios e de seu próprio país ameaçado pelo bloqueio do Rio da Prata.
Começava a maior guerra da América do Sul, a chamada Guerra do Paraguay, também conhecida por Guerra da Tríplice Aliança e que, hoje se reconhece, foi uma guerra orquestrada para exterminar com os paraguaios e seu modelo de governo revolucionário para a época.
Depois de uma resistência heroica do povo paraguaio aos invasores de sua pátria restavam mortos 75,75% dos paraguaios restando mulheres, velhos e crianças.
O genocídio está feito, escreveu Julio José Chiavenatto no livro Genocídio Americano: A Guerra do Paraguay.
Do lado da Tríplice Aliança a maioria das baixas eram de negros escravizados por brasileiros e argentinos, o que resultou no extermínio dos negros argentinos.
Artigas, Solano López, Mujica, Lugo, Chavez, Evo Morales e uma história que os une.
Mujica recebe pelas mãos de Lugo o Grande Colar do Marechal Francisco Solano López, Ordem Nacional de Mérito do Paraguay Foto: Governo do Uruguay
Até pouco tempo atrás os livros didáticos de História do Brasil traziam a versão do imperador D. Pedro II sobre a Guerra do Paraguay em que o vilão é o presidente paraguaio Francisco Solano López.
O que os livros de história deixavam de lado nas causas não-declaradas desta guerra são a forte justiça social e soberania popular tanto do Uruguay de Artigas quanto do Paraguay de Solano López.
O que convenhamos ainda hoje é omitido pela mídia comercial brasileira sobre os governos com apoio popular na América do Sul, entre eles os governos da Venezuela e da Bolívia, sem falar de Cuba.
As histórias da formação do Uruguay e do Paraguay, como agora a Bolívia, Cuba e Venezuela tem muito a nos mostrar do quanto estes dois países buscaram oferecer às suas populações humildes, especialmente aos povos indígenas que ali habitavam, condições dignas de vida.
Ambos, redistribuíram terras a estas nações dando-lhes autonomia e direitos sociais, bem como uma educação pública de qualidade e a defesa intransigente dos interesses populares contra suas oligarquias sempre à serviço de potências estrangeiras.
Eduardo Galeano, em seu livro Espelhos conta que a ditadura militar uruguaia construiu um mausoléu em Montevidéu para o herói nacional José Artigas e buscou frases deste para decorar o monumento fúnebre.
Hoje quem visita o mausoléu constata que há apenas as datas das batalhas que Artigas travou pela independência do Uruguay.
É que todas as citações de Artigas encontradas são um apelo ao respeito aos gaúchos humildes, à garantia dos direitos indígenas e à rebeldia diante do opressor.
Dona Tristeza é uma senhora bem conservada considerando sua idade avançada. Alegria é uma jovem na flor da idade espalhando jovialidade por onde anda. Raramente se encontram pois onde uma está a outra não se encontra... Somente em ocasiões especiais se encontram; por exemplo, no pôr-do-sol, quando uma cruza com a outra. - Boa tarde, Dona Tristeza, como tem passado? - Boa tarde, senhorita Alegria, tenho passado bem triste... - Vai desculpar, dona Tristeza, mas a senhora não sabe que águas passadas não movem moinho?! - Sei muito bem, minha filha, a minha tristeza é que não há mais moinhos movidos a água. - Hahaha... muito boa essa piada! - Piada é coisa de pinto, eu estou mais pro "canto do cisne", se é que me entendes... - ?!?!?!... - Desconfio que a jovem Alegria ainda não conhece o "canto do cisne"... - Essa eu não conheço, dona Tristeza, mas sei outra muito boa! - Não tem graça essas tuas piadas bobas... - Que é isso?!! Deixa a tristeza pra lá!!! - Muito engraçadinha, fazendo piada com a desgraça alheia... - Ai, desculpa, dona Tristeza, só queria alegrar a senhora! - Alegria, tu és muito nova, mas um dia vais saber que "tristeza não tem fim, felicidade sim"... - Que tristeza, isso, mas dito assim é bonito, Dona Tristeza. Depois, quando o sol se põe e a noite borra as nuances róseas e lilases do poente, a Alegria e a Tristeza não se falam mais...
Do Oiapoque ao Chuí Há um Raul presente O Raul que ensinou o Paulo Coelho Saiu no tapa com o Sílvio Santos Cantou a Rita Lee Cantou com o Marcelo Nova Juntou Elvis e Luís Gonzaga Roque e Baião Anarquismo, misticismo Álcool e subversão Maluco Beleza Da Sociedade Alternativa Nascido há dez mil anos atrás A mosca que pousou em sua sopa Por essas e outras Ouviu-se o Grito do Ipiranga "TOCA RAUL"!!!
Tem quem dramatize tudo... a expressão popular que melhor define este comportamento é "fazer tempestade em copo d'água". É muito boa, porque exagerada. No máximo, um copo d'água provocará uma inundação na cozinha... Alguém mais detalhista perguntará se o copo estava cheio, ao que um otimista dirá que o copo estava cheio até a metade, e um pessimista que o copo estava vazio até a metade. Se derramar a água do copo não fará nenhuma diferença para qualquer um dos dois... A não ser que alguém diga: - não foi nada! Ao que um outro poderá dizer: - seu desastrado! Ora, não façamos tempestade em copo d'água!!! O que me leva a concluir que quem faz drama na vida é dramaturgo, - ou um melancólico depressivo...
Por Eduardo Sejanes Cezimbra Dias atrás falava a um amigo chileno ligado às artes que o tango, música tradicional argentina, foi criado pelos afrodescendentes do Rio de la Plata, em Buenos Aires, ao que ele me redarguiu que sabia da influência francesa em sua origem. Compreensível o seu ceticismo quanto à minha informação, já que para o imaginário social sul-americano nem negros há na Argentina... “ Pero que los hay, los hay”... Mas isso fica para depois. O tango surgiu da combinação da milonga rural com o ritmo e os passos de dança dos afrodescentes argentinos, segundo informa o antropólogo da Universidade de Buenos Aires, Cláudio Spiegel. E aqui tocamos neste ponto pouco falado, que foi ou é o processo de colonização argentino, que preconceituosamente rotulou de bárbaros, atrasados, selvagens e desordeiros toda uma população que habitava o pampa e o sul da Argentina. Uma estratégia de genocídio e de posterior invisibilização desta gente negra, indígena e mestiça que peleava e convivia como nos conta José Hernández, no poema épico “Martín Fierro” e Jorge Luis Borges com a “Milonga de los morenos”, musicada pelo compositor gaúcho Vitor Ramil: alta la voz y animosa / como si cantara flor, / hoy, caballeros, le canto / a la gente de color. marfil negro los llamaban / los ingleses y holandeses / que aquí los desembarcaron / al cabo de largos meses. en el barrio del retiro / hubo mercado de esclavos; de buena disposición / y muchos salieron bravos. Haviam negros na Argentina, portanto, mas o que aconteceu com eles? Foram enviados para a Guerra do Paraguai e quem não morreu nos campos de batalha sucumbiu devido epidemias que grassavam nos bairros pobres de Buenos Aires. Aliás, basta atravessar o Rio de la Plata e vamos encontrar, na Banda Oriental do Uruguai, um ritmo também oriundo da África, denominado candombe, tocado pelos afrodescendentes uruguaios em seus tablados e murgas. Esta contraposição dos povos originários ou crioulos como atrasados com a elite oligárquica argentina autodeclarada moderna, que imitava os jardins parisienses, a arquitetura francesa e promovia óperas é um caso típico de colonização cultural. Para quem não conhece a Argentina pode ser surpreendente o ressentimento declarado dos moradores provincianos em relação ao “portenho”, morador da metrópole. Também não é por mero acaso que a expulsão das antigas populações indígenas e crioulas do pampa e da Patagônia foi denominada “colonização” feita a partir de “colonos” europeus, especialmente italianos e alemães.
O que não impediu que estas populações resistissem, apesar de invisibilizados e expulsos de seus territórios tradicionais, com suas tradições e seu rico folclore, como podemos apreciar nas figuras mais conhecidas de Mercedes Sosa e de Atahualpa Yupanqui. A Argentina, embora sua oligarquia não goste é muito latino-americana, sim, e tem um importante papel na integração da América do Sul, através do Mercosul e de suas raízes indígena, africana e crioula. Publicado originalmente em Ecologia dos Saberes