Blog de Eduardo Sejanes Cezimbra para escrever sobre a vida, rascunhando impressões, como se manuscrito com caneta-tinteiro e mata-borrão. "Escrevo porque preciso, publico porque amo."
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021
Folhas Verdes
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021
Brasil Urgente
Brasil rima com Pelé
com café
com tefé.
Brasil não rima com infantil
com juvenil
com varonil.
Brasil urgente
com gente
com presente
com Presidente!
Porto Alegre, 17 de fevereiro de 2021.
Imagem: Tarsila do Amaral, Google
Edu Cezimbra
terça-feira, 16 de fevereiro de 2021
Cléo e Marco Antônio
Cléo vivia confortavelmente em sua casa de praia no condomínio Alto Egito em Atlândida e era a Rainha do Lar.
Marco Antônio era um conquistador, um amante latino, por assim dizer.
Um certo dia Marco, para encurtar, resolveu passar uma temporada na praia e viajou para Atlândida.
Cléo morava na rua Alexandria, esquina avenida Tebas, no condomínio Alto Egito, lugar valorizado em Atlândida.
Marquinho, além de conquistador, era um especulador imobiliário, e ao botar o olho grande no Condomínio Alto Egito, do qual Cléo era a síndica, resolveu tomar conta do pedaço sem gastar muito.
Marquinho, ao invés de oferecer dinheiro ofereceu seu coração.
- Cléo, Rainha do Lar, assim que te vi fui atingido pela flecha de Cupido!
- Ai, Marquinho, isso não é filme de índio e tu não é nenhum mocinho - zoou Cléo.
- Não, Cléo, minha Rainha do Lar, isso está mais para filme de espada, se é que me entendes...
- Ui, Marquinho, assim me assustas, sou uma mulher de direita!
- Cléo, casa comigo, e além de Rainha do Lar serás a Rainha das Noivas.
- Ai, que romântico, Marcão, mas não nos precipitemos, antes vamos ver se combinamos - fez-se de rogada a Cléo.
- Cléo, aceite o meu pedido e te darei o mundo!
- Ora, Marquinho, seu exagerado, deitado aos meus pés, eu já tenho muito trabalho em ser síndica do Condomínio Alto Egito, não daria conta do mundo!
Nisso entra apressada a empregada doméstica, com o telefone na mão.
- Dona Cléo, telefone do seu Júlio César para a senhora.
Marco Antônio apenas resmunga antes de sair de cena: - fudeu...
Porto Alegre, 16 de fevereiro de 2021.
Imagem:Pinterest
Edu Cezimbra
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021
Carnavalesco
E o carnaval não aconteceu
E não foi por falta de verba.
Foi por falta de saúde,
falta de vacina,
falta gravíssima,
A gravar a folia.
Carnaval sem máscara,
sem foliões,
sem samba.
Carnaval é carne vale,
Carnaval sem carne
Não vale.
É só quarta-feira de cinzas,
Quaresma até o carnaval voltar...
Porto Alegre, 15 de fevereiro de 2021.
Imagem: Plague Doctor, Google
Edu Cezimbra
domingo, 14 de fevereiro de 2021
O Julgamento
O julgamento é uma faculdade humana, demasiada humana.
Juiz tem a prerrogativa de condenar ou inocentar um réu.
É uma figura onipresente em todas as culturas em que as leis são escrituras.
Vem daí o dito popular "escreveu, não leu, o pau comeu", apanágio da civilização.
Outra figura importante do julgamento é o advogado de defesa, pois um réu tem garantido um amplo direito de defesa e não pode ser condenado sem provas cabais.
O meu caro e raro leitor deve estar se perguntando do por que desta enfadonha e já sabida vulgata do processo penal.
Explico. É o tipo de introdução ao Direito que todo cidadão deveria conhecer, para que todos soubessem que "in dubio pro reo".
Traduzindo, na dúvida a favor do réu, ou seja, sem provas sólidas o réu não pode ser condenado.
Como escreveu Brecht: "Tristes tempos em que é preciso repetir o óbvio".
Especialmente quando se trata de juízes.
"Não julgueis para não serdes julgado", já disse Jesus.
Neste caso, valendo para juízes brasileiros, pasme...
Porto Alegre, 14 de fevereiro de 2021.
Imagem: cena de 'O Processo', Google
Edu Cezimbra
sábado, 13 de fevereiro de 2021
Arte e Realidade
Uns dizem que Arte é para excluir a realidade, outros que Arte é para expor a realidade.
Ainda há quem diga que Arte é uma realidade.
Porto Alegre, 13 de fevereiro de 2021.
Imagem: Carnaval, Cândido Portinari, Google
Edu Cezimbra
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021
Pau-Brasil
O bêbado
É chamado
Pau-d'água.
O durão
É chamado
Pau-ferro.
O país
É chamado
Brasil.
Tiraram o pau
Deixaram o nome.
Porto Alegre, 12 de fevereiro de 2021.
Imagem: Google
Edu Cezimbra
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021
Brutalidade e Violência
Assisti, ontem, no Canal Curta, "Filmes que marcaram época" sobre o polêmico "Laranja Mecânica" do diretor Stanley Kubrik.
Chamou-me a atenção a reação do governo inglês contra o filme com tentativas de proibir a exibição por "incitação à violência".
Especialmente as cenas de estupro violentos cometidos pela gangue juvenil.
Os tablóides sensacionalistas de Londres alardearam o aumento da violência por parte de adolescentes estimulados pelo filme.
Segundo os produtores do filme entrevistados a intenção era denunciar a violência de forma cruel para impactar os espectadores.
O meu caro e raro leitor já deve estar lembrando de outro filme com a mesma boa intenção em que o tiro saiu pela culatra que é o brasileiro "Tropa de Elite".
Repare que o governo de Sua Majestade não foi contra a violência de estado perpetrado contra o jovem Alex na forma de uma violenta técnica de "lavagem cerebral".
Uma violência psicológica diferente da violência estatal brasileira, que tortura e mata para combater os traficantes dos morros cariocas.
Nos dois filmes aparece a violência gratuita que cobra um alto preço da sociedade.
A brutalidade dos adolescentes é naturalizada, por isso pode ser lapidada.
Obviamente, se a violência é brutal aí já é a brutalidade explicíta de "Tropa de Elite".
Essa brutalidade é adquirida por condicionamento para gerar a violência de estado.
Por isso, a violência jamais será revolucionária por ser brutalidade reacionária.
Fica a provocação: filmes violentos não estimulam a violência em pessoas inteligentes e sensíveis.
O que gera violência é a ignorância, como disse um dos entrevistados do documentário.
Porto Alegre, 11 de fevereiro de 2021.
Imagem: Alex e Capitão Nascimento, Google
Design: Canva
Edu Cezimbra
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021
Incertezas
Via longe
O perto
Por incerto
O hoje
Ia sem
A pressa
De quem
Na incerteza
Sabia pouco
Do nada
Por louco
Se passou
Porto Alegre, 10 de fevereiro de 2021.
Imagem: Salvador Dali, Google
Edu Cezimbra
terça-feira, 9 de fevereiro de 2021
O Poste e a Árvore
Um poste, todo altivo, exibe-se para uma frondosa árvore.
- Eu sou o poste do progresso! Portanto, abre alas que eu quero passar!!!
Embora frondosa a árvore não era orgulhosa.
- Desculpe o incômodo, "seu" Poste, desconhecia sua importância...
- Desta vez passa, mas saiba que nada pode deter o progresso!
- Que mal pergunte, mas onde tá o tal progresso? que não tô vendo...
- Como não?!! és cega, por acaso? Não estás a ver os fios de alta tensão que eu seguro?!!!
- Ah... achei que eram cipós...
- Cipós?!!! São fios que conduzem a eletricidade que move as máquinas do progresso!!!
- Entendo... as máquinas são o progresso, mas por aqui tudo piorou por causa das tais máquinas.
- Que dizes?!!! estás louca? és contra o progresso?!!!
- Não, senhor, não sou contra o progresso, mas desde que ele chegou muita coisa piorou... Antes, por aqui, todos estavam bem melhores.
- Ora, e vão ficar melhores, porque o progresso traz...traz...- ordem!
-Ah, tá...Ordem e Progresso, não é?
- Isso, todo mundo em ordem, bem alinhados, levando o progresso!
- Olha, "seu" Poste, aqui entre nós, mas se o progresso é isso, então tá causando a maior desordem...
O Poste não deu ouvidos para a velha Árvore, progredindo com a devastação, enquanto a Árvore matutava.
- O progresso é o maior atraso...
Moral do apólogo: em nome do progresso se cometem os maiores crimes.
Porto Alegre, 9 de fevereiro de 2021.
Imagem: Google
Edu Cezimbra









